31.10.06

PEQUENO DICIONÁRIO JAPONÊS-PORTUGUÊS (LIGEIRAMENTE) ILUSTRADO DE KENDO - A


Eis a letra A. “A” como:

Agari (subs.) Apreensão ou nervosismo, p.e. antes da primeira experiência de competição ou antes de um torneio particularmente importante, que provoca perda de balanço mental e físico.

Age-gote (subs.) Golpe num dos pulsos do adversário (kote) quando as suas mãos se encontram elevadas acima da guarda Chūdan (mais exactamente, numa posição igual ou acima do mune-do).

Ai-chūdan (subs.) 1. Quando dois praticantes assumem a guarda Chūdan antes de um combate, prática ou kata. 2. A posição que se assume sempre que se começa ou recomeça um combate durante o shiai.

Ai-gedan (subs.) Quando dois praticantes assumem a guarda Gedan antes de um combate, prática ou kata.

Ai-jōdan (subs.) Quando dois praticantes assumem a guarda Jōdan antes de um combate, prática ou kata.

Ai-ki (subs.) Estado de sintonia com as sensações do adversário. Uma atitude complementar à do opositor. Durante um confronto é preciso manter uma atitude oposta à do adversário até ao último instante do combate; p.e. quando um adversário é forte devemos mostrar-nos fracos, quando ele é fraco devemos atacar vigorosamente. Este princípio denomina-se, em japonês, Ai-ki-wo-hazusu (evitar ai-ki). Visto que os combates de artes marciais são decididos quando o ki de um dos oponentes iguala o do outro, não estar em sintonia com o (ki do) adversário, será a base do sucesso num desafio. Ver Ai-ki-wo-hazusu.

Ai-ki-wo-hazusu (v.) Evitar situações de ai-ki. Atitude correcta durante um combate. Ver Ai-ki.

Aisatsu (subs.) Saudações e conversação de etiqueta, incluindo expressões de parabéns, agradecimentos e camaradagem. Etiqueta e respeito para com os colegas kendokas são aspectos importantes do kendo. Ver Rei.

Ai-tai-suru (v.) Enfrentar o adversário.. Ai-te (subs.) Designação do opositor em competição, prática ou Kata. Também Shiaiaite (adversário de competição) ou Keikoaite (adversário de prática).

Ai-uchi (n.) 1. Situação em que ambos os opositores conseguem yūkō datotsu (golpes válidos) simultaneamente. (Durante uma competição nenhum dos golpes é considerado válido, visto que anulam-se mutuamente). 2. Situação em que ambos os opositores falham simultaneamente yūkō datotsu.

Amasu (v.) Prever as intenções do adversário quando ele inicia uma técnica e recuar com calma e compostura (deixando algum espaço que o “convida” a prosseguir) e colocar-se assim numa posição de vantagem face ao mesmo.

Ashi-gamae (subs.) Posição dos pés; posição e relação entre os pés que permita responder instantaneamente aos movimentos do opositor.

Ashi-haba (subs.) Distãncia entre os pés quando em ashi-gamae Ashi-hakobi (subs.) Ver Ashi-sabaki.

Ashi-sabaki (subs.) Os quatro tipos de deslocação usados para atacar ou evitar um ataque: Ayumi-ashi, Okuri-ashi, Hiraki-ashi e Tsugi-ashi.




















Ataru (v.) Acertar, atingir o alvo.

Aun-no-kokyu (subs.) Respirar em sintonia com o adversário. Ao executar kata, estar em sintonia com o ritmo e as particularidades do colega. A letra “A”, de “aun”, significa expirar e “un” significa inspirar. Além disso, em Sânscrito, “a” é o primeiro letra/som e é dito com a boca aberta e “un” é a ultima letra/som do alfabeto e é dita com a boca fechada, juntas, simbolizam o princípio e o fim de todas as coisas.

Ayumi-ashi (n.) Tipo de deslocação no kendo, que permite percorrer maiores distâncias mais rapidamente. Ver Ashi-sabaki.

29.10.06

VOLUNTÁRIOS EURO 2007

Aí está.

Para os (muitos?) que se andavam a queixar nos últimos tempos que não sabiam como, e quando, se poderiam voluntariar para a organização do Europeu 2007, notícias frescas: o processo de voluntariado COMEÇOU.

Vão até ao site da Associação, www.kendo.pt, e lá podem preencher online a respectiva ficha de inscrição.
Tanta tanga, tanto blábláblá, agora vamos lá a ver quantos é que estão dispostos a dar o corpinho ao manifesto.

28.10.06

CORREIO KENDIMENTAL 1


Caro Correio Kendimental:

Quero comprar um shinai novo mas não percebo nada disto. Estou muito confusa com todos estes nomes que aparecem nos sites e nos catálogos dos vendedores.
Madake, chokuto, koban... as designações não faltam.
Afinal que tipo de shinais existem e como é que se pode saber o que é o quê?

Peço desculpa pela ignorância e por perguntar uma coisa que toda a gente sabe.

Ass.: Sonhadora do Dojo


Cara Sonhadora:
A sua pergunta é muito mais frequente do que pensa e há muito boa gente que não sabe nem sonha, como diria o outro.


Então, como diria um esquartejador, vamos por partes:
Os shinais, antes mais nada, dividem-se de duas maneiras distintas, consoante: o tamanho e o formato.

Assim, no que diz respeito ao tamanho, temos dois géneros: o daito e o shoto.
O daito é um shinai com um tamanho maior ou igual a 114 cm de comprimento.
O shoto é um daqueles shinais mais pequenos usados apenas pelos praticantes de nito-ryu e deve ter um comprimento menor ou igual a 62 cm.

E, no que ao tamanho respeita, estamos aviados.

Passemos então aos formatos do shinai.
Também aqui, existem apenas dois géneros de shinais: dobari e chokuto.
O dobari é mais largo junto da zona da tsuba e mais fino na zona mais extrema, próxima do sakigawa. O peso também é mais concentrado “atrás”, junto do punho.
O chokuto, esse, é mais uniforme no formato e o peso também é dividido mais uniformemente por todo o corpo do shinai.

Como viu não é nada difícil. Há uma outra designação que aparece por vezes nos catálogos de material e que é koban.
Koban significa apenas que o shinai em causa, que pode ser dobari ou chokuto, tem uma tsuka de formato oval, mais nada.

Tudo o resto que ler ou ouvir acerca de um shinai não são características intrínsecas do mesmo, mas possivelmente de materiais e técnicas de fabrico; por exemplo, um shinai madake, é um shinai fabricado com um tipo de bambú japonês de alta qualidade chamado, curiosamente, madake; se ouvir alguém dizer que tem um hasegawa, isso quer dizer que é um shinai feito em fibra de carbono, etc, etc.

No que diz respeito à sua utilização, um dobari é (normalmente) mais aconselhado para competidores, enquanto o chokuto é o preferido de muitos senseis mais avançados para os quais a componente competitiva já não tem grande valor.

A maior parte dos shinais que se pode comprar no mercado não especializado, chamemos-lhe assim, sport-zones e decathlons e quejandos, são misturas (maiores ou menores) dos dois tipos referidos; embora frequentemente estejam mais próximos do chokuto que do dobari.

E agora, cara sonhadora, compre lá o shinai, menos sonhos e mais keiko.


Caros leitores, se desejarem saber alguma coisa sobre os fait-divers do kendo façam como a "Sonhadora do Dojo" mandem um e-mail para IMDRabbit@hotmail.com, escrevam CORREIO KENDIMENTAL no subject da mensagem e exponham o vosso problema ou dúvida. Desde que tenha a ver com kendo, a redacção do blog fará tudo o que for possível para responder às vossas questões (nem que para isso se recorra ;-) ao Sensei Osaka, claro).

26.10.06

UM "NOVO" FORUM DE ARTES MARCIAIS

Já não é assim tão novo quanto isso, mas ainda está a arrancar.

Trata-se do forum criado pela e-bogu Portugal e pretende ser o local de encontro dos praticantes de artes marciais nacionais.
É um bom local para mandar uns "posts de pescada" sobre temas tão variados como kendo, karate, iaido, aikido, jogo do pau e muito mais.

É assim como ir ao café num centro comercial.
Fala-se, discute-se e depois, se assim se desejar, pode-se ir fazer umas compras.

A e-bogu foi criada pelo sensei Taro Ariga (kendo rokudan) e é um dos maiores fabricantes/vendedores do mundo de material para artes marciais e não, não me pagaram nada para colocar este post aqui.


http://forum.e-bogu.com.pt/

Ah, e parece-me que ainda estão à procura de moderadores para certas artes marciais.

KENDO DO OUTRO MUNDO


Umas asinhas e era um anjinho perfeito.

Eis a prova, se dúvidas houvesse, que até as entidades divinas praticam kendo.
Esta foto faz parte do portfolio do Fred e pode ser encontrada, e mais uma data delas, aqui:


http://flickr.com/photos/frederico/270405508/in/set-72157594329583311/

25.10.06

14º WKC NO BRASIL

" Blade Runner tropical"

Ainda o 13º Campeonato do Mundo de Kendo não arrancou e já se fala acerca do 14º, que deverá ter lugar, segundo as normas da Federação Internacional de Kendo, num país do continente americano.

Até ao ano passado o grande pretendente a hospedar o campeonato de 2009 era o Hawaii, no entanto, a federação local "roeu a corda" algures durante o segundo semestre de 2005 e desistiu do evento.

Como se diz, "chegaram-se à frente" os brasileiros. Segundo as fontes deste blog, geralmente bem informadas e colocadas ao mais alto nível na European Kendo Federation, consta que a Confederação Brasileira de Kendo aceitou acolher o campeonato depois de um acordo ter sido atingido com, nomeadamente, a Federação Americana que deverá ajudar a custear a coisa.

Ora aí está uma bela ideia! Devíamos fazer o mesmo com a federação europeia a respeito do próximo europeu de Lisboa. Ou então, pelo menos, "chulávamos" os espanhóis, que estão aqui mesmo ao lado. Ah, queres campeonato? Então, nós fazemos mas TU tens de NOS pagar.

Enfim, brincadeiras à parte parece que é definitivo, os 14ºs WKC terão lugar em S. Paulo em 2009.

Pelo menos, e mais que não seja, come-se bem. Para além disso, não estou assim a ver grandes atractivos mais...

24.10.06

A “ESPADA SAMURAI”

Ontem começou a semana das artes marciais do National Geographic Channel.
O trabalho de abertura dedicado à katana foi, acho que lhe podemos chamar assim, sofrível.

Quando é que alguém se irá decidir a fazer um documentário DECENTE sobre a espada japonesa? Que raio, nem a National Geographic?
É que, por um lado, a reportagem até se debruça de uma maneira competente e extremamente interessante sobre a concepção e criação da espada por parte de um dos actuais ferreiros ainda em actividade.

Mas por outro, tudo o resto, o envolvimento e suposta explicação das origens e da mística da katana, descambou irremediavelmente (?) numa imitação pobrezinha (e em “câmara-lenta”) das séries de TV japonesas de chambara*.


Se tirarmos as encenações historico-irrealistico-foleiras, alguns tame-shigiri bastante merdosos e o número de circo em que a filha atira setas contra o pai, o qual se defende usando apenas a espada, pouco tivemos que valha a pena.

Mas felizmente ainda tivemos.
Um dos segmentos do documentário apresentava um excerto minúsculo de um keiko de iai bastante interessante.

Foi pena, porque a parte da feitura da espada até foi gira e merecia um bocadinho mais de “trabalho” à sua volta.

De resto, mal posso esperar pelo monge do kung fu em Nova Iorque e pelo especial sobre Armas Chinesas do kung fu que dão continuidade a esta “semana” das artes marciais.

Estou aqui que não me aguento.

P.S.: Não existe nenhuma, como os comentadores portugueses no programa frequentemente referem, “espada samurai”. Provavelmente, é só mais uma das excelentes traduções com que somos diariamente brindados nos canais-cabo. “The samurai sword”, em inglês, significa “a espada DO samurai”.
Porque como o possessivo “apóstrofo+s” não se aplica se a palavra seguinte começar, também ela, por “s”, quando os comentadores americanos convidados dizem “the samurai sword” (e não, claro, “the samurai’s sword”), o que querem dizer é “a espada DO samurai”.

Samurai, que eu saiba, não é nenhuma marca ou tipo de espada. Cretinos.

*Aventuras de samurais.


22.10.06

MEN (BY PLAYMOBIL?)

Andava eu a "dar umas voltinhas pela net" quando me deparei com um filminho muito interessante. Nele, e durante uma demonstração na Coreia, um grupo de jovens apresentam-se equipados com um “men” completamente diferente do habitual.
A demonstração, perfeitamente normal, não teria nada que valesse a pena comentar, não fosse a presença daqueles “novos” equipamentos de protecção.
Fiquei curioso e como sabia que alguns dos membros do forum kendo-world são praticantes coreanos e “coreano-descendentes”, na esperança de obter mais informações sobre o material em causa, coloquei um post no dito forum.
O resultado resumiu-se a 12 páginas de polémica, ofensas e “gritos”.
Não querendo repetir aqui o “feito”, aqui deixo, no entanto, o link para o filme em causa:
http://www.youtube.com/watch?v=pfoNFXnN7zQ
Para além de parecer um "capacete" criado para os bonecos da Playmobil, digam vocês de vossa justiça.

Eu, por acaso, até gosto...
... mas gosto mais dos actuais... acho eu.

19.10.06

O “KEN“ É FÁCIL DE SE VER; ONDE É QUE ESTÁ O “DO”?

ou

Os devaneios de um kendoka quando impossibilitado de praticar.

O “ken” do kendo, creio que todos concordarão, está à vista. Com maior ou menor dificuldade todos conseguimos aperceber, pelo menos, o que é necessário para que o “ken” seja praticado.
E todos os que praticam, do mesmo modo, com maior ou menor dificuldade, serão unânimes em concordar que, bem vistas as coisas, o “ken” é até bastante limitado e não é, digamos, nada do outro mundo.
Se tivermos em consideração que, independentemente das “variações” migi, hidari, morote e katate, temos à nossa disposição, basicamente, apenas quatro ataques diferentes, o “ken” não surgirá aos nossos olhos como uma actividade muito complexa ou elaborada.


Para não falsear a informação, podemos até ser um bocadinho mais exigentes e juntar à “lista técnica” os diferentes grupos de técnicas de bloqueio e antecipação.
Assim, temos: oji-waza e debana-waza... ah e, já agora, também hiki-waza, claro; e assim... de utilização frequente... pouco mais temos.


Para comparar com o judo por exemplo, digamos que, no capítulo das projecções, sem contar com imobilizações no solo e estrangulamentos, a arte de Jigoro Kano deve ter o dobro ou o triplo dos ataques do kendo, se calhar mais.

Mas porque é que uma coisa, aparentemente, assim tão simples é, na realidade, tão difícil? (parece-me que já perguntei isto antes) Acho que a resposta se encontra na parte que falta da palavra kendo.
Na sílaba “do”. Senão, vejamos, é tudo um problema de perspectiva:

“Ken” é o shinai, é o waza que o shinai executa. “Ken” é jutsu, é o melhor ou pior domínio de cada waza. “Ken” é o corpo, o espaço e as deslocações do corpo no espaço. Certo?
“Ken” é shiai (absolutamente!!!).

“Do” é tudo o resto. “Do” é o que não se vê. É rei-ho, zanshin e kigurai; “Do” é ki, seme, kizeme, tame e, em último caso, sutemi-no-itto (será? parece-me que sim). Correcto?
“Do” é kata (será???).

“Ken” é o que se vê. “Do” é o que se sente (esta gosto, saiu bem...).

Sem “do”, o “ken” não passa de uma série, mais ou menos bonita conforme o executante, de habilidades e malabarismos.
Mas por seu lado, sem “ken”, o “do” não passa de um amontoado de conceitos vagamente filosóficos mas completamente inúteis.

Os dois não podem passar um sem o outro, estão condenados a complementar-se.
Afinal, de que serve existir um caminho se não existir um corpo para podermos caminhar? Por outro lado, de serve saber caminhar se não existir um caminho? (muito filosófico, hein? Faz-me lembrar aquela da árvore que cai na floresta e se ninguém... hum... enfim... adiante)

A falta de um dos dois elementos leva inevitavelmente ao desequilíbrio do praticante, tal como, aliás, este post faz prova ;-).

17.10.06

SELECÇÃO NACIONAL 2006

Esq. p/ dir.:
Paulo Martins, Nuno Ricardo, Luis Sousa, Henrique Martins, Sérgio Andrade.

Eis finalmente uma fotografia de conjunto da selecção que vai representar o nosso país em Dezembro deste ano em Taiwan. O torneio não vai ser fácil para nenhum deles, mas o essencial é termos a certeza que, quaisquer que sejam os resultados, não nos envergonharão.

Gambatte.

16.10.06

TERMINATOR


Com o seu ar sempre despachado, eis o Joni (The Terminator) em acção, a terminar um daqueles seus combates que duram à volta de 18 segundos e meio. Sete segundos para preparar e marcar cada ippon e mais seis segundos e meio de conversa para o árbitro começar, validar os pontos e acabar o combate.
Adversário, sejas lá quem fores, agora não digas que não levaste.
Esta é apenas uma das trinta e tal fotos do Frederico que pode encontrar em: http://flickr.com/photos/frederico/270405508/in/set-72157594329583311/

15.10.06

OS ELEITOS 2005/2006

Os Eleitos

Eis então os vencedores da Eleição 2005/2006 exibindo os seus diplomas de mérito:

Esq. para dir.:
Joni Duarte (Menção Honrosa: O mais votado mas que não ganhou coisa nenhuma) ;
Nuno Ricardo (Kendoka do Ano);
Rui Araújo (Kendoka Revelação).

Esta foto foi subrepticiamente roubada da página que o Pedro criou de propósito para afixar todas as que tirou durante o Torneio de Lisboa 2006 e podem/devem ser vistas aqui: http://torneiolx06.blogspot.com

ERRATA

Claro que isto, já se sabe, vai acontecer cada vez mais, afinal, a idade não perdoa e ninguém está a ficar mais novo.

Muitas horas a arbitrar+senilidade= asneira.

Relativamente ao último post, e acerca dos campeonatos que faltam nesta temporada, é lógico que o próximo evento NÃO É o campeonato de "repescagem" para as últimas posições na selecção nacional.


É sim, obviamente, e conforme o estipulado no Regulamento Interno para Competições e Selecção Nacional da Associação Portuguesa de Kendo, o torneio dos 24 melhor classificados que proporciona um lugar directo na selecção aos dois colocados no topo da tabela.

Depois sim, teremos o então referido apuramento final com os dez melhores do ranking nacional para definir os quatro lugares restantes da selecção.
Apuramento que, como se lembrarão, se realiza num torneio "à japonesa", em que cada participante têm de fazer nove combates, ou seja, todos contra todos.

Pronto, está feita a emenda.

Sumi masen, sumi masen.

14.10.06

TORNEIO DE LISBOA 2006 (INCLUI USAGI SAN AWARDS)

Pois, mais um que já lá vai. Decorreu hoje e os resultados oficiais foram os seguintes:

Classif.: Nuno Ricardo
Classif.: Paulo Martins
3ºs Classifs: Sérgio Andrade e Henrique Martins

Fighting Spirit: Pedro Marques e Valdemar Domingos

E agora, os resultados oficiosos, os "famosos" Usagi San Awards:

Fighting Spirit Award:
Tiago Veiga (o espírito estava lá todo, só faltou descernimento técnico)
Frederico Martins (idem idem, aspas aspas)

Technical Award:
Joana Almeida (o melhor de-gote executado esta tarde na área da Junta de Freguesia do Alto do Moinho)

Quatro Prémios Variados:
Começamos com um prémio que poderia chamar-se Prémio Teimosia E Presunção, ou então, Prémio Queria Tanto Marcar Debana Kote Mas Ninguém Me Compreende e vai para 85% a 90% dos participantes deste torneio.
Passamos para o Prémio Porra, Porra, Porra, Que Os Meus Hiki-Do São Tão Bonitos Porque É Que Não Marcam??? e esse vai para o nosso campeão do dia, Nuno Ricardo.
Mais um prémio, este para o segundo classificado da geral, o Paulo Martins, e é o Prémio Lá Te Safaste Finalmente E Marcaste Um Hiki-Men Mas Ainda Nem Sabes Muito Bem Como É Que Foi.
Para acabar em beleza, surge por fim o Prémio Árbitro-Ladrão, Estás A Dormir Durante A Competição De Equipas, Ou Quê? vai para mim e para o Nuno Serrano pela fantástica gaffe que cometemos ao atribuir o Ippon ao Joni, quando Sérgio tinha o shinai encostado ao tsuki-dare do dito.

E com este torneio terminou mais um "calendário regular" da APK. Resta agora apenas o Torneio de "repescagem" para saber quem serão os últimos escolhidos para a selecção que representará o país nos Campeonatos Europeus de Abril, que decorrem como se sabe, cá em Lisboa.

Neste torneio foram, por fim, entregues os Prémios Kendoka do Ano e Kendoka Revelação referentes à época 2005/2006.
Uma iniciativa deste vosso escravo que contou com o apoio enérgico da direcção da APK (e o apoio involuntário da Joana Faria, directora de arte e amiga que trabalha Y&R - Red Cell).

E os vencedores foram (eleitos pelos seus pares):

KENDOKA DO ANO:
NUNO RICARDO

REVELAÇÃO:
RUI ARAÚJO

Menção Honrosa:
(o mais votado no conjunto das duas categorias mas infelizmente não ganhou nenhuma)
Joni Duarte

Assim que possível serão publicadas aqui as fotos com os vencedores.

Até lá... keiko, mais keiko.... e depois keiko.

Abayo.

12.10.06

A AVE RARA 3

Ora aqui está um "rapaz" que teria dado um excelente kendoka.
Kamakura 2005. Foto Usagi San.

Ave ainda mais rara que o Kendum Principiantis, o Kendokam Intermedius (Vulgo: Kendoka Regular) é aquele que não desistiu e, de entre os cinco ou seis que ao mesmo tempo consigo começaram, o único que continuou a treinar.

E o Kendokam Intermedius pode ser a chave para entendermos todo este processo. Apesar de ter percebido que o kendo não lhe vai trazer quaisquer benefícios materiais ou reconhecimento social, não lhe vai (provavelmente) servir como meio de auto-defesa e também não faz dele, com certeza, nenhum Tom Cruise (ou uma Uma Thurman), apesar de tudo isso, há (ou houve num determinado momento do keiko) algo que diz ao Kendokam Intermedius que deve continuar a praticar.

Abro aqui um pequeno parêntese para vos contar uma história: um dos kendokas que eu mais admiro no dojo de Lisboa é o Jaime. O Jaime já não é nenhum jovem e nos primeiros dias em que o vi no dojo, reparei que ele tinha algumas dificuldades no capítulo de condição física. Olhei para ele e “dei-lhe” um mês. Há tantos meses que isso foi. O Jaime percebeu o que queria do kendo, recebeu o seu kendo-gu e todos os dias treina para atingir os seus objectivos.
Não tem a mania dos samurais e, que eu saiba, não vai ser protagonista de nenhum “Kill Bill 3”.
Eu não sei o que ele retira do treino de kendo, mas ele sabe.
E, dito isto, fecho o parêntese.

O semiólogo Roland Barthes, no seu livro A Cãmara Clara, refere-se à fotografia como algo que não pode existir por si só. Para ele, a fotografia em abstracto não existe. Só existe fotografia quando se fotografa algo, quando há um sujeito (mesmo que esse sujeito possa aparentemente ser abstracto).
Acredito que algo de semelhante se passa com o kendo.

Kendo keiko desu.

Não há kendo abstracto. Tal como para Barthes a fotografia não existe sem o objecto fotografado, o kendo não existe sem a sua prática. A compreensão do kendo não se transmite teoricamente, mas sim única e exclusivamente através sua prática.
É por isso que, para mim, fazer mitori-geiko, por exemplo (como tenho feito nos últimos tempos devido à minha tendinite), só faz sentido se existir uma perspectiva de keiko no futuro.
É claro que se pode falar, ler, reflectir, discutir sobre kendo, etc, mas, em última análise, se não houver uma aplicação prática posterior acerca do que se falou, leu, reflectiu ou discutiu, então, na minha opinião, tudo isso não serviu rigorosamente para nada.

Pois a verdade é que kendo É keiko.
E o objectivo é fazer com que o keiko de hoje seja melhor do que o de ontem. Nesse sentido, o kendo não tem outro motivo senão ele próprio. E é isso que é difícil de compreender e, mais ainda, de explicar, por exemplo, a um principiante.
Como é que se explica que o objectivo do treino de hoje é permitir treinar melhor amanhã?

Fazer kendo, e continuando no espírito de R. Barthes, é como fazer todos os dias um auto-retrato. Uma foto que deve evoluir e modificar-se a cada treino.

Eu parece-me que a competição, sobretudo para os mais jovens, pode ser uma boa maneira de os levar a entrar nas vizinhanças do kendo, digamos assim. É muito interessante, pode ser importante mas, no entanto, não creio que seja essencial para a formação de bons kendokas.

A meu ver, mais tarde ou mais cedo, e uma vez terminada a carreira como desportista, esse hipotético praticante, tal como todos os outros, vai ter de fazer a mesma escolha que consiste em continuar a treinar ou não. Já não pelas medalhas, mas tão só pelo prazer que o treino em si próprio proporciona e, claro, por outro lado, pelo esforço, agora já não “recompensado”, que tal decisão acarreta.

Estamos inevitavelmente diante da diferença entre desporto e budo. Esse praticante (dedicado, até aí, ao “desporto-do-kendo”), de certa maneira, ainda não começou a fazer budo. Ganhar ou perder pode ser muito importante, mas os tempos em que o uso da espada culminavam de forma dramática com “um gesto, uma vida” já lá vão, logo, ninguém deve ficar dermasiado satisfeito consigo próprio só porque ganhou um combate.
Até porque a competição hoje é mais uma demonstração de “jutsu” (técnica), chamemos-lhe assim, do que propriamente de “do” (via).

Mas qual é então a utilidade do kendo?
A resposta é muito simples: Melhorar. Para, ao aprofundar a dimensão simbólica do conflito, melhor o entender e daí retirar eventuais lições para a vida do dia-a-dia. Para melhor nos dar a conhecer a nós próprios. É isso afinal, a que O Objectivo de Praticar Kendo da ZNKR se resume.

O kendo é um auto-retrato que pode contribuir para revelar de uma maneira simples mas cruel, muitas das nossas insuficiências, por isso, um bom kendoka é um falhado magnífico.
É alguém que reconhece (e aceita) as suas falhas e compreende que o mais importante é tentar corrigir pacientemente essas insuficiências e apostar constantemente na formação de um "eu" que seja, ao mesmo tempo, física, intelectual e socialmente melhor.
Um keiko de cada vez.

8.10.06

A AVE RARA 2

Em 1975, a Federação Japonesa de Kendo criou o Conceito Oficial de Kendo e o Objectivo da Prática e “pôs no papel” aquilo que o kendo é, idealmente, suposto ser*:

O CONCEITO DO KENDO
Disciplinar o carácter humano através da aplicação dos princípos da katana.

Acerca deste aparentemente simples parágrafo, por exemplo, muitos são os que ultimamente têm manifestado as suas dúvidas e reticências sobre o que significa exactamente, em pleno século XXI, a expressão “aplicação dos princípos da katana”. Até porque, como dizem os seus críticos, o kendo não é uma arte marcial assim tão antiga como isso e nos últimos cem anos sofreu bastantes modificações, tendo em vista torná-lo mais acessível e socialmente aceite.

E se o Conceito Oficial de Kendo, demasiado vago (quais são:”os princípios da katana”’?), não é de grande ajuda para que os principiantes, eventualmente os mais curiosos, possam saber o que esperar quando se iniciam na prática da modalidade, o Objectivo da Prática, por seu lado peca, na minha modesta opinião, por aparentemente não se tratar de mais do que uma interessante declaração de boas-intenções:

O OBJECTIVO DE PRATICAR KENDO
Moldar a mente e o espírito,
cultivar um espírito vigoroso
e, através de um treino correcto e exigente,
esforçar-se para melhorar na arte do kendo.
Estimar a cortesia humana e a honra,
associar-se com os outros com sinceridade
e buscar sempre o auto-melhoramento.
Isso permitirá que se possa:
Amar o seu país e a sociedade,
contribuir para o desenvolvimento da cultura
e promover a paz e a prosperidade entre os povos.

E é tudo o que há para se dizer quando a pergunta surge de novo, cada vez mais incómoda:
Afinal para que serve ou o que se ganha em treinar kendo?

Quando se começa a treinar kendo tudo é anti-natural.
Cada gesto, por mais pequeno que seja, é um desafio físico e intelectual gigantesco. E a cada tentativa executada, os erros, em vez de serem gradualmente eliminados, parecem antes acumular-se. Situação que, aliás, e diga-se a bem da verdade, se mantém durante toda a vida do praticante.
Ao fim da primeira semana de treinos, 90% dos principiantes já tem bem estampada no rosto uma questão que, por mais que tente, não lhe sai da cabeça e que pode ser elaborada mais ou menos assim: “Mas o que diabo estou eu a fazer aqui?

Por esta altura, qualquer pessoa menos familiarizada com o treino típico do kendo, deve estar a perguntar-se que raio se passa de errado com a metodologia do mesmo.
Bom, não sei responder a essa pergunta. Mas quanto à outra, a primeira, tenho uma ideia ou duas que gostava de partilhar convosco.

E, a meu ver, até é bastante simples.

(Conclui no próximo post: A AVE RARA 3 ou O Kendokam Intermedius)

*Retirado do site da Zen Nippon Kendo Renmei

5.10.06

A AVE RARA 1

Como as imagens do Kendum Principiantis são raras (e muitos caras)
optou-se pelo uso de uma imagem de um Pássaro-Dodo.

O Kendum Principiantis (nome vulgar: principiante de kendo) é uma ave muito peculiar e tão poucas vezes avistada que é frequentemente tida como extinta.

Em certas épocas porém, como aquela que atravessamos, e que corresponde ao fim do verão e início do ano lectivo, ou por vezes por voltas de Janeiro (resoluções de ano novo?), o principiante de kendo faz a sua aparição nos dojos.

Um especimen de cada vez, timidamente, pequenos grupos de Kendum Principiantis atravessam a porta de entrada com aquele ar reveledor de um misto de curiosidade, receio e desejo.
Nos seus olhinhos inocentes não consigo ainda, na maior parte das vezes, e ao fim de tantos anos, vislumbrar o motivo que os levou até ali.

Já (mais do que?) uma vez “filosofei” neste blog acerca dos motivos que levam o português “comum” a embarcar numa aventura exótica como é começar a praticar kendo e não o vou fazer mais uma vez agora. Mas como estamos a atravessar uma fase de concentração de Kendum Principiantis gostaria, no entanto, de reflectir um bocadinho acerca destas fascinantes criaturas. Perguntas como “o que os faz entrar nos dojos de kendo?” ou “porque permanecem tão poucos?” são aquelas que mais imediata e forçosamente surgem.

No entanto, depois de apenas alguns momentos de reflexão, as respostas, como sempre, aparecem simples, óbvias e plenas de uma verdade dura e incontornável. E a grande verdade é que o Kendum Principiantis, na maior parte dos casos, não sabe ao que vai.

Desde os últimos samurais, kill bills e zatoichis do cinema até à manga como os rurouni kenshins e vagabonds, passando por documentários do discovery channel, mais ou menos mal paridos, e personagens de role-play, os motivos que levam o principiante de kendo até ao dojo são os mais variados. O brilhozinho nos olhos da paixão pelo exótico e pelo desconhecido, tão bem camuflado no princípio, demora pouco, no entanto, a transformar-se, na maior parte dos casos, numa expressão de desapontamento bem visível agora em toda a face.

O kendo, que parecia um ser acessível e fácil e simples, é afinal um/uma amante exigente e rigoroso/a. Uma entidade que, afinal, exige muito quer fisíca quer intectualmente e que APARENTEMENTE retribuiu muito pouco ou nada.

Ao contrário de muitas outras artes marciais no kendo, por exemplo, não há “cintos”. A típica “cenoura” que incentivaria o Kendum Principiantis a “puxar o carro” não está lá. Tradicionalmente, as graduações de kyu são teoricamente existentes mas, na prática, irrelevantes. O primeiro momento de verdadeiro teste é, para a grande maioria, o exame de shodan*, depois de, no mínimo e com sorte, um ou dois anos a treinar “sem recompensas”.

E a treinar o quê? À primeira vista, uma arte marcial sem quaisquer objectivos práticos.

Um anacronismo total e absoluto. Ou não?

(CONTINUA)
* Nalguns locais, no entanto, os exames de kyu são feitos e parece terem cada vez mais adeptos. Mas mesmo nesses lugares, não há a prática do uso de cintos de cores.

3.10.06

SORTEIO INDIVIDUAIS 13º WORLD KENDO CHAMPIONSHIPS

Cá está, cá esão eles. Agora é muita oração a Nossa Senhora do Caravaggio

Na competição individual a coisa TAMBÉM está linda: o Paulo e o Sérgio, sobretudo, foram "brindados" logo com um japonês cada um, na 1ª volta.

Malta, divirtam-se. Que inveja.

SORTEIO EQUIPAS 13º WORLD KENDO CHAMPIONSHIPS

Quem será o infeliz que vai este ano levar com o Cris Yang?


Eis finalmente o sorteio das pools para os 13ºs Campeonatos do Mundo.
Portugal apanha com os cámones e os americanos logo na primeira ronda.
A grande vantagem é que da "nossa" pool saem dois classificados. Com os americanos não há nada a fazer, portanto, "só" têm de ganhar aos bifes e passam logo à segunda ronda.

28.9.06

BREVE SINOPSE DA HISTÓRIA DO KENDO MODERNO

Depois de muito trabalho tenho o prazer de anunciar que estará em breve disponível no site da revista kendo-world (www.kendo-world.com) a principal responsável pela tendinite que actualmente me aflige.
Trata-se da tradução para português do excelente artigo da autoria do Dr. Alex Bennett intitulado "A Brief Synopsis of the History of Modern Kendo".
Dez páginas de pura informação, alguma dela inédita, sobre o kendo desde a Restauração Meiji até aos nossos dias.

Quando eles mudarem o visual da página. Em breve.

26.9.06

EIGA NAOKI



Vale a pena ir ver e fazer o download de cada uma das 4 partes em que este documentário, produzido pela NHK, está dividido.
É um documento sobre a "vida e obra" de Eiga Naoki, Campeão do Mundo em 2000 (individuais e equipas em LA) e em 2003 (equipas em Glasgow).
Claro que não é nenhum Miyazaki Masahiro (mas isso mais ninguém é, senão o próprio) mas, a sério, é muito bom. Mesmo.

Sigam até:
http://www.yorku.ca/kendo/cgi-bin/board/board.cgi?id=Kendo&action=view&gul=655&page=2&go_cnt=0

e toca a descarregar e a curtir.

Ah... e durante o documentário, quem conseguir ver-me e ver o Nuno Serrano e o Paulo Martins ganha um doce.

19.9.06

STOP

Esta NÃO é a minha radiografia, só achei que ficava bem como ilustração.
Mas é muito parecida.

Desta vez é que é.
Este blog vai ter mesmo de ficar suspenso durante uns tempos.
O meu rico ombro direito pifou de vez. O médico ordenou-me pelo menos 5 metros de distãncia de teclados de computador.
Medicação, fisioterapia e, em último caso, operação serão os meus únicos keikos para o futuro mais próximo.
Divirtam-se. Vemo-nos por aí.

12.9.06

O KENDO É LINDO.

A vertente desportiva do kendo é, a meu ver, uma das mais interessantes formas de demonstrar a vitalidade (ainda) existente nesta incrível actividade de que tanto gostamos.

A foto acima refere-se aos 23º Campeonato Japonês Inter-regiões de Kendo para "Donas-de-casa", que se realizou no Budokan deTokyo a 17 de Julho de 2006.

Quantas outras artes marciais se podem orgulhar de semelhante coisa?

Da competição que, creio, só se realiza por equipas, ficam para a história deste budo verdadeiramente adulto, os seguintes resultados:

1º lugar: Mie
2º lugar: Tokyo-A
3º lugar: Kagoshima and Fukuoka

Fighting Spirit: Gifu, Saitama, Osaka and Hiroshima

Cada vez gosto mais de kendo.

O "FERRARI" DOS MEN



Todo cosido à mão (1.0 Bu!), mengane de Titanium, cabedais de pele de veado, padrão do tsuki-dare opcional... e o rebordo? Ah, o rebordo, todo à volta do mengane, a NEGRO.

Lindo, lindo.

Estou apaixonado.

11.9.06

MODESTO TRIBUTO A MIYAZAKI MASAHIRO

O maior kendoka dos tempos modernos? Absolutamente.
Ainda outro dia cheguei à conclusão que há kendokas (shodan!!!) em Portugal que não fazem ideia quem é Miyazaki Masahiro.
Só para lhes dar uma pequena pista, dir-vos-ia que é o único a ter ganho 6 vezes o campeonato do Japão e que foi campeão mundial em equipas e em individuais (Kyoto 1997).
E como de conversa está a malta farta, aqui ficam dois clips do dito cujo.

Neste, o 14º campeonato de 7ºs dan do Japão, executa um kote-kaeshi-kote, ao passar o primeiro minuto de combate, que é de se lhe tirar o chapéu. Aliás, kote-kaeshi-kote era uma das suas técnicas favoritas quando era competidor oficial, é ver pra crer: Com repetição no fim do clip em câmara lenta.

http://www.youtube.com/watch?v=pHuG5thYdxc

Aqui, na final de 1998, no Budokan de Tokyo, se não estou em erro, contra Eto, de Osaka.
Dois men, pan-pan, de seguida e agora vai para casa porque ainda tens muito que aprender.

http://www.youtube.com/watch?v=4XRZF7IqakI&mode=related&search=

O homem era o máior, carago.

7.9.06

COPIÕES

Foi recentemente apresentada no site da Zen Nippon Kendo Renmei (aliás, diga-se, à semelhança do que já tinha sido feito aqui a propósito da selecção portuguesa) a formação que representará o Japão nos próximos 13ºs Campeonatos do Mundo de Kendo.

E as "bestas" são:

Kakehashi Masaharu - Manager
Ishida Kenichi - Treinador (lembram-se do documentário do National Geographic?)

1 - Uchimura Ryoichi de Tokyo (actual vice-campeão do Japão);
2 - Sato Hiromitsu de Osaka (campeão do mundo individual em título);
3 - Seike Kouichi de Osaka (eliminou K. Ando no último campeonato do Japão e chegou aos 4ºs de final... em JODAN!);
4 - Takanabe Susumu de Kanagawa;
5 - Tanaka Takeshi de Kyoto ;
6 - Teramoto Shoji de Osaka;
7 - Nakata Jun de Tokyo ;
8 - Harada Satoru de Tokyo (actual campeão do Japão);
9 - Houjo Masaomi de Kanagawa;
10 - Komeya Yuuichi de Saitama;

Agora, é rezar muito meus irmãos.

4.9.06

DESILUSÕES DA GRANDEZA

Tenho andado de novo interessado no karaté.

Não, não.. não estou a pensar em voltar a praticar, não obrigado. Tenho andado a ver as coisas com olhos do amante que, de repente, reencontra a pessoa amada de outros tempos na rua e quase não a reconhece mas que no entanto pára e tenta perceber o que mudou.

Eu sempre mantive dois ou três links relacionados com o karaté entre os meus “favoritos internéticos”, entre esses, um que mantenho desde que o conheço é o do Karaté Clube de Faro a coisa que (me parece) se encontra mais próxima do espírito da antiga União de Karate do Algarve (U.K.A.) de que, aliás, me orgulho muito de ter sido membro durante um bom tempo.

Mas tenho tentado olhar a imagem do karaté na net como um outsider, o que, para dizer a verdade, nos tempos que correm não me é assim tão difícil como isso. A verdade é que, aos olhos daquele que pela primeira vez tem contacto com essa imagem, e que me perdoem os eventuais karatekas que possam ler estas linhas, ela não me parece assim muito atraente.

O karaté em Portugal cresceu muito desde esses tempos em que fui um jovem viciado em porrada três vezes por semana. E não me parece que tenha crescido saudável. A míriade de estilos, de escolas dentro dos estilos, de associações de escolas dentro dos estilos, federações de associações de estilos, confederações associações de estilos dentro dos estilos... eu que me gabava de conhecer, mais ou menos (um mínimo), as linhagens das escolas mais importantes, hoje em dia dou por mim como um burro a olhar para um palácio.
Kata? Deixem-me rir, ou chorar, sei lá; das dezenas de katas que aprendi não há uma que tenha permanecido na mesma nas últimas duas décadas. Em vinte anos mudou praticamente tudo. Dos nomes à execução, só a muito custo e com muita sorte consigo vislumbrar o que é o quê.

Eu ainda recordo os tempos, não tão antigos como isso, em que os karatekas falavam com desdém do judo. De como o judo já não era budo coisa nenhuma, de como era um mero desporto, assim como uma luta greco-romana em pijama. Irreconhecível. Frutos do grande crescimento, sem dúvida.
Será? É que, apesar uma ou outra pequena alteração de pormenor, nage-no-kata continua a ser nage-no-kata, e katame-no-kata, kime-no-kata e shiken-no-kata, também continuam elas próprias, tal como eram uma há mais de cem anos atrás.
Uma coisa é a competição (e os seus exageros) e outra coisa é o judo como arte marcial, tradicional, budo da cabeça aos pés.

E o que se poderá dizer, hoje em dia, do crescimento do karaté?

Não há uma linguagem uniformizada nem uma imagem uniformizada, nada é uniforme no karaté em Portugal aos olhos do recém-chegado.
Os kata mudam todos os dias, os bunkai, que ninguém fazia há trinta anos atrás, hoje são indispensáveis... e depois, para complicar (leia-se: sofisticar) junta-se água com azeite, uns juntam kobudo ao karaté, outros ju-jitsu, outros até koryu... em resumo, vale tudo.

A sensação que dá é que cada um se limita a puxar a braza à sua sardinha. Os egos comandam.


Não gosto de fulano, sicrano tem uma associação diferente, vou ter com ele. Beltrano juntou-se a uma associação estrangeira, o estilo não é bem o mesmo, mas seria melhor se... eh, quero lá saber, crio a Associação de Karaté de Alguidares de Cima (constituida só pelo meu clube, o “Bushido Alguidarense”) e junto-me a ele....

Por seu lado, o kendo em Portugal é muito pequenino. Quase se pode dizer que ainda nos conhecemos todos. Por inúmeros motivos que agora não interessa analizar aqui, é minha convicção que, por muito que cresça, nunca terá uma aceitação ou um desenvolvimento semelhante ao do judo ou do karaté. Muita coisa teria que mudar, até internacionalmente, para que algo idêntico se passasse. Mas na hipótese de semelhante coisa acontecer, e digo-o com muita pena pois nunca escondi a minha paixão pelo karaté, eu preferiria mil vezes o modelo do judo (mesmo com a sua vertente “estropiada” de competição) que o exemplo caótico e de “salve-se quem puder” do karaté.

Outro dia, um casal amigo, conhecedor das minhas paixões marciais pedia-me conselho sobre uma arte marcial para um dos filhos (ainda pequeno para o kendo) praticar.

- Karaté?
- Não!!! Não façam isso à criança. Judo, sem dúvida, judo.

Disclaimer: Esta opinião é pessoal e, para além da ajuda de um amigo karateka ou dois, foi sobretudo baseada na minha visão actual do karate através da internet.

3.9.06

BUDO KENSHO

Ryoan-ji. Foto roubada na net.

Visto que estamos no começo de um novo "ano lectivo" nunca será demais relembrar

A Cartilha do Budo
O budo, as artes marciais japonesas, tem as suas origens no antigo espírito marcial do Japão. Durante séculos de mudança histórica e social estas formas de cultura tradicional evoluiram passando de técnicas de combate (jutsu) a métodos de auto-aperfeiçoamento (do).

Buscando a perfeita unidade entre a mente e a técnica, o budo tem sido refinado e cultivado métodos de treino físico e desenvolvimento espiritual. O estudo do budo encoraja o comportamento cortês, desenvolve as capacidades técnicas, fortalece o corpo e aperfeiçoa a mente.

Os japoneses modernos herdaram os valores tradicionais através do budo, o qual continua a desenpenhar um papel importante na formação da identidade japonesa, servindo de fonte de inesgotável energia e rejuvenescimento. Por isso, o budo atraiu um forte interesse internacional e é hoje estudado por todo o mundo.

No entanto, a forte tendência actual para uma valorização excessiva da habilidade técnica, aliada a um desejo desmesurado de ganhar, constitui uma séria ameaça à essência do budo. Para prevenir possíveis mal-entendidos, os praticantes de budo devem compenetrar-se numa auto-avaliação e esforço contínuos para aperfeiçoar e preservar esta cultura tradicional.

É com esta esperança em mente que nós, os membros da Japanese Budo Association (Associação Japonesa de Budo), criámos esta Cartilha do Budo, de modo a preservar os princípios funtamentais do budo.

ARTIGO 1: OBJECTIVO DO BUDO
Através do treino físico e mental nas artes marciais japonesa, os praticantes do budo buscam o reforço do seu carácter, o melhoramento do seu raciocínio e procuram tornar-se indivíduos disciplinados, capazes de contribuir para sociedade no seu todo.

ARTIGO 2: KEIKO (Treino)
Ao treinar um budo, os praticantes devem sempre agir com respeito e cortesia, aderir aos fundamentos requeridos pela arte e resistir à tentação de perseguir meras habilidades técnicas, mas antes concentrar-se na união perfeita entre a mente, o corpo e a técnica.

ARTIGO 3: SHIAI (Competição)
Quando em competição ou demonstração de técnicas (kata), os praticantes devem exteriorizar o espírito subjacente ao budo. Devem sempre dar o seu melhor, ganhar com modéstia, aceitar a derrota graciosamente e exibir constantemente auto-controle.

ARTIGO 4: DOJO (Local de treino)
O dojo é um local especial onde de se treina a mente eo corpo. No dojo, ops praticantes de budo devem preservar a disciplina e mostrar autêntica cortesia e respeito. O dojo deve ser sossegado, limpo, seguro e de ambiente solene.

ARTIGO 5: ENSINO
Os professores de budo devem encorajar sempre os alunos para se esforçarem no seu aperfeiçoamento e treinarem afincadamente as suas mentes e corpos, continuando a melhorar o seu entendimento dos princípios técnicos do budo. Os professores não devem permitir que seja dado enfâse à vitória ou derrota em competição ou à mera habilidade técnica. Acima de tudo os professores têm a responsabilidade de ser exemplos a seguir.

ARTIGO 6: PROMOÇÃO DO BUDO
Os promotores do budo devem manter uma atitude aberta e uma perspectiva internacional ao preservar os valores tradicionais. Devem esforçar-se para contribuir na pesquisa e no ensino e fazer o seu melhor para desenvolver o budo de todas as maneiras.

ORGANIZAÇÕES MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO JAPONESA DE BUDO:

Zen Nihon Judo Renmei (Federação Japonesa de Judo)
Zen Nippon Kendo Renmei (Federação Japonesa de Kendo)
Zen Nihon Kyudo Renmei (Federação Japonesa de Kyudo)
Zen Nihon Karatedo Renmei (Federação Japonesa de Karatedo)
Zen Nihon Naginata Renmei (Federação Japonesa de Naginata)
Zen Nihon Jukendo Renmei (Federação Japonesa de Jukendo)
Aikikai (Fundação Aikikai)
Shorinji Kempo Renmei (Federação de Shorinji Kempo)
Nihon Sumo Renmei (Federação Japonesa de Sumo)
Nippon Budokan (Fundação do Nippon Budokan)

1.9.06

E O MAIS VOTADO FOI...



A votação está encerrada.
E sim, é verdade, o nosso semi-japonês foi o kendoka mais votado no conjunto das duas categorias.
Mas infelizmente, o nosso amigo que, creio, ainda se encontra no Japão neste momento, não conseguiu vencer em nenhuma das mesmas. Às vezes a vida é mesmo assim.

Os resultados serão anunciados no próprio dia da entrega de prémios, ou seja, durante o próximo Torneio de Kendo de Lisboa que deverá ter lugar no dia... no mês de... sei lá, vão ao site da APK e vejam qual é o dia.

Ah valente (e azarado) Jôni!

31.8.06

UM “GANDA” DESABAFO

Há uns tempos atrás fui almoçar com um amigo. A conversa deu uma volta ou duas e foi parar à moda das “bruxarias new age”. E enquanto desancávamos nas runas e nos fins-de-semana esotérico-energéticos em Sintra, nos cursos de descoberta pessoal através da aura (a aura, aura, tanto que eu poderia dizer acerca da aura), nos tarots e feng-shuis da vida moderna, apercebi-me, ou foi o meu amigo que me chamou a atenção, já não me lembro bem, que um fenómeno muito semelhante se passa com o mundo das artes marciais.

(Faço aqui um pequeno parênteses para vos dar a conhecer o extremo estado de ansiedade que me assalta no momento em que escrevo estas palavras. Há uma sensação de impotência que me acode enquanto tomo consciência que estas mesmas palavras podem ser lidas como uma justificação, mesmo para os malandros que um pouco por todo o lado vendem “gato por lebre”.
De qualquer maneira, diga eu o que disser, esta batalha está perdida à partida, mas adiante.)

Sócrates dizia que a verdade já reside em nós; só temos é de fazer com que ela saia cá para fora. E uma conversa inocente à volta de um arroz de polvo malandrinho pode ter um efeito tão revelador como todas as ironias e maiêuticas do velho sábio grego.

A frase mágica que saiu dos lábios do meu amigo foi algo como:
- Não te esqueças que no fim, lá atrás disso tudo, está sempre alguém a ganhar bom dinheiro com o negócio.
Ora, eu tenho um faro do caraças para detectar o que normalmente chamo o bullshido. Tenho. São muitos anos que é que vos posso dizer? Desculpem lá esta pequena imodéstia e continuemos.

Voltei para casa pensativo e liguei-me à internet. Na minha caixa do correio, qual confirmação dos meus receios, um e-mail de uma Associação Nihon-Tai-Budo-Shoshen-Ryu-Jutsu qualquer convidava-me para estar presente num estágio de um tal Soké-Shihan-Sifu Billy Batmuma, 13º dan e meio na misteriosa arte marcial do Origami-Ninjutsu-Tekai, um ramo da lendária escola Ikebana-Pachinko-Bujutsu originária de Okinawa de Baixo.
É claro que, acompanhada de um sorriso de desprezo irónico, foi imediatamente enviada para o lixo.
No entanto, as palavras do meu amigo lá estavam. E soavam como sinos na minha cabeça:
- ... no fim, lá atrás disso tudo, está sempre alguém a ganhar bom dinheiro com o negócio.

Mas seria possível que alguém ganhasse dinheiro com um embuste tão óbvio? Recusava-me a acreditar em semelhante coisa. As pessoas, os budokas em Portugal não são assim tão ingénuos... ou são?

O motivo que me levou a escrever hoje este texto prende-se com o facto de, enquanto surfava um bocadinho entre os blogs e sites que constituem o meu pequeno mundo marcial virtual, o facto dizia, de ter encontrado fotos e comentários acerca do tal estágio com o Soké-Shihan-Sifu Batmuma.

E a minha alma está parva, como se costuma dizer. E das duas uma: ou sou muito cínico ou muito ingénuo... certo é que tenho mau fundo, como dizia o outro.

Mas ninguém vê que aquilo é um monte de bullshido? Ninguém percebeu que os títulos que o homem deste caso dizia ostentar são títulos FAMILIARES (de família) japoneses que um ocidental não pode nunca ostentar? Mas ninguém lê nada nesta pôrra deste mundo? Comem a primeira patranha que lhes dão assim? Sem mais nem menos?

Que fome é esta? É como ir a um restaurante, a pagar um mão-cheia de dinheiro por um prato ricamente temperado de especiarias exóticas e coloridas, por baixo das quais está, nem mais nem menos, que uma gigantesca porção de nada.

Nada? Se calhar é aí que reside o meu erro.
Bem me lembro, já lá vão uns anitos, de assistir, num campeonato de karate, a uma competição de kata (sim, sim os gajos do karate fazem isso), onde um rapaz, enquanto se babava de extãse e satisfação ao ver o seu sensei (à época com 2 ou 3 dans) competir, repetia, embevecido, para a direita e para a esquerda a quem o quisesse ouvir:
- É o maior. O meu sensei vai ganhar isto nas calmas.
Escusado será dizer que, entre talvez trinta participantes, o sensei dele deve ter ficado classificado do 27º para baixo... e ex-equo. Ainda me lembro até que essa competição foi ganha pelo Sensei Gomes da Costa que executou uma impressionante Suparimpe... bom, seguimos.

Volto à ideia anterior. Nada? Há muita gente que não pensa assim. Vão lá dizer aos que participaram no estágio, que “o homem”, sim, que o Mestre Batmuma não é legítimo. Para muitos poderá até ter sido o momento marcial definidor das suas vidas. Tal como para o rapaz que assistia à execução medíocre do seu sensei na competição de kata. É tudo uma questão de referências.

Não sou dono da verdade, não senhor... mas também não tenho ilusões. E disse-o logo no parênteses inicial deste post. Porque enquanto os budokas portugueses não se informarem, não lerem, não se interessarem em procurar informação fidedigna, não se preocuparem com cruzar essa informação... enquanto não se habituarem também, e parece um contra-senso, a duvidar do que lêem, enquanto todas essas coisas, todas, não acontecerem, vai haver muito Marco Paulo das artes marciais a ser tomado por Mozart e muito boa gente a aplaudir o “Eu tenho dois amores” convencida que é o “Requiem”.

E no fim, lá atrás disso tudo, estará sempre alguém a ganhar bom dinheiro com o negócio.

30.8.06

EMPATE

A apenas 24 horas do final da votação para a eleição de Kendoka do Ano e Kendoka Revelação a situação está ao rubro.

Se na categoria Kendoka do Ano, o vencedor está já praticamente definido, na outra categoria, Kendoka Revelação, dois kenshis têm-se teimosamente mantido empatados desde o início da contagem dos votos.

Estas primeiras eleições, contrariamente às (minhas próprias) expectativas, não podiam estar mais cerradas.

Se ainda não votou, despache-se. Amanhã já é dia 31.

29.8.06

THE MAGNIFICENT SIX... HEU... FIVE!!!

(Esq. p/ dir.: Nuno, ... , Sérgio, Henrique, Paulo e Luis)

Já está decidida a "versão final" da Selecção Nacional que nos vai representar em Dezembro próximo nos 13ºs Campeonatos do Mundo de Kendo, que terão lugar em Taiwan.
Dos seis primeiros classificados do ranking apenas um (adivinhem quem) não vai estar presente a defender as cores da Lusa Pátria.

Assim mesmo, a Direcção Técnica da APK decidiu enviar apenas os cinco "indispensáveis" para a competição de equipas.

Desde já, boa sorte aos Magníficos Cinco.

Gambatéééé.

28.8.06

JODAN


Kendo keiko, supostamente numa foto dos anos vinte, supostamente na Escola Agrícola de Tóquio.
O que não é suposto, pelo contrário, é bem real, é o soberbo jodan-kamae do kendoka da esquerda.
É bonito, jodan kamae é sempre bonito.

De notar que o pé direito está todo assente no chão e a distância entre os pés é maior do que na posição moderna... muito mais parecido com a actual posição dos pés de waki-gamae [shumoku-ashi (?) acho eu que se chama].

Nice. Muito nice.

TODAS AS DEFINIÇÕES, CONCEITOS E PALAVRAS ESQUISITAS DO KENDO QUE OUVIU NAS AULAS E LEU NOS LIVROS E NUNCA SOUBE O QUE SIGNIFICAM NEM ONDE PROCURAR.

Por falar em kigurai, shidachi, depois de executar o kote em nihonme, volta para o eixo central do kata para terminar; ele deve "demonstrar" kigurai, seme ou kime?

Esta e outras perguntas e definições estarão em breve à sua disposição, amigo kendoka, no
1º Dicionário de Kendo Japonês-Português (1º DKJ-P) "editado" neste mesmo espaço por este vosso criado.

Directamente pilhado do Japanese-English Dictionary of Kendo, editado pela Zen Nippon Kendo Renmei, o 1º DKJ-P é uma obra fundamental que todo o kendoka português deve possuir na sua estante virtual.

Impressione e irrite os seus colegas de treino e amigos com aquelas "perguntas de algibeira" que ninguém sabe responder. Cientificamente estudado para todos os casos, o 1º DKJ-P é também ideal para animar festas de crianças, nos intervalos do cinema, nos autocarros, e em todo o lado.

Mas há mais, o 1º DKJ-P contém assuntos especificamente indicados para meter conversa na discoteca na sexta-feira à noite.

Em breve, num blog perto de si.

Disclaimer: os editores do 1º Dicionário de Kendo Japonês-Português, não se responsabilizam pelo mau/indevido uso do mesmo, nem por agressões/ofensas dos colegas fartos da sua "chico-esperteza", crianças aborrecidas de morte com as suas parvoíces ou se você ficar a falar "pro boneco" na discoteca. Get a life.

25.8.06

JODAN VS JODAN


David Bell vs J. Schmidt durante o Bowden Taikai 2005.


Como já disse antes, uma vez que não me apetece dizer nada de novo... aqui está uma mais imagem de jodan-kamae, ou serão duas?

Esta imagem foi gentilmente cedida por Jakob Schimdt e, tal como outras do género, pode ser encontrada no seu blog em www.kigurai.com.

RELAX

E agora, porque ainda faltam alguns dias até ao recomeço dos treinos, aqui fica um par de clips relaxantes para descontrair. Divirtam-se:

http://video.google.com/videoplay?docid=3206096042854433992&q=tsuki

http://www.youtube.com/watch?v=qH1_zBf1aLs&search=kendo%20tsuki

Então que tal? Estamos mais descontraídos ou quê? O primeiro então, é muito relaxante não é?

20.8.06

DOENÇAS INFANTIS DAS ARTES MARCIAIS JAPONESAS 2 - O BUSHIDO CRÓNICO

Para onde quer que se vire, por onde quer que vá, qualquer que seja o caminho que escolha percorrer, o recém-chegado ao mundo das artes marciais japonesas, mais cedo ou mais tarde, ver-se-á confrontado com uma inevitável(?) palavra: bushido.

E tudo é bushido. Tudo.

Quando o “mestre” não sabe explicar o fundamento teórico de um movimento ou gesto técnico, quando não conhece a origem da sua arte, quando o que quer que seja não corre bem, logo se atira, qual remédio (remendo?) universal para todas as maleitas marciais... o bushido.

O golpe parece ilógico? O bushido explica. Não tem aplicação prática? O bushido, com a sua tremenda profundidade, fruto de séculos e séculos de aperfeiçoamento, imediatamente resolve.

O bushido é a panaceia universal do budo e está por toda a parte.

Na TV, o comentador de K1 (kick-boxing) define os combatentes como “estes guerreiros do bushido”.
Na internet, nos sites mais variados, dedicados às artes marciais mais variadas, toda a gente, toda, reclama para a sua um poucochinho de bushido.
Nas revistas o bushido tem honras de capa. Há até uma (cada vez pior) revista chamada “Karaté-bushido”.
Há até quem “crie e desenvolva” artes marciais, baseadas, pasme-se, nas "técnicas do antigo bushido".

Basicamente pode dizer-se que o bushido está para o budo como o fermento para doçaria portuguesa.

O bushido é isto tudo? Chegamos assim àquele momento fatídico em que inevitavelmente somos forçados, mais que não seja pela curiosidade crescente, a perguntar:

Mas afinal... sim, afinal o que raio é essa coisa do bushido?

Então, não tem nada que saber - dirá o “mestre” do lado. - O bushido é o antiquíssimo código de conduta dos samurais.

Nem tanto, responde modestamente este vosso humilde escriba. O bushido de que toda a gente fala e refere foi “inventado” já a “raspar” o século XX. Mais exactamente, foi obra de um homem, nascido precisamente no mesmo ano que Sasaburo Takano, de seu nome Inazo Nitobe (1862-1933), que nesse não tão antiquíssimo ano de 1899 (há quem diga 1905) publicou Bushido, the Soul of Japan (Bushido, a Alma do Japão).

E quem era então Inazo Nitobe?

Se mencionei que Inazo Nitobe (IN) nasceu no mesmo ano de S. Takano foi apenas como referência temporal porque, na verdade, as suas vidas não têm, além desse facto, a menor semelhança.
IN nasceu, tal como já disse 1862 mas embarcou quase de seguida numa educação que de certa maneira o isolou imediatamente dos acontecimentos da sua época. Começou a estudar inglês aos nove anos e depois de alguns anos de estudo em Tokyo foi enviado, aos quinze anos, para Hokkaido; aí abraçou a fé cristã e estudou principalmente Economia Agrícola, em língua inglesa e com professores americanos.
Nessa terra, que apenas então começava a ser considerada parte real do Japão, IN estava basicamente isolado das correntes culturais da época Meiji em todos os sentidos: espacial, cultural, religiosa e até linguisticamente.

Não vamos agora, aqui, batalhar muito sobre os problemas que o passado de IN criou aos seus escritos sobre o Japão. De uma maneira simples, digamos que não tinha senão um entendimento muito superficial acerca da história e da literatura japonesas, tal como os seus inúmeros erros demonstram, tanto nos textos japoneses como ingleses (IN admitiu-o, aliás, frente aos seus críticos japoneses mas não aos estrangeiros). Ele simplesmente não lera praticamente nenhum dos textos clássicos japoneses.

E nenhum dos trabalhos de IN foi mais aclamado do que, precisamente, o mencionado “clássico” Bushido que, no entanto, é sem duvida o mais inexacto de todos os seus livros.
IN nem tinha consciência (quando escreveu o livro) que o termo “bushido” já existia. Estava convencido que a palavra bushido era obra sua e revelou grande surpresa quando, anos mais tarde, um compatriota seu lhe chamou a atenção para o facto de a mesma existir desde, pelo menos, o período Tokugawa.

Durante o surto de nacionalismo que acompanhou as vitórias nas guerras sino e russo-japonesas o livro de IN, mas sobretudo o seu conceito de bushido, capturou os espíritos de muitos dos seus conterrâneos. (Tal como hoje nas artes marciais) o bushido estava em toda a parte.

Nakariya Kaiten escreveu sobre o bushidó como a religião do Japão.
Takagi Takeshi comparou o bushido ao código de cavalaria.
O colega de IN, e também cristão, Uchimura Kanzó chegou ao ponto de imaginar o bushido como:
“... a melhor criação do Japão... a cristandade apoiada sobre o bushido será a melhor criação do mundo.
Salvará não apenas o Japão mas todo o mundo.”


A informação, senhores mestres, a informação.

Há um ditado japonês que diz mais ou menos assim: “Não é vergonha ser ignorante. Vergonha é não perguntar e permanecer ignorante.”

Se há coisa que não falta nos tempos que correm é informação. E que nos diz a informação existente sobre o assunto?

Primeiro, que o bushido dos séculos XIX e XX pouco ou nada tem a ver com os princípios éticos e comportamentais dos samurais desde a fundação da sua classe por voltas do século VII da nossa era, e que foram mais ou menos explicitados, por exemplo, no Hagakure de Tsunemono Yamamoto ou no Budoshoshinshu de Daidoji Yozan, (apenas) nos séculos XVII e XVIII.
Uma época aliás, de paz, onde o importante era a criação de um código de conduta para uma classe social que, tendo sido criada exclusivamente para a guerra, se encontrava profundamente “debilitada” na sua função. Os samurai desses tempos eram burocratas e administradores e não guerreiros. Assim, as ideias apresentadas são muito mais uma mera declaração de “boas-intenções” do que um retrato fiel do comportamento dos guerreiros japoneses.

Depois, sabe-se que, desde o princípio da sua existência, a relação entre os samurais e os seus senhores era contratual. Ou seja, dependia muito do interesse e vantagens mútuas. Os guerreiros medievais permaneciam fiéis aos seus senhores, apenas enquanto beneficiavam com isso e mudavam rapidamente de partido assim que as situações lhes permitia, sendo inclusive históricas várias mudanças de campo, por vezes mesmo a meio de batalhas.

Tanto pior para o primeiro princípio do bushido, a lealdade, tão comumente apregoado pelos seus “vendedores”.

Afinal em que é que ficamos?

Lealdade, veracidade, honra, blablabla...blablabla. Por muito bonitos que esses ideiais possam ser, encarar Bushido, the Soul of Japan como sendo uma referência, um código universal de ética e de “comportamento samurai”, que se pode recitar tal como os Dez Mandamentos, parece-me um disparate monumental.

Os, mais líricos que autênticos, escritos onde o bushido provavelmente se apoia nem foram criados para toda a população japonesa, quanto mais para gaidjins. Foram sim criados para descrever - e prescrever - um comportamento ideal de uma determinada classe social, num determinado ambiente social e num determinado momento histórico.
Como diz Karl Friday: “Não tivessem eles sido cremados e Yamamoto Tsunemoto, Daidóji Yúzan e Yamaga Sokó (...) possivelmente estariam às voltas nos seus túmulos.”

Além do mais, o bushido foi fruto de uma época. Escrito por um (quase)estrangeiro “ignorante” da realidade japonesa foi aproveitado, empolado, sobrevalorizado, elevado a um nível semi-religioso pelos motivos mais oportunística e politicamente torpes. Foi trave-mestra para surtos de nacionalismo fascistas, justificação para guerras e desculpabilização de massacres.

O BUSHIDO NÃO TEM LUGAR NO BUDO MODERNO.

Diga-se o que se quiser, o objectivo das artes marciais modernas não é criar guerreiros melhores. O objectivo do budo moderno (N.A: pleonasmo), tal como se pode ver na mission statement da Nippon Budokan, é criar pessoas melhores.

Por isso, faço minhas as palavras de Almada Negreiros, poeta, modernista e tudo:
“Morra o bushido, morra... pim.”

28.7.06

FAZ HOJE UM ANO...


Kitamoto 2005: primeiro treino com bogu.
Moi, no canto direito, por cima da data.
Foto: Uehara Kichio Sensei.

26.7.06

VAI KOREA

Será talvez a primeira vez que alguém me vê a torcer por um coreano e provavelmente a única.
São imagens (um bocado maradas) do 7º campeonato do mundo.
O coreano, em jodan-kamae, contra o brasileiro, em seigan.
Vale a pena ver:
http://222.122.15.175/class/7wkc%200005.asf

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 27

Olha, o Sousa voltou a dar notícias sobre os treinos a que eu me tenho baldado e diz ele:

Ois,

6ª feira o discurso foi basicamente o mesmo de sempre - a mão esquerda.
Que tem estar ao centro e que quanto mais cansados estivermos menos força devemos fazer com a direita.
O sensei acha que nos penduramos demasiado na direita à medida que o treino avança.
Não me lembro de mais nada de especial.

Ontem, o discurso centrou-se sobre o pouco kakarigeiko que fizemos e que tanto nos estoirou. "Ainda muito fraco..."
Um pouco frustante, mas verdade.
"Setembro recomeça, ok?"
Referia-se às aulas e ao kakarigeiko! O sensei acha que quando se conseguir fazer 8 vezes kakarigeiko sempre ao mesmo ritmo, e com kiai, então tudo muito muito melhor.
"Vocês, ao segundo já cansado, né?" :)

Joaquim, desculpa lá mas tou com pressa, percebeste a ideia né? Depois pões isso bonitinho sff.. :P

1 abc e continuação de boas férias.

Luis

Gosto do "depois pões isso bonitinho sff". Nada disso, meu. Isto é blog-verité, tás a ver?... É como cinema-verité só que não tem imagens em movimento.

É tudo real... realismo, percebes? Ok, então... fui.

23.7.06

KEN 3

Págs 68 e 69:

"Quando, com o shinai por sobre a cabeça, Jiro se lançava para atingir o men do seu opositor, a sua segurança explodia, evidente, aristocrática, esmagando imediatamente o adversário.
(...)
Assim, nessa guarda perfeitamente correcta, o seu shinai transformava-se num imenso corno ameaçador plantado na sua cabeça, enquanto que uma energia proliferava, semelhante à dos cumulo-nimbus no azul do verão, parecendo transcender o céu."