Para onde quer que se vire, por onde quer que vá, qualquer que seja o caminho que escolha percorrer, o recém-chegado ao mundo das artes marciais japonesas, mais cedo ou mais tarde, ver-se-á confrontado com uma inevitável(?) palavra: bushido.
E tudo é bushido. Tudo.
Quando o “mestre” não sabe explicar o fundamento teórico de um movimento ou gesto técnico, quando não conhece a origem da sua arte, quando o que quer que seja não corre bem, logo se atira, qual remédio (remendo?) universal para todas as maleitas marciais... o bushido.
O golpe parece ilógico? O bushido explica. Não tem aplicação prática? O bushido, com a sua tremenda profundidade, fruto de séculos e séculos de aperfeiçoamento, imediatamente resolve.
O bushido é a panaceia universal do budo e está por toda a parte.
Na TV, o comentador de K1 (kick-boxing) define os combatentes como “estes guerreiros do bushido”.
Na internet, nos sites mais variados, dedicados às artes marciais mais variadas, toda a gente, toda, reclama para a sua um poucochinho de bushido.
Nas revistas o bushido tem honras de capa. Há até uma (cada vez pior) revista chamada “Karaté-bushido”.
Há até quem “crie e desenvolva” artes marciais, baseadas, pasme-se, nas "técnicas do antigo bushido".
Basicamente pode dizer-se que o bushido está para o budo como o fermento para doçaria portuguesa.
O bushido é isto tudo? Chegamos assim àquele momento fatídico em que inevitavelmente somos forçados, mais que não seja pela curiosidade crescente, a perguntar:
Mas afinal... sim, afinal o que raio é essa coisa do bushido?
Então, não tem nada que saber - dirá o “mestre” do lado. - O bushido é o antiquíssimo código de conduta dos samurais.
Nem tanto, responde modestamente este vosso humilde escriba. O bushido de que toda a gente fala e refere foi “inventado” já a “raspar” o século XX. Mais exactamente, foi obra de um homem, nascido precisamente no mesmo ano que Sasaburo Takano, de seu nome Inazo Nitobe (1862-1933), que nesse não tão antiquíssimo ano de 1899 (há quem diga 1905) publicou Bushido, the Soul of Japan (Bushido, a Alma do Japão).
E quem era então Inazo Nitobe?
Se mencionei que Inazo Nitobe (IN) nasceu no mesmo ano de S. Takano foi apenas como referência temporal porque, na verdade, as suas vidas não têm, além desse facto, a menor semelhança.
IN nasceu, tal como já disse 1862 mas embarcou quase de seguida numa educação que de certa maneira o isolou imediatamente dos acontecimentos da sua época. Começou a estudar inglês aos nove anos e depois de alguns anos de estudo em Tokyo foi enviado, aos quinze anos, para Hokkaido; aí abraçou a fé cristã e estudou principalmente Economia Agrícola, em língua inglesa e com professores americanos.
Nessa terra, que apenas então começava a ser considerada parte real do Japão, IN estava basicamente isolado das correntes culturais da época Meiji em todos os sentidos: espacial, cultural, religiosa e até linguisticamente.
Não vamos agora, aqui, batalhar muito sobre os problemas que o passado de IN criou aos seus escritos sobre o Japão. De uma maneira simples, digamos que não tinha senão um entendimento muito superficial acerca da história e da literatura japonesas, tal como os seus inúmeros erros demonstram, tanto nos textos japoneses como ingleses (IN admitiu-o, aliás, frente aos seus críticos japoneses mas não aos estrangeiros). Ele simplesmente não lera praticamente nenhum dos textos clássicos japoneses.
E nenhum dos trabalhos de IN foi mais aclamado do que, precisamente, o mencionado “clássico” Bushido que, no entanto, é sem duvida o mais inexacto de todos os seus livros.
IN nem tinha consciência (quando escreveu o livro) que o termo “bushido” já existia. Estava convencido que a palavra bushido era obra sua e revelou grande surpresa quando, anos mais tarde, um compatriota seu lhe chamou a atenção para o facto de a mesma existir desde, pelo menos, o período Tokugawa.
Durante o surto de nacionalismo que acompanhou as vitórias nas guerras sino e russo-japonesas o livro de IN, mas sobretudo o seu conceito de bushido, capturou os espíritos de muitos dos seus conterrâneos. (Tal como hoje nas artes marciais) o bushido estava em toda a parte.
Nakariya Kaiten escreveu sobre o bushidó como a religião do Japão.
Takagi Takeshi comparou o bushido ao código de cavalaria.
O colega de IN, e também cristão, Uchimura Kanzó chegou ao ponto de imaginar o bushido como:
“... a melhor criação do Japão... a cristandade apoiada sobre o bushido será a melhor criação do mundo.
Salvará não apenas o Japão mas todo o mundo.”
A informação, senhores mestres, a informação.
Há um ditado japonês que diz mais ou menos assim: “Não é vergonha ser ignorante. Vergonha é não perguntar e permanecer ignorante.”
Se há coisa que não falta nos tempos que correm é informação. E que nos diz a informação existente sobre o assunto?
Primeiro, que o bushido dos séculos XIX e XX pouco ou nada tem a ver com os princípios éticos e comportamentais dos samurais desde a fundação da sua classe por voltas do século VII da nossa era, e que foram mais ou menos explicitados, por exemplo, no Hagakure de Tsunemono Yamamoto ou no Budoshoshinshu de Daidoji Yozan, (apenas) nos séculos XVII e XVIII.
Uma época aliás, de paz, onde o importante era a criação de um código de conduta para uma classe social que, tendo sido criada exclusivamente para a guerra, se encontrava profundamente “debilitada” na sua função. Os samurai desses tempos eram burocratas e administradores e não guerreiros. Assim, as ideias apresentadas são muito mais uma mera declaração de “boas-intenções” do que um retrato fiel do comportamento dos guerreiros japoneses.
Depois, sabe-se que, desde o princípio da sua existência, a relação entre os samurais e os seus senhores era contratual. Ou seja, dependia muito do interesse e vantagens mútuas. Os guerreiros medievais permaneciam fiéis aos seus senhores, apenas enquanto beneficiavam com isso e mudavam rapidamente de partido assim que as situações lhes permitia, sendo inclusive históricas várias mudanças de campo, por vezes mesmo a meio de batalhas.
Tanto pior para o primeiro princípio do bushido, a lealdade, tão comumente apregoado pelos seus “vendedores”.
Afinal em que é que ficamos?
Lealdade, veracidade, honra, blablabla...blablabla. Por muito bonitos que esses ideiais possam ser, encarar Bushido, the Soul of Japan como sendo uma referência, um código universal de ética e de “comportamento samurai”, que se pode recitar tal como os Dez Mandamentos, parece-me um disparate monumental.
Os, mais líricos que autênticos, escritos onde o bushido provavelmente se apoia nem foram criados para toda a população japonesa, quanto mais para gaidjins. Foram sim criados para descrever - e prescrever - um comportamento ideal de uma determinada classe social, num determinado ambiente social e num determinado momento histórico.
Como diz Karl Friday: “Não tivessem eles sido cremados e Yamamoto Tsunemoto, Daidóji Yúzan e Yamaga Sokó (...) possivelmente estariam às voltas nos seus túmulos.”
Além do mais, o bushido foi fruto de uma época. Escrito por um (quase)estrangeiro “ignorante” da realidade japonesa foi aproveitado, empolado, sobrevalorizado, elevado a um nível semi-religioso pelos motivos mais oportunística e politicamente torpes. Foi trave-mestra para surtos de nacionalismo fascistas, justificação para guerras e desculpabilização de massacres.
O BUSHIDO NÃO TEM LUGAR NO BUDO MODERNO.
Diga-se o que se quiser, o objectivo das artes marciais modernas não é criar guerreiros melhores. O objectivo do budo moderno (N.A: pleonasmo), tal como se pode ver na mission statement da Nippon Budokan, é criar pessoas melhores.
Por isso, faço minhas as palavras de Almada Negreiros, poeta, modernista e tudo:
“Morra o bushido, morra... pim.”
28.7.06
26.7.06
VAI KOREA
Será talvez a primeira vez que alguém me vê a torcer por um coreano e provavelmente a única.
São imagens (um bocado maradas) do 7º campeonato do mundo.
O coreano, em jodan-kamae, contra o brasileiro, em seigan.
Vale a pena ver:
http://222.122.15.175/class/7wkc%200005.asf
São imagens (um bocado maradas) do 7º campeonato do mundo.
O coreano, em jodan-kamae, contra o brasileiro, em seigan.
Vale a pena ver:
http://222.122.15.175/class/7wkc%200005.asf
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 27
Olha, o Sousa voltou a dar notícias sobre os treinos a que eu me tenho baldado e diz ele:
Ois,
6ª feira o discurso foi basicamente o mesmo de sempre - a mão esquerda.
Que tem estar ao centro e que quanto mais cansados estivermos menos força devemos fazer com a direita.
O sensei acha que nos penduramos demasiado na direita à medida que o treino avança.
Não me lembro de mais nada de especial.
Ontem, o discurso centrou-se sobre o pouco kakarigeiko que fizemos e que tanto nos estoirou. "Ainda muito fraco..."
Um pouco frustante, mas verdade.
"Setembro recomeça, ok?"
Referia-se às aulas e ao kakarigeiko! O sensei acha que quando se conseguir fazer 8 vezes kakarigeiko sempre ao mesmo ritmo, e com kiai, então tudo muito muito melhor.
"Vocês, ao segundo já cansado, né?" :)
Joaquim, desculpa lá mas tou com pressa, percebeste a ideia né? Depois pões isso bonitinho sff.. :P
1 abc e continuação de boas férias.
Luis
Gosto do "depois pões isso bonitinho sff". Nada disso, meu. Isto é blog-verité, tás a ver?... É como cinema-verité só que não tem imagens em movimento.
É tudo real... realismo, percebes? Ok, então... fui.
Ois,
6ª feira o discurso foi basicamente o mesmo de sempre - a mão esquerda.
Que tem estar ao centro e que quanto mais cansados estivermos menos força devemos fazer com a direita.
O sensei acha que nos penduramos demasiado na direita à medida que o treino avança.
Não me lembro de mais nada de especial.
Ontem, o discurso centrou-se sobre o pouco kakarigeiko que fizemos e que tanto nos estoirou. "Ainda muito fraco..."
Um pouco frustante, mas verdade.
"Setembro recomeça, ok?"
Referia-se às aulas e ao kakarigeiko! O sensei acha que quando se conseguir fazer 8 vezes kakarigeiko sempre ao mesmo ritmo, e com kiai, então tudo muito muito melhor.
"Vocês, ao segundo já cansado, né?" :)
Joaquim, desculpa lá mas tou com pressa, percebeste a ideia né? Depois pões isso bonitinho sff.. :P
1 abc e continuação de boas férias.
Luis
Gosto do "depois pões isso bonitinho sff". Nada disso, meu. Isto é blog-verité, tás a ver?... É como cinema-verité só que não tem imagens em movimento.
É tudo real... realismo, percebes? Ok, então... fui.
23.7.06
KEN 3
Págs 68 e 69:
"Quando, com o shinai por sobre a cabeça, Jiro se lançava para atingir o men do seu opositor, a sua segurança explodia, evidente, aristocrática, esmagando imediatamente o adversário.
(...)
Assim, nessa guarda perfeitamente correcta, o seu shinai transformava-se num imenso corno ameaçador plantado na sua cabeça, enquanto que uma energia proliferava, semelhante à dos cumulo-nimbus no azul do verão, parecendo transcender o céu."
"Quando, com o shinai por sobre a cabeça, Jiro se lançava para atingir o men do seu opositor, a sua segurança explodia, evidente, aristocrática, esmagando imediatamente o adversário.
(...)
Assim, nessa guarda perfeitamente correcta, o seu shinai transformava-se num imenso corno ameaçador plantado na sua cabeça, enquanto que uma energia proliferava, semelhante à dos cumulo-nimbus no azul do verão, parecendo transcender o céu."
19.7.06
51º ESTE-OESTE
51º Taikai Este-Oeste (nanadan e acima).
Com a participação especial de Eiga Naoki (aka) a executar um kote-men de antologia:
http://user.chol.com/~kummisa2/51ds/ds003.wmv
Alguns resumos de combates:
http://user.chol.com/~kummisa2/51ds/ds002.wmv
Mais alguns resumos de combates:
http://user.chol.com/~kummisa2/51ds/ds015.wmv
Com a participação especial de Eiga Naoki (aka) a executar um kote-men de antologia:
http://user.chol.com/~kummisa2/51ds/ds003.wmv
Alguns resumos de combates:
http://user.chol.com/~kummisa2/51ds/ds002.wmv
Mais alguns resumos de combates:
http://user.chol.com/~kummisa2/51ds/ds015.wmv
KEN 2
Consegui.
Consegui comprar o livro no fim-de-semana passado. Começa assim:
"Sobre o Do negro lacado, resplandeciam, dourados, dois botões de Genciana, o brasão da família Kokubu.
Através do largo raio de sol poente que penetra pela janela do dojo, as gotas de suor escapam-se como fagulhas do espesso keiko-gi indigo de Kokubu Jirô e voam à sua volta."
Parágrafo de abertura de “Ken” de Hiraoka Kimitake, mais conhecido como Yukio Mishima.
Consegui comprar o livro no fim-de-semana passado. Começa assim:
"Sobre o Do negro lacado, resplandeciam, dourados, dois botões de Genciana, o brasão da família Kokubu.
Através do largo raio de sol poente que penetra pela janela do dojo, as gotas de suor escapam-se como fagulhas do espesso keiko-gi indigo de Kokubu Jirô e voam à sua volta."
Parágrafo de abertura de “Ken” de Hiraoka Kimitake, mais conhecido como Yukio Mishima.
18.7.06
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 26
Segunda-feira, 18 de Julho
O texto seguinte foi-me enviado pelo Luis, o "Sousa":
Joaquim,
Ontem o sensei apenas se referiu ao calor/abafamento do ginásio "Muito quente, né?" e riu-se.
O treino foi bom, suburi, ashi-sabaki, kihon com bogu, jigeiko e kirikaeshi.
Abraço,
Luis
Prontes.
O texto seguinte foi-me enviado pelo Luis, o "Sousa":
Joaquim,
Ontem o sensei apenas se referiu ao calor/abafamento do ginásio "Muito quente, né?" e riu-se.
O treino foi bom, suburi, ashi-sabaki, kihon com bogu, jigeiko e kirikaeshi.
Abraço,
Luis
Prontes.
11.7.06
DOENÇAS INFANTIS DAS ARTES MARCIAIS JAPONESAS 1 - O MISTICISMO
As artes marciais japonesas, que daqui em diante designarei por budo, são, possivelmente, uma das mais bem sucedidas exportações culturais de todos os tempos.
Nos locais mais recônditos do planeta e pelos motivos mais variados que podem ir desde a simples “saudade de casa” até razões como treino militar, auto-defesa, exercício físico, preservação da identidade cultural, etc, etc, etc, alguém pratica judo, karate, jukendo, iaido ou qualquer outra forma de budo.
No espectro abrangido entre sociedades totalitárias de esquerda e de direita, passando por todos os tipos de realidade social e cultural, sem olhar a raças, convicções religiosas ou opções sexuais, o budo assenta as suas raízes pacífica mas tenazmente. Onde quer que esteja, Jigoro Kano deve estar muito feliz.
E estranhamente perante tal fartura, se por um lado os “livros técnicos”, chamemos-lhes assim, acerca dos mais variados budos não faltam (muito pelo contrário), qualquer leitor mais atento se dará conta da falta de literatura que se debruce de uma maneira séria sobre os fundamentos teóricos e filosóficos do budo.
Talvez por isso a biblioteca típica dos praticantes de budo de todo o mundo, por mais cépticos que se auto-denominem, está repleta de títulos que reflectem tudo menos cepticismo perante as realidades do combate.
Se, por um lado, se advoga por vezes uma eficácia sem igual acerca do método praticado, por outro, “Segredos do samurai”, “A via zen das artes marciais”, “A arte cavalheiresca do arqueiro zen”, juntamente com obras como “A Mente Imaculada (cartas de um mestre zen para um mestre da espada)” ou o inevitável “Livro dos cinco anéis”, são presença frequente (obrigatória?) nas estantes dos budokas, um pouco por todo o lado.
Mais, são muitas vezes o motivo que leva a que a prática tenha sido iniciada, mas por vezes também, o motor que mantém a dita prática em funcionamento.
Exagero, dirão?
Na sua comunicação “The Myth of Zen in the Art of Archery” (O mito do zen no tiro com arco), Yamada Shoji refere um inquérito de opinião conduzido em 1983 pelo Projecto de Pesquisa de Kyudo (Kyodo Kenkyoshitsu) da Universidade de Tsukuba, onde foi perguntado a 131 praticantes alemães de kyudo o que os tinha levado a iniciar a prática do tiro com arco japonês.
Os resultados foram surpreendentes (?):
Uns “gigantescos” 84% responderam “para treino espiritual”. Cerca de 61% referiram interesse pelo zen e 49% especificaram que tinham começado a praticar kyudo porque tinham lido “A arte cavalheiresca do arqueiro zen” (Zen in der Kunst des Bogenschiessens), escrito por Eugen Herrigel (1884-1955).
Não sendo o objectivo deste post desancar na credibilidade do livro escrito pelo senhor Herrigel (o artigo mencionado acima, fá-lo melhor do que ninguém) gostaria, no entanto, de levantar algumas questões que me parecem pertinentes.
A primeira parece-me óbvia pelo que já foi dito ao longo deste post. A falta de bons livros sobre as teorias e as filosofias do budo, traduzidos para a biblioteca “ocidental”, leva a que os praticantes procurem um pouco de tudo o que lhes pareça que pode ajudar, não só à sua prática diária, mas que lhes forneça algo parecido com alicerces em que possa assentar as suas ideias e convicções acerca da mesma.
Se não, como explicar que um praticante de kendo (e não só de kendo) possa, por exemplo, ter como livro de cabeceira o “Livro dos cinco anéis” de Miyamoto Musashi, uma obra sobre esgrima japonesa escrita no séc. XVI? Como explicar o sucesso de obras como “Bushido”, de Inazo Nitobe (1862-1933), um professor universitário sem qualquer ligação conhecida ao budo e que viveu grande da sua vida fora do Japão?
Escusado será dizer que isso se traduz muitas vezes em mal-entendidos difíceis de sarar. Certas atitudes e hábitos que, na opinião deste vosso escriba, raiam por vezes o ridículo, tornam-se difíceis, senão impossíveis, de contrariar.
Pego, como exemplo, nas palavras do senhor Yamada Shoji acerca da relação entre o kyudo e o zen:
“Se nos confinarmos ao período pós-Meiji (após 1868), a maior parte das pessoas praticaram-no (N.Tr.: ao kyudo) quer como forma de educação física quer pelo simples prazer. Nos textos anteriores à (segunda) guerra, dedicados ao tiro com arco japonês, com a excepção de algumas seitas religiosas isoladas, existem poucas ou nenhumas referências às afinidades entre o kyudo e o zen. Do mesmo modo, entre os praticantes de kyudo japoneses modernos, os que o abordam como uma prática zen são extremamente raros.
Apesar desses factos, livros e comentadores populares continuam a enfatizar a relação entre o tiro com arco japonês e o zen.”
Ki, zen, shin, mushin, fudoshin, seme, kokoro e muitas outras “palavras difíceis” que povoam páginas e páginas, são muitas vezes conceitos que evoluem através dos tempos e que, num texto do séc. XVI, por exemplo, significavam uma coisa e hoje significam uma outra completamente diferente. Se a isso juntarmos as dificuldades de tradução do japonês onde, consoante o contexto, certos conceitos, já de si bastante vagos, podem adquirir as significações mais diversas e o facto de muitos livros já serem uma tradução de uma tradução, qual será a atitude mais certa a tomar?
Deixar simplesmente de ler? Não vou tão longe. Mas parece-me que o melhor será não fazer tanta “fé” na leitura e abordar certos temas mais “mistico-filosóficos” com alguma prudência ou mesmo algum cinismo.
Afinal de contas, por mais livros que se leia, o entendimento do budo passa única e exclusivamente pela prática.
É preciso que nunca nos esqueçamos que, ao invés de uma corrente muito em voga nos dias de hoje e que muita gente segue, e vende, nos seus livros, a filosofia das artes marciais não é constituída por uma mão cheia de valores budistas, duas colheres de chá de zen, um pouco de confucionismo e umas pitadas de xintoísmo.
Esses supostos ensinamentos do budo que muitas vezes são apresentados como moral devem ser, pelo contrário e antes de mais nada, o fruto de uma praxis. Como, e muito bem, diz o sensei Kenji Tokitsu:
“Esse ensinamento é por vezes concebido como moral, mas o seu fundamento é técnico. A arte do combate é uma arte pragmática. Diria que a moral emerge aqui de um pragmatismo levado ao limite. É uma particularidade do budo. Não se trata de uma associação de valores morais à prática das armas.”
Em resumo: se o que se procura nesse tipo de leitura, filosófica, digamos assim, é uma revelação que permita um maior entendimento dos fundamentos do budo, para assim melhorar o desempenho no mesmo, isso parece-me ser um caminho completamente errado.
No budo, as revelações dão-se apenas no dojo, à luz do keiko.
Um lançador de dardo, pode gostar de ler sobre relva.
Pode saber tudo sobre os diferentes tipos de relva que crescem nos estádios onde pratica e compete.
Pode mesmo ser um botãnico especializado em relva.
Pode até cultivar relva com muito sucesso.
Mas tudo isso nunca vai fazer com que o dardo que lança se vá espetar um centímetro sequer a mais do que a sua melhor marca, só porque se vai espetar... na relva.
Próxima doença: o bushido crónico
Nos locais mais recônditos do planeta e pelos motivos mais variados que podem ir desde a simples “saudade de casa” até razões como treino militar, auto-defesa, exercício físico, preservação da identidade cultural, etc, etc, etc, alguém pratica judo, karate, jukendo, iaido ou qualquer outra forma de budo.
No espectro abrangido entre sociedades totalitárias de esquerda e de direita, passando por todos os tipos de realidade social e cultural, sem olhar a raças, convicções religiosas ou opções sexuais, o budo assenta as suas raízes pacífica mas tenazmente. Onde quer que esteja, Jigoro Kano deve estar muito feliz.
E estranhamente perante tal fartura, se por um lado os “livros técnicos”, chamemos-lhes assim, acerca dos mais variados budos não faltam (muito pelo contrário), qualquer leitor mais atento se dará conta da falta de literatura que se debruce de uma maneira séria sobre os fundamentos teóricos e filosóficos do budo.
Talvez por isso a biblioteca típica dos praticantes de budo de todo o mundo, por mais cépticos que se auto-denominem, está repleta de títulos que reflectem tudo menos cepticismo perante as realidades do combate.
Se, por um lado, se advoga por vezes uma eficácia sem igual acerca do método praticado, por outro, “Segredos do samurai”, “A via zen das artes marciais”, “A arte cavalheiresca do arqueiro zen”, juntamente com obras como “A Mente Imaculada (cartas de um mestre zen para um mestre da espada)” ou o inevitável “Livro dos cinco anéis”, são presença frequente (obrigatória?) nas estantes dos budokas, um pouco por todo o lado.
Mais, são muitas vezes o motivo que leva a que a prática tenha sido iniciada, mas por vezes também, o motor que mantém a dita prática em funcionamento.
Exagero, dirão?
Na sua comunicação “The Myth of Zen in the Art of Archery” (O mito do zen no tiro com arco), Yamada Shoji refere um inquérito de opinião conduzido em 1983 pelo Projecto de Pesquisa de Kyudo (Kyodo Kenkyoshitsu) da Universidade de Tsukuba, onde foi perguntado a 131 praticantes alemães de kyudo o que os tinha levado a iniciar a prática do tiro com arco japonês.
Os resultados foram surpreendentes (?):
Uns “gigantescos” 84% responderam “para treino espiritual”. Cerca de 61% referiram interesse pelo zen e 49% especificaram que tinham começado a praticar kyudo porque tinham lido “A arte cavalheiresca do arqueiro zen” (Zen in der Kunst des Bogenschiessens), escrito por Eugen Herrigel (1884-1955).
Não sendo o objectivo deste post desancar na credibilidade do livro escrito pelo senhor Herrigel (o artigo mencionado acima, fá-lo melhor do que ninguém) gostaria, no entanto, de levantar algumas questões que me parecem pertinentes.
A primeira parece-me óbvia pelo que já foi dito ao longo deste post. A falta de bons livros sobre as teorias e as filosofias do budo, traduzidos para a biblioteca “ocidental”, leva a que os praticantes procurem um pouco de tudo o que lhes pareça que pode ajudar, não só à sua prática diária, mas que lhes forneça algo parecido com alicerces em que possa assentar as suas ideias e convicções acerca da mesma.
Se não, como explicar que um praticante de kendo (e não só de kendo) possa, por exemplo, ter como livro de cabeceira o “Livro dos cinco anéis” de Miyamoto Musashi, uma obra sobre esgrima japonesa escrita no séc. XVI? Como explicar o sucesso de obras como “Bushido”, de Inazo Nitobe (1862-1933), um professor universitário sem qualquer ligação conhecida ao budo e que viveu grande da sua vida fora do Japão?
Escusado será dizer que isso se traduz muitas vezes em mal-entendidos difíceis de sarar. Certas atitudes e hábitos que, na opinião deste vosso escriba, raiam por vezes o ridículo, tornam-se difíceis, senão impossíveis, de contrariar.
Pego, como exemplo, nas palavras do senhor Yamada Shoji acerca da relação entre o kyudo e o zen:
“Se nos confinarmos ao período pós-Meiji (após 1868), a maior parte das pessoas praticaram-no (N.Tr.: ao kyudo) quer como forma de educação física quer pelo simples prazer. Nos textos anteriores à (segunda) guerra, dedicados ao tiro com arco japonês, com a excepção de algumas seitas religiosas isoladas, existem poucas ou nenhumas referências às afinidades entre o kyudo e o zen. Do mesmo modo, entre os praticantes de kyudo japoneses modernos, os que o abordam como uma prática zen são extremamente raros.
Apesar desses factos, livros e comentadores populares continuam a enfatizar a relação entre o tiro com arco japonês e o zen.”
Ki, zen, shin, mushin, fudoshin, seme, kokoro e muitas outras “palavras difíceis” que povoam páginas e páginas, são muitas vezes conceitos que evoluem através dos tempos e que, num texto do séc. XVI, por exemplo, significavam uma coisa e hoje significam uma outra completamente diferente. Se a isso juntarmos as dificuldades de tradução do japonês onde, consoante o contexto, certos conceitos, já de si bastante vagos, podem adquirir as significações mais diversas e o facto de muitos livros já serem uma tradução de uma tradução, qual será a atitude mais certa a tomar?
Deixar simplesmente de ler? Não vou tão longe. Mas parece-me que o melhor será não fazer tanta “fé” na leitura e abordar certos temas mais “mistico-filosóficos” com alguma prudência ou mesmo algum cinismo.
Afinal de contas, por mais livros que se leia, o entendimento do budo passa única e exclusivamente pela prática.
É preciso que nunca nos esqueçamos que, ao invés de uma corrente muito em voga nos dias de hoje e que muita gente segue, e vende, nos seus livros, a filosofia das artes marciais não é constituída por uma mão cheia de valores budistas, duas colheres de chá de zen, um pouco de confucionismo e umas pitadas de xintoísmo.
Esses supostos ensinamentos do budo que muitas vezes são apresentados como moral devem ser, pelo contrário e antes de mais nada, o fruto de uma praxis. Como, e muito bem, diz o sensei Kenji Tokitsu:
“Esse ensinamento é por vezes concebido como moral, mas o seu fundamento é técnico. A arte do combate é uma arte pragmática. Diria que a moral emerge aqui de um pragmatismo levado ao limite. É uma particularidade do budo. Não se trata de uma associação de valores morais à prática das armas.”
Em resumo: se o que se procura nesse tipo de leitura, filosófica, digamos assim, é uma revelação que permita um maior entendimento dos fundamentos do budo, para assim melhorar o desempenho no mesmo, isso parece-me ser um caminho completamente errado.
No budo, as revelações dão-se apenas no dojo, à luz do keiko.
Um lançador de dardo, pode gostar de ler sobre relva.
Pode saber tudo sobre os diferentes tipos de relva que crescem nos estádios onde pratica e compete.
Pode mesmo ser um botãnico especializado em relva.
Pode até cultivar relva com muito sucesso.
Mas tudo isso nunca vai fazer com que o dardo que lança se vá espetar um centímetro sequer a mais do que a sua melhor marca, só porque se vai espetar... na relva.
Próxima doença: o bushido crónico
10.7.06
FIM DE ÉPOCA
Hoje o senhor Osaka também não apareceu no treino e assim, este que seria o meu último post dedicado às suas palavras na presente época, passa a ser um post de despedida até Setembro.
Tal como faço sempre, paro de treinar a meio do mês de Julho (a idade e tal e tal), o que quer dizer que só voltarei a treinar kendo lá para... daqui a um mês e meio, pronto.
Se aparecer/acontecer alguma coisa interessante pelo caminho, se calhar, ainda "posto" aqui umas baboseiras; se não, como sempre diz o senhor Osaka: Paciência.
Divirtam-se e bom keik... qual quê... boa praia, gente! E boas cervejinhas geladinhas e boa má-vida. Ehehehe.
Tal como faço sempre, paro de treinar a meio do mês de Julho (a idade e tal e tal), o que quer dizer que só voltarei a treinar kendo lá para... daqui a um mês e meio, pronto.
Se aparecer/acontecer alguma coisa interessante pelo caminho, se calhar, ainda "posto" aqui umas baboseiras; se não, como sempre diz o senhor Osaka: Paciência.
Divirtam-se e bom keik... qual quê... boa praia, gente! E boas cervejinhas geladinhas e boa má-vida. Ehehehe.
8.7.06
O REGRESSO ÀS AULAS
A partir de 2ª feira e até ao fim do mês de Julho as aulas da APK serão ministradas nas instalações do Clube Nacional de Natação, na Rua de S. Bento.
Os horários serão os mesmos da Escola Patrício Prazeres mas os treinos apenas terão lugar às 2ªs e 6ªs.
Só resta saber se, depois do treino, vai haver possibilidade de dar um mergulhinho na piscina, eheheh.
Os horários serão os mesmos da Escola Patrício Prazeres mas os treinos apenas terão lugar às 2ªs e 6ªs.
Só resta saber se, depois do treino, vai haver possibilidade de dar um mergulhinho na piscina, eheheh.
6.7.06
A(S) PALAVRA(S) DO SENHOR
Depois de vinte poucas entradas neste blog do assunto "A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) parece-me relevante neste instante fazer, um pouco em jeito de balanço, uma pequena dissertação sobre o mesmo.
Antes de mais, gostava de voltar a referir que a autoria do conceito pertence a uma pessoa que já tem bastante tempo de kendo nas pernas e que é o Sempai Sérgio Andrade.
Quando, há uns tempos atrás, no fim de uma aula e precisamente após as palavras finais de Osaka Sensei, o Sérgio me desafiou para começar a reproduzir as suas afirmações neste blog, confesso que não fiquei particularmente excitado com a ideia.
Mas resolvi dar dois minutos de reflexão ao assunto e as minhas conclusões não podiam ter sido mais surpreendentes.
Depois de mais de uma década a ouvir as recomendações finais de Osaka Sensei, apercebi-me subitamente que me habituara a escutá-lo... com um filtro, digamos assim. Não que, como se costuma dizer, as suas palavras "entrassem a cem e saíssem a duzentos", não era assim. Numa atitude que me custa agora bastante a reconhecer como minha, habituara-me a seleccionar o que me interessava da sua dissertação final e simplesmente esquecer/ignorar o resto. Coisa que, por motivos óbvios, não posso agora "dar-me ao luxo" de fazer.
No entanto, só me apercebi mesmo do valor desse trabalho quando um Sempai emigrado para outras paragens, me mandou uma mensagem onde referia as saudades e a falta que lhe faziam que "aquelas palavrinhas do sensei" no fim do treino. As "palavrinhas" para ele, que se encontrava ausente, eram todas, de grande importância.
Se dúvidas tivesse quanto à tolice da minha abordagem anterior elas estavam agora completamente resolvidas.
Assim, o que esta série de post's me tem proporcionado é, sobretudo, uma abordagem muito diferente de uma situação que, a meus olhos, estava completamente resolvida. O pequeno discurso final de Osaka San era um hábito, um dado adquirido, nada mais. Reveledor por vezes, "normal" por outras.
Mas é com alguma vaidade que vos digo que essas declarações finais são hoje muito diferentes para mim. Mais que não seja pela necessidade que sinto de investir mais frequentemente numa reflexão sobre cada tema abordado. Entre ouvir, memorizar, racionalizar, explicar(-me) e passar para a escrita, tudo junto, conto pelo menos uma horita de raciocínio, às vezes mais, sobre o que foi dito.
Portanto, não me parece que seja de estranhar, depois de tudo o que foi dito, que "a mão esquerda sempre ao centro", "a perna bem esticada", "o recolher do pé esquerdo mais rapidamente" e todos esses avisos frequentes ganhem um novo significado a cada dia que passa.
Não sei o que o futuro nos traz mas, se depender de mim, tenciono continuar a escutar, guardar, memorizar, analisar, espremer até à medula as declarações do único Sensei de kendo residente em Portugal, tanto quanto os meus parcos conhecimentos sobre o assunto assim o permitam.
Sem filtros. Palavra por palavra.
Palavra.
Antes de mais, gostava de voltar a referir que a autoria do conceito pertence a uma pessoa que já tem bastante tempo de kendo nas pernas e que é o Sempai Sérgio Andrade.
Quando, há uns tempos atrás, no fim de uma aula e precisamente após as palavras finais de Osaka Sensei, o Sérgio me desafiou para começar a reproduzir as suas afirmações neste blog, confesso que não fiquei particularmente excitado com a ideia.
Mas resolvi dar dois minutos de reflexão ao assunto e as minhas conclusões não podiam ter sido mais surpreendentes.
Depois de mais de uma década a ouvir as recomendações finais de Osaka Sensei, apercebi-me subitamente que me habituara a escutá-lo... com um filtro, digamos assim. Não que, como se costuma dizer, as suas palavras "entrassem a cem e saíssem a duzentos", não era assim. Numa atitude que me custa agora bastante a reconhecer como minha, habituara-me a seleccionar o que me interessava da sua dissertação final e simplesmente esquecer/ignorar o resto. Coisa que, por motivos óbvios, não posso agora "dar-me ao luxo" de fazer.
No entanto, só me apercebi mesmo do valor desse trabalho quando um Sempai emigrado para outras paragens, me mandou uma mensagem onde referia as saudades e a falta que lhe faziam que "aquelas palavrinhas do sensei" no fim do treino. As "palavrinhas" para ele, que se encontrava ausente, eram todas, de grande importância.
Se dúvidas tivesse quanto à tolice da minha abordagem anterior elas estavam agora completamente resolvidas.
Assim, o que esta série de post's me tem proporcionado é, sobretudo, uma abordagem muito diferente de uma situação que, a meus olhos, estava completamente resolvida. O pequeno discurso final de Osaka San era um hábito, um dado adquirido, nada mais. Reveledor por vezes, "normal" por outras.
Mas é com alguma vaidade que vos digo que essas declarações finais são hoje muito diferentes para mim. Mais que não seja pela necessidade que sinto de investir mais frequentemente numa reflexão sobre cada tema abordado. Entre ouvir, memorizar, racionalizar, explicar(-me) e passar para a escrita, tudo junto, conto pelo menos uma horita de raciocínio, às vezes mais, sobre o que foi dito.
Portanto, não me parece que seja de estranhar, depois de tudo o que foi dito, que "a mão esquerda sempre ao centro", "a perna bem esticada", "o recolher do pé esquerdo mais rapidamente" e todos esses avisos frequentes ganhem um novo significado a cada dia que passa.
Não sei o que o futuro nos traz mas, se depender de mim, tenciono continuar a escutar, guardar, memorizar, analisar, espremer até à medula as declarações do único Sensei de kendo residente em Portugal, tanto quanto os meus parcos conhecimentos sobre o assunto assim o permitam.
Sem filtros. Palavra por palavra.
Palavra.
4.7.06
UMA BOA NOTÍCIA E UMA MÁ NOTÍCIA
A boa:
Enfim, haja Deus. Finalmente as mal-fadadas obras no chão do ginásio da Patrício Prazeres vão começar.
A má:
Amanhã.
Enfim, haja Deus. Finalmente as mal-fadadas obras no chão do ginásio da Patrício Prazeres vão começar.
A má:
Amanhã.
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 25
Segunda-feira, 3 de Julho
Hoje o senhor Osaka não compareceu no local de treinos, na Escola Secundária Patrício Prazeres e assim, fui eu que dei o treino; logo, não há palavra do senhor para ninguém.
Enfim, voltem sempre e não se esqueçam de votar para "Kendoka do Ano" e "Kendoka Revelação" 2005/06.
Eh pá... pensando bem, se não quiserem votar não votem, quero lá saber já disto tudo. Já tenho votos mais que suficientes para premiar alguém, por isso...
Tou cansado.
Hoje o senhor Osaka não compareceu no local de treinos, na Escola Secundária Patrício Prazeres e assim, fui eu que dei o treino; logo, não há palavra do senhor para ninguém.
Enfim, voltem sempre e não se esqueçam de votar para "Kendoka do Ano" e "Kendoka Revelação" 2005/06.
Eh pá... pensando bem, se não quiserem votar não votem, quero lá saber já disto tudo. Já tenho votos mais que suficientes para premiar alguém, por isso...
Tou cansado.
2.7.06
ESTÁGIO DO PORTO
No momento que escrevo este post já deve ter terminado, ou estará mesmo a terminar, o estágio do Porto dirigido por D. António Gutierrez e Osaka san, ao qual fui obrigado a faltar, com muita pena minha, por motivos profissionais.
Espero que tudo tenha corrido sobre rodas, que tenham passado uns bons momentos e aprendido alguma coisa nova.
Espero que tudo tenha corrido sobre rodas, que tenham passado uns bons momentos e aprendido alguma coisa nova.
28.6.06
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 24
Quarta-feira, 28 de Junho
Semelhança e diferenças entre executar Harai-Men Omote e Harai-Men Ura.
Semelhança: em ambos, deve-se acertar o mais possível ao centro do shinai do adversário. Mais, o mais próximo possível do punho direito do adversário;
Diferenças: em Omote o ataque deve ser feito em dois tempos, dois fumikomi-ashi, um para cada gesto. Um para o Harai, outro para o Men. Em Ura, por sua vez, o ataque deve ser feito num tempo. O Harai "faz-se pelo caminho". Um fumikomi-ashi (no Men, obviamente), usando o braço direito (que se encontra levantado) enquanto se avança "para esconder" (sic) o resto do corpo.
Palavra do senhor (Osaka)... amén.
Até segunda porque sexta o sensei desloca-se para Norte e... não há nada p'ra ninguém.
Fui.
Semelhança e diferenças entre executar Harai-Men Omote e Harai-Men Ura.
Semelhança: em ambos, deve-se acertar o mais possível ao centro do shinai do adversário. Mais, o mais próximo possível do punho direito do adversário;
Diferenças: em Omote o ataque deve ser feito em dois tempos, dois fumikomi-ashi, um para cada gesto. Um para o Harai, outro para o Men. Em Ura, por sua vez, o ataque deve ser feito num tempo. O Harai "faz-se pelo caminho". Um fumikomi-ashi (no Men, obviamente), usando o braço direito (que se encontra levantado) enquanto se avança "para esconder" (sic) o resto do corpo.
Palavra do senhor (Osaka)... amén.
Até segunda porque sexta o sensei desloca-se para Norte e... não há nada p'ra ninguém.
Fui.
27.6.06
26.6.06
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 23
Segunda-feira, 26 de Junho
Hoje o senhor Osaka terminou a aula num tom de brincadeira(?) dizendo que, na próxima vez que fizermos ji-geiko shobu-ippon a fechar a aula, os que perderem devem fazer 100 sayu-men (daqueles a saltitar no mesmo sítio?...)como "castigo".
E a coisa teria ficado por aí não fosse a Sylvia dirigir-se-lhe e pedir-lhe conselho acerca de harai-men. Como ainda não tinha arranjado "material" suficiente para esta rubrica, aproximei-me também e escutei.
Com o Paulo a servir de "manequim" explicou que o mais importante em harai-men é acertar no shinai do adversário mais próximo da mão. Mais ao meio do shinai e evitar acertar na ponta do mesmo.
Porquê?
Primeiro porque a ponta é mais fácil de "repor no lugar", é mais "leve" e o efeito do harai não é tão sentido pelo opositor;
segundo, porque ao acertar mais ao meio, o harai não só é mais "pesado" mas também temos naturalmente tendência para nos aproximarmos mais e assim ganhar mais vantagem no que a distâncias diz respeito.
Satisfeito, afastei-me e comecei logo a magicar como iria escrever a palavra do senhor (Osaka) de hoje. E pensei começar mais ou menos assim:
"Hoje o senhor Osaka terminou a aula num tom de brincadeira(?) dizendo..."
Hoje o senhor Osaka terminou a aula num tom de brincadeira(?) dizendo que, na próxima vez que fizermos ji-geiko shobu-ippon a fechar a aula, os que perderem devem fazer 100 sayu-men (daqueles a saltitar no mesmo sítio?...)como "castigo".
E a coisa teria ficado por aí não fosse a Sylvia dirigir-se-lhe e pedir-lhe conselho acerca de harai-men. Como ainda não tinha arranjado "material" suficiente para esta rubrica, aproximei-me também e escutei.
Com o Paulo a servir de "manequim" explicou que o mais importante em harai-men é acertar no shinai do adversário mais próximo da mão. Mais ao meio do shinai e evitar acertar na ponta do mesmo.
Porquê?
Primeiro porque a ponta é mais fácil de "repor no lugar", é mais "leve" e o efeito do harai não é tão sentido pelo opositor;
segundo, porque ao acertar mais ao meio, o harai não só é mais "pesado" mas também temos naturalmente tendência para nos aproximarmos mais e assim ganhar mais vantagem no que a distâncias diz respeito.
Satisfeito, afastei-me e comecei logo a magicar como iria escrever a palavra do senhor (Osaka) de hoje. E pensei começar mais ou menos assim:
"Hoje o senhor Osaka terminou a aula num tom de brincadeira(?) dizendo..."
24.6.06
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 22
Sexta-feira, 23 de Junho
Nas suas palavras finais o Sensei falou hoje apenas em duas coisas.
Primeiro fez uma referência breve à importância de a perna esquerda vir imediatamente para a frente quando a direita avança, ou seja quando se ataca não se pode deixar a perna de trás presa ao chão. Esta deve de imediato também avançar.
Este movimento é essencial para nidan waza, por exemplo kote-men e ainda para um correcto Zanshin
Falou ainda com mais demora de um assunto que achei muito interessante, e que não é muito comum ele abordar.
Quando se ataca (ou se entra fazendo Seme), o nosso Shinai não se deve desviar do do adversário. Pelo contrário deve deslizar encostado a este de forma a que possamos “sentir” a reacção do adversário.
O sensei usou uma expressão que me pareceu engraçada: o nosso Shinai deve ser uma espécie de antena para captar a reacção. Caso sentimos que o nosso oponente faz força para a esquerda (dele) então podemos atacar Kote, caso faça para a sua direita então é o Men o seu ponto fraco.
Isto parece tão fácil de perceber, mas é mais uma daquelas coisas que leva uns 10 anos até começares a sentir alguma coisa na “antena” e ainda outros 10 até conseguires aproveitar isso de forma eficaz.
Um abraço
Sérgio Andrade
E assim se vê que há pessoas que tomam atenção às palavras do senhor (Osaka).
Obrigado ao Sérgio, que por acaso e nunca é demais lembrar, até foi o inventor deste conceito dos posts com as considerações finais do nosso inestimável Osaka San.
Nas suas palavras finais o Sensei falou hoje apenas em duas coisas.
Primeiro fez uma referência breve à importância de a perna esquerda vir imediatamente para a frente quando a direita avança, ou seja quando se ataca não se pode deixar a perna de trás presa ao chão. Esta deve de imediato também avançar.
Este movimento é essencial para nidan waza, por exemplo kote-men e ainda para um correcto Zanshin
Falou ainda com mais demora de um assunto que achei muito interessante, e que não é muito comum ele abordar.
Quando se ataca (ou se entra fazendo Seme), o nosso Shinai não se deve desviar do do adversário. Pelo contrário deve deslizar encostado a este de forma a que possamos “sentir” a reacção do adversário.
O sensei usou uma expressão que me pareceu engraçada: o nosso Shinai deve ser uma espécie de antena para captar a reacção. Caso sentimos que o nosso oponente faz força para a esquerda (dele) então podemos atacar Kote, caso faça para a sua direita então é o Men o seu ponto fraco.
Isto parece tão fácil de perceber, mas é mais uma daquelas coisas que leva uns 10 anos até começares a sentir alguma coisa na “antena” e ainda outros 10 até conseguires aproveitar isso de forma eficaz.
Um abraço
Sérgio Andrade
E assim se vê que há pessoas que tomam atenção às palavras do senhor (Osaka).
Obrigado ao Sérgio, que por acaso e nunca é demais lembrar, até foi o inventor deste conceito dos posts com as considerações finais do nosso inestimável Osaka San.
22.6.06
DON ANTÓNIO
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