Segunda-feira, 5 de Fevereiro 2007.
Enfim, :-) mais um dia "rico" em kirikaeshi. :-D
Parece que o sensei Osaka está decidido a só parar de fazer kirikaeshi quando formos todos minimamente eficientes na execução do mesmo.
Desta vez, depois de (mais) uma sessão espectacular de kirikaeshi-geiko, as suas palavras finais foram breves e extremamente precisas. Com três palavrinhas apenas se pronuncia a expressão "te-no-uchi".
E foi só isso que ele disse: no kirikaeshi, falta te-no-uchi.
Nota mental para o próximo dia: Lembrar de fazer kirikaeshi com mais e melhor te-no-uchi.
É assim. Falta sempre alguma coisa. Nunca se sabe tudo.
Quer dizer que isto dá pr'á vida toda?... hein?... É?...
5.2.07
2.2.07
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 38
Sexta-feira, 2 de Fevereiro 2007.
O "curso intensivo" de kirikaeshi prossegue a bom ritmo.
E o dia de hoje não foi excepção. Kirikaeshi, kirikaeshi e mais kirikaeshi e... ji-geiko.
E teria sido um dia mais apenas, não fosse a presença do nosso ilustre sempai Nuno Ricardo que, arribando de terras do norte, nos deu o prazer de ilustrar ao vivo a arte de bem fazer kirikaeshi em qualquer dojo.
No fim, as palavras do sensei Osaka viraram-se, inevitavelmente, para kirikaeshi.
Disse-nos que temos de ter atenção com a posição das mãos no momento do impacto.
Ter cuidado em fazer bem o ãngulo sayu-men de um lado e de outro, usando sempre a mão esquerda como referência, ao meio.
Que o mesmo é dizer, cortar com ângulo igual de ambos os lados.
Por fim, deixou uma pequena nota acerca da movimentação dos pés. Deve ser sempre igual... o tamanho dos passos para a frente e para trás, certo?
E não disse mais.
Depois disso, já a caminho de Campo de Ourique disse-me mais qualquer coisa, disse-me que o pessoal que vai fazer o estágio com Itto sensei e Ariga sensei vai ter uma surpresa. E mais não digo, pois se calhar já toda a gente sabia menos eu.
O "curso intensivo" de kirikaeshi prossegue a bom ritmo.
E o dia de hoje não foi excepção. Kirikaeshi, kirikaeshi e mais kirikaeshi e... ji-geiko.
E teria sido um dia mais apenas, não fosse a presença do nosso ilustre sempai Nuno Ricardo que, arribando de terras do norte, nos deu o prazer de ilustrar ao vivo a arte de bem fazer kirikaeshi em qualquer dojo.
No fim, as palavras do sensei Osaka viraram-se, inevitavelmente, para kirikaeshi.
Disse-nos que temos de ter atenção com a posição das mãos no momento do impacto.
Ter cuidado em fazer bem o ãngulo sayu-men de um lado e de outro, usando sempre a mão esquerda como referência, ao meio.
Que o mesmo é dizer, cortar com ângulo igual de ambos os lados.
Por fim, deixou uma pequena nota acerca da movimentação dos pés. Deve ser sempre igual... o tamanho dos passos para a frente e para trás, certo?
E não disse mais.
Depois disso, já a caminho de Campo de Ourique disse-me mais qualquer coisa, disse-me que o pessoal que vai fazer o estágio com Itto sensei e Ariga sensei vai ter uma surpresa. E mais não digo, pois se calhar já toda a gente sabia menos eu.
1.2.07
KATA: SIM OU SIM E PORQUÊ? (2)
Para poder escrever este pequeno resumo da história de kendo-no-kata socorri-me do excelente artigo “A Brief Synopsis of The History Of Modern Kendo” da autoria do Dr. Alex Bennett que, desde já, recomendo vivamente.
No princípio do século XX, numa tentativa de unificar (e popularizar e manter sob controle durante a sua disseminação) as variadissimas tradições e escolas de kenjutsu, o Dai Nippon Butokukai, à época a instituição estatal que geria os destinos das artes marciais japonesas, decidiu desenvolver uma série de kata que podessem ser praticados por todos, independentemente dos seus antecedentes marciais.
Em 1906, o primeiro comité encarregado da tarefa, dirigido por Watanabe Noboru, apresentou o resultado dos seus esforços sob a forma de 3 kata: Jodan (ten=céu), Chudan (chi=terra) e Gedan (jin=humano).
No entanto, devido à grande oposição surgida face a esta série de kata, a mesma acabou por ser posta de lado sem nunca chegar a ter a circulação e a disseminação nacional para que fora desenvolvida.
O problema agravou-se quando, em 1911, o governo decidiu que o kenjutsu deveria ser incluído como parte integrante no currículo de educação física das escolas japonesas.
Mais uma vez, o Butokukai ficou encarregado de criar e desenvolver uma série de kata que tornasse possível uma disseminação efectiva e unificada.
Neste segundo comité, os 5 mestres de kenjutsu, conhecedores de vários ryuha e responsáveis pelo trabalho, foram Negishi Shingoro, Tsuji Shimpei, Monna Tadashi, Naito Takaharu e Takano Sasaburo.
Em 1912 apresentaram os Dai Nippon Teikoku Kendo Kata (Kendo Kata do Grande Japão Imperial) que consistiam em 7 kata de tachi contra tachi e 3 kata de tachi contra kodachi.
Inúmeras mudanças e emendas da versão original foram feitas ao longo dos anos que se seguiram mas, na sua essência, esses 10 kata ainda hoje constituem o que os adeptos modernos praticam e a que chamam Nihon Kendo Kata ou kendo-no-kata.
No próximo post, depois desta pequena introdução histórica, vamos finalmente “apresentar o caso” e tentar demonstrar, tanto quanto possível, porque é que kendo kata é, senão essencial, pelo menos deveras importante para qualquer kendoka que se preze dessa denominação.
No princípio do século XX, numa tentativa de unificar (e popularizar e manter sob controle durante a sua disseminação) as variadissimas tradições e escolas de kenjutsu, o Dai Nippon Butokukai, à época a instituição estatal que geria os destinos das artes marciais japonesas, decidiu desenvolver uma série de kata que podessem ser praticados por todos, independentemente dos seus antecedentes marciais.
Em 1906, o primeiro comité encarregado da tarefa, dirigido por Watanabe Noboru, apresentou o resultado dos seus esforços sob a forma de 3 kata: Jodan (ten=céu), Chudan (chi=terra) e Gedan (jin=humano).
No entanto, devido à grande oposição surgida face a esta série de kata, a mesma acabou por ser posta de lado sem nunca chegar a ter a circulação e a disseminação nacional para que fora desenvolvida.
O problema agravou-se quando, em 1911, o governo decidiu que o kenjutsu deveria ser incluído como parte integrante no currículo de educação física das escolas japonesas.
Mais uma vez, o Butokukai ficou encarregado de criar e desenvolver uma série de kata que tornasse possível uma disseminação efectiva e unificada.
Neste segundo comité, os 5 mestres de kenjutsu, conhecedores de vários ryuha e responsáveis pelo trabalho, foram Negishi Shingoro, Tsuji Shimpei, Monna Tadashi, Naito Takaharu e Takano Sasaburo.
Em 1912 apresentaram os Dai Nippon Teikoku Kendo Kata (Kendo Kata do Grande Japão Imperial) que consistiam em 7 kata de tachi contra tachi e 3 kata de tachi contra kodachi.
Inúmeras mudanças e emendas da versão original foram feitas ao longo dos anos que se seguiram mas, na sua essência, esses 10 kata ainda hoje constituem o que os adeptos modernos praticam e a que chamam Nihon Kendo Kata ou kendo-no-kata.
No próximo post, depois desta pequena introdução histórica, vamos finalmente “apresentar o caso” e tentar demonstrar, tanto quanto possível, porque é que kendo kata é, senão essencial, pelo menos deveras importante para qualquer kendoka que se preze dessa denominação.
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 37
Quarta-feira, 31 de Janeiro 2007.
Depois de um treino muito vocacionado, uma vez mais, para kirikaeshi, as palavras do senhor Osaka, no fim do dito, focaram-se sobre... bem, kirikaeshi.
E parece (parece???) que cada dia há coisas novas e importantes acerca deste exercício aparentemente tão simples que nós, para variar, não topamos.
Se todo este trabalho de repetição de kirikaeshi, se trata de mostrar ao pessoal que kirikaeshi é mais do que aparenta, então tenho a certeza que, pelo menos comigo, a coisa está a resultar.
Ontem o sensei Osaka dizia uma coisa que, confesso, já me tinha passado pela cabeça e acerca da qual às vezes "me passo". Trata-se daquela mania que muita gente tem, e que se vê noutros exercícios além de kirikaeshi, a mania de, dizia eu, começar a fazer o exercício "na diagonal", ou em zig-zag.
Kirikaeshi não é ji-geiko, caso alguém ainda não tenha notado. E aquele "jeitinho" que alguns têm de sair na diagonal (com "muito espírito") depois de cada série de avanços e recuos é simplesmente errado dizia ontem Osaka san.
Kirikaeshi faz-se sobre uma linha recta imaginária traçada no chão.
Há um motivo pelo qual este kirikaeshi é como é. E, segundo o que sensei Osaka dizia ontem, tem também a ver com a colocação da mão esquerda... há tanto tempo que não se falava nisto.... ao centro, pois claro.
Para os amantes das linhas diagonais, no entanto, há esperança.
Existe pelo menos um tipo de kirikaeshi no qual o motodachi recua, em zigzag, num padrão pré-determinado.
Mas é o motodachi que origina o zigzag... e não o kakarite.
E, pronto, já está.
Depois de um treino muito vocacionado, uma vez mais, para kirikaeshi, as palavras do senhor Osaka, no fim do dito, focaram-se sobre... bem, kirikaeshi.
E parece (parece???) que cada dia há coisas novas e importantes acerca deste exercício aparentemente tão simples que nós, para variar, não topamos.
Se todo este trabalho de repetição de kirikaeshi, se trata de mostrar ao pessoal que kirikaeshi é mais do que aparenta, então tenho a certeza que, pelo menos comigo, a coisa está a resultar.
Ontem o sensei Osaka dizia uma coisa que, confesso, já me tinha passado pela cabeça e acerca da qual às vezes "me passo". Trata-se daquela mania que muita gente tem, e que se vê noutros exercícios além de kirikaeshi, a mania de, dizia eu, começar a fazer o exercício "na diagonal", ou em zig-zag.
Kirikaeshi não é ji-geiko, caso alguém ainda não tenha notado. E aquele "jeitinho" que alguns têm de sair na diagonal (com "muito espírito") depois de cada série de avanços e recuos é simplesmente errado dizia ontem Osaka san.
Kirikaeshi faz-se sobre uma linha recta imaginária traçada no chão.
Há um motivo pelo qual este kirikaeshi é como é. E, segundo o que sensei Osaka dizia ontem, tem também a ver com a colocação da mão esquerda... há tanto tempo que não se falava nisto.... ao centro, pois claro.
Para os amantes das linhas diagonais, no entanto, há esperança.
Existe pelo menos um tipo de kirikaeshi no qual o motodachi recua, em zigzag, num padrão pré-determinado.
Mas é o motodachi que origina o zigzag... e não o kakarite.
E, pronto, já está.
31.1.07
KATA: SIM OU SIM E PORQUÊ? (1)
Ontem estava a ler um blog de um kendoka nortenho, http://kenshin.blogs.sapo.pt/, e deparei-me com uma frase que achei muito curiosa:
“Hoje vou falar sobre kata, ontem foi dia de kata, como é costume de 15 em 15 dias às segundas-feiras, o que eu acho que é pouco, mas para muita gente chega e sobra uma vez que, quando é aula de kata, nem aparece no dojo porque não vale a pena ir perder tempo, pelos vistos...”
A verdade é que kata, seja lá qual for a arte marcial de que se fale, é um exercício muitas vezes entendido com um filho pobre... ou, pior ainda, como... um enteado.
A quem é que interessa praticar kata? A ninguém, diria. E não se pense que isso acontece apenas em Portugal. Lembro-me de, durante o estágio de shinsa em Glasgow, assistir a candidatos a sandan executando kata de uma maneira tão pobrezinha, com uma qualidade tão miserável, tão execrável*, que dava para perceber de um modo evidente que, onde quer que seja que pratiquem, kata não é, definitivamente, uma coisa que exercitam com frequência.
E estou a falar de kendokas oriundos de países como Taiwan ou Malásia, onde a percentagem de hachidan residentes é, de longe, superior a qualquer país da Europa.
Então, what’s the point? O que se passa? O que se passa é que, para toda essa grande maioria de gente, kata é apenas um obstáculo a contornar durante os exames.
Treina-se kata para fazer exame. Quinze dias, uma semana (?), antes do exame pede-se ao “cromo de serviço” do dojo, normalmente um colega um bocadinho mais antigo que, ninguém sabe muito bem porquê, tem aquela “pancada” pelos kata, que dê uma ajudinha de modo a contornar o obstáculo. Tem de ser.
Kata é inevitável, mas para todos os efeitos, chato.
E, no entanto... no entanto, kata tem muito que se lhe diga.
No próximo post não perca:
O essencial da história de kendo-no-kata, contada aos jovens e lembrada aos velhos.
Só faltava agora a “Teresinha” a dizer: “Há coisas fantásticas não há?”
*E El Presidente, que estava comigo, não me deixa mentir. Perguntem-lhe, perguntem-lhe.
“Hoje vou falar sobre kata, ontem foi dia de kata, como é costume de 15 em 15 dias às segundas-feiras, o que eu acho que é pouco, mas para muita gente chega e sobra uma vez que, quando é aula de kata, nem aparece no dojo porque não vale a pena ir perder tempo, pelos vistos...”
A verdade é que kata, seja lá qual for a arte marcial de que se fale, é um exercício muitas vezes entendido com um filho pobre... ou, pior ainda, como... um enteado.
A quem é que interessa praticar kata? A ninguém, diria. E não se pense que isso acontece apenas em Portugal. Lembro-me de, durante o estágio de shinsa em Glasgow, assistir a candidatos a sandan executando kata de uma maneira tão pobrezinha, com uma qualidade tão miserável, tão execrável*, que dava para perceber de um modo evidente que, onde quer que seja que pratiquem, kata não é, definitivamente, uma coisa que exercitam com frequência.
E estou a falar de kendokas oriundos de países como Taiwan ou Malásia, onde a percentagem de hachidan residentes é, de longe, superior a qualquer país da Europa.
Então, what’s the point? O que se passa? O que se passa é que, para toda essa grande maioria de gente, kata é apenas um obstáculo a contornar durante os exames.
Treina-se kata para fazer exame. Quinze dias, uma semana (?), antes do exame pede-se ao “cromo de serviço” do dojo, normalmente um colega um bocadinho mais antigo que, ninguém sabe muito bem porquê, tem aquela “pancada” pelos kata, que dê uma ajudinha de modo a contornar o obstáculo. Tem de ser.
Kata é inevitável, mas para todos os efeitos, chato.
E, no entanto... no entanto, kata tem muito que se lhe diga.
No próximo post não perca:
O essencial da história de kendo-no-kata, contada aos jovens e lembrada aos velhos.
Só faltava agora a “Teresinha” a dizer: “Há coisas fantásticas não há?”
*E El Presidente, que estava comigo, não me deixa mentir. Perguntem-lhe, perguntem-lhe.
30.1.07
KAKARITE 10 - MOTODACHI 8
Apesar do que título possa sugerir, não vou falar dos resultados dos jogos da Liga de Andebol do Japão.
Não, este post é acerca de kirikaeshi.
Tradicionalmente, dizia-se que só após três anos de treino intensivo de kirikaeshi é que o kendoka começava a ter uma visão básica dos fundamentos do kendo.
Estamos um pouco longe desses princípios, quer espacial quer temporalmente, no entanto, kirikaeshi continua, ainda e sempre, a ser um dos métodos mais eficazes de “julgar” as qualidades de um praticante. Apesar de, e curiosamente, não ser exigida a sua execução durante os exames de graduação.
E como é que kirikaeshi nos pode ajudar? Para responder a esta pergunta simples recorro mais uma vez à tradição. Supostamente, e sem motivo nenhum que me leve a crer em contrário, kirikaeshi desenvolve 10 efeitos benéficos sobre o seu executante.
A saber, estas são as vantagens de ser kakarite (kirikaeshi-no-toku):
1 – Melhora a postura;
2 – Melhora a respiração e resistência;
3 – O (gesto de) corte torna-se mais forte e confiável;
4 – Os ombros ganham flexibilidade;
5 – Desenvolve o te-no-uchi;
6 – Facilita os movimentos dos braços;
7 – O tronco torna-se mais firme e sólido;
8 – Melhora ashi-sabaki;
9 – Clarifica ma-ai;
10 – Promove o uso correcto de ha-suji;
Por outro lado, literalmente, do lado de motodachi, os efeitos de kirikaeshi também se fazem sentir.
Ao receber o encadeamento, e sempre segundo a tradição, motodachi recebe 8 lições importantes (kirikaeshi-uke-no-toku):
1 - Melhora a postura;
2 - Desenvolve a agilidade do corpo;
3 - Desenvolve a visão (do alvo);
4 - Toma consciência da habilidade do adversário;
5 - Desenvolve a consciência de ma-ai;
6 - Melhora e fortifica te-no-uchi;
7 - Melhora a habilidade de bloquear;
8 - Acalma o espírito;
Claro que estes são apenas pressupostos teóricos.
O que é importante para o praticante é a atitude e a correcção técnica que deve ter quando executa kirikaeshi.
Basicamente, tomar atenção à respiração, ao ritmo e à distãncia. Nunca é demais recordar que o essencial é:
Preocupar-se sempre com “fazer bem” em vez de “fazer rápido”. Como aliás de pode ver neste exemplo, a cargo do bi-campeão nacional:
http://www.youtube.com/watch?v=6QDLIYq200c
Outra coisa que acontece com kirikaeshi é que se pode variar as técnicas uitlizadas.
Fazer do-kirikaeshi, por exemplo, ou, misturando tudo, fazer uma ida (e volta) em men-kirikaeshi e a ida seguinte em do-kirikaeshi... ou então experimentar esta variação interessante que encontrei num site japonês chamado Ichinikai:
最初に面を打ってから体当たりして前進の左右面を4回
Ataque sho-men seguido de tai-atari, avançar fazendo 4 sayu-men
前進の左右胴を4回、後進の左右面を4回
e depois 4 sayu-do; recuar fazendo 4 sayu-men
後進の左右胴を5回やってから面を打って抜けて
seguidos de 5 sayu-do. Acabar com sho-men “a passar".
Seja como for, nunca esquecer, o mais importante acerca de kirikaeshi não é nenhuma destas coisas todas que para aqui estive a falar.
O mais importante de kirikaeshi é fazê-lo.
Não, este post é acerca de kirikaeshi.
Tradicionalmente, dizia-se que só após três anos de treino intensivo de kirikaeshi é que o kendoka começava a ter uma visão básica dos fundamentos do kendo.
Estamos um pouco longe desses princípios, quer espacial quer temporalmente, no entanto, kirikaeshi continua, ainda e sempre, a ser um dos métodos mais eficazes de “julgar” as qualidades de um praticante. Apesar de, e curiosamente, não ser exigida a sua execução durante os exames de graduação.
E como é que kirikaeshi nos pode ajudar? Para responder a esta pergunta simples recorro mais uma vez à tradição. Supostamente, e sem motivo nenhum que me leve a crer em contrário, kirikaeshi desenvolve 10 efeitos benéficos sobre o seu executante.
A saber, estas são as vantagens de ser kakarite (kirikaeshi-no-toku):
1 – Melhora a postura;
2 – Melhora a respiração e resistência;
3 – O (gesto de) corte torna-se mais forte e confiável;
4 – Os ombros ganham flexibilidade;
5 – Desenvolve o te-no-uchi;
6 – Facilita os movimentos dos braços;
7 – O tronco torna-se mais firme e sólido;
8 – Melhora ashi-sabaki;
9 – Clarifica ma-ai;
10 – Promove o uso correcto de ha-suji;
Por outro lado, literalmente, do lado de motodachi, os efeitos de kirikaeshi também se fazem sentir.
Ao receber o encadeamento, e sempre segundo a tradição, motodachi recebe 8 lições importantes (kirikaeshi-uke-no-toku):
1 - Melhora a postura;
2 - Desenvolve a agilidade do corpo;
3 - Desenvolve a visão (do alvo);
4 - Toma consciência da habilidade do adversário;
5 - Desenvolve a consciência de ma-ai;
6 - Melhora e fortifica te-no-uchi;
7 - Melhora a habilidade de bloquear;
8 - Acalma o espírito;
Claro que estes são apenas pressupostos teóricos.
O que é importante para o praticante é a atitude e a correcção técnica que deve ter quando executa kirikaeshi.
Basicamente, tomar atenção à respiração, ao ritmo e à distãncia. Nunca é demais recordar que o essencial é:
Preocupar-se sempre com “fazer bem” em vez de “fazer rápido”. Como aliás de pode ver neste exemplo, a cargo do bi-campeão nacional:
http://www.youtube.com/watch?v=6QDLIYq200c
Outra coisa que acontece com kirikaeshi é que se pode variar as técnicas uitlizadas.
Fazer do-kirikaeshi, por exemplo, ou, misturando tudo, fazer uma ida (e volta) em men-kirikaeshi e a ida seguinte em do-kirikaeshi... ou então experimentar esta variação interessante que encontrei num site japonês chamado Ichinikai:
最初に面を打ってから体当たりして前進の左右面を4回
Ataque sho-men seguido de tai-atari, avançar fazendo 4 sayu-men
前進の左右胴を4回、後進の左右面を4回
e depois 4 sayu-do; recuar fazendo 4 sayu-men
後進の左右胴を5回やってから面を打って抜けて
seguidos de 5 sayu-do. Acabar com sho-men “a passar".
Seja como for, nunca esquecer, o mais importante acerca de kirikaeshi não é nenhuma destas coisas todas que para aqui estive a falar.
O mais importante de kirikaeshi é fazê-lo.
29.1.07
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 36*
Como já tem sido costume, uma grande parte do treino foi dedicada a Kirikaeshi, e sendo assim, no final o sensei falou-nos da importância do Kiai durante Kirikaeshi.
Sensei Osaka referiu que o kirikaeshi deve ser contínuo e que todo o exercício deve ser efectuado com duas respirações, uma no final de cada men (os dois 1ºs de cada sequência de ataques) e não aproveitar para respirar e descansar antes de efectuar o Men (o 3º), chegando mesmo a fazer uma analogia com um arco a ser disparado, em que a tensão do fio vai aumentando até atingir o auge antes do disparo.
O mesmo deve passar-se com o Men. O kiai deve estar sempre presente e não deve esmorecer, culminando com um Men que, como já referiu milhentas vezes, deve ser um ippon.
:)
Abraço e até quarta.
*mais uma vez fruto da amabilidade e autoria do nosso amigo (v)EIGA. Obrigado Tiago.
Sensei Osaka referiu que o kirikaeshi deve ser contínuo e que todo o exercício deve ser efectuado com duas respirações, uma no final de cada men (os dois 1ºs de cada sequência de ataques) e não aproveitar para respirar e descansar antes de efectuar o Men (o 3º), chegando mesmo a fazer uma analogia com um arco a ser disparado, em que a tensão do fio vai aumentando até atingir o auge antes do disparo.
O mesmo deve passar-se com o Men. O kiai deve estar sempre presente e não deve esmorecer, culminando com um Men que, como já referiu milhentas vezes, deve ser um ippon.
:)
Abraço e até quarta.
*mais uma vez fruto da amabilidade e autoria do nosso amigo (v)EIGA. Obrigado Tiago.
28.1.07
UMA GRANDE ERRATA AO POST ANTERIOR
Foto de Charlotte Vandersleyen.
EL PRESIDENTE - Adivinha lá quem passou?
Depois daquele tempo todo a arbitrar, eu sabia lá... mas no entanto, e apenas pelo que me lembrava dos combates, disse-lhe:
EU - O Sérgio, o Joni, o Sousa e... (arrisquei)... o Henrique.
EL PRESIDENTE - Todos certos, menos o Henrique.
EU – (lembrando-me do belo kaeshi-do do Pedro Marques): Então, o Pedro.
EL PRESIDENTE – Corrrecto, o Pedro.
O que El Presidente não viu foi que eu estava a apontar para o Pedro (Marques, lá está).
Pois, pois, pois, enfim, já todos perceberam que meti os pés pelas mãos no assunto dos Pedros. Mas, como diria o grande Bart Simpson “Não fui eu, a culpa não foi minha, e se fui eu, ninguém viu e não podem provar nada”. :-).
Ó Pedrinho, desculpa lá a confusão mas, já viste bem?
Vais ao Europeu, pá.
Parabéns, puto.
27.1.07
HABEMOS SELECTIO
Acabou a época de torneios nacionais. Pode começar o Europeu.
Com a realização do "Torneio dos 10", que reuniu os classificados entre a posição 3 e 12 do ranking nacional, terminou oficialmente a época de kendo referente ao ano de 2006.
Sérgio Andrade, Luis (o) Sousa e Joni Duarte, todos de Lisboa, e ainda (um brilhante*) Pedro Marques, de Coimbra, são os quatro restantes elementos apurados para a selecção que representará Portugal no Europeu que se realiza em Abril no nosso País.
Juntam-se assim aos dois atletas já anteriormente qualificados (pela sua posição cimeira no ranking nacional), Nuno Ricardo (Porto) e Paulo Martins (Lisboa).
Aos apurados, o autor este modesto blog gostaria de apresentar os seus sinceros parabéns pelo lugar (duramente) obtido na selecção nacional, com uma menção especial para os dois estreantes: Joni Duarte e Pedro Marques.
Aos outros seis, os que não conseguiram um lugar, gostaria apenas de lhes dizer que como diz o povo "Há mais marés que marinheiros". É preciso é ter calma, treinar mais e não esquecer que a época de 2007 está mesmo a começar.
Domo arigato gozaimashité.
*Pedro, grande kaeshi-do aquele que valeu o ippon.
O Eiga Naoki deve ter tido um arrepio na espinha, lá em Hokkaido ou onde quer que esteja.
Com a realização do "Torneio dos 10", que reuniu os classificados entre a posição 3 e 12 do ranking nacional, terminou oficialmente a época de kendo referente ao ano de 2006.
Sérgio Andrade, Luis (o) Sousa e Joni Duarte, todos de Lisboa, e ainda (um brilhante*) Pedro Marques, de Coimbra, são os quatro restantes elementos apurados para a selecção que representará Portugal no Europeu que se realiza em Abril no nosso País.
Juntam-se assim aos dois atletas já anteriormente qualificados (pela sua posição cimeira no ranking nacional), Nuno Ricardo (Porto) e Paulo Martins (Lisboa).
Aos apurados, o autor este modesto blog gostaria de apresentar os seus sinceros parabéns pelo lugar (duramente) obtido na selecção nacional, com uma menção especial para os dois estreantes: Joni Duarte e Pedro Marques.
Aos outros seis, os que não conseguiram um lugar, gostaria apenas de lhes dizer que como diz o povo "Há mais marés que marinheiros". É preciso é ter calma, treinar mais e não esquecer que a época de 2007 está mesmo a começar.
Domo arigato gozaimashité.
*Pedro, grande kaeshi-do aquele que valeu o ippon.
O Eiga Naoki deve ter tido um arrepio na espinha, lá em Hokkaido ou onde quer que esteja.
25.1.07
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 35*
Quarta-feira, 24 Janeiro 2007
Já agora, uma vez que o caro Usagi san não compareceu ao treino de hoje (quarta-feira), deixo aqui o que foi referido.
O sensei hoje foi muito breve nas suas palavras, salientando apenas a importância de fazer Kirikaeshi "grande".
Pode ser rápido mas deve ser sempre "grande", não caindo na tentação de fazer Kirikoptero. :P
um abraço Tiago v(Eiga) aka kodomo :P
10:08 PM
*amavelmente enviada pelo nosso (v)EIGA.
Já agora, uma vez que o caro Usagi san não compareceu ao treino de hoje (quarta-feira), deixo aqui o que foi referido.
O sensei hoje foi muito breve nas suas palavras, salientando apenas a importância de fazer Kirikaeshi "grande".
Pode ser rápido mas deve ser sempre "grande", não caindo na tentação de fazer Kirikoptero. :P
um abraço Tiago v(Eiga) aka kodomo :P
10:08 PM
*amavelmente enviada pelo nosso (v)EIGA.
23.1.07
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 34
Segunda-feira, 22 de Janeiro 2007.
Hoje (ontem), o senhor Osaka falou sobre alguma coisa que hoje (hoje) já me esqueci...
Pede-se a alguém que tenha estado presente no treino que me reavive a memória... ou então que escreva o post inteiro no espaço dos comentários.
Tou farto de dar voltas à carola e não me consigo lembrar. Varreu-se-me.
Não há dúvida, trabalhar FAZ MAL.
Hoje (ontem), o senhor Osaka falou sobre alguma coisa que hoje (hoje) já me esqueci...
Pede-se a alguém que tenha estado presente no treino que me reavive a memória... ou então que escreva o post inteiro no espaço dos comentários.
Tou farto de dar voltas à carola e não me consigo lembrar. Varreu-se-me.
Não há dúvida, trabalhar FAZ MAL.
21.1.07
UMA CURIOSIDADE INTERESSANTE
Não faz parte da lista de interesses deste blog a divulgação de outras artes marciais para além do kendo, no entanto, como já se falou aqui de outras coisas que directa ou indirectamente influenciaram (e influenciam ainda hoje) a sua teoria e práticas, aqui fica um link interessante dedicado ao katori shinto ryu, supostamente gravado em 1969 e com a participação do Shihan-ke Risuke Otake.
Inclui katas com bokuto, kodachi, bokuto e kodachi (Maneeeeeel), naginata, etc.
http://video.google.com/videoplay?docid=-3592341485993959661&q=otake&hl=en
É muito bonito... e o filme tem aquele ar datado, tipo kodachrome gasto pelos anos.
É muito lindo, a sério.
Inclui katas com bokuto, kodachi, bokuto e kodachi (Maneeeeeel), naginata, etc.
http://video.google.com/videoplay?docid=-3592341485993959661&q=otake&hl=en
É muito bonito... e o filme tem aquele ar datado, tipo kodachrome gasto pelos anos.
É muito lindo, a sério.
20.1.07
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 33
Sexta-feira, 19 de Janeiro 2007.
O treino de hoje (ontem) decorreu mais ou menos na mesma lógica e ordem com que têm decorrido os últimos treinos. Kirikaeshi, kakari-geiko, ji-geiko e já está. Podes ir p'ra casa feito em papa.
Mas isso acho que, e por motivos particulares que não vêm agora aqui à baila, foi apenas o meu caso.
O resto pessoal aparentemente já se habituou e ninguém estava de bofes de fora como eu. Siga.
As palavras finais do senhor Osaka incidiram mais uma vez sobre o papel do motodachi durante kakari-geiko e mais uma vez realçou a importância do mesmo (ver nº 28).
Apesar de estar a escrever isto depois de 12 horas a dormir, ainda não estou muito bom. Vou acabar.
Enfim, malta do "Torneio dos 10" está tudo em ordem? Falta uma semana para ver quem vai à selecção... e ao europeu.
Com'é qu'é???
O treino de hoje (ontem) decorreu mais ou menos na mesma lógica e ordem com que têm decorrido os últimos treinos. Kirikaeshi, kakari-geiko, ji-geiko e já está. Podes ir p'ra casa feito em papa.
Mas isso acho que, e por motivos particulares que não vêm agora aqui à baila, foi apenas o meu caso.
O resto pessoal aparentemente já se habituou e ninguém estava de bofes de fora como eu. Siga.
As palavras finais do senhor Osaka incidiram mais uma vez sobre o papel do motodachi durante kakari-geiko e mais uma vez realçou a importância do mesmo (ver nº 28).
Apesar de estar a escrever isto depois de 12 horas a dormir, ainda não estou muito bom. Vou acabar.
Enfim, malta do "Torneio dos 10" está tudo em ordem? Falta uma semana para ver quem vai à selecção... e ao europeu.
Com'é qu'é???
18.1.07
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 32
Quarta-feira, 17 de Janeiro 2007.
Basicamente hoje foi dia de paulada. Apesar de uns "rounds" de kirikaeshi e de kakari-geiko, à laia de aquecimento, hoje deve ter sido o dia deste ano em que mais ji-geiko fizemos. E soube bem.
No fim do treino, o senhor Osaka apenas nos disse que o nosso último kirikaeshi (depois do ji-geiko) estava muito fraco e, recorrendo à mímica, imitou algo muito parecido com um kendoka com os bofes de fora, à medida que faz kirikaeshi.
Depois, Osaka sensei esclareceu-nos, pela 13.874ª vez, que o último kirikaeshi do dia, sobretudo esse, deve ser sempre feito com o máximo de fé.
Grande e rápido. Sempre maior e sempre mais rápido.
And we all called it a day.
Sayonaraaa.
Basicamente hoje foi dia de paulada. Apesar de uns "rounds" de kirikaeshi e de kakari-geiko, à laia de aquecimento, hoje deve ter sido o dia deste ano em que mais ji-geiko fizemos. E soube bem.
No fim do treino, o senhor Osaka apenas nos disse que o nosso último kirikaeshi (depois do ji-geiko) estava muito fraco e, recorrendo à mímica, imitou algo muito parecido com um kendoka com os bofes de fora, à medida que faz kirikaeshi.
Depois, Osaka sensei esclareceu-nos, pela 13.874ª vez, que o último kirikaeshi do dia, sobretudo esse, deve ser sempre feito com o máximo de fé.
Grande e rápido. Sempre maior e sempre mais rápido.
And we all called it a day.
Sayonaraaa.
16.1.07
OLHA, UM PEQUENO POST SOBRE ARBITRAGEM

Ó pra eles com a bandeirola da minha cor levantada.
Devo ter feito alguma coisa bem feita.
Dizia-me alguém em Kitamoto, no dia anterior ao meu shinsa, que os juízes apenas procuram as “coisas bem feitas” nas acções do examinado, em número suficiente, para o passarem no exame.
Não deixa de ser curioso, pensei. Habituados como estamos a criticar e a sobre-valorizar o que está mal e a não reparar, ou pelo menos colocar sempre em segundo plano, o que é bem feito, eis uma maneira interessante de encarar o mundo.
E o que tem isto a ver com o título que este post ostenta?
Ser árbitro de kendo é, a meu ver, um pouco assim. Só que, de certa maneira, mais fácil.
É que, enquanto os requisitos de exame necessários (ler: o número de “coisas bem feitas”) aumentam e se modificam à medida que se vai progredindo, ao árbitro de kendo só se lhe pede, essencialmente, que reconheça uma coisa, qualquer que seja o núivel dos competidores que arbitra e essa coisa é: ki-ken-tai.
Eu sei, eu sei, há toda uma série de termos e situações que é necessário aprender e dominar mas, em última análise, um bom árbitro é a aquele que reconhece e recompensa devidamente uma situação de ki-ken-tai.
Aliás, ki-ken-tai no itchi é inconfundível. A situação resultante de uma acção executada com o espírito adequado (ki), uma utilização técnica correcta do shinai (ken) e a colocação corporal perfeita (tai) durante a mesma, só pode significar uma coisa: ippon.
O problema dirão é como reconhecer, muitas vezes no meio de uma saraivada de golpes e contra-golpes, onde está a técnica boa? Aquela que vale e merece ser recompensada.
Shimojima sensei durante as aulas de arbitragem (do curso de gaidjins de Kitamoto) dizia que uma das melhores maneiras de reconhecer um ippon é, para além dos olhos, claro, ter os ouvidos bem atentos.
O som de um ippon a ser marcado é, pelo menos, meio caminho para o reconhecer.
Ora, como sei que no passado fim-de-semana ouve um treino em Coimbra que incluiu, ao que me disseram, um pouco de arbitragem, vou recorrer aos meus apontamentos de Kitamoto e transcrever as dicas mais importantes que me ensinaram acerca da acção de avaliação, propriamente dita, de um ippon. Diziam eles que um árbitro deve:
Dica 1 – Nunca tirar os olhos dos competidores e, para tal, acompanhar sempre o combate numa posição que permita que tal aconteça a todo o instante;
Dica 2 – Tomar muita atenção aos ruídos e sons produzidos pelo combate;
Dica 3 – Não se precipitar nas decisões, pois nenhum árbitro é castigado por ter sido o último a levantar a bandeirola;
Dica 4 – Julgar a acção de uma forma completa, quer dizer, tomar atenção a zanshin depois dos ataques (e por isso, ver Dica 3);
Dica 5 – Manter o corpo descontraído e a mente alerta;
Dica 6 – Ter sempre uma opinião sobre o que se passou, para o caso de algum dos árbitros convocar gogi (reunião de decisão sobre um assunto do shiai).
Esperando que este post possa ser uma pequena ajuda para os nossos mais recentes aspirantes a árbitros, despeço-me com amizade até ao próximo.
Não deixa de ser curioso, pensei. Habituados como estamos a criticar e a sobre-valorizar o que está mal e a não reparar, ou pelo menos colocar sempre em segundo plano, o que é bem feito, eis uma maneira interessante de encarar o mundo.
E o que tem isto a ver com o título que este post ostenta?
Ser árbitro de kendo é, a meu ver, um pouco assim. Só que, de certa maneira, mais fácil.
É que, enquanto os requisitos de exame necessários (ler: o número de “coisas bem feitas”) aumentam e se modificam à medida que se vai progredindo, ao árbitro de kendo só se lhe pede, essencialmente, que reconheça uma coisa, qualquer que seja o núivel dos competidores que arbitra e essa coisa é: ki-ken-tai.
Eu sei, eu sei, há toda uma série de termos e situações que é necessário aprender e dominar mas, em última análise, um bom árbitro é a aquele que reconhece e recompensa devidamente uma situação de ki-ken-tai.
Aliás, ki-ken-tai no itchi é inconfundível. A situação resultante de uma acção executada com o espírito adequado (ki), uma utilização técnica correcta do shinai (ken) e a colocação corporal perfeita (tai) durante a mesma, só pode significar uma coisa: ippon.
O problema dirão é como reconhecer, muitas vezes no meio de uma saraivada de golpes e contra-golpes, onde está a técnica boa? Aquela que vale e merece ser recompensada.
Shimojima sensei durante as aulas de arbitragem (do curso de gaidjins de Kitamoto) dizia que uma das melhores maneiras de reconhecer um ippon é, para além dos olhos, claro, ter os ouvidos bem atentos.
O som de um ippon a ser marcado é, pelo menos, meio caminho para o reconhecer.
Ora, como sei que no passado fim-de-semana ouve um treino em Coimbra que incluiu, ao que me disseram, um pouco de arbitragem, vou recorrer aos meus apontamentos de Kitamoto e transcrever as dicas mais importantes que me ensinaram acerca da acção de avaliação, propriamente dita, de um ippon. Diziam eles que um árbitro deve:
Dica 1 – Nunca tirar os olhos dos competidores e, para tal, acompanhar sempre o combate numa posição que permita que tal aconteça a todo o instante;
Dica 2 – Tomar muita atenção aos ruídos e sons produzidos pelo combate;
Dica 3 – Não se precipitar nas decisões, pois nenhum árbitro é castigado por ter sido o último a levantar a bandeirola;
Dica 4 – Julgar a acção de uma forma completa, quer dizer, tomar atenção a zanshin depois dos ataques (e por isso, ver Dica 3);
Dica 5 – Manter o corpo descontraído e a mente alerta;
Dica 6 – Ter sempre uma opinião sobre o que se passou, para o caso de algum dos árbitros convocar gogi (reunião de decisão sobre um assunto do shiai).
Esperando que este post possa ser uma pequena ajuda para os nossos mais recentes aspirantes a árbitros, despeço-me com amizade até ao próximo.
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 31
Segunda–feira, 15 de Janeiro 2007.
Kirikaeshi, kakari-geiko, ji-geik... eh lá, onde é que eu já vi isto?
Estou a sentir uma ligeira sensação de dejá vu. Pois foi, mais um dia de festa na Patrício Prazeres. Mas hoje foi um bocadinho mais leve. Até o Sousa estava mais vivo e tão saltitante como o habitual.
No fim, Osaka sensei ressaltou, mais uma vez, algumas das responsabilidades de motodachi, referindo-se especialmente ao papel do mesmo durante kakari-geiko.
Então dizia ele hoje que quando se faz de motodachi com um principiante, (ou alguém que, apesar de ter bogu, ainda não domina o exercício completamente) é correcto “oferecer” o alvo ao colega. Sabem como é, abrir o centro para ele poder entrar em men, desviar o kote para kote-men, aquelas coisas do costume.
Mas, e nestas coisas há sempre mais um mas, mas se o kakarite já apresentar um conhecimento mais profundo de kakari-geiko, então não se deve facilitar o alvo. Se é para fazer men, então tem de tirar o shinai do adversário do caminho ele mesmo; usar harai (omote ou ura), ashi-sabaki, o que fôr preciso... se quiser fazer kote-men, faz harai-ura antes... em resumo, tem de se desenrascar e abrir caminho, criar suki, para poder executar o shikake-waza que escolheu.
Mas atenção, isto nunca deve ser entendido como um incentivo para prejudicar, ou dificultar em demasia, o trabalho de kakarite. Não é esse o objectivo de kakari-geiko.
Por via das dúvidas, fui perguntar-lhe qual seria então o “nível de resistência” que motodachi deveria opôr a essas acções, ao que me respondeu que praticamente nenhum. O que este trabalho visa essencialmente é criar o hábito de atacar sim, certeiro, pois claro, mas (à cautela) preparar o movimento.
E foi tudo.
Enquanto estava a escrever esta crónica e à medida que me lembrava das suas palavras uma canção surgiu no meu (débil, velho e senil) cérebro. Chamei-lhe o Hino dos Rapazes (e Raparigas, Porque Temos De Ser Politicamente Correctos Nos Tempos Que Correm) do Kakari-Geiko. A letra é assim:
Se um men, incomoda o adversário,
um harai-men incomoda muito mais...
E se um harai-men incomoda o adversário,
um harai-ura kote-men, incomoda muito mais...
Eeeee... se um harai-ura kote-men incomoda o adversário,
um harai-ura kote-men, tai-atari dô... katsugi men (a passar!) incomoda muito maaaAaaais.
Tcham tcham tcham.
Eheheh. O que vale é que o blog é meu, senão era despedido de certeza absoluta.
Abayoooo.
Kirikaeshi, kakari-geiko, ji-geik... eh lá, onde é que eu já vi isto?
Estou a sentir uma ligeira sensação de dejá vu. Pois foi, mais um dia de festa na Patrício Prazeres. Mas hoje foi um bocadinho mais leve. Até o Sousa estava mais vivo e tão saltitante como o habitual.
No fim, Osaka sensei ressaltou, mais uma vez, algumas das responsabilidades de motodachi, referindo-se especialmente ao papel do mesmo durante kakari-geiko.
Então dizia ele hoje que quando se faz de motodachi com um principiante, (ou alguém que, apesar de ter bogu, ainda não domina o exercício completamente) é correcto “oferecer” o alvo ao colega. Sabem como é, abrir o centro para ele poder entrar em men, desviar o kote para kote-men, aquelas coisas do costume.
Mas, e nestas coisas há sempre mais um mas, mas se o kakarite já apresentar um conhecimento mais profundo de kakari-geiko, então não se deve facilitar o alvo. Se é para fazer men, então tem de tirar o shinai do adversário do caminho ele mesmo; usar harai (omote ou ura), ashi-sabaki, o que fôr preciso... se quiser fazer kote-men, faz harai-ura antes... em resumo, tem de se desenrascar e abrir caminho, criar suki, para poder executar o shikake-waza que escolheu.
Mas atenção, isto nunca deve ser entendido como um incentivo para prejudicar, ou dificultar em demasia, o trabalho de kakarite. Não é esse o objectivo de kakari-geiko.
Por via das dúvidas, fui perguntar-lhe qual seria então o “nível de resistência” que motodachi deveria opôr a essas acções, ao que me respondeu que praticamente nenhum. O que este trabalho visa essencialmente é criar o hábito de atacar sim, certeiro, pois claro, mas (à cautela) preparar o movimento.
E foi tudo.
Enquanto estava a escrever esta crónica e à medida que me lembrava das suas palavras uma canção surgiu no meu (débil, velho e senil) cérebro. Chamei-lhe o Hino dos Rapazes (e Raparigas, Porque Temos De Ser Politicamente Correctos Nos Tempos Que Correm) do Kakari-Geiko. A letra é assim:
Se um men, incomoda o adversário,
um harai-men incomoda muito mais...
E se um harai-men incomoda o adversário,
um harai-ura kote-men, incomoda muito mais...
Eeeee... se um harai-ura kote-men incomoda o adversário,
um harai-ura kote-men, tai-atari dô... katsugi men (a passar!) incomoda muito maaaAaaais.
Tcham tcham tcham.
Eheheh. O que vale é que o blog é meu, senão era despedido de certeza absoluta.
Abayoooo.
14.1.07
KI-O-TSUKE... MOKUSOOOO!!!
O mais provável é que quem assista a um treino de uma arte marcial se depare com um momento que considerará, no mínimo, intrigante.
São dados alguns instantes para que todos, uma vez em seiza, se “acomodem” e a voz que comanda o cerimonial pede atenção... ki-o-tsuke... e em seguida profere a palavra mágica: mokuso.
E tudo se cala, se imobiliza, o próprio tempo parece parar... é como se estivéssemos a entrar num outro mundo... um fanático de ficção científica (como eu), diria até, a entrar num universo paralelo.
Mas então, o que é, e para que serve, mokuso?
Os mais dados às coisas da meditação referirão, sem dúvida, o lado zen* das artes marciais, os mais místicos tenderão talvez para descobrir aspectos da componente zen do budo e os mais práticos evocarão provavelmente alguns resquícios inequívocos e inúteis do zen no... enfim... p’ra frente, com isto.
Quando o meu primeiro sensei me explicou o que era, e para que servia, mokuso achei a explicação perfeitamente simples e racional. Simples e racional demais, até. Também eu, nessa altura, aspirava a uma explicação mais esotérica, mais misteriosa... mais ... zen?... Isso! Sim, mais ZEN.
Mas não. Não me falou de zen nenhum. Que desilusão.
Com o passar dos anos muitas outras ilusões e mal-entendidos relacionados com o budo se dissolveram com a ajuda de leituras, contactos, práticas, etc. Curiosamente, no entanto, a sua explicação permaneceu na minha memória e hoje, para mim, encontra-se de tal forma fortalecida que não consigo pensar em mokuso de outra maneira.
Outras pessoas apresentaram-me (explicaram-me até) mokuso de outras maneiras mas, mais volta menos volta, a coisa acaba sempre por aparecer, por se transformar até, na maneira simples e original que o meu primeiro sensei (de karate) me explicou.
Fazer mokuso no começo da aula, dizia ele, é deixar para trás toda a “bagagem” que carregamos connosco. As chatices do trabalho, a escola, o trânsito, em resumo, a vida fora do dojo. Só depois disso podemos verdadeiramente apreciar a viagem que empreendemos: o keiko.
(Mokuso, às tantas, e vendo de uma perspectiva mais ocidentalizada, é um pouco como fazer o check-in das malas antes de uma viagem.)
O dojo transforma-se, assim, uma espécie de lugar fora do espaço e do tempo.
Um local em que se entra de uma forma ritualizada (anacrónica, diria até) e onde as regras de etiqueta, o comportamento e até o próprio vestuário e os assessórios, talvez muito para marcar esse mesmo isolamento, são, em si mesmo, muito diferentes dos utilizados fora do dojo. Próprios e exclusivos**.
Mas voltemos a mokuso.
Outra das coisas que faz confusão a muita gente é a duração do mesmo. Vinte, trinta segundos e já está. Não parece consistente. Então se meditamos antes da aula, como é que se justifica semelhante espaço de tempo tão curto? Que raio de meditação é essa, tão curta?
É que, apesar de assumir uma posição de meditação, e de se lhe chamar por vezes meditação, e de se parecer muito com meditação... mokuso... hum... não é bem meditação. Confuso? A escola de etiqueta e boas maneiras Ogasawara ryu-reiho, como sempre, explica. A diferença está na atitude.
Segundo dizia Ogasawara Kiyonobu***, no seu livro Nihon No Reiho, seiza deve ser uma postura calmante, mas não de descanso completo. Mokuso deve reflectir aquilo a que ele chama sei-chuu-do (movimento potencial na imobilidade) e não, como acontece na meditação zen, vulgarmente conhecida como zazen, sei-chuu-sei (imobilidade dentro da imobilidade).
O mokuso final deve ter o objectivo precisamente inverso do do início.
Depois, terminada a “viagem”, é hora de ir levantar as bagagens de novo. Só que, desta vez, a pessoa que vai levantar as ditas é suposto que seja uma pessoa melhor e mais bem preparada para enfrentar o mundo que “largou” umas horas antes.
Afinal de contas, o budo não é isso mesmo?
*Só por curiosidade, o lado zen das artes marciais é o lado da frente? Não. O de trás? Não, também não?... hum... agora a sério, acerca da relação entre budo e zen recomendo vivamente o artigo “Sword and zen”, acho que se chama assim, que pode ser encontrado no livro Budo Perspectives, The Direction of Japanese Budō in the 21st Century: Past, Present, Future. (KW publications).
**Quando alguém diz que as regras da etiqueta do dojo são coisas “de japoneses” e que vivemos na Europa, é caso para perguntar porque é que usa um keikogi para treinar em vez de um fato de treino tradicional.
***Dirigente máximo da escola de etiqueta e boas maneiras Ogasawara ryu-reiho, durante parte do Período Edo.
São dados alguns instantes para que todos, uma vez em seiza, se “acomodem” e a voz que comanda o cerimonial pede atenção... ki-o-tsuke... e em seguida profere a palavra mágica: mokuso.
E tudo se cala, se imobiliza, o próprio tempo parece parar... é como se estivéssemos a entrar num outro mundo... um fanático de ficção científica (como eu), diria até, a entrar num universo paralelo.
Mas então, o que é, e para que serve, mokuso?
Os mais dados às coisas da meditação referirão, sem dúvida, o lado zen* das artes marciais, os mais místicos tenderão talvez para descobrir aspectos da componente zen do budo e os mais práticos evocarão provavelmente alguns resquícios inequívocos e inúteis do zen no... enfim... p’ra frente, com isto.
Quando o meu primeiro sensei me explicou o que era, e para que servia, mokuso achei a explicação perfeitamente simples e racional. Simples e racional demais, até. Também eu, nessa altura, aspirava a uma explicação mais esotérica, mais misteriosa... mais ... zen?... Isso! Sim, mais ZEN.
Mas não. Não me falou de zen nenhum. Que desilusão.
Com o passar dos anos muitas outras ilusões e mal-entendidos relacionados com o budo se dissolveram com a ajuda de leituras, contactos, práticas, etc. Curiosamente, no entanto, a sua explicação permaneceu na minha memória e hoje, para mim, encontra-se de tal forma fortalecida que não consigo pensar em mokuso de outra maneira.
Outras pessoas apresentaram-me (explicaram-me até) mokuso de outras maneiras mas, mais volta menos volta, a coisa acaba sempre por aparecer, por se transformar até, na maneira simples e original que o meu primeiro sensei (de karate) me explicou.
Fazer mokuso no começo da aula, dizia ele, é deixar para trás toda a “bagagem” que carregamos connosco. As chatices do trabalho, a escola, o trânsito, em resumo, a vida fora do dojo. Só depois disso podemos verdadeiramente apreciar a viagem que empreendemos: o keiko.
(Mokuso, às tantas, e vendo de uma perspectiva mais ocidentalizada, é um pouco como fazer o check-in das malas antes de uma viagem.)
O dojo transforma-se, assim, uma espécie de lugar fora do espaço e do tempo.
Um local em que se entra de uma forma ritualizada (anacrónica, diria até) e onde as regras de etiqueta, o comportamento e até o próprio vestuário e os assessórios, talvez muito para marcar esse mesmo isolamento, são, em si mesmo, muito diferentes dos utilizados fora do dojo. Próprios e exclusivos**.
Mas voltemos a mokuso.
Outra das coisas que faz confusão a muita gente é a duração do mesmo. Vinte, trinta segundos e já está. Não parece consistente. Então se meditamos antes da aula, como é que se justifica semelhante espaço de tempo tão curto? Que raio de meditação é essa, tão curta?
É que, apesar de assumir uma posição de meditação, e de se lhe chamar por vezes meditação, e de se parecer muito com meditação... mokuso... hum... não é bem meditação. Confuso? A escola de etiqueta e boas maneiras Ogasawara ryu-reiho, como sempre, explica. A diferença está na atitude.
Segundo dizia Ogasawara Kiyonobu***, no seu livro Nihon No Reiho, seiza deve ser uma postura calmante, mas não de descanso completo. Mokuso deve reflectir aquilo a que ele chama sei-chuu-do (movimento potencial na imobilidade) e não, como acontece na meditação zen, vulgarmente conhecida como zazen, sei-chuu-sei (imobilidade dentro da imobilidade).
O mokuso final deve ter o objectivo precisamente inverso do do início.
Depois, terminada a “viagem”, é hora de ir levantar as bagagens de novo. Só que, desta vez, a pessoa que vai levantar as ditas é suposto que seja uma pessoa melhor e mais bem preparada para enfrentar o mundo que “largou” umas horas antes.
Afinal de contas, o budo não é isso mesmo?
*Só por curiosidade, o lado zen das artes marciais é o lado da frente? Não. O de trás? Não, também não?... hum... agora a sério, acerca da relação entre budo e zen recomendo vivamente o artigo “Sword and zen”, acho que se chama assim, que pode ser encontrado no livro Budo Perspectives, The Direction of Japanese Budō in the 21st Century: Past, Present, Future. (KW publications).
**Quando alguém diz que as regras da etiqueta do dojo são coisas “de japoneses” e que vivemos na Europa, é caso para perguntar porque é que usa um keikogi para treinar em vez de um fato de treino tradicional.
***Dirigente máximo da escola de etiqueta e boas maneiras Ogasawara ryu-reiho, durante parte do Período Edo.
13.1.07
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 30
Sexta-feira, 12 de Janeiro.
O tratamento do dia foi muito semelhante ao de quarta-feira: Kirikaeshi+kakarigeiko+jigeiko. Talvez um bocadinho menos duro (ou talvez já comecemos a estar habituados?), mas, no entanto, duro o suficiente para deixar alguns valentes de bofes de fora (não é, ó Sousa?*).
No fim, o senhor Osaka apenas insistiu que kakari-geiko faz muita falta a quem deseja melhorar o seu kendo.
A princípio, nas primeiras vezes que se pratica, a velocidade não é um factor importante; até se pode fazer mais devagar, a velocidade de execução deve aumentar com a prática.
MAS DEVE SEMPRE SER CERTEIRO. Não serve de nada fazer rápido e mal.
E em seguida saudou-nos e a aula acabou.
Ah... e, já agora, parabéns ao meu irmão que faz anos hoje (isto cabe tudo num mesmo post).
*O Sousa anda-me sempre a chatear porque eu nunca combato em jodan-kamae contra ele, desta vez fiz-lhe a vontade... e o pobre rapaz mal me tocou. Arrastou-se o ji-geiko inteirinho ;-D. Até lhe meti vários kote a partir de jodan... eu, imagine-se.
O tratamento do dia foi muito semelhante ao de quarta-feira: Kirikaeshi+kakarigeiko+jigeiko. Talvez um bocadinho menos duro (ou talvez já comecemos a estar habituados?), mas, no entanto, duro o suficiente para deixar alguns valentes de bofes de fora (não é, ó Sousa?*).
No fim, o senhor Osaka apenas insistiu que kakari-geiko faz muita falta a quem deseja melhorar o seu kendo.
A princípio, nas primeiras vezes que se pratica, a velocidade não é um factor importante; até se pode fazer mais devagar, a velocidade de execução deve aumentar com a prática.
MAS DEVE SEMPRE SER CERTEIRO. Não serve de nada fazer rápido e mal.
E em seguida saudou-nos e a aula acabou.
Ah... e, já agora, parabéns ao meu irmão que faz anos hoje (isto cabe tudo num mesmo post).
*O Sousa anda-me sempre a chatear porque eu nunca combato em jodan-kamae contra ele, desta vez fiz-lhe a vontade... e o pobre rapaz mal me tocou. Arrastou-se o ji-geiko inteirinho ;-D. Até lhe meti vários kote a partir de jodan... eu, imagine-se.
12.1.07
CASO ENCERRADO
10.1.07
A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 29
Quarta-feira, 10 de Janeiro 2007.
Passámos mais de metade do treino de hoje a fazer kiri-kaeshi. O resto do tempo foi gasto, uns 30%, furiosamente, em kakari-geiko, os restantes 20%, ji-geiko. Acho que posso dizer, sem correr o risco de alguém me contradizer, que ficámos todos feitos em papa.
Se alguém esperava uma grande explicação metafísica para o treino ter sido tão desgastante, então deve ter ficado desiludido, pois no fim, o senhor Osaka apenas nos disse que kiri-kaeshi é muito importante, além do que, se queremos elevar o nível do nosso kendo, também temos de melhorar o nosso kakari-geiko (leia-se, fazer muito kakari-geiko).
Não há dúvida que é mesmo japonês, este.
À laia de conclusão gostava imenso de citar o capitão da equipa americana (que derrotou, pela primeira vez em 36 anos de campeonatos do mundo, a equipa japonesa) acerca da preparação que os elementos da mesma tiveram. Diz o senhor Cris Yang, rokudan, num post de um fórum de kendo:
"We had a trainer that created various cardio and strength training exercises for us.
However, I strongly believe that the best way to improve in kendo is through practicing kendo. This includes fundamentals (suburi, suriashi, etc.) as well as dedicating a large amount of time to basic kihon uchi and waza renshu.
In addition, in order to increase speed and endurance, kakari-geiko and oikomi are important (...)."
Okini pela vossa atenção e... abayo.
Passámos mais de metade do treino de hoje a fazer kiri-kaeshi. O resto do tempo foi gasto, uns 30%, furiosamente, em kakari-geiko, os restantes 20%, ji-geiko. Acho que posso dizer, sem correr o risco de alguém me contradizer, que ficámos todos feitos em papa.
Se alguém esperava uma grande explicação metafísica para o treino ter sido tão desgastante, então deve ter ficado desiludido, pois no fim, o senhor Osaka apenas nos disse que kiri-kaeshi é muito importante, além do que, se queremos elevar o nível do nosso kendo, também temos de melhorar o nosso kakari-geiko (leia-se, fazer muito kakari-geiko).
Não há dúvida que é mesmo japonês, este.
À laia de conclusão gostava imenso de citar o capitão da equipa americana (que derrotou, pela primeira vez em 36 anos de campeonatos do mundo, a equipa japonesa) acerca da preparação que os elementos da mesma tiveram. Diz o senhor Cris Yang, rokudan, num post de um fórum de kendo:
"We had a trainer that created various cardio and strength training exercises for us.
However, I strongly believe that the best way to improve in kendo is through practicing kendo. This includes fundamentals (suburi, suriashi, etc.) as well as dedicating a large amount of time to basic kihon uchi and waza renshu.
In addition, in order to increase speed and endurance, kakari-geiko and oikomi are important (...)."
Okini pela vossa atenção e... abayo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



