26.9.06

EIGA NAOKI



Vale a pena ir ver e fazer o download de cada uma das 4 partes em que este documentário, produzido pela NHK, está dividido.
É um documento sobre a "vida e obra" de Eiga Naoki, Campeão do Mundo em 2000 (individuais e equipas em LA) e em 2003 (equipas em Glasgow).
Claro que não é nenhum Miyazaki Masahiro (mas isso mais ninguém é, senão o próprio) mas, a sério, é muito bom. Mesmo.

Sigam até:
http://www.yorku.ca/kendo/cgi-bin/board/board.cgi?id=Kendo&action=view&gul=655&page=2&go_cnt=0

e toca a descarregar e a curtir.

Ah... e durante o documentário, quem conseguir ver-me e ver o Nuno Serrano e o Paulo Martins ganha um doce.

19.9.06

STOP

Esta NÃO é a minha radiografia, só achei que ficava bem como ilustração.
Mas é muito parecida.

Desta vez é que é.
Este blog vai ter mesmo de ficar suspenso durante uns tempos.
O meu rico ombro direito pifou de vez. O médico ordenou-me pelo menos 5 metros de distãncia de teclados de computador.
Medicação, fisioterapia e, em último caso, operação serão os meus únicos keikos para o futuro mais próximo.
Divirtam-se. Vemo-nos por aí.

12.9.06

O KENDO É LINDO.

A vertente desportiva do kendo é, a meu ver, uma das mais interessantes formas de demonstrar a vitalidade (ainda) existente nesta incrível actividade de que tanto gostamos.

A foto acima refere-se aos 23º Campeonato Japonês Inter-regiões de Kendo para "Donas-de-casa", que se realizou no Budokan deTokyo a 17 de Julho de 2006.

Quantas outras artes marciais se podem orgulhar de semelhante coisa?

Da competição que, creio, só se realiza por equipas, ficam para a história deste budo verdadeiramente adulto, os seguintes resultados:

1º lugar: Mie
2º lugar: Tokyo-A
3º lugar: Kagoshima and Fukuoka

Fighting Spirit: Gifu, Saitama, Osaka and Hiroshima

Cada vez gosto mais de kendo.

O "FERRARI" DOS MEN



Todo cosido à mão (1.0 Bu!), mengane de Titanium, cabedais de pele de veado, padrão do tsuki-dare opcional... e o rebordo? Ah, o rebordo, todo à volta do mengane, a NEGRO.

Lindo, lindo.

Estou apaixonado.

11.9.06

MODESTO TRIBUTO A MIYAZAKI MASAHIRO

O maior kendoka dos tempos modernos? Absolutamente.
Ainda outro dia cheguei à conclusão que há kendokas (shodan!!!) em Portugal que não fazem ideia quem é Miyazaki Masahiro.
Só para lhes dar uma pequena pista, dir-vos-ia que é o único a ter ganho 6 vezes o campeonato do Japão e que foi campeão mundial em equipas e em individuais (Kyoto 1997).
E como de conversa está a malta farta, aqui ficam dois clips do dito cujo.

Neste, o 14º campeonato de 7ºs dan do Japão, executa um kote-kaeshi-kote, ao passar o primeiro minuto de combate, que é de se lhe tirar o chapéu. Aliás, kote-kaeshi-kote era uma das suas técnicas favoritas quando era competidor oficial, é ver pra crer: Com repetição no fim do clip em câmara lenta.

http://www.youtube.com/watch?v=pHuG5thYdxc

Aqui, na final de 1998, no Budokan de Tokyo, se não estou em erro, contra Eto, de Osaka.
Dois men, pan-pan, de seguida e agora vai para casa porque ainda tens muito que aprender.

http://www.youtube.com/watch?v=4XRZF7IqakI&mode=related&search=

O homem era o máior, carago.

7.9.06

COPIÕES

Foi recentemente apresentada no site da Zen Nippon Kendo Renmei (aliás, diga-se, à semelhança do que já tinha sido feito aqui a propósito da selecção portuguesa) a formação que representará o Japão nos próximos 13ºs Campeonatos do Mundo de Kendo.

E as "bestas" são:

Kakehashi Masaharu - Manager
Ishida Kenichi - Treinador (lembram-se do documentário do National Geographic?)

1 - Uchimura Ryoichi de Tokyo (actual vice-campeão do Japão);
2 - Sato Hiromitsu de Osaka (campeão do mundo individual em título);
3 - Seike Kouichi de Osaka (eliminou K. Ando no último campeonato do Japão e chegou aos 4ºs de final... em JODAN!);
4 - Takanabe Susumu de Kanagawa;
5 - Tanaka Takeshi de Kyoto ;
6 - Teramoto Shoji de Osaka;
7 - Nakata Jun de Tokyo ;
8 - Harada Satoru de Tokyo (actual campeão do Japão);
9 - Houjo Masaomi de Kanagawa;
10 - Komeya Yuuichi de Saitama;

Agora, é rezar muito meus irmãos.

4.9.06

DESILUSÕES DA GRANDEZA

Tenho andado de novo interessado no karaté.

Não, não.. não estou a pensar em voltar a praticar, não obrigado. Tenho andado a ver as coisas com olhos do amante que, de repente, reencontra a pessoa amada de outros tempos na rua e quase não a reconhece mas que no entanto pára e tenta perceber o que mudou.

Eu sempre mantive dois ou três links relacionados com o karaté entre os meus “favoritos internéticos”, entre esses, um que mantenho desde que o conheço é o do Karaté Clube de Faro a coisa que (me parece) se encontra mais próxima do espírito da antiga União de Karate do Algarve (U.K.A.) de que, aliás, me orgulho muito de ter sido membro durante um bom tempo.

Mas tenho tentado olhar a imagem do karaté na net como um outsider, o que, para dizer a verdade, nos tempos que correm não me é assim tão difícil como isso. A verdade é que, aos olhos daquele que pela primeira vez tem contacto com essa imagem, e que me perdoem os eventuais karatekas que possam ler estas linhas, ela não me parece assim muito atraente.

O karaté em Portugal cresceu muito desde esses tempos em que fui um jovem viciado em porrada três vezes por semana. E não me parece que tenha crescido saudável. A míriade de estilos, de escolas dentro dos estilos, de associações de escolas dentro dos estilos, federações de associações de estilos, confederações associações de estilos dentro dos estilos... eu que me gabava de conhecer, mais ou menos (um mínimo), as linhagens das escolas mais importantes, hoje em dia dou por mim como um burro a olhar para um palácio.
Kata? Deixem-me rir, ou chorar, sei lá; das dezenas de katas que aprendi não há uma que tenha permanecido na mesma nas últimas duas décadas. Em vinte anos mudou praticamente tudo. Dos nomes à execução, só a muito custo e com muita sorte consigo vislumbrar o que é o quê.

Eu ainda recordo os tempos, não tão antigos como isso, em que os karatekas falavam com desdém do judo. De como o judo já não era budo coisa nenhuma, de como era um mero desporto, assim como uma luta greco-romana em pijama. Irreconhecível. Frutos do grande crescimento, sem dúvida.
Será? É que, apesar uma ou outra pequena alteração de pormenor, nage-no-kata continua a ser nage-no-kata, e katame-no-kata, kime-no-kata e shiken-no-kata, também continuam elas próprias, tal como eram uma há mais de cem anos atrás.
Uma coisa é a competição (e os seus exageros) e outra coisa é o judo como arte marcial, tradicional, budo da cabeça aos pés.

E o que se poderá dizer, hoje em dia, do crescimento do karaté?

Não há uma linguagem uniformizada nem uma imagem uniformizada, nada é uniforme no karaté em Portugal aos olhos do recém-chegado.
Os kata mudam todos os dias, os bunkai, que ninguém fazia há trinta anos atrás, hoje são indispensáveis... e depois, para complicar (leia-se: sofisticar) junta-se água com azeite, uns juntam kobudo ao karaté, outros ju-jitsu, outros até koryu... em resumo, vale tudo.

A sensação que dá é que cada um se limita a puxar a braza à sua sardinha. Os egos comandam.


Não gosto de fulano, sicrano tem uma associação diferente, vou ter com ele. Beltrano juntou-se a uma associação estrangeira, o estilo não é bem o mesmo, mas seria melhor se... eh, quero lá saber, crio a Associação de Karaté de Alguidares de Cima (constituida só pelo meu clube, o “Bushido Alguidarense”) e junto-me a ele....

Por seu lado, o kendo em Portugal é muito pequenino. Quase se pode dizer que ainda nos conhecemos todos. Por inúmeros motivos que agora não interessa analizar aqui, é minha convicção que, por muito que cresça, nunca terá uma aceitação ou um desenvolvimento semelhante ao do judo ou do karaté. Muita coisa teria que mudar, até internacionalmente, para que algo idêntico se passasse. Mas na hipótese de semelhante coisa acontecer, e digo-o com muita pena pois nunca escondi a minha paixão pelo karaté, eu preferiria mil vezes o modelo do judo (mesmo com a sua vertente “estropiada” de competição) que o exemplo caótico e de “salve-se quem puder” do karaté.

Outro dia, um casal amigo, conhecedor das minhas paixões marciais pedia-me conselho sobre uma arte marcial para um dos filhos (ainda pequeno para o kendo) praticar.

- Karaté?
- Não!!! Não façam isso à criança. Judo, sem dúvida, judo.

Disclaimer: Esta opinião é pessoal e, para além da ajuda de um amigo karateka ou dois, foi sobretudo baseada na minha visão actual do karate através da internet.

3.9.06

BUDO KENSHO

Ryoan-ji. Foto roubada na net.

Visto que estamos no começo de um novo "ano lectivo" nunca será demais relembrar

A Cartilha do Budo
O budo, as artes marciais japonesas, tem as suas origens no antigo espírito marcial do Japão. Durante séculos de mudança histórica e social estas formas de cultura tradicional evoluiram passando de técnicas de combate (jutsu) a métodos de auto-aperfeiçoamento (do).

Buscando a perfeita unidade entre a mente e a técnica, o budo tem sido refinado e cultivado métodos de treino físico e desenvolvimento espiritual. O estudo do budo encoraja o comportamento cortês, desenvolve as capacidades técnicas, fortalece o corpo e aperfeiçoa a mente.

Os japoneses modernos herdaram os valores tradicionais através do budo, o qual continua a desenpenhar um papel importante na formação da identidade japonesa, servindo de fonte de inesgotável energia e rejuvenescimento. Por isso, o budo atraiu um forte interesse internacional e é hoje estudado por todo o mundo.

No entanto, a forte tendência actual para uma valorização excessiva da habilidade técnica, aliada a um desejo desmesurado de ganhar, constitui uma séria ameaça à essência do budo. Para prevenir possíveis mal-entendidos, os praticantes de budo devem compenetrar-se numa auto-avaliação e esforço contínuos para aperfeiçoar e preservar esta cultura tradicional.

É com esta esperança em mente que nós, os membros da Japanese Budo Association (Associação Japonesa de Budo), criámos esta Cartilha do Budo, de modo a preservar os princípios funtamentais do budo.

ARTIGO 1: OBJECTIVO DO BUDO
Através do treino físico e mental nas artes marciais japonesa, os praticantes do budo buscam o reforço do seu carácter, o melhoramento do seu raciocínio e procuram tornar-se indivíduos disciplinados, capazes de contribuir para sociedade no seu todo.

ARTIGO 2: KEIKO (Treino)
Ao treinar um budo, os praticantes devem sempre agir com respeito e cortesia, aderir aos fundamentos requeridos pela arte e resistir à tentação de perseguir meras habilidades técnicas, mas antes concentrar-se na união perfeita entre a mente, o corpo e a técnica.

ARTIGO 3: SHIAI (Competição)
Quando em competição ou demonstração de técnicas (kata), os praticantes devem exteriorizar o espírito subjacente ao budo. Devem sempre dar o seu melhor, ganhar com modéstia, aceitar a derrota graciosamente e exibir constantemente auto-controle.

ARTIGO 4: DOJO (Local de treino)
O dojo é um local especial onde de se treina a mente eo corpo. No dojo, ops praticantes de budo devem preservar a disciplina e mostrar autêntica cortesia e respeito. O dojo deve ser sossegado, limpo, seguro e de ambiente solene.

ARTIGO 5: ENSINO
Os professores de budo devem encorajar sempre os alunos para se esforçarem no seu aperfeiçoamento e treinarem afincadamente as suas mentes e corpos, continuando a melhorar o seu entendimento dos princípios técnicos do budo. Os professores não devem permitir que seja dado enfâse à vitória ou derrota em competição ou à mera habilidade técnica. Acima de tudo os professores têm a responsabilidade de ser exemplos a seguir.

ARTIGO 6: PROMOÇÃO DO BUDO
Os promotores do budo devem manter uma atitude aberta e uma perspectiva internacional ao preservar os valores tradicionais. Devem esforçar-se para contribuir na pesquisa e no ensino e fazer o seu melhor para desenvolver o budo de todas as maneiras.

ORGANIZAÇÕES MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO JAPONESA DE BUDO:

Zen Nihon Judo Renmei (Federação Japonesa de Judo)
Zen Nippon Kendo Renmei (Federação Japonesa de Kendo)
Zen Nihon Kyudo Renmei (Federação Japonesa de Kyudo)
Zen Nihon Karatedo Renmei (Federação Japonesa de Karatedo)
Zen Nihon Naginata Renmei (Federação Japonesa de Naginata)
Zen Nihon Jukendo Renmei (Federação Japonesa de Jukendo)
Aikikai (Fundação Aikikai)
Shorinji Kempo Renmei (Federação de Shorinji Kempo)
Nihon Sumo Renmei (Federação Japonesa de Sumo)
Nippon Budokan (Fundação do Nippon Budokan)

1.9.06

E O MAIS VOTADO FOI...



A votação está encerrada.
E sim, é verdade, o nosso semi-japonês foi o kendoka mais votado no conjunto das duas categorias.
Mas infelizmente, o nosso amigo que, creio, ainda se encontra no Japão neste momento, não conseguiu vencer em nenhuma das mesmas. Às vezes a vida é mesmo assim.

Os resultados serão anunciados no próprio dia da entrega de prémios, ou seja, durante o próximo Torneio de Kendo de Lisboa que deverá ter lugar no dia... no mês de... sei lá, vão ao site da APK e vejam qual é o dia.

Ah valente (e azarado) Jôni!

31.8.06

UM “GANDA” DESABAFO

Há uns tempos atrás fui almoçar com um amigo. A conversa deu uma volta ou duas e foi parar à moda das “bruxarias new age”. E enquanto desancávamos nas runas e nos fins-de-semana esotérico-energéticos em Sintra, nos cursos de descoberta pessoal através da aura (a aura, aura, tanto que eu poderia dizer acerca da aura), nos tarots e feng-shuis da vida moderna, apercebi-me, ou foi o meu amigo que me chamou a atenção, já não me lembro bem, que um fenómeno muito semelhante se passa com o mundo das artes marciais.

(Faço aqui um pequeno parênteses para vos dar a conhecer o extremo estado de ansiedade que me assalta no momento em que escrevo estas palavras. Há uma sensação de impotência que me acode enquanto tomo consciência que estas mesmas palavras podem ser lidas como uma justificação, mesmo para os malandros que um pouco por todo o lado vendem “gato por lebre”.
De qualquer maneira, diga eu o que disser, esta batalha está perdida à partida, mas adiante.)

Sócrates dizia que a verdade já reside em nós; só temos é de fazer com que ela saia cá para fora. E uma conversa inocente à volta de um arroz de polvo malandrinho pode ter um efeito tão revelador como todas as ironias e maiêuticas do velho sábio grego.

A frase mágica que saiu dos lábios do meu amigo foi algo como:
- Não te esqueças que no fim, lá atrás disso tudo, está sempre alguém a ganhar bom dinheiro com o negócio.
Ora, eu tenho um faro do caraças para detectar o que normalmente chamo o bullshido. Tenho. São muitos anos que é que vos posso dizer? Desculpem lá esta pequena imodéstia e continuemos.

Voltei para casa pensativo e liguei-me à internet. Na minha caixa do correio, qual confirmação dos meus receios, um e-mail de uma Associação Nihon-Tai-Budo-Shoshen-Ryu-Jutsu qualquer convidava-me para estar presente num estágio de um tal Soké-Shihan-Sifu Billy Batmuma, 13º dan e meio na misteriosa arte marcial do Origami-Ninjutsu-Tekai, um ramo da lendária escola Ikebana-Pachinko-Bujutsu originária de Okinawa de Baixo.
É claro que, acompanhada de um sorriso de desprezo irónico, foi imediatamente enviada para o lixo.
No entanto, as palavras do meu amigo lá estavam. E soavam como sinos na minha cabeça:
- ... no fim, lá atrás disso tudo, está sempre alguém a ganhar bom dinheiro com o negócio.

Mas seria possível que alguém ganhasse dinheiro com um embuste tão óbvio? Recusava-me a acreditar em semelhante coisa. As pessoas, os budokas em Portugal não são assim tão ingénuos... ou são?

O motivo que me levou a escrever hoje este texto prende-se com o facto de, enquanto surfava um bocadinho entre os blogs e sites que constituem o meu pequeno mundo marcial virtual, o facto dizia, de ter encontrado fotos e comentários acerca do tal estágio com o Soké-Shihan-Sifu Batmuma.

E a minha alma está parva, como se costuma dizer. E das duas uma: ou sou muito cínico ou muito ingénuo... certo é que tenho mau fundo, como dizia o outro.

Mas ninguém vê que aquilo é um monte de bullshido? Ninguém percebeu que os títulos que o homem deste caso dizia ostentar são títulos FAMILIARES (de família) japoneses que um ocidental não pode nunca ostentar? Mas ninguém lê nada nesta pôrra deste mundo? Comem a primeira patranha que lhes dão assim? Sem mais nem menos?

Que fome é esta? É como ir a um restaurante, a pagar um mão-cheia de dinheiro por um prato ricamente temperado de especiarias exóticas e coloridas, por baixo das quais está, nem mais nem menos, que uma gigantesca porção de nada.

Nada? Se calhar é aí que reside o meu erro.
Bem me lembro, já lá vão uns anitos, de assistir, num campeonato de karate, a uma competição de kata (sim, sim os gajos do karate fazem isso), onde um rapaz, enquanto se babava de extãse e satisfação ao ver o seu sensei (à época com 2 ou 3 dans) competir, repetia, embevecido, para a direita e para a esquerda a quem o quisesse ouvir:
- É o maior. O meu sensei vai ganhar isto nas calmas.
Escusado será dizer que, entre talvez trinta participantes, o sensei dele deve ter ficado classificado do 27º para baixo... e ex-equo. Ainda me lembro até que essa competição foi ganha pelo Sensei Gomes da Costa que executou uma impressionante Suparimpe... bom, seguimos.

Volto à ideia anterior. Nada? Há muita gente que não pensa assim. Vão lá dizer aos que participaram no estágio, que “o homem”, sim, que o Mestre Batmuma não é legítimo. Para muitos poderá até ter sido o momento marcial definidor das suas vidas. Tal como para o rapaz que assistia à execução medíocre do seu sensei na competição de kata. É tudo uma questão de referências.

Não sou dono da verdade, não senhor... mas também não tenho ilusões. E disse-o logo no parênteses inicial deste post. Porque enquanto os budokas portugueses não se informarem, não lerem, não se interessarem em procurar informação fidedigna, não se preocuparem com cruzar essa informação... enquanto não se habituarem também, e parece um contra-senso, a duvidar do que lêem, enquanto todas essas coisas, todas, não acontecerem, vai haver muito Marco Paulo das artes marciais a ser tomado por Mozart e muito boa gente a aplaudir o “Eu tenho dois amores” convencida que é o “Requiem”.

E no fim, lá atrás disso tudo, estará sempre alguém a ganhar bom dinheiro com o negócio.

30.8.06

EMPATE

A apenas 24 horas do final da votação para a eleição de Kendoka do Ano e Kendoka Revelação a situação está ao rubro.

Se na categoria Kendoka do Ano, o vencedor está já praticamente definido, na outra categoria, Kendoka Revelação, dois kenshis têm-se teimosamente mantido empatados desde o início da contagem dos votos.

Estas primeiras eleições, contrariamente às (minhas próprias) expectativas, não podiam estar mais cerradas.

Se ainda não votou, despache-se. Amanhã já é dia 31.

29.8.06

THE MAGNIFICENT SIX... HEU... FIVE!!!

(Esq. p/ dir.: Nuno, ... , Sérgio, Henrique, Paulo e Luis)

Já está decidida a "versão final" da Selecção Nacional que nos vai representar em Dezembro próximo nos 13ºs Campeonatos do Mundo de Kendo, que terão lugar em Taiwan.
Dos seis primeiros classificados do ranking apenas um (adivinhem quem) não vai estar presente a defender as cores da Lusa Pátria.

Assim mesmo, a Direcção Técnica da APK decidiu enviar apenas os cinco "indispensáveis" para a competição de equipas.

Desde já, boa sorte aos Magníficos Cinco.

Gambatéééé.

28.8.06

JODAN


Kendo keiko, supostamente numa foto dos anos vinte, supostamente na Escola Agrícola de Tóquio.
O que não é suposto, pelo contrário, é bem real, é o soberbo jodan-kamae do kendoka da esquerda.
É bonito, jodan kamae é sempre bonito.

De notar que o pé direito está todo assente no chão e a distância entre os pés é maior do que na posição moderna... muito mais parecido com a actual posição dos pés de waki-gamae [shumoku-ashi (?) acho eu que se chama].

Nice. Muito nice.

TODAS AS DEFINIÇÕES, CONCEITOS E PALAVRAS ESQUISITAS DO KENDO QUE OUVIU NAS AULAS E LEU NOS LIVROS E NUNCA SOUBE O QUE SIGNIFICAM NEM ONDE PROCURAR.

Por falar em kigurai, shidachi, depois de executar o kote em nihonme, volta para o eixo central do kata para terminar; ele deve "demonstrar" kigurai, seme ou kime?

Esta e outras perguntas e definições estarão em breve à sua disposição, amigo kendoka, no
1º Dicionário de Kendo Japonês-Português (1º DKJ-P) "editado" neste mesmo espaço por este vosso criado.

Directamente pilhado do Japanese-English Dictionary of Kendo, editado pela Zen Nippon Kendo Renmei, o 1º DKJ-P é uma obra fundamental que todo o kendoka português deve possuir na sua estante virtual.

Impressione e irrite os seus colegas de treino e amigos com aquelas "perguntas de algibeira" que ninguém sabe responder. Cientificamente estudado para todos os casos, o 1º DKJ-P é também ideal para animar festas de crianças, nos intervalos do cinema, nos autocarros, e em todo o lado.

Mas há mais, o 1º DKJ-P contém assuntos especificamente indicados para meter conversa na discoteca na sexta-feira à noite.

Em breve, num blog perto de si.

Disclaimer: os editores do 1º Dicionário de Kendo Japonês-Português, não se responsabilizam pelo mau/indevido uso do mesmo, nem por agressões/ofensas dos colegas fartos da sua "chico-esperteza", crianças aborrecidas de morte com as suas parvoíces ou se você ficar a falar "pro boneco" na discoteca. Get a life.

25.8.06

JODAN VS JODAN


David Bell vs J. Schmidt durante o Bowden Taikai 2005.


Como já disse antes, uma vez que não me apetece dizer nada de novo... aqui está uma mais imagem de jodan-kamae, ou serão duas?

Esta imagem foi gentilmente cedida por Jakob Schimdt e, tal como outras do género, pode ser encontrada no seu blog em www.kigurai.com.

RELAX

E agora, porque ainda faltam alguns dias até ao recomeço dos treinos, aqui fica um par de clips relaxantes para descontrair. Divirtam-se:

http://video.google.com/videoplay?docid=3206096042854433992&q=tsuki

http://www.youtube.com/watch?v=qH1_zBf1aLs&search=kendo%20tsuki

Então que tal? Estamos mais descontraídos ou quê? O primeiro então, é muito relaxante não é?

20.8.06

DOENÇAS INFANTIS DAS ARTES MARCIAIS JAPONESAS 2 - O BUSHIDO CRÓNICO

Para onde quer que se vire, por onde quer que vá, qualquer que seja o caminho que escolha percorrer, o recém-chegado ao mundo das artes marciais japonesas, mais cedo ou mais tarde, ver-se-á confrontado com uma inevitável(?) palavra: bushido.

E tudo é bushido. Tudo.

Quando o “mestre” não sabe explicar o fundamento teórico de um movimento ou gesto técnico, quando não conhece a origem da sua arte, quando o que quer que seja não corre bem, logo se atira, qual remédio (remendo?) universal para todas as maleitas marciais... o bushido.

O golpe parece ilógico? O bushido explica. Não tem aplicação prática? O bushido, com a sua tremenda profundidade, fruto de séculos e séculos de aperfeiçoamento, imediatamente resolve.

O bushido é a panaceia universal do budo e está por toda a parte.

Na TV, o comentador de K1 (kick-boxing) define os combatentes como “estes guerreiros do bushido”.
Na internet, nos sites mais variados, dedicados às artes marciais mais variadas, toda a gente, toda, reclama para a sua um poucochinho de bushido.
Nas revistas o bushido tem honras de capa. Há até uma (cada vez pior) revista chamada “Karaté-bushido”.
Há até quem “crie e desenvolva” artes marciais, baseadas, pasme-se, nas "técnicas do antigo bushido".

Basicamente pode dizer-se que o bushido está para o budo como o fermento para doçaria portuguesa.

O bushido é isto tudo? Chegamos assim àquele momento fatídico em que inevitavelmente somos forçados, mais que não seja pela curiosidade crescente, a perguntar:

Mas afinal... sim, afinal o que raio é essa coisa do bushido?

Então, não tem nada que saber - dirá o “mestre” do lado. - O bushido é o antiquíssimo código de conduta dos samurais.

Nem tanto, responde modestamente este vosso humilde escriba. O bushido de que toda a gente fala e refere foi “inventado” já a “raspar” o século XX. Mais exactamente, foi obra de um homem, nascido precisamente no mesmo ano que Sasaburo Takano, de seu nome Inazo Nitobe (1862-1933), que nesse não tão antiquíssimo ano de 1899 (há quem diga 1905) publicou Bushido, the Soul of Japan (Bushido, a Alma do Japão).

E quem era então Inazo Nitobe?

Se mencionei que Inazo Nitobe (IN) nasceu no mesmo ano de S. Takano foi apenas como referência temporal porque, na verdade, as suas vidas não têm, além desse facto, a menor semelhança.
IN nasceu, tal como já disse 1862 mas embarcou quase de seguida numa educação que de certa maneira o isolou imediatamente dos acontecimentos da sua época. Começou a estudar inglês aos nove anos e depois de alguns anos de estudo em Tokyo foi enviado, aos quinze anos, para Hokkaido; aí abraçou a fé cristã e estudou principalmente Economia Agrícola, em língua inglesa e com professores americanos.
Nessa terra, que apenas então começava a ser considerada parte real do Japão, IN estava basicamente isolado das correntes culturais da época Meiji em todos os sentidos: espacial, cultural, religiosa e até linguisticamente.

Não vamos agora, aqui, batalhar muito sobre os problemas que o passado de IN criou aos seus escritos sobre o Japão. De uma maneira simples, digamos que não tinha senão um entendimento muito superficial acerca da história e da literatura japonesas, tal como os seus inúmeros erros demonstram, tanto nos textos japoneses como ingleses (IN admitiu-o, aliás, frente aos seus críticos japoneses mas não aos estrangeiros). Ele simplesmente não lera praticamente nenhum dos textos clássicos japoneses.

E nenhum dos trabalhos de IN foi mais aclamado do que, precisamente, o mencionado “clássico” Bushido que, no entanto, é sem duvida o mais inexacto de todos os seus livros.
IN nem tinha consciência (quando escreveu o livro) que o termo “bushido” já existia. Estava convencido que a palavra bushido era obra sua e revelou grande surpresa quando, anos mais tarde, um compatriota seu lhe chamou a atenção para o facto de a mesma existir desde, pelo menos, o período Tokugawa.

Durante o surto de nacionalismo que acompanhou as vitórias nas guerras sino e russo-japonesas o livro de IN, mas sobretudo o seu conceito de bushido, capturou os espíritos de muitos dos seus conterrâneos. (Tal como hoje nas artes marciais) o bushido estava em toda a parte.

Nakariya Kaiten escreveu sobre o bushidó como a religião do Japão.
Takagi Takeshi comparou o bushido ao código de cavalaria.
O colega de IN, e também cristão, Uchimura Kanzó chegou ao ponto de imaginar o bushido como:
“... a melhor criação do Japão... a cristandade apoiada sobre o bushido será a melhor criação do mundo.
Salvará não apenas o Japão mas todo o mundo.”


A informação, senhores mestres, a informação.

Há um ditado japonês que diz mais ou menos assim: “Não é vergonha ser ignorante. Vergonha é não perguntar e permanecer ignorante.”

Se há coisa que não falta nos tempos que correm é informação. E que nos diz a informação existente sobre o assunto?

Primeiro, que o bushido dos séculos XIX e XX pouco ou nada tem a ver com os princípios éticos e comportamentais dos samurais desde a fundação da sua classe por voltas do século VII da nossa era, e que foram mais ou menos explicitados, por exemplo, no Hagakure de Tsunemono Yamamoto ou no Budoshoshinshu de Daidoji Yozan, (apenas) nos séculos XVII e XVIII.
Uma época aliás, de paz, onde o importante era a criação de um código de conduta para uma classe social que, tendo sido criada exclusivamente para a guerra, se encontrava profundamente “debilitada” na sua função. Os samurai desses tempos eram burocratas e administradores e não guerreiros. Assim, as ideias apresentadas são muito mais uma mera declaração de “boas-intenções” do que um retrato fiel do comportamento dos guerreiros japoneses.

Depois, sabe-se que, desde o princípio da sua existência, a relação entre os samurais e os seus senhores era contratual. Ou seja, dependia muito do interesse e vantagens mútuas. Os guerreiros medievais permaneciam fiéis aos seus senhores, apenas enquanto beneficiavam com isso e mudavam rapidamente de partido assim que as situações lhes permitia, sendo inclusive históricas várias mudanças de campo, por vezes mesmo a meio de batalhas.

Tanto pior para o primeiro princípio do bushido, a lealdade, tão comumente apregoado pelos seus “vendedores”.

Afinal em que é que ficamos?

Lealdade, veracidade, honra, blablabla...blablabla. Por muito bonitos que esses ideiais possam ser, encarar Bushido, the Soul of Japan como sendo uma referência, um código universal de ética e de “comportamento samurai”, que se pode recitar tal como os Dez Mandamentos, parece-me um disparate monumental.

Os, mais líricos que autênticos, escritos onde o bushido provavelmente se apoia nem foram criados para toda a população japonesa, quanto mais para gaidjins. Foram sim criados para descrever - e prescrever - um comportamento ideal de uma determinada classe social, num determinado ambiente social e num determinado momento histórico.
Como diz Karl Friday: “Não tivessem eles sido cremados e Yamamoto Tsunemoto, Daidóji Yúzan e Yamaga Sokó (...) possivelmente estariam às voltas nos seus túmulos.”

Além do mais, o bushido foi fruto de uma época. Escrito por um (quase)estrangeiro “ignorante” da realidade japonesa foi aproveitado, empolado, sobrevalorizado, elevado a um nível semi-religioso pelos motivos mais oportunística e politicamente torpes. Foi trave-mestra para surtos de nacionalismo fascistas, justificação para guerras e desculpabilização de massacres.

O BUSHIDO NÃO TEM LUGAR NO BUDO MODERNO.

Diga-se o que se quiser, o objectivo das artes marciais modernas não é criar guerreiros melhores. O objectivo do budo moderno (N.A: pleonasmo), tal como se pode ver na mission statement da Nippon Budokan, é criar pessoas melhores.

Por isso, faço minhas as palavras de Almada Negreiros, poeta, modernista e tudo:
“Morra o bushido, morra... pim.”

28.7.06

FAZ HOJE UM ANO...


Kitamoto 2005: primeiro treino com bogu.
Moi, no canto direito, por cima da data.
Foto: Uehara Kichio Sensei.

26.7.06

VAI KOREA

Será talvez a primeira vez que alguém me vê a torcer por um coreano e provavelmente a única.
São imagens (um bocado maradas) do 7º campeonato do mundo.
O coreano, em jodan-kamae, contra o brasileiro, em seigan.
Vale a pena ver:
http://222.122.15.175/class/7wkc%200005.asf

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 27

Olha, o Sousa voltou a dar notícias sobre os treinos a que eu me tenho baldado e diz ele:

Ois,

6ª feira o discurso foi basicamente o mesmo de sempre - a mão esquerda.
Que tem estar ao centro e que quanto mais cansados estivermos menos força devemos fazer com a direita.
O sensei acha que nos penduramos demasiado na direita à medida que o treino avança.
Não me lembro de mais nada de especial.

Ontem, o discurso centrou-se sobre o pouco kakarigeiko que fizemos e que tanto nos estoirou. "Ainda muito fraco..."
Um pouco frustante, mas verdade.
"Setembro recomeça, ok?"
Referia-se às aulas e ao kakarigeiko! O sensei acha que quando se conseguir fazer 8 vezes kakarigeiko sempre ao mesmo ritmo, e com kiai, então tudo muito muito melhor.
"Vocês, ao segundo já cansado, né?" :)

Joaquim, desculpa lá mas tou com pressa, percebeste a ideia né? Depois pões isso bonitinho sff.. :P

1 abc e continuação de boas férias.

Luis

Gosto do "depois pões isso bonitinho sff". Nada disso, meu. Isto é blog-verité, tás a ver?... É como cinema-verité só que não tem imagens em movimento.

É tudo real... realismo, percebes? Ok, então... fui.