7.12.06

CAMPEONATO NACIONAL (2)

Esta é uma das fotos que a nossa naginataka (naginateira, naginatadora?) residente, enfim, a Charlotte Vandersleyen, tirou durante o último campeonato no pavilhão do Casal Vistoso.

O Paulo Martins já me tinha dado o link mas por um motivo qualquer não funcionou, pelo menos comigo. Ou seria quando o meu computador estava out?...

Enfim, aqui está, em grande destaque, o dito cujo:
http://mediaplan.ovh.net/~widescre/naginata/site/pictures/kendochamp/

4.12.06

MAAI, HYOSHI E YOMI (3 e último)

YOMI

Até agora falámos de dois de três conceitos essenciais para compreendermos melhor a essência do combate no budo: maai e hyoshi.

O conceito final, Yomi, é uma forma de conjugação do verbo “yomu” que significa basicamente ler, embora também possa por vezes ser traduzido como decifrar. Só isso.

Podemos então tentar resumir as funções dos diferentes componentes do combate:
Controlar o Maai, é gerir, por assim dizer, o intervalo espacio-temporal entre nós e aquele que a nós se opõe.
Hyoshi, tem a ver com o uso correcto da(s) arma(s) à nossa disposição e das nossas capacidades técnicas, bem como do conhecimento que se tem do próprio corpo e das suas possibilidades, de forma a poder suplantar o adversário.
Aplicado à prática do budo, Yomi significa ler gestos, intenções e pensamentos do oponente; decifrar as suas acções, movimentações e ataques.
E apesar de, por vezes, poder parecer uma componente menor, Yomi é a chave do sucesso num combate de kendo.

Eu explico. Normalmente as possibilidades de desenvolvimento de um combate são explicadas por três conceitos conhecidos no seu conjunto como mittsu-no-sen (os três sen):
Go-no-sen, sen-no-sen e sensen-no-sen.

Go-no-sen (também chamado sengo-no-sen ou tai-no-sen) consiste em, depois do ataque do adversário, bloquear e contra-atacar.
Sen-no-sen (ou senzen-no-sen) existe quando, face a um ataque do adversário, se consegue antecipar o seu movimento e desferir com sucesso um ataque (reparem que não digo contra-ataque) antes que o seu gesto técnico seja completado*.
Sensen-no-sen (por vezes referido como kakari-no-sen) é normalmente explicado como o reconhecer da intenção de ataque do opositor, o que origina um ataque vitorioso antes mesmo dele iniciar o seu.

Ora tudo isto seria muito lindo e muito simples não fosse o caso de nos ensinarem que durante um combate todos os movimentos de ataque devem ser resultado de um trabalho de criação de suki. Ou seja, que antes de se atacar deve-se sempre “criar” a oportunidade, o vazio que se vai preencher com um ataque vitorioso. Quer através de fintas “físicas”, quer através da aplicação de pressão psicológica sobre o adversário (seme).

Onde eu quero chegar com isto tudo é ao facto de não se poder, como muito boa gente faz, encarar cada um dos componentes do mitssu-no-sen como compartimentos estanques, quer temporal quer espacialmente.

Há tempos, nas palavras que habitualmente dirige aos seus alunos após o treino, o sensei Osaka mencionou um conceito conhecido como Tame. Tame é, grosso modo, a capacidade de encontrar e reconhecer o “ponto de não-retorno”, chamemos-lhe assim, durante um combate.
Aquele momento em que a pressão exercida pelos adversários é tal que já não há maneira de voltar atrás.
Tame é um momento onde, mais do que a distãncia e do que a técnica, é a leitura do adversário que vai ser fundamental para o sucesso.

Voltando agora a Yomi não me parece muito díficil perceber que a definição de “leitura do adversário” ganhe um peso e uma importância que à partida, possivelmente, não teria.
Na verdade, não será exagero dizer que tudo num combate de kendo, sobretudo se os adversários forem tecnicamente equivalentes, está dependente da leitura que se faz da atitude do opositor.

E se isso é evidente em sen-no-sen e sensen-no-sen, mesmo no caso de go-no-sen as possibilidades de sucesso são infinitamente mais elevadas se, ao invés de simplesmente esperar o ataque do adversário para depois contra-atacar, perante uma situação de tame, lhe “oferecer” um suki falso, um engodo, uma abertura falsa na nossa guarda. Aquilo que aos olhos do opositor se apresenta como uma falha nossa é, na verdade, uma falha dele. Uma falha que vai significar a sua “morte”.

É caso para dizer que é uma maneira de ler as coisas.



*Não deixa de ser interessante mencionar que, no seu livro “Kendo”, Takano Sasaburo (1862-1950), um dos maiores teóricos do kendo moderno, se refere a sen-no-sen apenas como sen. Estão a ver a coisa?...

3.12.06

MAAI, HYOSHI E YOMI (2)

HYOSHI (ou Hyô-shi)

O Dicionário Japonês-Inglês de Kendo define assim o conceito de hyoshi: “Ritmo e fluidez de movimentos da espada ou do corpo; referente à respiração em sintonia com o adversário; intercâmbio de sensações entre o próprio e o opositor”.

Tendo em conta, e colocando em contexto, a sua inseparável ligação com o conceito de maai, será justo dizer que a correlação maai-hyoshi define-se como uma sequência de intervalos espacio-temporais produzidos pela actividade existente entre dois opositores e visível graças à cadência própria de cada um deles, a qual, por sua vez, está intimamente ligada à (dependente da?) respiração e condição física dos mesmos.

Parece-me que uma boa forma de tentar simplificar esta “complicação” toda é reflectir por uns instantes sobre a forma como, por exemplo, a idade (e a “disponibilidade física” que ela proporciona) interfere na relação entre dois combatentes.

Os números apontam para a seguinte teoria: quanto mais pequena é a distãncia de combate, maior é a vantagem dos combatentes mais jovens e portanto mais fortes e mais rápidos. Ou seja, quanto menor fôr maai mais hyoshi necessita de energia.

À medida que a distância aumenta, a necessidade de força e rapidez diminui.

As estatísiticas nos anos sessenta e princípios dos setenta, mostravam claramente que, em actividades como o Judo, onde o maai é mínimo, as carreiras dos campeões, EM GERAL, terminavam antes dos 30 anos. À medida que o maai se tornava maior, as idades também acompanhavam a tendência. No Sumo, os campeões duravam até entre os 30 e os 35 anos; no Kendo, os grandes reinavam até por volta dos 40 (Yamazaki foi campeão do Japão em 1969 com a bonita idade de 45 anos); já na Naguinata encontravam-se campeãs com idades bem para lá dos quarentas.

E se hyoshi está intimamente ligado à respiração e à condição física, yomi, pelo seu lado, está estreitamente relacionado com a experiência.

Quando a estas duas noções, maai e hyoshi, juntarmos a terceira, yomi, iremos inevitavelmente encontrar-nos frente-a-frente com um outro conceito denominado: sen.

Mas isso é conversa para o próximo post.

Abayo.

2.12.06

MAAI, HYOSHI E YOMI (1)

MAAI (ou Ma-ai)

A noção de maai é frequentemente traduzida pelos praticantes de artes marciais japonesas como distância.
Mas o facto é que a palavra maai é composta por duas outras palavras. E se a segunda, o verbo “ai”, se aplica para definir o encontro entre duas ou mais pessoas (ou objectos), já a primeira, “ma”, exprime não apenas distância, ou seja, um intervalo espacial entre sujeitos, mas também um intervalo temporal (podendo até ser utilizada para definir um momento de mudança de ritmo, por exemplo, numa música).

Ora bom, sendo assim e segundo este prisma, maai seria definido através de uma expressão semelhante a: “maai é o intervalo de espaço e de tempo, mas também o movimento de aproximação e/ou afastamento, existente entre dois opositores”.

Para entender melhor a importãncia de maai na prática diária, basta pensar em certo tipo adversários que aparecem de tempos a tempos e com os quais nenhuma técnica parece funcionar seja a que distância fôr.

De facto, o que se passa é que somos muitas vezes levados a pensar que, uma vez atingida a “distância” denominada como issoku-itto no ma (fig. 1), nos encontramos numa situação, tal como a expressão se auto-define de “um passo de distãncia” do adversário. E se eu estou a um passo de distãncia, nada mais natural que ele, o meu adversário, também esteja.



Fig. 1

Por outras palavras, estamos numa situação de “igualdade”, certo? Errado! Nada mais errado.

Issoku-itto no ma (aliás, tal e qual como chika-ma ou to-ma) deve ser uma distãncia subjectiva e individual. A denominação clássica tem muito mais a ver com a posição dos shinais do que com a efectividade técnica ou facilidade de execução que daí possa resultar.

Issoku-itto no ma, tal como nos é ensinada no kendo, é uma referência, mais que isso, diria que é uma convenção.

Não se “deixem levar” pela definição que remete para a posição das pontas cruzadas dos shinais. Esqueçam por uns instantes a imagem acima e imaginem um kendoka de um metro e noventa e oito de altura, enfrentando um outro com um metro e cinquenta e cinco.
É fácil perceber que “um passo de distância”, e mesmo com as pontas dos shinais na sua posição convencional, possa ser uma expressão que, nessa situação, resuma realidades extremamente diferentes para essas duas pessoas.

A ideia de maai está estreitamente ligada, diria até que é inútil, sem a compreensão dos conceitos de hyoshi e de yomi.


Por isso mesmo, no próximo post vamos falar de hyoshi que, em linguagem de kendo, remete para o ritmo e a movimentação, tanto do shinai como do corpo.


Abayo.

28.11.06

CAMPEONATO NACIONAL

Pois, lá se acabou mais uma época regular de torneios.

Este Torneio dos 24, como lhe costumo chamar, foi uma boa prova da vitalidade crescente que reina no (pequeno) meio dos praticantes de kendo nacional.

Os problemas (conhecidos dos meus fiéis leitores) ligados ao meu PC impedem-me de fazer a minha habitual e mui reflectida crítica e atribuição dos prémios Usagi San.
Prometo fazê-la assim que estiver na posse de um novo aparelhómetro informático (bem como ir roubar algumas fotos ao Frederico para a ilustrar, eheheh).

Para já, parabéns a todos os participantes.
Do local onde me encontrava tive ocasião de apreciar excelentes combates e a honra de assistir ao combate (massacre?) mais rápido da história do kendo nacional.

Enfim, gambate, como diz o outro.

21.11.06

LEIS DE MURPHY E O MEU PC

A 1ª Lei de Murphy diz claramente: "Se alguma coisa pode correr mal, (então) vai correr mal, de certeza."
Aplicada ao(s) meu(s) computador(es) a lei de Murphy sofre uma mutação e passa a enunciar-se da seguinte maneira: "Se alguma coisa pode correr mal, (então) vai correr TUDO mal, de certeza."

O meu computador morreu. F...-se.

NOTA: Um dia destes volto a postar regularmente... espero eu.

6.11.06

PROBLEMAS COM PC

Na próxima semana, pelo menos, não vale a pena passarem por cá à procura de novos posts. Este mesmo está a ser feito num ciber-café.
O meu PC pifou.
Over and out.

3.11.06

54th ALL JAPAN (MAIS)

Ipponme.
Mesmo os craques precisam de ver os "velhotes" a fazer kata.
O senhor da esq. (uchidachi) chama-se Masatake Sumi. Lembrem-se deste nome.

R. Uchimura (dir.) num momento do torneio...

... e o "rapaz" com a sua bela taça na mão.

54th ALL JAPAN KENDO CHAMPIONSHIPS

Que loucura! Olhem bem para isto.
Harada a perder com Takanabe nos oitavos... tch... loucura.

Decorreu hoje, como de costume no dia 3 de Novembro, o Campeonato do Japão de Kendo.
O resultado desta 54ª edição teve (como podem apreciar pelo diagrama do torneio) algumas surpresas.

Em 1º lugar:
R. Uchimura, de Tokyo, (2ª participação, godan)

2º - T. Furusawa, de Kumamoto (3ª participação, godan)
3º - S. Takanabe, de Kanagawa (4ª participação, godan)
3º - H. Toyama, de Aichi (3ª participação, rokudan)

Uchimura, que o ano passado se tinha classificado em segundo lugar, perdendo na final contra o seu Sempai da Polícia de Tokyo, Harada Sato, torna-se assim no primeiro kendoka de que há registo a ganhar:

O campeonato japonês de Kendo de Escolas Básicas;
O campeonato japonês de Kendo de Escolas Secundárias;
O campeonato japonês de Kendo de Universidades;
O campeonato japonês de Kendo da Polícia;
E, finalmente,
O campeonato japonês, ponto.

E é “só” godan.

2.11.06

PEQUENO DICIONÁRIO JAPONÊS-PORTUGUÊS (ÀS VEZES) ILUSTRADO DE KENDO - B

Battō (v.) 1. Desembainhar a espada. 2. Desembainhar o bokuto antes de executar kata. 3. Desembainhar o shinai antes de praticar ou competir.

Bō-gyo (v.) 1. Escapar a um ataque. (pode-se escapar de um ataque usando um bloqueio com o shinai, um movimento corporal ou ashi-sabaki.) 2. O acto de desencorajar um opositor de atacar através do uso de intimidação.

Bokken (subs.) Ver Bokutō.

Bokutō (subs.) Espada feita de madeira (normalmente de carvalho). / Também Bokken ou Kodachi.

Bu (subs.) 1. O significado original do símbolo chinês Bu é “marchar com a armadura na mão", ou "atacar em frente". 2. Referente a artes marciais/militares. Durante o período Edo, devido a uma grande influência do confucionismo chinês, o significado de Bu passou a ser traduzido como o resultado da junção de dois outros símbolos : hoko (arma) e todomu (parar) o que significaria "parar as armas", e desde então é visto como um símbolo de pacifismo.

Bu-dō (subs.) 1. Doutrina da classe militar japonesa. 2. Budō também se refere ao código de conduta militar e às artes militares, Bujutsu. 3. Hoje, a definição de Budō abrange as seguintes artes marciais: Kendō, Judō, Kyūdō, Sūmō, Naginata, Aikidō, Karatedō, Jū-Kendō e Shōrinji-Kenpō.

Budōjō (subs.) Ver Budō-kan.

Budō-kan (subs.) 1. Sala ou edifício destinado à prática das artes marciais. (Pode ser um centro que permita a prática de todas as artes marciais ou criado especificamente para uma só.) 2. A Fundação Nippon Budōkan é frequentemente designada aepnas por Budōkan. (Antigamente, o termo Budōjō era usado em vez de Budōkan).

Bu-gei (subs.) 1. Artes marciais/militares. (O símbolo chinês Gei implica uma preparação mental e física cultivation através de treino técnico). 2. As ideias relativas ao desenvolvimento mental e físico inerente às artes marciais.

Bugei-jūhappan (subs.) As 18 disciplinas diferentes que faziam parte do Bugei.

Bu-jutsu (subs.) Ver Bugei.

Bu-toku-den (subs.) A sala de artes marciais do templo Heian Jingu em Kyoto, construido pelo Dainippon-Butokukai.

Butokusai (subs.) Cerimónia e festival para o desenvolvimento das artes marciais. (Em 4 de Maio de 1899 (Meiji 32), o Butokusai teve lugar no Templo Heian Jingū. Com a fundação da All Japan Kendō Federation em 1953 (Shōwa 28) o festival renasceu e faz agora parte do Kyōto-Taikai que se realiza todos os anos na mesma data e locais).

Byō-ki (subs.) 1. Estado de saúde debilitada. 2. No Budō, focar a concentração apenas num determinado ponto, interrompendo a fluidez natural da energia e do espírito. (Quando um competidor perde fluidez ao preocupar-se apenas em ganhar, resultado de demasiada concentração na escolha das técnicas e de muita tensão; demasiada preocupação que impede a resposta natural durante o combate). Ver Shi-kai.

31.10.06

PEQUENO DICIONÁRIO JAPONÊS-PORTUGUÊS (LIGEIRAMENTE) ILUSTRADO DE KENDO - A


Eis a letra A. “A” como:

Agari (subs.) Apreensão ou nervosismo, p.e. antes da primeira experiência de competição ou antes de um torneio particularmente importante, que provoca perda de balanço mental e físico.

Age-gote (subs.) Golpe num dos pulsos do adversário (kote) quando as suas mãos se encontram elevadas acima da guarda Chūdan (mais exactamente, numa posição igual ou acima do mune-do).

Ai-chūdan (subs.) 1. Quando dois praticantes assumem a guarda Chūdan antes de um combate, prática ou kata. 2. A posição que se assume sempre que se começa ou recomeça um combate durante o shiai.

Ai-gedan (subs.) Quando dois praticantes assumem a guarda Gedan antes de um combate, prática ou kata.

Ai-jōdan (subs.) Quando dois praticantes assumem a guarda Jōdan antes de um combate, prática ou kata.

Ai-ki (subs.) Estado de sintonia com as sensações do adversário. Uma atitude complementar à do opositor. Durante um confronto é preciso manter uma atitude oposta à do adversário até ao último instante do combate; p.e. quando um adversário é forte devemos mostrar-nos fracos, quando ele é fraco devemos atacar vigorosamente. Este princípio denomina-se, em japonês, Ai-ki-wo-hazusu (evitar ai-ki). Visto que os combates de artes marciais são decididos quando o ki de um dos oponentes iguala o do outro, não estar em sintonia com o (ki do) adversário, será a base do sucesso num desafio. Ver Ai-ki-wo-hazusu.

Ai-ki-wo-hazusu (v.) Evitar situações de ai-ki. Atitude correcta durante um combate. Ver Ai-ki.

Aisatsu (subs.) Saudações e conversação de etiqueta, incluindo expressões de parabéns, agradecimentos e camaradagem. Etiqueta e respeito para com os colegas kendokas são aspectos importantes do kendo. Ver Rei.

Ai-tai-suru (v.) Enfrentar o adversário.. Ai-te (subs.) Designação do opositor em competição, prática ou Kata. Também Shiaiaite (adversário de competição) ou Keikoaite (adversário de prática).

Ai-uchi (n.) 1. Situação em que ambos os opositores conseguem yūkō datotsu (golpes válidos) simultaneamente. (Durante uma competição nenhum dos golpes é considerado válido, visto que anulam-se mutuamente). 2. Situação em que ambos os opositores falham simultaneamente yūkō datotsu.

Amasu (v.) Prever as intenções do adversário quando ele inicia uma técnica e recuar com calma e compostura (deixando algum espaço que o “convida” a prosseguir) e colocar-se assim numa posição de vantagem face ao mesmo.

Ashi-gamae (subs.) Posição dos pés; posição e relação entre os pés que permita responder instantaneamente aos movimentos do opositor.

Ashi-haba (subs.) Distãncia entre os pés quando em ashi-gamae Ashi-hakobi (subs.) Ver Ashi-sabaki.

Ashi-sabaki (subs.) Os quatro tipos de deslocação usados para atacar ou evitar um ataque: Ayumi-ashi, Okuri-ashi, Hiraki-ashi e Tsugi-ashi.




















Ataru (v.) Acertar, atingir o alvo.

Aun-no-kokyu (subs.) Respirar em sintonia com o adversário. Ao executar kata, estar em sintonia com o ritmo e as particularidades do colega. A letra “A”, de “aun”, significa expirar e “un” significa inspirar. Além disso, em Sânscrito, “a” é o primeiro letra/som e é dito com a boca aberta e “un” é a ultima letra/som do alfabeto e é dita com a boca fechada, juntas, simbolizam o princípio e o fim de todas as coisas.

Ayumi-ashi (n.) Tipo de deslocação no kendo, que permite percorrer maiores distâncias mais rapidamente. Ver Ashi-sabaki.

29.10.06

VOLUNTÁRIOS EURO 2007

Aí está.

Para os (muitos?) que se andavam a queixar nos últimos tempos que não sabiam como, e quando, se poderiam voluntariar para a organização do Europeu 2007, notícias frescas: o processo de voluntariado COMEÇOU.

Vão até ao site da Associação, www.kendo.pt, e lá podem preencher online a respectiva ficha de inscrição.
Tanta tanga, tanto blábláblá, agora vamos lá a ver quantos é que estão dispostos a dar o corpinho ao manifesto.

28.10.06

CORREIO KENDIMENTAL 1


Caro Correio Kendimental:

Quero comprar um shinai novo mas não percebo nada disto. Estou muito confusa com todos estes nomes que aparecem nos sites e nos catálogos dos vendedores.
Madake, chokuto, koban... as designações não faltam.
Afinal que tipo de shinais existem e como é que se pode saber o que é o quê?

Peço desculpa pela ignorância e por perguntar uma coisa que toda a gente sabe.

Ass.: Sonhadora do Dojo


Cara Sonhadora:
A sua pergunta é muito mais frequente do que pensa e há muito boa gente que não sabe nem sonha, como diria o outro.


Então, como diria um esquartejador, vamos por partes:
Os shinais, antes mais nada, dividem-se de duas maneiras distintas, consoante: o tamanho e o formato.

Assim, no que diz respeito ao tamanho, temos dois géneros: o daito e o shoto.
O daito é um shinai com um tamanho maior ou igual a 114 cm de comprimento.
O shoto é um daqueles shinais mais pequenos usados apenas pelos praticantes de nito-ryu e deve ter um comprimento menor ou igual a 62 cm.

E, no que ao tamanho respeita, estamos aviados.

Passemos então aos formatos do shinai.
Também aqui, existem apenas dois géneros de shinais: dobari e chokuto.
O dobari é mais largo junto da zona da tsuba e mais fino na zona mais extrema, próxima do sakigawa. O peso também é mais concentrado “atrás”, junto do punho.
O chokuto, esse, é mais uniforme no formato e o peso também é dividido mais uniformemente por todo o corpo do shinai.

Como viu não é nada difícil. Há uma outra designação que aparece por vezes nos catálogos de material e que é koban.
Koban significa apenas que o shinai em causa, que pode ser dobari ou chokuto, tem uma tsuka de formato oval, mais nada.

Tudo o resto que ler ou ouvir acerca de um shinai não são características intrínsecas do mesmo, mas possivelmente de materiais e técnicas de fabrico; por exemplo, um shinai madake, é um shinai fabricado com um tipo de bambú japonês de alta qualidade chamado, curiosamente, madake; se ouvir alguém dizer que tem um hasegawa, isso quer dizer que é um shinai feito em fibra de carbono, etc, etc.

No que diz respeito à sua utilização, um dobari é (normalmente) mais aconselhado para competidores, enquanto o chokuto é o preferido de muitos senseis mais avançados para os quais a componente competitiva já não tem grande valor.

A maior parte dos shinais que se pode comprar no mercado não especializado, chamemos-lhe assim, sport-zones e decathlons e quejandos, são misturas (maiores ou menores) dos dois tipos referidos; embora frequentemente estejam mais próximos do chokuto que do dobari.

E agora, cara sonhadora, compre lá o shinai, menos sonhos e mais keiko.


Caros leitores, se desejarem saber alguma coisa sobre os fait-divers do kendo façam como a "Sonhadora do Dojo" mandem um e-mail para IMDRabbit@hotmail.com, escrevam CORREIO KENDIMENTAL no subject da mensagem e exponham o vosso problema ou dúvida. Desde que tenha a ver com kendo, a redacção do blog fará tudo o que for possível para responder às vossas questões (nem que para isso se recorra ;-) ao Sensei Osaka, claro).

26.10.06

UM "NOVO" FORUM DE ARTES MARCIAIS

Já não é assim tão novo quanto isso, mas ainda está a arrancar.

Trata-se do forum criado pela e-bogu Portugal e pretende ser o local de encontro dos praticantes de artes marciais nacionais.
É um bom local para mandar uns "posts de pescada" sobre temas tão variados como kendo, karate, iaido, aikido, jogo do pau e muito mais.

É assim como ir ao café num centro comercial.
Fala-se, discute-se e depois, se assim se desejar, pode-se ir fazer umas compras.

A e-bogu foi criada pelo sensei Taro Ariga (kendo rokudan) e é um dos maiores fabricantes/vendedores do mundo de material para artes marciais e não, não me pagaram nada para colocar este post aqui.


http://forum.e-bogu.com.pt/

Ah, e parece-me que ainda estão à procura de moderadores para certas artes marciais.

KENDO DO OUTRO MUNDO


Umas asinhas e era um anjinho perfeito.

Eis a prova, se dúvidas houvesse, que até as entidades divinas praticam kendo.
Esta foto faz parte do portfolio do Fred e pode ser encontrada, e mais uma data delas, aqui:


http://flickr.com/photos/frederico/270405508/in/set-72157594329583311/

25.10.06

14º WKC NO BRASIL

" Blade Runner tropical"

Ainda o 13º Campeonato do Mundo de Kendo não arrancou e já se fala acerca do 14º, que deverá ter lugar, segundo as normas da Federação Internacional de Kendo, num país do continente americano.

Até ao ano passado o grande pretendente a hospedar o campeonato de 2009 era o Hawaii, no entanto, a federação local "roeu a corda" algures durante o segundo semestre de 2005 e desistiu do evento.

Como se diz, "chegaram-se à frente" os brasileiros. Segundo as fontes deste blog, geralmente bem informadas e colocadas ao mais alto nível na European Kendo Federation, consta que a Confederação Brasileira de Kendo aceitou acolher o campeonato depois de um acordo ter sido atingido com, nomeadamente, a Federação Americana que deverá ajudar a custear a coisa.

Ora aí está uma bela ideia! Devíamos fazer o mesmo com a federação europeia a respeito do próximo europeu de Lisboa. Ou então, pelo menos, "chulávamos" os espanhóis, que estão aqui mesmo ao lado. Ah, queres campeonato? Então, nós fazemos mas TU tens de NOS pagar.

Enfim, brincadeiras à parte parece que é definitivo, os 14ºs WKC terão lugar em S. Paulo em 2009.

Pelo menos, e mais que não seja, come-se bem. Para além disso, não estou assim a ver grandes atractivos mais...

24.10.06

A “ESPADA SAMURAI”

Ontem começou a semana das artes marciais do National Geographic Channel.
O trabalho de abertura dedicado à katana foi, acho que lhe podemos chamar assim, sofrível.

Quando é que alguém se irá decidir a fazer um documentário DECENTE sobre a espada japonesa? Que raio, nem a National Geographic?
É que, por um lado, a reportagem até se debruça de uma maneira competente e extremamente interessante sobre a concepção e criação da espada por parte de um dos actuais ferreiros ainda em actividade.

Mas por outro, tudo o resto, o envolvimento e suposta explicação das origens e da mística da katana, descambou irremediavelmente (?) numa imitação pobrezinha (e em “câmara-lenta”) das séries de TV japonesas de chambara*.


Se tirarmos as encenações historico-irrealistico-foleiras, alguns tame-shigiri bastante merdosos e o número de circo em que a filha atira setas contra o pai, o qual se defende usando apenas a espada, pouco tivemos que valha a pena.

Mas felizmente ainda tivemos.
Um dos segmentos do documentário apresentava um excerto minúsculo de um keiko de iai bastante interessante.

Foi pena, porque a parte da feitura da espada até foi gira e merecia um bocadinho mais de “trabalho” à sua volta.

De resto, mal posso esperar pelo monge do kung fu em Nova Iorque e pelo especial sobre Armas Chinesas do kung fu que dão continuidade a esta “semana” das artes marciais.

Estou aqui que não me aguento.

P.S.: Não existe nenhuma, como os comentadores portugueses no programa frequentemente referem, “espada samurai”. Provavelmente, é só mais uma das excelentes traduções com que somos diariamente brindados nos canais-cabo. “The samurai sword”, em inglês, significa “a espada DO samurai”.
Porque como o possessivo “apóstrofo+s” não se aplica se a palavra seguinte começar, também ela, por “s”, quando os comentadores americanos convidados dizem “the samurai sword” (e não, claro, “the samurai’s sword”), o que querem dizer é “a espada DO samurai”.

Samurai, que eu saiba, não é nenhuma marca ou tipo de espada. Cretinos.

*Aventuras de samurais.


22.10.06

MEN (BY PLAYMOBIL?)

Andava eu a "dar umas voltinhas pela net" quando me deparei com um filminho muito interessante. Nele, e durante uma demonstração na Coreia, um grupo de jovens apresentam-se equipados com um “men” completamente diferente do habitual.
A demonstração, perfeitamente normal, não teria nada que valesse a pena comentar, não fosse a presença daqueles “novos” equipamentos de protecção.
Fiquei curioso e como sabia que alguns dos membros do forum kendo-world são praticantes coreanos e “coreano-descendentes”, na esperança de obter mais informações sobre o material em causa, coloquei um post no dito forum.
O resultado resumiu-se a 12 páginas de polémica, ofensas e “gritos”.
Não querendo repetir aqui o “feito”, aqui deixo, no entanto, o link para o filme em causa:
http://www.youtube.com/watch?v=pfoNFXnN7zQ
Para além de parecer um "capacete" criado para os bonecos da Playmobil, digam vocês de vossa justiça.

Eu, por acaso, até gosto...
... mas gosto mais dos actuais... acho eu.

19.10.06

O “KEN“ É FÁCIL DE SE VER; ONDE É QUE ESTÁ O “DO”?

ou

Os devaneios de um kendoka quando impossibilitado de praticar.

O “ken” do kendo, creio que todos concordarão, está à vista. Com maior ou menor dificuldade todos conseguimos aperceber, pelo menos, o que é necessário para que o “ken” seja praticado.
E todos os que praticam, do mesmo modo, com maior ou menor dificuldade, serão unânimes em concordar que, bem vistas as coisas, o “ken” é até bastante limitado e não é, digamos, nada do outro mundo.
Se tivermos em consideração que, independentemente das “variações” migi, hidari, morote e katate, temos à nossa disposição, basicamente, apenas quatro ataques diferentes, o “ken” não surgirá aos nossos olhos como uma actividade muito complexa ou elaborada.


Para não falsear a informação, podemos até ser um bocadinho mais exigentes e juntar à “lista técnica” os diferentes grupos de técnicas de bloqueio e antecipação.
Assim, temos: oji-waza e debana-waza... ah e, já agora, também hiki-waza, claro; e assim... de utilização frequente... pouco mais temos.


Para comparar com o judo por exemplo, digamos que, no capítulo das projecções, sem contar com imobilizações no solo e estrangulamentos, a arte de Jigoro Kano deve ter o dobro ou o triplo dos ataques do kendo, se calhar mais.

Mas porque é que uma coisa, aparentemente, assim tão simples é, na realidade, tão difícil? (parece-me que já perguntei isto antes) Acho que a resposta se encontra na parte que falta da palavra kendo.
Na sílaba “do”. Senão, vejamos, é tudo um problema de perspectiva:

“Ken” é o shinai, é o waza que o shinai executa. “Ken” é jutsu, é o melhor ou pior domínio de cada waza. “Ken” é o corpo, o espaço e as deslocações do corpo no espaço. Certo?
“Ken” é shiai (absolutamente!!!).

“Do” é tudo o resto. “Do” é o que não se vê. É rei-ho, zanshin e kigurai; “Do” é ki, seme, kizeme, tame e, em último caso, sutemi-no-itto (será? parece-me que sim). Correcto?
“Do” é kata (será???).

“Ken” é o que se vê. “Do” é o que se sente (esta gosto, saiu bem...).

Sem “do”, o “ken” não passa de uma série, mais ou menos bonita conforme o executante, de habilidades e malabarismos.
Mas por seu lado, sem “ken”, o “do” não passa de um amontoado de conceitos vagamente filosóficos mas completamente inúteis.

Os dois não podem passar um sem o outro, estão condenados a complementar-se.
Afinal, de que serve existir um caminho se não existir um corpo para podermos caminhar? Por outro lado, de serve saber caminhar se não existir um caminho? (muito filosófico, hein? Faz-me lembrar aquela da árvore que cai na floresta e se ninguém... hum... enfim... adiante)

A falta de um dos dois elementos leva inevitavelmente ao desequilíbrio do praticante, tal como, aliás, este post faz prova ;-).

17.10.06

SELECÇÃO NACIONAL 2006

Esq. p/ dir.:
Paulo Martins, Nuno Ricardo, Luis Sousa, Henrique Martins, Sérgio Andrade.

Eis finalmente uma fotografia de conjunto da selecção que vai representar o nosso país em Dezembro deste ano em Taiwan. O torneio não vai ser fácil para nenhum deles, mas o essencial é termos a certeza que, quaisquer que sejam os resultados, não nos envergonharão.

Gambatte.