20.8.06

DOENÇAS INFANTIS DAS ARTES MARCIAIS JAPONESAS 2 - O BUSHIDO CRÓNICO

Para onde quer que se vire, por onde quer que vá, qualquer que seja o caminho que escolha percorrer, o recém-chegado ao mundo das artes marciais japonesas, mais cedo ou mais tarde, ver-se-á confrontado com uma inevitável(?) palavra: bushido.

E tudo é bushido. Tudo.

Quando o “mestre” não sabe explicar o fundamento teórico de um movimento ou gesto técnico, quando não conhece a origem da sua arte, quando o que quer que seja não corre bem, logo se atira, qual remédio (remendo?) universal para todas as maleitas marciais... o bushido.

O golpe parece ilógico? O bushido explica. Não tem aplicação prática? O bushido, com a sua tremenda profundidade, fruto de séculos e séculos de aperfeiçoamento, imediatamente resolve.

O bushido é a panaceia universal do budo e está por toda a parte.

Na TV, o comentador de K1 (kick-boxing) define os combatentes como “estes guerreiros do bushido”.
Na internet, nos sites mais variados, dedicados às artes marciais mais variadas, toda a gente, toda, reclama para a sua um poucochinho de bushido.
Nas revistas o bushido tem honras de capa. Há até uma (cada vez pior) revista chamada “Karaté-bushido”.
Há até quem “crie e desenvolva” artes marciais, baseadas, pasme-se, nas "técnicas do antigo bushido".

Basicamente pode dizer-se que o bushido está para o budo como o fermento para doçaria portuguesa.

O bushido é isto tudo? Chegamos assim àquele momento fatídico em que inevitavelmente somos forçados, mais que não seja pela curiosidade crescente, a perguntar:

Mas afinal... sim, afinal o que raio é essa coisa do bushido?

Então, não tem nada que saber - dirá o “mestre” do lado. - O bushido é o antiquíssimo código de conduta dos samurais.

Nem tanto, responde modestamente este vosso humilde escriba. O bushido de que toda a gente fala e refere foi “inventado” já a “raspar” o século XX. Mais exactamente, foi obra de um homem, nascido precisamente no mesmo ano que Sasaburo Takano, de seu nome Inazo Nitobe (1862-1933), que nesse não tão antiquíssimo ano de 1899 (há quem diga 1905) publicou Bushido, the Soul of Japan (Bushido, a Alma do Japão).

E quem era então Inazo Nitobe?

Se mencionei que Inazo Nitobe (IN) nasceu no mesmo ano de S. Takano foi apenas como referência temporal porque, na verdade, as suas vidas não têm, além desse facto, a menor semelhança.
IN nasceu, tal como já disse 1862 mas embarcou quase de seguida numa educação que de certa maneira o isolou imediatamente dos acontecimentos da sua época. Começou a estudar inglês aos nove anos e depois de alguns anos de estudo em Tokyo foi enviado, aos quinze anos, para Hokkaido; aí abraçou a fé cristã e estudou principalmente Economia Agrícola, em língua inglesa e com professores americanos.
Nessa terra, que apenas então começava a ser considerada parte real do Japão, IN estava basicamente isolado das correntes culturais da época Meiji em todos os sentidos: espacial, cultural, religiosa e até linguisticamente.

Não vamos agora, aqui, batalhar muito sobre os problemas que o passado de IN criou aos seus escritos sobre o Japão. De uma maneira simples, digamos que não tinha senão um entendimento muito superficial acerca da história e da literatura japonesas, tal como os seus inúmeros erros demonstram, tanto nos textos japoneses como ingleses (IN admitiu-o, aliás, frente aos seus críticos japoneses mas não aos estrangeiros). Ele simplesmente não lera praticamente nenhum dos textos clássicos japoneses.

E nenhum dos trabalhos de IN foi mais aclamado do que, precisamente, o mencionado “clássico” Bushido que, no entanto, é sem duvida o mais inexacto de todos os seus livros.
IN nem tinha consciência (quando escreveu o livro) que o termo “bushido” já existia. Estava convencido que a palavra bushido era obra sua e revelou grande surpresa quando, anos mais tarde, um compatriota seu lhe chamou a atenção para o facto de a mesma existir desde, pelo menos, o período Tokugawa.

Durante o surto de nacionalismo que acompanhou as vitórias nas guerras sino e russo-japonesas o livro de IN, mas sobretudo o seu conceito de bushido, capturou os espíritos de muitos dos seus conterrâneos. (Tal como hoje nas artes marciais) o bushido estava em toda a parte.

Nakariya Kaiten escreveu sobre o bushidó como a religião do Japão.
Takagi Takeshi comparou o bushido ao código de cavalaria.
O colega de IN, e também cristão, Uchimura Kanzó chegou ao ponto de imaginar o bushido como:
“... a melhor criação do Japão... a cristandade apoiada sobre o bushido será a melhor criação do mundo.
Salvará não apenas o Japão mas todo o mundo.”


A informação, senhores mestres, a informação.

Há um ditado japonês que diz mais ou menos assim: “Não é vergonha ser ignorante. Vergonha é não perguntar e permanecer ignorante.”

Se há coisa que não falta nos tempos que correm é informação. E que nos diz a informação existente sobre o assunto?

Primeiro, que o bushido dos séculos XIX e XX pouco ou nada tem a ver com os princípios éticos e comportamentais dos samurais desde a fundação da sua classe por voltas do século VII da nossa era, e que foram mais ou menos explicitados, por exemplo, no Hagakure de Tsunemono Yamamoto ou no Budoshoshinshu de Daidoji Yozan, (apenas) nos séculos XVII e XVIII.
Uma época aliás, de paz, onde o importante era a criação de um código de conduta para uma classe social que, tendo sido criada exclusivamente para a guerra, se encontrava profundamente “debilitada” na sua função. Os samurai desses tempos eram burocratas e administradores e não guerreiros. Assim, as ideias apresentadas são muito mais uma mera declaração de “boas-intenções” do que um retrato fiel do comportamento dos guerreiros japoneses.

Depois, sabe-se que, desde o princípio da sua existência, a relação entre os samurais e os seus senhores era contratual. Ou seja, dependia muito do interesse e vantagens mútuas. Os guerreiros medievais permaneciam fiéis aos seus senhores, apenas enquanto beneficiavam com isso e mudavam rapidamente de partido assim que as situações lhes permitia, sendo inclusive históricas várias mudanças de campo, por vezes mesmo a meio de batalhas.

Tanto pior para o primeiro princípio do bushido, a lealdade, tão comumente apregoado pelos seus “vendedores”.

Afinal em que é que ficamos?

Lealdade, veracidade, honra, blablabla...blablabla. Por muito bonitos que esses ideiais possam ser, encarar Bushido, the Soul of Japan como sendo uma referência, um código universal de ética e de “comportamento samurai”, que se pode recitar tal como os Dez Mandamentos, parece-me um disparate monumental.

Os, mais líricos que autênticos, escritos onde o bushido provavelmente se apoia nem foram criados para toda a população japonesa, quanto mais para gaidjins. Foram sim criados para descrever - e prescrever - um comportamento ideal de uma determinada classe social, num determinado ambiente social e num determinado momento histórico.
Como diz Karl Friday: “Não tivessem eles sido cremados e Yamamoto Tsunemoto, Daidóji Yúzan e Yamaga Sokó (...) possivelmente estariam às voltas nos seus túmulos.”

Além do mais, o bushido foi fruto de uma época. Escrito por um (quase)estrangeiro “ignorante” da realidade japonesa foi aproveitado, empolado, sobrevalorizado, elevado a um nível semi-religioso pelos motivos mais oportunística e politicamente torpes. Foi trave-mestra para surtos de nacionalismo fascistas, justificação para guerras e desculpabilização de massacres.

O BUSHIDO NÃO TEM LUGAR NO BUDO MODERNO.

Diga-se o que se quiser, o objectivo das artes marciais modernas não é criar guerreiros melhores. O objectivo do budo moderno (N.A: pleonasmo), tal como se pode ver na mission statement da Nippon Budokan, é criar pessoas melhores.

Por isso, faço minhas as palavras de Almada Negreiros, poeta, modernista e tudo:
“Morra o bushido, morra... pim.”

28.7.06

FAZ HOJE UM ANO...


Kitamoto 2005: primeiro treino com bogu.
Moi, no canto direito, por cima da data.
Foto: Uehara Kichio Sensei.

26.7.06

VAI KOREA

Será talvez a primeira vez que alguém me vê a torcer por um coreano e provavelmente a única.
São imagens (um bocado maradas) do 7º campeonato do mundo.
O coreano, em jodan-kamae, contra o brasileiro, em seigan.
Vale a pena ver:
http://222.122.15.175/class/7wkc%200005.asf

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 27

Olha, o Sousa voltou a dar notícias sobre os treinos a que eu me tenho baldado e diz ele:

Ois,

6ª feira o discurso foi basicamente o mesmo de sempre - a mão esquerda.
Que tem estar ao centro e que quanto mais cansados estivermos menos força devemos fazer com a direita.
O sensei acha que nos penduramos demasiado na direita à medida que o treino avança.
Não me lembro de mais nada de especial.

Ontem, o discurso centrou-se sobre o pouco kakarigeiko que fizemos e que tanto nos estoirou. "Ainda muito fraco..."
Um pouco frustante, mas verdade.
"Setembro recomeça, ok?"
Referia-se às aulas e ao kakarigeiko! O sensei acha que quando se conseguir fazer 8 vezes kakarigeiko sempre ao mesmo ritmo, e com kiai, então tudo muito muito melhor.
"Vocês, ao segundo já cansado, né?" :)

Joaquim, desculpa lá mas tou com pressa, percebeste a ideia né? Depois pões isso bonitinho sff.. :P

1 abc e continuação de boas férias.

Luis

Gosto do "depois pões isso bonitinho sff". Nada disso, meu. Isto é blog-verité, tás a ver?... É como cinema-verité só que não tem imagens em movimento.

É tudo real... realismo, percebes? Ok, então... fui.

23.7.06

KEN 3

Págs 68 e 69:

"Quando, com o shinai por sobre a cabeça, Jiro se lançava para atingir o men do seu opositor, a sua segurança explodia, evidente, aristocrática, esmagando imediatamente o adversário.
(...)
Assim, nessa guarda perfeitamente correcta, o seu shinai transformava-se num imenso corno ameaçador plantado na sua cabeça, enquanto que uma energia proliferava, semelhante à dos cumulo-nimbus no azul do verão, parecendo transcender o céu."

19.7.06

51º ESTE-OESTE

51º Taikai Este-Oeste (nanadan e acima).

Com a participação especial de Eiga Naoki (aka) a executar um kote-men de antologia:
http://user.chol.com/~kummisa2/51ds/ds003.wmv

Alguns resumos de combates:
http://user.chol.com/~kummisa2/51ds/ds002.wmv

Mais alguns resumos de combates:
http://user.chol.com/~kummisa2/51ds/ds015.wmv

KEN 2

Consegui.

Consegui comprar o livro no fim-de-semana passado. Começa assim:

"Sobre o Do negro lacado, resplandeciam, dourados, dois botões de Genciana, o brasão da família Kokubu.
Através do largo raio de sol poente que penetra pela janela do dojo, as gotas de suor escapam-se como fagulhas do espesso keiko-gi indigo de Kokubu Jirô e voam à sua volta."


Parágrafo de abertura de “Ken” de Hiraoka Kimitake, mais conhecido como Yukio Mishima.

18.7.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 26

Segunda-feira, 18 de Julho

O texto seguinte foi-me enviado pelo Luis, o "Sousa":

Joaquim,

Ontem o sensei apenas se referiu ao calor/abafamento do ginásio "Muito quente, né?" e riu-se.

O treino foi bom, suburi, ashi-sabaki, kihon com bogu, jigeiko e kirikaeshi.

Abraço,

Luis

Prontes.

11.7.06

DOENÇAS INFANTIS DAS ARTES MARCIAIS JAPONESAS 1 - O MISTICISMO

As artes marciais japonesas, que daqui em diante designarei por budo, são, possivelmente, uma das mais bem sucedidas exportações culturais de todos os tempos.

Nos locais mais recônditos do planeta e pelos motivos mais variados que podem ir desde a simples “saudade de casa” até razões como treino militar, auto-defesa, exercício físico, preservação da identidade cultural, etc, etc, etc, alguém pratica judo, karate, jukendo, iaido ou qualquer outra forma de budo.
No espectro abrangido entre sociedades totalitárias de esquerda e de direita, passando por todos os tipos de realidade social e cultural, sem olhar a raças, convicções religiosas ou opções sexuais, o budo assenta as suas raízes pacífica mas tenazmente. Onde quer que esteja, Jigoro Kano deve estar muito feliz.

E estranhamente perante tal fartura, se por um lado os “livros técnicos”, chamemos-lhes assim, acerca dos mais variados budos não faltam (muito pelo contrário), qualquer leitor mais atento se dará conta da falta de literatura que se debruce de uma maneira séria sobre os fundamentos teóricos e filosóficos do budo.

Talvez por isso a biblioteca típica dos praticantes de budo de todo o mundo, por mais cépticos que se auto-denominem, está repleta de títulos que reflectem tudo menos cepticismo perante as realidades do combate.

Se, por um lado, se advoga por vezes uma eficácia sem igual acerca do método praticado, por outro, “Segredos do samurai”, “A via zen das artes marciais”, “A arte cavalheiresca do arqueiro zen”, juntamente com obras como “A Mente Imaculada (cartas de um mestre zen para um mestre da espada)” ou o inevitável “Livro dos cinco anéis”, são presença frequente (obrigatória?) nas estantes dos budokas, um pouco por todo o lado.

Mais, são muitas vezes o motivo que leva a que a prática tenha sido iniciada, mas por vezes também, o motor que mantém a dita prática em funcionamento.

Exagero, dirão?

Na sua comunicação “The Myth of Zen in the Art of Archery” (O mito do zen no tiro com arco), Yamada Shoji refere um inquérito de opinião conduzido em 1983 pelo Projecto de Pesquisa de Kyudo (Kyodo Kenkyoshitsu) da Universidade de Tsukuba, onde foi perguntado a 131 praticantes alemães de kyudo o que os tinha levado a iniciar a prática do tiro com arco japonês.
Os resultados foram surpreendentes (?):
Uns “gigantescos” 84% responderam “para treino espiritual”. Cerca de 61% referiram interesse pelo zen e 49% especificaram que tinham começado a praticar kyudo porque tinham lido “A arte cavalheiresca do arqueiro zen” (Zen in der Kunst des Bogenschiessens), escrito por Eugen Herrigel (1884-1955).

Não sendo o objectivo deste post desancar na credibilidade do livro escrito pelo senhor Herrigel (o artigo mencionado acima, fá-lo melhor do que ninguém) gostaria, no entanto, de levantar algumas questões que me parecem pertinentes.

A primeira parece-me óbvia pelo que já foi dito ao longo deste post. A falta de bons livros sobre as teorias e as filosofias do budo, traduzidos para a biblioteca “ocidental”, leva a que os praticantes procurem um pouco de tudo o que lhes pareça que pode ajudar, não só à sua prática diária, mas que lhes forneça algo parecido com alicerces em que possa assentar as suas ideias e convicções acerca da mesma.

Se não, como explicar que um praticante de kendo (e não só de kendo) possa, por exemplo, ter como livro de cabeceira o “Livro dos cinco anéis” de Miyamoto Musashi, uma obra sobre esgrima japonesa escrita no séc. XVI? Como explicar o sucesso de obras como “Bushido”, de Inazo Nitobe (1862-1933), um professor universitário sem qualquer ligação conhecida ao budo e que viveu grande da sua vida fora do Japão?

Escusado será dizer que isso se traduz muitas vezes em mal-entendidos difíceis de sarar. Certas atitudes e hábitos que, na opinião deste vosso escriba, raiam por vezes o ridículo, tornam-se difíceis, senão impossíveis, de contrariar.

Pego, como exemplo, nas palavras do senhor Yamada Shoji acerca da relação entre o kyudo e o zen:
“Se nos confinarmos ao período pós-Meiji (após 1868), a maior parte das pessoas praticaram-no (N.Tr.: ao kyudo) quer como forma de educação física quer pelo simples prazer. Nos textos anteriores à (segunda) guerra, dedicados ao tiro com arco japonês, com a excepção de algumas seitas religiosas isoladas, existem poucas ou nenhumas referências às afinidades entre o kyudo e o zen. Do mesmo modo, entre os praticantes de kyudo japoneses modernos, os que o abordam como uma prática zen são extremamente raros.
Apesar desses factos, livros e comentadores populares continuam a enfatizar a relação entre o tiro com arco japonês e o zen.”

Ki, zen, shin, mushin, fudoshin, seme, kokoro e muitas outras “palavras difíceis” que povoam páginas e páginas, são muitas vezes conceitos que evoluem através dos tempos e que, num texto do séc. XVI, por exemplo, significavam uma coisa e hoje significam uma outra completamente diferente. Se a isso juntarmos as dificuldades de tradução do japonês onde, consoante o contexto, certos conceitos, já de si bastante vagos, podem adquirir as significações mais diversas e o facto de muitos livros já serem uma tradução de uma tradução, qual será a atitude mais certa a tomar?
Deixar simplesmente de ler? Não vou tão longe. Mas parece-me que o melhor será não fazer tanta “fé” na leitura e abordar certos temas mais “mistico-filosóficos” com alguma prudência ou mesmo algum cinismo.

Afinal de contas, por mais livros que se leia, o entendimento do budo passa única e exclusivamente pela prática.

É preciso que nunca nos esqueçamos que, ao invés de uma corrente muito em voga nos dias de hoje e que muita gente segue, e vende, nos seus livros, a filosofia das artes marciais não é constituída por uma mão cheia de valores budistas, duas colheres de chá de zen, um pouco de confucionismo e umas pitadas de xintoísmo.

Esses supostos ensinamentos do budo que muitas vezes são apresentados como moral devem ser, pelo contrário e antes de mais nada, o fruto de uma praxis. Como, e muito bem, diz o sensei Kenji Tokitsu:
“Esse ensinamento é por vezes concebido como moral, mas o seu fundamento é técnico. A arte do combate é uma arte pragmática. Diria que a moral emerge aqui de um pragmatismo levado ao limite. É uma particularidade do budo. Não se trata de uma associação de valores morais à prática das armas.”

Em resumo: se o que se procura nesse tipo de leitura, filosófica, digamos assim, é uma revelação que permita um maior entendimento dos fundamentos do budo, para assim melhorar o desempenho no mesmo, isso parece-me ser um caminho completamente errado.

No budo, as revelações dão-se apenas no dojo, à luz do keiko.

Um lançador de dardo, pode gostar de ler sobre relva.
Pode saber tudo sobre os diferentes tipos de relva que crescem nos estádios onde pratica e compete.
Pode mesmo ser um botãnico especializado em relva.
Pode até cultivar relva com muito sucesso.
Mas tudo isso nunca vai fazer com que o dardo que lança se vá espetar um centímetro sequer a mais do que a sua melhor marca, só porque se vai espetar... na relva.

Próxima doença: o bushido crónico

10.7.06

FIM DE ÉPOCA

Hoje o senhor Osaka também não apareceu no treino e assim, este que seria o meu último post dedicado às suas palavras na presente época, passa a ser um post de despedida até Setembro.

Tal como faço sempre, paro de treinar a meio do mês de Julho (a idade e tal e tal), o que quer dizer que só voltarei a treinar kendo lá para... daqui a um mês e meio, pronto.

Se aparecer/acontecer alguma coisa interessante pelo caminho, se calhar, ainda "posto" aqui umas baboseiras; se não, como sempre diz o senhor Osaka: Paciência.

Divirtam-se e bom keik... qual quê... boa praia, gente! E boas cervejinhas geladinhas e boa má-vida. Ehehehe.

8.7.06

O REGRESSO ÀS AULAS

A partir de 2ª feira e até ao fim do mês de Julho as aulas da APK serão ministradas nas instalações do Clube Nacional de Natação, na Rua de S. Bento.
Os horários serão os mesmos da Escola Patrício Prazeres mas os treinos apenas terão lugar às 2ªs e 6ªs.
Só resta saber se, depois do treino, vai haver possibilidade de dar um mergulhinho na piscina, eheheh.

6.7.06

A(S) PALAVRA(S) DO SENHOR

Depois de vinte poucas entradas neste blog do assunto "A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) parece-me relevante neste instante fazer, um pouco em jeito de balanço, uma pequena dissertação sobre o mesmo.

Antes de mais, gostava de voltar a referir que a autoria do conceito pertence a uma pessoa que já tem bastante tempo de kendo nas pernas e que é o Sempai Sérgio Andrade.

Quando, há uns tempos atrás, no fim de uma aula e precisamente após as palavras finais de Osaka Sensei, o Sérgio me desafiou para começar a reproduzir as suas afirmações neste blog, confesso que não fiquei particularmente excitado com a ideia.

Mas resolvi dar dois minutos de reflexão ao assunto e as minhas conclusões não podiam ter sido mais surpreendentes.

Depois de mais de uma década a ouvir as recomendações finais de Osaka Sensei, apercebi-me subitamente que me habituara a escutá-lo... com um filtro, digamos assim. Não que, como se costuma dizer, as suas palavras "entrassem a cem e saíssem a duzentos", não era assim. Numa atitude que me custa agora bastante a reconhecer como minha, habituara-me a seleccionar o que me interessava da sua dissertação final e simplesmente esquecer/ignorar o resto. Coisa que, por motivos óbvios, não posso agora "dar-me ao luxo" de fazer.

No entanto, só me apercebi mesmo do valor desse trabalho quando um Sempai emigrado para outras paragens, me mandou uma mensagem onde referia as saudades e a falta que lhe faziam que "aquelas palavrinhas do sensei" no fim do treino. As "palavrinhas" para ele, que se encontrava ausente, eram todas, de grande importância.
Se dúvidas tivesse quanto à tolice da minha abordagem anterior elas estavam agora completamente resolvidas.


Assim, o que esta série de post's me tem proporcionado é, sobretudo, uma abordagem muito diferente de uma situação que, a meus olhos, estava completamente resolvida. O pequeno discurso final de Osaka San era um hábito, um dado adquirido, nada mais. Reveledor por vezes, "normal" por outras.

Mas é com alguma vaidade que vos digo que essas declarações finais são hoje muito diferentes para mim. Mais que não seja pela necessidade que sinto de investir mais frequentemente numa reflexão sobre cada tema abordado. Entre ouvir, memorizar, racionalizar, explicar(-me) e passar para a escrita, tudo junto, conto pelo menos uma horita de raciocínio, às vezes mais, sobre o que foi dito.

Portanto, não me parece que seja de estranhar, depois de tudo o que foi dito, que "a mão esquerda sempre ao centro", "a perna bem esticada", "o recolher do pé esquerdo mais rapidamente" e todos esses avisos frequentes ganhem um novo significado a cada dia que passa.

Não sei o que o futuro nos traz mas, se depender de mim, tenciono continuar a escutar, guardar, memorizar, analisar, espremer até à medula as declarações do único Sensei de kendo residente em Portugal, tanto quanto os meus parcos conhecimentos sobre o assunto assim o permitam.

Sem filtros. Palavra por palavra.

Palavra.

4.7.06

UMA BOA NOTÍCIA E UMA MÁ NOTÍCIA

A boa:
Enfim, haja Deus. Finalmente as mal-fadadas obras no chão do ginásio da Patrício Prazeres vão começar.
A má:
Amanhã.

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 25

Segunda-feira, 3 de Julho

Hoje o senhor Osaka não compareceu no local de treinos, na Escola Secundária Patrício Prazeres e assim, fui eu que dei o treino; logo, não há palavra do senhor para ninguém.

Enfim, voltem sempre e não se esqueçam de votar para "Kendoka do Ano" e "Kendoka Revelação" 2005/06.

Eh pá... pensando bem, se não quiserem votar não votem, quero lá saber já disto tudo. Já tenho votos mais que suficientes para premiar alguém, por isso...

Tou cansado.

2.7.06

ESTÁGIO DO PORTO

No momento que escrevo este post já deve ter terminado, ou estará mesmo a terminar, o estágio do Porto dirigido por D. António Gutierrez e Osaka san, ao qual fui obrigado a faltar, com muita pena minha, por motivos profissionais.
Espero que tudo tenha corrido sobre rodas, que tenham passado uns bons momentos e aprendido alguma coisa nova.

28.6.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 24

Quarta-feira, 28 de Junho

Semelhança e diferenças entre executar Harai-Men Omote e Harai-Men Ura.

Semelhança: em ambos, deve-se acertar o mais possível ao centro do shinai do adversário. Mais, o mais próximo possível do punho direito do adversário;

Diferenças: em Omote o ataque deve ser feito em dois tempos, dois fumikomi-ashi, um para cada gesto. Um para o Harai, outro para o Men. Em Ura, por sua vez, o ataque deve ser feito num tempo. O Harai "faz-se pelo caminho". Um fumikomi-ashi (no Men, obviamente), usando o braço direito (que se encontra levantado) enquanto se avança "para esconder" (sic) o resto do corpo.

Palavra do senhor (Osaka)... amén.

Até segunda porque sexta o sensei desloca-se para Norte e... não há nada p'ra ninguém.

Fui.

26.6.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 23

Segunda-feira, 26 de Junho

Hoje o senhor Osaka terminou a aula num tom de brincadeira(?) dizendo que, na próxima vez que fizermos ji-geiko shobu-ippon a fechar a aula, os que perderem devem fazer 100 sayu-men (daqueles a saltitar no mesmo sítio?...)como "castigo".

E a coisa teria ficado por aí não fosse a Sylvia dirigir-se-lhe e pedir-lhe conselho acerca de harai-men. Como ainda não tinha arranjado "material" suficiente para esta rubrica, aproximei-me também e escutei.

Com o Paulo a servir de "manequim" explicou que o mais importante em harai-men é acertar no shinai do adversário mais próximo da mão. Mais ao meio do shinai e evitar acertar na ponta do mesmo.

Porquê?

Primeiro porque a ponta é mais fácil de "repor no lugar", é mais "leve" e o efeito do harai não é tão sentido pelo opositor;
segundo, porque ao acertar mais ao meio, o harai não só é mais "pesado" mas também temos naturalmente tendência para nos aproximarmos mais e assim ganhar mais vantagem no que a distâncias diz respeito.

Satisfeito, afastei-me e comecei logo a magicar como iria escrever a palavra do senhor (Osaka) de hoje. E pensei começar mais ou menos assim:

"Hoje o senhor Osaka terminou a aula num tom de brincadeira(?) dizendo..."

24.6.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 22

Sexta-feira, 23 de Junho

Nas suas palavras finais o Sensei falou hoje apenas em duas coisas.

Primeiro fez uma referência breve à importância de a perna esquerda vir imediatamente para a frente quando a direita avança, ou seja quando se ataca não se pode deixar a perna de trás presa ao chão. Esta deve de imediato também avançar.
Este movimento é essencial para nidan waza, por exemplo kote-men e ainda para um correcto Zanshin

Falou ainda com mais demora de um assunto que achei muito interessante, e que não é muito comum ele abordar.


Quando se ataca (ou se entra fazendo Seme), o nosso Shinai não se deve desviar do do adversário. Pelo contrário deve deslizar encostado a este de forma a que possamos “sentir” a reacção do adversário.

O sensei usou uma expressão que me pareceu engraçada: o nosso Shinai deve ser uma espécie de antena para captar a reacção. Caso sentimos que o nosso oponente faz força para a esquerda (dele) então podemos atacar Kote, caso faça para a sua direita então é o Men o seu ponto fraco.

Isto parece tão fácil de perceber, mas é mais uma daquelas coisas que leva uns 10 anos até começares a sentir alguma coisa na “antena” e ainda outros 10 até conseguires aproveitar isso de forma eficaz.

Um abraço
Sérgio Andrade


E assim se vê que há pessoas que tomam atenção às palavras do senhor (Osaka).

Obrigado ao Sérgio, que por acaso e nunca é demais lembrar, até foi o inventor deste conceito dos posts com as considerações finais do nosso inestimável Osaka San.

22.6.06

DON ANTÓNIO


Foi com muito prazer que tomei conhecimento da presença prevista de D. António Gutierrez (2º a contar da esq. na foto) no próximo estágio do Porto.
Para além de uma excelente técnica o Sensei António (rokudan, se alguém ainda não sabe) é também portador de uma simpatia a toda a prova.

21.6.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 21

Quarta-feira, 21 de Junho

Neste primeiro dia de Verão, os principiantes floresceram um pouco por todo o dojo.

Seis pessoas sem bogu a treinar é coisa que já há algum tempo não se via no dojo de Lisboa.

Osaka san que não é lá muito dado a estas coisas de "os grandes pr'áli e os pequenos pr'acolá" põs o povo todo a fazer kihon. Mais nada. Um treino de técnica-base nunca fez mal a ninguém. Au contraire.

Tá tudo a fazer shomen e bem feitiiiinho. Mas antes um doce: tá tudo a fazer ashi-sabaki. Mais nada.
Acham pouco? Ok, sayu-men porque tou bem disposto. Kote e essas modernices vão ter de ficar pr'a outro dia. Shomen e sayu-men. Chega.

No fim, as suas palavras foram dirigidas a todos e, ao contrário do que muito boa gente pensa, não só aos principiantes. E ele disse:

"A MÃO ESQUERDA, QUER EM SHOMEN QUER EM SAYU-MEN, ACABA SEMPRE AO MEIO DO CORPO."

Os japoneses são um povo muito persistente.

Até segunda... pois, porque vou até ao Algarve e lá, na sexta à noite, não há kendo nem senhores Osakas para citar.

Infelizmente.

19.6.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 20

Segunda-feira, 19 de Junho

Hoje, o senhor Osaka destinou as suas palavras finais a alguns conselhos referentes a um exercício que fizemos durante o treino. Nada técnico.

No entanto, uma vez de viagem de volta para Campo de Ourique tive oportunidade de esclarecer a dúvida sobre kasumi-no-kamae. E ele concorda comigo quando digo que hidari-kote é um alvo válido contra semelhante kamae.

Portanto, se alguém quiser experimentar para o próximo campeonato, tamos aí.

Arigato gozaimasté.

ELEIÇÃO 2005/2006 (2)

Segue a bom ritmo a votação para Kendoka do Ano e Kendoka Revelação 2005/06.

Nesta altura, apenas posso revelar que são dois kendokas que comandam destacados nos dois primeiros lugares de cada categoria.

Não deixe para amanhã o que pode eleger hoje.

Vote já nos seus favoritos.


Para mais informações, consulte o regulamento no post anterior ELEIÇÃO 2005/2006.

18.6.06

O KENDOKA MANETA

Encontrei isto:
http://www.star-kumdo.co.kr/movies/kim.asx
há coisa de um mês atrás e achei bastante inspirador.

O video é em coreano mas posso dizer-vos que se trata da história verídica de um senhor chamado Kim (30 anos e 2º dan) que perdeu a sua mão esquerda quando trabalhava numa fábrica. Kim começou a fazer kendo porque toda a gente lhe dizia que isso era impossível.

Neste vídeo vemos a sua história e a sua preparação para um campeonato regional. Ah... e um choyaku-suburi só com uma mão que é de partir a carola.

Há ainda uns excertos de uns quantos combates, mas sobre isso não digo mais nada... a não ser "DÔÔÔÔÔ"!

KOTE-ARI

É engraçado quando nos ensinam uma coisa e, por um motivo qualquer, seja ignorância, medo do conflito, ou por mera vontade própria, simplesmente aceitamo-la como certa, sem sequer ter vontade de questionar a sua veracidade.

É uma regra. Uma certeza.

Depois o tempo passa e passado algum, descobrimos que a "tal" certeza que nos ensinaram não é assim tão... certa. Há excepções.

Depois, mais algum tempo passa e passado também esse, descobrimos que a regra que nos foi ensinada afinal, é ela própria, uma excepção.

Mas vamos lá então falar de kote.

Para ser válido um ataque ao pulso deve ser executado sobre o pulso direito (migi-kote)... e quando o adversário se encontra em chudan-no-kamae. Esta é regra, certo?

Errado, esta é a excepção. Na verdade, os ataques aos dois kotes (migi e hidari) são válidos em todas as situações, excepto quando o adversário se encontra em chudan-kamae.

E MESMO ASSIM, ISSO NÃO É COMPLETAMENTE VERDADE.

Há duas (três?) situações em que se pode atacar o kote esquerdo do adversário, mesmo quando este está em chudan-no-kamae.

A teoria que diz que só se pode atacar o kote esquerdo quando o pulso do adversário se encontra mais alto do que o mune-do (em "age-gote") não é completamente verdadeira. Então e se (numa situação idealizada) o adversário se encontrar em waki-gamae? Com'é qu'ié? O pulso esquerdo, definitivamente, não está em situação age-gote. Posso atingi-lo?

A última regulamentação da AJKF (ed. 2002) declara que “A zona de alvo de kote será o pulso direito (...) contra chudan-no-kamae e ambos os pulsos contra as outras kamae".

Para definirmos o que significa "outras kamae", recorremos a um outro guia, neste caso o escrito para a Kokutai (Organização Nacional Atlética*), “(...) o kote esquerdo é também um alvo válido quando o opositor se encontra em chudan-kamae com a mão esquerda à frente, em jodan-no-kamae, hasso-no-kamae, waki-gamae, nito-no-kamae, age-gote, e outras variantes de chudan.”

Age-gote já se sabe que é quando o pulso está mais alto do que o plexus solar (ou que o mune-do, como se quiser) e/mas não se encontra em trajectória de ataque. Então e as outras variantes de chudan-no-kamae? Quer dizer o quê?

Duas coisas: Hira-seigan kamae e kasumi-no-kamae. As duas kamae mais utilizadas contra jodan-kamae.

(Nota interessante: Hoje em dia, há uma corrente de árbitros japoneses que são a favor de marcar kote se, por exemplo, durante a execução de hiki-men o combatente que sofre o ataque (para o evitar) levantar os braços e em vez de ser atingido na cebeça ser atingido no pulso.)

Tenho de falar disto com Osaka sensei... hum... quer dizer que quando assumirem seigan ou kasumi contra o meu jodan posso atacar os dois kote.

Os malandros que ontem já se babavam de contentamento, a pensar usar kasumi contra mim, vão ter uma ou duas surpresas.


*"National Athletic" no original.

17.6.06

KASUMI NO KAMAE

Imagem retirada de
Ora muito bem, então cá estamos. O Tiago conseguiu encontrar uma imagem de kasumi kamae e teve a amabilidade de ma enviar. Como ele diz, apesar de ser um kendoka "à paisana", a imagem é muito boa.
Na verdade, o dito cujo kendoka chama-se Neil Gendzwill, é 5º dan e é um utilizador frequente de jodan kamae (a quantidade de coisas inúteis que eu sei!!!).

16.6.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 19

Sexta-feira, 16 de Junho

Conspiração. Sim, sim, é o que é. CONS-PI-RA-ÇÃO.

Temos de chamar os bois pelos nomes. E isto chama-se conspiração.

Já no outro dia foi a mesma coisa. Toda a gente a treinar contra jodan-kamae:

a )- Como defender (e contra-atacar) quando o adversário executa katate-men a partir de jodan;

b )- Como rodar para evitar katate-men;

c )- Como fazer bem seigan kamae;

d )- Suri-age men (ura) contra katate-men;


E como se isso tudo não bastasse, hoje as palavras finais do senhor Osaka foram dedicadas a kasumi-no-kamae. Adivinhem contra quê?

Quem disse “jodan-kamae” ganhou um doce.

Agora, não consigo explicar kasumi por palavras. Quem esteve na aula sabe que não me estou a armar. Fui ao google-images e busquei kasumi no kamae e sairam uma coisas (só 5 resultados) de Iaido e Kenjutsu parecidas... mas não eram a mesma coisa.

É muito difícil explicar por palavras o que é kasumi-no-kamae. Já sei o que estão a pensar, estou a defender-me. Quero ficar com a informação para mim. Afinal, eu é que faço jodan, certo?

Errado. E mantenho o que disse. Desafio qualquer um dos que estiveram hoje fazer a aula a colocarem nos comentários uma descrição do que é kasumi.

De qualquer maneira, uma palavra para o senhor Osaka: "Não havia necessidade".

Até segunda... espero que com menos técnicas contra jodan-kamae.

JONI SAN IN JAPAN (2)

O nosso amigo deu notícias.

Diz ele que ainda não começou a treinar, pois anda ocupado a procurar trabalho, coisa que parece não abundar na antiga Capital do Império. Sobretudo trabalho temporário "só" para dois ou três meses.

Aparte um pequeno tufãozinho que passou mais a norte parece que o tempo não está mau, uns aguaceiros... enfim, é como cá!

Eu sempre disse que o Japão era como Portugal, só que com melhores transportes públicos... e melhores salários, claro... e dojos de kendo a torto e a direito... e com seis dias de trabalho por semana e com uma função pública eficiente, ah... com TODOS os serviços públicos eficientes... e pessoas que cumprem horários e empregados de lojas e cafés simpáticos... e eficientes.

Só acho que eles são um bocadinho obcecados por essa coisa da eficiência.

Mas enfim, tirando isso... é igualziiiiinho a Portugal. Igual, digo-vos eu.

14.6.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 18

Quarta-feira, 14 de Junho

Shikake-waza... tai-atari, tsuba-zeriai.

Foi esse o objecto das palavras do sensei Osaka logo após o treino de hoje.

Segundo ele, muita gente tem tendência para encarar tsuba-zeriai como... um bocado como "atirar-se para cima do adversário". Para melhor executar hiki-waza, porém, o senhor japonês recomenda que os cotovelos fiquem longe do corpo do adversário.
Mais exactamente, refere ele, os braços deverão encontrar-se bem no eixo central (já estavam a achar estranho?) durante a execução de tsuba-zeriai, usando a mão direita para fazer (alguma) força de cima para baixo, sobre a tsuba do opositor.

Nada de estar de lado, ancas bem de frente (importante).

Objectivo, claro, controlar os movimentos do outro e (isto digo eu) livrar algum peso da mão esquerda, de modo a que a mesma se possa deslocar mais rapidamente para zonas onde hiki-waza seja mais fácil de executar.

Em resumo, a conversa é sempre a mesma: basta ver como Osaka san executa hiki-men, por exemplo, para perceber que tsuba-zeriai deve ser tudo menos empurrar. Pelo contrário, o objectivo de tsuba-zeriai deve ser o de nos "subtrairmos" ao adversário, o mais rapidamente possível.

Shikake-waza... tai-atari, tsuba-zeriai... pressão... não avances demasiaaaaado, recua! Hiki-waza.

Ippon ari.

Limpinho. Fácil. Pelo menos, assim parecia.

Os 3 árbitros levantam as 3 bandeiras ao mesmo tempo, como num bailado.

O público rejubila e grita em uníssono:
- Até sextaaa.

10.6.06

JONI SAN IN JAPAN

Foto "emprestada" de um fotoblog do Pedro

À boa maneira Queirosiana, tem este post o objectivo de relatar a partida, já neste domingo, do senhor Joni Irata Duarte (na foto), gentil-homem da sociedade kendoka de Lisboa, numa viagem que o vai levar até ao outro lado do mundo, até terras do Grande Nipão.

Durante os próximos três meses, o nosso bem conhecido "japonês falsificado" irá viajar, trabalhar e levar porrada num dojo em Quioto, maravilhosamente situado (que chique) perto do templo de Ryoan-ji.

Todos (!) na redacção deste modesto pasquim digital lhe desejam uma boa viagem, uma excelente estadia e... bom keiko.

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 17

Sexta-feira, 9 de Junho

Problemas relacionados com o sistema 3G, alheios à redacção deste blog, impediram que ontem fosse publicado o habitual relato das palavras do senhor Osaka.

Hoje (ontem) o senhor Osaka, e um pouco no seguimento do conselho que nos tinha dado a respeito da execução de kote-men, disse-nos apenas que, durante todo o renzoku-waza (que temos vindo a executar cada vez mais) "afirmássemos" mais cada fumikomi-ashi.

Só assim, notou, se pode obter melhores resultados quando se executam as técnicas em ji-geiko, ou em shiai.

Ki-ken-TAI no ichi, certo?

9.6.06

KIRI-KAESHI E RESPIRAÇÃO

Segundo os livros, e para que se possa usufruir de todas as vantagens de um bom kiri-kaeshi, é assim que se deve respirar durante o dito:

1 - Assumir chudan-no-kamae em tô ma-ai e inspirar profundamente;

2 - Empurrar o ar para o abdómen;

3 - Avançar com um kiai (yah) e desferir sho-men sem voltar a inspirar.


[ (1 a 3 alternativa)

1 - Assumir chudan-no-kamae em tô ma-ai;

2 - Avançar com kiai (yah);

3 - Inspirar enquanto se ergue o shinai e desferir men; ]


4 - Chocar em tai-atari e executar quatro sayu-men a avançar e cinco a recuar sem voltar a inspirar (começar e acabar sempre por atingir hidari-men);

5 - Voltar a chudan-no-kamae em tô ma-ai e (ainda) sem voltar a inspirar, desferir sho-men de novo;

6 - Durante o tai-atari, inspirar rapidamente;

7 - Executar de novo quatro sayu-men a avançar e cinco a recuar sem voltar a inspirar;

8 - Voltar a chudan-no-kamae em tô ma-ai e (ainda) sem voltar a inspirar, executar o último sho-men;

Idealmente, o último sho-men deve ser executado sem voltar a inspirar, mas como esse deve ser um ataque vigoroso, alguns professores preferem que os seus alunos respirem antes de executá-lo, em vez de arriscar a comprometer a sua qualidade.

Durante o kiri-kaeshi, também conhecido noutros tempos como uchi-kaeshi, deve-se nomear o alvo e, portanto, repetir constantemente men-men-men-men (e por aí fora) ao mesmo tempo que se expira a cada vez um pouquinho do ar que se reteve; por esse motivo, uchi-kaeshi é um exercício com o qual é fácil perder o fôlego.


Assim e para que não se diga que só levanto questões vou deixar aqui uma fórmula mágica para melhorar o desempenho de kiri-kaeshi (tchatchaaaam), tal como foi referida por Masatake Sumi sensei, hachidan, hanshi:

“É preciso enfatizar que o valor de kiri-kaeshi como método de treino reside em adquirir a capacidade de “espremer” apenas mais um golpe, e depois outro, mesmo naquele momento em que já se sente falta de ar.”

Simples, não?

7.6.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 16

Quarta-feira. stop. 7 Junho. stop.

Sensei Osaka muito telegráfico. stop.
Fim de treino. stop.
Mokuso. stop.
Não arfar. stop.

Respirar apenas pelo nariz. stop.
Profundamente. stop.
Não arfar. stop.
Inspirar lentamente. stop.
Para fundo. stop
Para dentro umbigo. stop.

Até sexta. stop....... fim.

COIMBRA TEVE MAIS ENCANTO 3

A qualidade da imagem perdeu-se bastante pelo caminho, mas foi a minha primeira tentativa:

http://video.google.com/videoplay?docid=-2889595347233891108

Pr'á próxima, se houver próxima, vou tentar no youtube.

COIMBRA TEVE MAIS ENCANTO 2

Contra o Henrique, quando as coisas ainda corriam bem, nos 4ºs de final.
Foto by: Hunger for...

O que é que faltou? Para além de outras coisas, atrevimento. O sensei Osaka sabe do que fala quando diz que devemos ser atrevidos.

Visionei e revisionei e rerevisionei e... enfim, percebem onde quero chegar... o vídeo (gentilmente cedido pelo Tiago) do meu combate da meia-final com o Nuno Ricardo e só me vem à cabeça uma coisa que escrevi uma vez: FALTA DE AMBIÇÃO.

Durante o tempo que durou o raio do combate NÃO FIZ UM ÚNICO ATAQUE, ou algo que fosse digno desse nome. NEM UM.

Assim não se pode ganhar um combate.

Suspiro seguido de um grande palavrão.

5.6.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 15

Segunda-feira, 5 de Junho

Não, hoje não falou do centro.

Hoje as poucas palavras de Osaka sensei foram dedicadas ao ritmo.

Nomeadamente, ao ritmo necessário para bem executar harai-men e kote-men. E a receita, salvo seja, foi a mesma: por uma questão de firmeza, quer no harai em harai-men, quer no kote em kote-men, marcar sempre bem as duas acções com fumikomi-ashi.

Rápido, mas bem definido. Pode-se fazer harai-men, tudo num passo e executar o harai a meio do passo, mas se se fizer em dois passos, com dois bons fumikomi-ashi, o mais certo é o harai ter muito mais força e, consequentemente, se acertar no shinai ser muito mais eficaz.

No caso de kote-men: deve-se tentar fazer as duas coisas: KOTE+MEN. Por dois motivos:

- pelo Kote;
- pelo Men;

(Ehehehe)

Agora a sério, Osaka san já nos chamou várias vezes a atenção para o facto de ser sempre preferível executar um kote "verdadeiro" (lá, bem no meio do pulso). É isso nidan-waza. Não se trata de fintar kote.
Com a mesma velocidade da finta, mas em vez dela, podemos executar (mais) um ataque que pode valer ippon. Finta de kote+men tem uma hipótese de acertar, que é o men, obviamente.

Nidan waza kote-men tem duas hipóteses de acertar.

Para isso é preciso, com ele dizia, melhorar o ritmo de ataque. Ser mais forte e mais rápido.
Ou como ele costumava dizer: "Ser atrevido".

Sayonaraaa, okini.

EXEMPLO

Olhem bem para este Chudan-Kamae.


Foto: Hunger for...

Kigurai, zanshin, seme, lembrem-se do que quiserem para procurar... tá lá tudo. Se houvesse um Prémio Usagi San para bom kamae a Diana Cunha tinha o meu voto... de caras.

3.6.06

COIMBRA TEVE MAIS ENCANTO (INCLUI PRÉMIOS USAGI SAN)

Por onde começar?

Ok, para já, parece-me que este torneio de Coimbra foi um marco na (não tão recente como isso) história do kendo em Portugal. E o motivo foi, basicamente, um:
As pools mistas provaram ser uma receita a levar em conta.

Duas das participantes conseguiram chegar aos oitavos-de-final e tenho de dizer o nome delas com muito orgulho: Chie Ando, a "japonesa tripeira" e Sylvia Bozzai (acho que se escreve assim) a "nossa" húngara alfacinha.
Como se isso não fosse suficiente uma das competidoras conseguiu ainda um Prémio Fighting-Spirit.

Isso é a prova de tudo o que eu pensava acerca da competição de kendo, ou seja, o bom kendoka não tem sexo (nem idade).

Mais...

Coimbra dá-me sorte, só que este ano a minha sorte esgotou-se nas meias-finais contra o Nuno Ricardo. Ele estava realmente "on fire". Se tinha de perder com alguém, fico muito feliz por ter sido com ele... e o tsuki esteve lá sim senhor... o hiki-men, pois... nem quero falar disso.
Foi bom voltar a usar jodan-kamae... mas claramente não chegou para vencer o melhor kendoka português da actualidade (dúvidas, alguém?).

Então agora a classificação:
Nuno Ricardo AKP
Paulo Martins AKL
3ºs Luis Sousa AKL e moi-même AKL

Fighting-Spirit:
Joana Almeida AKP
Pedro Marques AKC
Roberto Ferreira AKP

Agora, como de costume, vou entregar os prémios oficiais deste modesto blog. Primeiro os sérios... humhum:
Prémio Fighting-Spirit: Pedro Mitorigeiko (boa puto!!! Prestação impressionante);
Prémio Fighting-Spirit (especial Coimbra): Para TODAS as meninas que não tiveram pudores em aparecer e combater de igual para igual com os meninos;
Prémio Técnico: Pedro Mitorigeiko (não quero saber, quem dá os prémios sou eu);
Prémio de Desempenho Extraordinário: Pedro Mitorigeiko (já disse, não disse?);

Passemos então aos 6 (seis) prémios especiais do juri:
Prémio Com Hiki-Men É Que Se Está Bem: Pr'ó meu irmão, que provou, caso dúvidas houvesse, que Hiki-waza "runs in the family";

Prémio Pôrra Que Esta Coisa Do Shiai É Mais Difícil Do Que Parece vai para o estreante nestas andanças Tiago Veiga da AKL;

Prémio Ããee para Sylvia Bozzai;

Prémio Ai Chinês, Chinês, Quem Te Viu E Quem Te Vê(s) para o Chinês, claro.

Já o Prémio Quantas Vezes Terei De Repetir A Mesma Coisa? Estes Gaidjins Nunca Mais Aprendem? para o nosso inestimável e insubstituível Masakiyo Osaka sensei;

E, finalmente o Prémio Quem Te Manda A Ti Estúpido Estares A Olhar Para Os Árbitros Durante A Competição, Olha Que O Nuno Vai Fazer... Fez!... Fornicaste-te: este é meu, tooooodo meu.


Próximo capítulo: Torneio de Lisboa. Não me lembro quando é, mas está no site da AKP e não me apetece nada ir agora à procura.

2.6.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 14

Sexta-feira, 2 de Junho

O treino de hoje foi muito semelhante ao de 4ª feira passada e as considerações finais também. Tudo o que Osaka sensei referiu foi a necessidade de executar o "tal harai-men" de que falei na última vez como se fosse kote-men.
Fazer pontaria um bocadinho para antes do kote e executar o harai sobre o lado direito do shinai do adversário (lado direito dele!)

A coisa ficou-se por aí.

P.S.: Queria só deixar uma palavra de incentivo para todos os que vão combater amanhã em Coimbra. Vocês sabem que, nos outros desportos, o primeiro lugar do campeonato é o último prémio a ser entregue. É esse o mais importante.

Connosco também é assim, só que, nos nossos campeonatos, o último prémio a ser atribuido é sempre o Prémio Fighting-Spirit e esse tanto pode ser para quem se estreia em competição como para quem já participa há dez anos.

Pode ser qualquer um de nós. Tudo o que é preciso é fazer bom keiko.

Bom keiko.

Bom keiko.

Bom keiko.

Gambateeeeee!!!

1.6.06

BUDO PERSPECTIVES VOL. 1


416 páginas que são um autêntico festim.

Talvez uma vez de 10 em 10 anos surja um livro assim.

O Centro de Pesquisa de Estudos Japoneses (Nichibunken) foi criado em 1987, em Kyoto, como um Instituto de Pesquisa Inter-Universitário. O primeiro volume de Budo Perspectives, agora disponível, é o resultado de um simpósio internacional denominado A Direcção do Budo Japonês no Séc. XXI: Passado, Presente e Futuro que teve lugar em Novembro de 2003 no dito Nichibunken.


O Dr. Alex Bennett Phd (à esquerda), kendo rokudan e tradutor oficial do Seminário de Kitamoto de 2005, ajuda Shimojima sensei a explicar a um aluno tailandês (e a um outro português) as particularidades de Nihon Kendo Kata Sanbomme.
Foto: Uehara Kichio sensei.

Uma obra fundamental, editada pelo inevitável e incansável Dr. Alex Bennett, destinada a todos os budokas que preferem dar enfâse à busca dos muitos pontos comuns, ocultos entre os diferentes budo, em vez de apontar as poucas diferenças óbvias.

O melhor é que não devemos ter de esperar 10 anos por outro. Mais uns meses e o segundo volume deve estar a sair.


O livro é editado pelas publicações Kendo-World e só pode ser adquirido aqui:
http://www.kendo-world.com/kw_publications/index.php

TORNEIO DE COIMBRA 2006

É já no próximo sábado, dia 3 de Junho, entre 10h 30m e as 19h 00m que se realiza o Torneio de Kendo de Coimbra 2006.

A prova terá lugar no Pavilhão Multidesportos da referida cidade.

Shinai Check: das 10h 30m às 11h 15m.


O início da prova está marcado para as 11h 30m.

Tal como consta no Artigo 3º do Regulamento Interno para Competições e Selecção Nacional, esta prova conta para o Ranking Nacional 2006 e contribui para apurar a Equipa de Representação Nacional para o ano 2007 e, consequentemente, para o 21º Campeonato Europeu de Kendo em Lisboa.

O resultado do sorteio da competição individual já está publicado no site da APK.

31.5.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 13

Quarta-feira, 31 de Maio

O mês de Maio terminou da melhor maneira possível. Hoje Osaka sensei estava deveras inspirado. Foi um treino diferente de todos os anteriores, todos, desde sempre.
Foi um keiko digno de figurar como um dos segmentos de qualquer Kitamoto Summer Seminar. E sem recorrer a ji-geiko. Só waza. Waza puro e duro.

Infelizmente para esta crónica, no final, apenas fez um pequeno "acerto técnico" relativamente a um dos exercícios que executámos e que é muito difícil de explicar por palavras, sem ver... ok... ok... harai-men, mas executado no lado direito do shinai adversário (ura, a nossa esquerda), mas como se fosse omote, ou seja, de cima para baixo... da (nossa) esquerda para a direita e de cima para baixo.

Eu avisei...

Até sexta.

29.5.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 12

Segunda-feira, 29 de Maio

Parece mais do mesmo, tem a ver com o mesmo, mas é outra coisa.

O centro. É verdade, sempre o centro. Alguém está admirado? Claro que não.
As palavras do senhor Osaka hoje incidiram sobre o centro, sobre o domínio do centro mas referiam-se a um hábito que, normalmente as pessoas "menos experientes", chamemos-lhe assim, têm. Trata-se do hábito de executar, muitas vezes até bem, uma técnica e confundir o "passar", depois de fazer a dita técnica, com o "contornar o adversário" como se fosse uma chicane de F1 e continuar a direito depois.

Perder o contacto visual com o nosso adversário é dar-lhe vantagem. Em ji-geiko, quando se diz "men a passar" deveria dizer-se "men a chocar". Vai-se contra o adversário. Tchi... isto traz tanta coisa atrás... vamos lá ver se não me esqueço de nada:

Uma coisa é fazer kihon: o meu colega de treino vem contra mim, eu devo desviar-me e deixo-o passar. Se não, ele deve esticar os braços com mais força ainda e "atropelar-me". Como o sensei diz: "Sempre a apontar com o polegar da mão direita contra o meu nariz". Mas como é kihon, eu deixo passar.

Outra coisa é ji-geiko (e shiai) e era o que o nosso sensei referia hoje: contornar o adversário não é bom. Senão vejamos, lembram-se da "Santissima Trindade" do kendo: ki-ken-tai?

Então, eu faço uma técnica boa. Podia ser ippon, mas não foi. Porquê? Acertei bem no alvo e com a parte boa do shinai (ken); o timing e a deslocação do meu corpo foi perfeita (tai)... porque raio não marcaram se eu até passei depois da técnica?
Poderá ter a ver com o facto de ter contornado o meu adversário e não ter apresentado zanshin após a técnica? Cadê o ki? O ki não é só o kiai (que eu até posso ter feito, admitamos que sim). Mas, ao mesmo tempo, que raio de ki foi esse? Como é que se demonstra ki se se está de costas para o opositor? Não era ki era gargalo.

Nunca me esqueci de uma coisa que Osaka san disse uma vez em Évora. Dizia ele que apesar de atacar com ki-ken-tai no ichi, está sempre à espera que o adversário defenda e contra-ataque. E mais, tanto que está sempre à espera desse contra-ataque, que elegeu o seu lado direito como o lado para onde se desloca para contra-atacar o contra-ataque do adversário.
Chama-se a isso kôbô-ichi.

Moral da história: se o sensei Osaka tem a modéstia suficiente para achar que eu, por exemplo, vou ter capacidade de contra-atacar um ataque dele, no qual ele investiu o seu ki-ken-tai, não vos parece um bocado... hum... como dizê-lo... presunçoso, dar-se ao luxo de passar pelo adversário como se tivéssemos a certeza que fizémos um acto genial e que os árbitros a essa hora já estão com a nossa bandeira no ar?

Vocês wakarimassen o que eu quero dizer?

ATITUDES PARA COM O SHIAI (ADENDA)


Espectadores bem-comportados e compenetrados na competição durante o mundial de Glasgow em 2003.

28.5.06

TENHO UMA LÁGRIMA NO CANTO DO OLHO

Imagem Google-earth

O Nuno Ricardo mandou-me esta foto aérea da área de Kitamoto. Confesso que nunca me tinha lembrado de ir ao Google-Earth ver Kitamoto. Vi Kamakura e o seu grande Buda, vi Kyoto e o antigo palácio imperial, vi até o hotel em Tokyo onde fiquei... mas Kitamoto visto do céu... nem me tinha passado. Obrigado Nuno, mil vezes obrigado. É lindo, liiindo.

27.5.06

SE CALHAR FIZEMOS BEM

Éramos quatro: John, Paul, Ringo... não, éramos quatro: eu, o Luis, o Manel e o Paulo.
Éramos os únicos quatro representantes do kendo presentes na 10ª Demonstração de Artes Marciais da Ass. de Amizade Portugal-Japão. E, se calhar, até fizemos alguma coisa bem.

Eu passo a explicar:
Tinhamos sete minutos para fazer a nossa coisa. Já repararam como o tempo de demosntração tem vindo a diminuir ao longo dos anos?... Adiante, como é que se demonstra em sete minutos a paixão de uma vida? Simplifica-se... ao máximo.

Assim fizemos. Demonstrámos as técnicas base: men, kote, do, tsuki. Depois mostrámos que se pode fazer também a recuar em hiki-waza: Hiki-men/kote/do. Depois, depois... desatámos à paulada. Primeiro o Manel contra o Paulo e, depois, eu contra o Luis. Dois minutitos cada um e foi um "ver se te avias". Muito kiai e "muchas ganas".

Como é que sei que o nosso (modesto) contributo até nem foi mau? Acabámos, arrumámos a tralha e ficámos ali "a flutuar" à espera que aquilo acabasse para ir ao desfile final e depois, finalmente, para casa. A dada altura, um dos participantes de outra modalidade, vira-se para mim e diz-me:

"Ó mestre gostei muito, nunca tinha visto kendo assim."

E assim termina a história da nossa representação na 10ª Demonstração de Artes Marciais da Ass. de Amizade Portugal-Japão.

Para o ano devemos ter, sei lá, uns enormes três minutos para cada modalidade.

26.5.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 11

Sexta-feira, 26 de Maio

Hoje as palavras do senhor Osaka voltaram a incidir sobre o tema que lhe é mais caro. Infelizmente, parece que toda a gente continua a dar demasiada importância e, consequentemente, a pôr mais força na mão direita do que na esquerda.

O resultado? Segundo ele, dois:
1º - A mão direita não entra directamente pelo centro, mas sim, executa um "quase-arco" pelo lado de fora, pela direita.
2º - Óbvio: se não entra pelo centro, perde o controle do centro e fica vulnerável a suri-age (omote) e ao contra-ataque fácil que daí resulta.

Foi só.

Bom fim-de-semana, segunda há mais.

10º FESTIVAL DE ARTES MARCIAIS

É já amanhã, sábado, que se realiza o 10º Festival de Artes Marciais organizado pela Associação de Amizade Portugal-Japão e como sempre a APK estará presente.

O acontecimento terá lugar no Pavilhão do Casal Vistoso; por acaso, no mesmo lugar onde decorrerá, no próximo ano (de 27 a 29 de Abril) o 21º Campeonato da Europa de Kendo.

Para além, obviamente, de Kendo e Iaido, os espectadores poderão assistir, entre outras, a demonstrações de Aikido, Kyudo, Karaté, Judo e, pela primeira vez no festival (?), Kobudo.
É às 15 horas e à borla.

Não é o rock-in-rio mas... eu vou.

25.5.06

ATITUDES PARA COM O SHIAI 3

Espectadores e colegas de equipa.

Num torneio não é suposto dar-se apoio vocal ou conselhos, ou então assobiar ou gritar para incentivar os combatentes. Pelo contrário, devemos demonstrar o nosso apoio apenas através de aplausos. Espectadores e colegas devem ter consideração pelos competidores e pelos árbitros para que estes se possam concentrar apenas no shiai e no shiai-jo, permitindo, assim, que a gestão do torneio se faça sem sobressaltos. É compreensível que toda a gente queira dar aos competidores apoio e encorajamento, gritando e dando conselhos. No entanto, tal como dito anteriormente, todas as decisões devem ser tomadas exclusivamente pelos competidores uma vez que o shiai começa. Cada vez mais, deles é esperado que demonstrem força mental e gestão individual das situações de stress que experimentam durante o shiai.

A coisa mais enervante para um árbitro numa competição é um flash de uma câmara fotográfica. Percebe-se que se queira ter fotografias dos membros do nosso clube combatendo ou que queiramos alguém conhecido a tirar fotografias nossas enquanto combatemos, mas um shinpam pode perder um momento crucial do combate se for momentaneamente cego por um flash disparado no momento em que um dos competidores ataca. Competidores, shinpam, espectadores e os oficiais do torneio, todos devem ter a sensação que o torneio é uma experiência maravilhosa, que toda a gente pode e deve desfrutar. Bater palmas (apenas) e mostrar consideração pelo trabalho dos árbitros, são as atitudes que os espectadores devem adoptar (N.Tr.: um pouco como nos torneios de ténis).


Atitude correcta: colegas aplaudem o membro da equipa que está a combater;
Atitude incorrecta: treinador lança impropérios aos árbitros e combatentes adversários;


Nas competições por equipas, a atitude mais correcta é que os membros das equipas, o team-manager e o treinador assistam, ou esperem pelo seu combate, em seiza. No entanto, para evitar que os pés fiquem dormentes no instante de entrar no shiai-jo, é hoje costume que os acima mencionados permaneçam em seiza apenas durante os combates de Senpo e Taisho (ou quando há um combate de desempate); o elemento da equipa que combate em seguida espera em pé (claro que nada disto se aplica para as pessoas que têm problema em permanecer em seiza)
Nos combates por equipas é importante sentir-se totalmente envolvido quando se assiste ao(s) combate(s) de um membro da nossa equipa. Apesar de ter dito que os competidores devem ser capazes de gerir as situações do shiai individualmente, quando todos os membros da equipa se juntam “em um” e apoiam os seus colegas, é como se tambérm eles estivessem a lutar e o competidor sente a força deste apoio e isso fornece-lhe coragem e confiança.(...)
A vitória de cada um é a vitória de todos na competição de equipas.

Este texto é parte de “Atitudes para com o Shiai”. Um artigo da autoria de Sotaro Honda, 6º dan Renshi e Treinador da Equipa Britãnica, gentilmente cedido pela BKA - British Kendo Association
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24.5.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA)

Quarta-feira, 24 de Maio


Não houve treino em Lisboa, por isso, aqui fica mais uma imagem de jodan-kamae, desta vez pelo sensei Kanaki Satoru, 8º dan Kyoshi.

22.5.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 10

Segunda-feira, 22 de Maio

Receita de Frango Frito à Algarvia.

É muito fácil de preparar e muito saboroso.

O segredo é, antes de fritar o frango, dar-lhe uma boa cozedura só em água e (pouquinho) sal.

Como o frango de aviário não aguenta uma boa cozedura, de 45 minutos a 1 hora, pois desfaz-se todo, aconselha-se a que se use frango do campo.

Depois de cozido, desfaz-se o frango em bocados e frita-se em margarina.

Para dar um gostinho, pode-se também juntar à margarina um pouco de vinha de alho ou molho picante.

O caldo que sobra da cozedura pode-se usar para preparar um arroz seco (ou se preferir, um arroz de risotto) para servir com o frango.

Acompanha lindamente com cerveja bem geladinha.

Ah, sim... antes que me esqueça, o senhor Osaka hoje não foi treinar.

Bom proveito.

21.5.06

ATITUDES PARA COM O SHIAI 2


Competidores (antes, durante e depois do shiai)
Não é minha intenção discutir como combater num shiai. Isso depende de vós e de contra quem se combate. Além disso, todas as decisões devem ser tomadas pelo(s) competidor(es) assim que o shiai começa. Costumava acontecer que os professores (N.Tr.:dos liceus) estivessem constantemente a dar ordens aos seus alunos antes e durante o shiai. Isso era um acto que ignorava a autonomia e “ensombrava” o progresso e a continuidade natural do shiai e do torneio em curso. Pela minha experiência, hoje, tais actos parecem já não acontecer em torneios oficiais, mas ainda podem ser vistos em torneios de prática. Gostaria de discutir agora as atitudes que são esperadas dos competidores antes, durnate e depois de um shiai.

Independentemente do momento do shiai, a coisa mais importante é o auto-controle.

Como se pode controlar o adversário se não nos controlamos nós mesmos?

É necessário controlar a excitação para um nível mais baixo antes do shiai. É preciso que nos concentremos apenas na pessoa que está à nossa frente durante o combate.
Depois do shiai é necessário acalmar-se de novo e reflectir na maneira como combatemos. Deve-se também mostrar agradecimento e apreciação pela pessoa com quem se acabou de combater. É necessário aprender todas estas coisas se se deseja ser um bom combatente e aprender alguma coisa com a experiência.
Vou agora descrever estes conceitos mais em profundidade. O mais importante antes do shiai é, primeiramente, imaginar o vosso melhor kendo, incrementar a auto-confiança e focar toda a atenção nesse desafio particular (no caso de ser um combate de um torneio de equipas, o resultado global da equipa também deve ter sido em conta). Nesse momento, se se pensa demais em ganhar, perde-se a paciência e o mais certo é ser-se atraído para uma “cilada” do adversário ou começar a atacar sem tomar as devidas cautelas.

Mais vale perder um minuto num shiai do que o shiai num minuto.

Convençam-se que o resultado será satisfatório se derem o vosso melhor e se acreditarem nisso, mais do que em ganhar. É também importante saber contra quem se vai combater e como é o kendo do adversário. Sem dúvida que há pessoas que acreditam que não interessa quem vão enfrentar e que fazer o seu melhor kendo é a melhor aposta. Pensar desta maneira também é importante, especialmente para principiantes que apenas conseguem usar algumas (N.T.: poucas) técnicas e ainda não possuem grande visão táctica. Para os outros, recomendo que aumentem a sua concentração, que imaginem o vosso melhor kendo de acordo com o tipo de kendo do adversário e que criem tácticas antes do shiai (cuidado para não pensar em demasia e acabar confundido). Ao fazer estas coisas uma vez e outra, antes, durante e depois dos combates, começarão a aperceber-se do que pensar antes do shiai e quais a tácticas que precisam adoptar.

Em segundo lugar, durante um shiai, é-se muitas vezes obrigado a modificar as tácticas e a controlar o nível de stress. Claro que isso deve ser feito num instante. A habilidade para enfrentar essas situações não é algo que se adquira suficientemente ao fazer ji-geiko, mas que só pode ser adquirida ao participar em shiai e na experiência que se ganha ao ser colocado sob pressão.

O que os competidores se devem concentrar durante o shiai é: a) tentar tomar as melhores decisões e b) desempenhar ao seu melhor nível contra os seus opositores, em cada situação particular.

Um acto, como olhar para os shinpam para confirmar se alguém marcou algum ponto, não deve ser feito durante o shiai. Mesmo que pensem que marcaram um ponto perfeito, devem concentrar-se apenas no oponente até que ele desvie os olhos e o shinai para outro lado. Num shiai de alto nível, ambos os adversários tentarão controlar-se mutuamente e é muito difícil encontrar uma ocasião apropriada para marcar. Nessa situação, a vitória ou a derrota podem ser decididas por um pequeno erro táctico, (...) tal como uma desatenção desse género (N.Tr.: olhar para o árbitro) durante o combate.
É importante desenvolver a habilidade de manter a concentração durante todo o combate e de tomar as decisões apropriadas sob pressão, à medida que se ganha experência de shiai.

Em terceiro lugar, é também vital ganhar o hábito de reflectir acerca de como se combateu em cada shiai. No caso de ter o próximo encontro brevemente, recomenda-se que se reflicta de um modo breve e simplificado sobre o shiai anterior e se prepare para o próximo. Dá-se muitas vezes o caso de não nos lembrarmos como combatemos, se estávamos nervosos ou se se venceu um combate muito longo ou muito cerrado. (...) Nesse caso, seria ideal de pudessemos ver um video do combate. Se isso não for possível, peçam às pessoas que assistiram o seu comentário e pensem naquilo que eles vos disserem.

Num shiai há sempre vencedores e vencidos.

O que procuramos é ser bons vencedores e bons vencidos. (...) um bom vencedor significa alguém que combate com o espírito de Sei-sei-doh-doh (+ ou - : justo e honrado), é modesto e tem um conhecimento do significado de shiai. Mesmo que ganhe um shiai, conhece os sentimentos do vencido e nunca se gaba da sua vitória. Um bom vencido é alguém que não ganhou o shiai, mas que, mesmo assim, apresenta a mesma atitude e o mesmo conhecimento do bom vencedor.
Por outro lado, um mau vencedor é alguém que se gaba da sua vitória e um mau vencido, alguém que mostra a sua frustração por não ter vencido e que não consegue elogiar a vitória do seu adversário. Estas são pessoas que esqueceram a essência do shiai no kendo.

Só podemos fazer shiai e aprender alguma coisa com isso porque há outros competidores para combater, shinpam para arbitrar, pessoas que nos apoiam durante a competição; como as que apontam os resultados, medem o tempo dos combates, colocam as fitas de cores diferentes e muitos outros.
Nunca devemos esquecer o objectivo do shiai e devemos mostrar sempre o nosso agradecimento para com todos eles.

Este texto é parte de “Atitudes para com o Shiai”. Um artigo da autoria de Sotaro Honda, 6º dan Renshi e Treinador da Equipa Britãnica, gentilmente cedido pela BKA - British Kendo Association.

20.5.06

ATITUDES PARA COM O SHIAI 1

Sei lá onde é que roubei esta imagem... foi na net.

Introdução
Na série de artigos que se seguem, o shiai de kendo é examinado nos seus diversos ângulos. O kendo pode ser um desporto de competição ou um Budo, conforme a compreensão do kendoka acerca do shiai e da sua atitude acerca de combater, observar ou ser um apoiante durante o mesmo. Uma melhor compreensão e atitude para com o shiai deve permitir um melhor entendimento acerca da essência do kendo enquanto Budo e da relação entre os kendokas. O objectivo deste artigo (1ª parte) é examinar 1) o objectivo do shiai de kendo; 2) atitudes dos competidores; 3) atitudes dos espectadores e colegas e 4) atitudes dos professores para com o shiai.

1. O objectivo do shiai no Kendo
Shiai significa, literalmente, “testar mutuamente”. No kendo, shiai significa basicamente “testar qualidades, métodos, atitudes e espírito aprendidos e adquiridos durante o keiko, com(ntra) outrém numa situação de competição.” Inoue (1994, pág. 162) explica: “O objectivo do kendo moderno é refinar/aperfeiçoar o nosso coração que é invisível através do treino de waza que são visíveis. O shiai no kendo deverá ter lugar em paralelo com esse objectivo.” Nós, como kendokas, devemos assim reconhecer o Shiai como uma oportunidade importante para desenvolver as nossas capacidades e adqurir as atitudes correctas perante o mesmo.

A atitude dos praticantes mais jovens, cujo objectivo é vencer a todo o custo, é frequentemente criticada no Japão. (...) É claro que não há nada de errado em querer vencer durante o shiai e, por outro lado, não é de bom tom para com o oponente, combater sem dar o seu melhor. Tal como mencionado anteriormente, no entanto, procurar desenvolver a habilidade para vencer e desenvolver a compreensão da essência do kendo e da nossa própria personalidade, tudo isso está estreitamente relacionado com o conceito de shiai, de como praticá-lo e de como encarar os resultados do mesmo. Assim, pode-se dizer que há normas de comportamento (que são esperadas da nossa parte) quando damos o nosso melhor para vencer no kendo enquanto budo.

Este texto é parte de “Atitudes para com o Shiai”. Um artigo da autoria de Sotaro Honda, 6º dan Renshi e Treinador da Equipa Britãnica, gentilmente cedido pela BKA - British Kendo Association.

19.5.06

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 9

Sexta-feira, 19 de Maio

"Tsuba-zeriai não é para descansar."

Foram estas as primeiras palavras que Osaka san nos disse no fim da aula de hoje.

Muitos de nós, segundo ele, fazemos um ataque men, por exemplo, e em seguida "abancamos" em tsuba-zeriai e ficamos a engonhar.

Ao contrário do que muita gente pensa, tsuba-zeriai também não serve para empurrar o adversário para ver quem tem mais força. Pelo contrário e como o sensei referiu depois, se se faz combate com um francês ou espanhol ou assim, a coisa que se nota é que eles fazem tsuba-zeriai o menos tempo possível e partem o mais depressa possível para hiki-waza.

A sensação que sempre tive é que o nosso sensei não gosta nada de tsuba-zeriai. Não é assim, não é que não gosta... é como se fosse... um mal necessário. Aliás, qualquer pessoa que já tenha feito ji-geiko com ele com certeza reparou que qualquer situação de tsuba-zeriai com o senhor Osaka, nunca chega aos 15 segundos. Não? Nunca repararam? Mal toca com as luvas nas luvas do outro, finta e... bang.

Tanto que, como demonstrou depois, muitas vezes é preferível fazer crer ao adversário que vamos "para" tsuba-zeriai com ele e quando ele baixa a guarda à espera de um choque luvas, nesse momento, a meio do caminho, paramos o nosso movimento e arrancamos em "marcha-a-ré" fazendo hiki-kote/men.

E assim foi. Conciso como sempre mas, como sempre, muito útil.

Abayoooo.