1.11.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 79

Quarta-feira, 31 de Outubro 2007

Mais um dia de treino. Bom, velho e honesto treino. Centrado sobretudo em nidan-waza; muito kote-men, muito kote-do... pelo caminho, um ou outro kirikaeshi... só para não esquecer.

Sem grandes precalços.

No fim, o sensei referiu que, para se executar kote-do rapidamente, o pé esquerdo deve reagir exactamente como se de kote-men se tratasse. ou seja, precipitar-se para a frente o mais velozmente possível. Muitos de nós, segundo ele disse (enquanto olhava para mim?), ainda demoram muito a puxar o pé para a frente antes de executar o do... e é verdade que kote-do sempre foi um daqueles encadeamentos que nunca me foi particularmente feliz. E também é verdade que ele foi meu motodachi quando eu fiz uma das séries... eh lá, seria por isso que... ?

Até segunda, pois sexta não treino... ah, mas se alguém quiser mandar o "relatório" da aula...

EFEMÉRIDE

Faz hoje precisamente 4 anos.

No dia 1 de Novembro de 2003 foi oficialmente "inaugurada" uma classe regular de kendo na cidade do Porto.

Presentes para o primeiro "treino a sério" esteve o (então) 6º dan sensei Osaka Masakiyo, acompanhado de alguns dos alunos mais antigos da classe de Lisboa.

É com grande prazer que envio a todos os kendokas do norte votos de feliz aniversário para a actual Associação de Kendo do Porto.

Omédetou!
(que é, tal como o Joni me disse, a maneira de se dizer "Parabéns" em japonês.)

31.10.07

OS LINKS DE NOVEMBRO

Os mais atentos já terão reparado com certeza na existência, desde o mês de Outubro, de duas novas secções neste blog: os "links do mês" de Kendo e o de Budo.
Este mês no link de kendo a conexão leva-nos até uma página pertença do Mushinkan Kendo & Iaido Dojo em Colorado Springs, no estado do Colorado, USA.
Lá dentro, no endereço: http://www.mushinkankendo.com/kendo_kihon_waza.html encontra-se uma explicação dos princípios teóricos, bem como uma excelente descrição prática, de Bokuto ni yoru Kendo kihon-waza keiko-ho, que é como quem diz, das Aplicações técnicas do bokuto como prática fundamental do Kendo.
No link do mês de Budo:
http://www.nanzan-u.ac.jp/SHUBUNKEN/publications/jjrs/pdf/586.pdf está o "famigerado" texto da autoria de Yamada Shoji, desmontando (quase) frase a frase o livro da autoria de Eugen Herrigel, Zen in der Kunst des Bogenschiessens, traduzido para português no Brasil e editado entre nós com o colorido título A arte cavalheiresca do arqueiro zen.
O documento em causa, The myth of zen in the art of archery, é um texto obrigatório para todos os budokas sérios e adverte-se que a sua leitura pode causar sérios danos a inúmeros preconceitos acumulados durante anos e anos de más leituras e/ou documentários foleiros do Discovery Channel sobre artes marciais japonesas.

29.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 78

Segunda-feira, 29 de Outubro 2007

Pois hoje quem deu a aula fui eu.
Não se preocupem, não vou fazer uma avaliação e/ou dar aconselhamentos finais como o nosso (verdadeiro) instrutor faz. Não tenho arcaboiço para tal.
Até porque quando sou obrigado, pela força das circunstãncias, a dar uma aula (como hoje em que o sensei se atrasou e chegou bastante tarde) limito-me a imitar a estrutura das aulas dele. E é caso para dizer que isso é tudo o que eu imito.

No entanto, apesar de não dar a aula, no fim da mesma, o senhor Osaka fez um comentário que me parece bastante interessante, enquanto corrigia os kirikaeshis executados por dois colegas nossos que lhe pediram conselho.
Dizia ele que um dos executantes, avançava demasiado durante a primeira série de ataques e não recuava suficiente na segunda. Resultado? Nada do outro mundo, mas acabava muito à frente do lugar onde tinha começado.

Os antecedentes marciais, chamemos-lhe assim, às vezes são uma coisa muito útil. Desde que comecei a treinar kendo que, fruto do meus tempos de karateka, me habituei à ideia que (tal como no karate) kata, kihon, bokuto waza, uchi-komi, ou o que quiserem, se são concebidos em número par, se são repetíveis e se são executados consecutivamente por motodachi e kakarité devem acabar no lugar onde começaram. Desta vez deram-me razão.
E porquê? Porque é que se faz semelhante coisa? Porque é assim que deve ser feito.
Eheheh. Algum problema nisso?

Porque sim.

OLHA A DISTÂNCIA PÁ... (2)

Outro exemplo de como "aquela coisa" do nito pode ser muito enganadora.
Nos momentos que se seguem a situações de deslocação, e em que é necessário refazer a distância, é preciso sempre ter em conta que o shinai da frente do adversário (o shoto) é mais pequeno que o nosso. "Medir" issoku-itto-no ma em função do dito, coloca-nos inevitavelmente em chikama, numa situação de desvantagem.
Mas nós também estamos mais próximos - poderá dizer o leitor mais atento - também podemos ser nós a aproveitar. Chikama também é perigoso para ele, verdade?
Verdade, mas o problema é que ele já tem o shinai longo levantado.

Estas imagens, e muitas outras mais, podem ser encontradas em http://musashikai.jp/pc

28.10.07

OLHA A DISTÂNCIA PÁ...

Vejam como o rapazinho da esquerda comete o erro mais comum de quem combate contra nito. Ele avalia issoku-itto-no ma em relação ao shoto do adversário, o que é, claramente, uma grande asneira.
O espertalhão do nito, crédito lhe seja dado, nem pensa duas vezes. Bang.

Estas imagens, e muitas outras mais, podem ser encontradas em http://musashikai.jp/pc

27.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 77

Sexta-feira, 26 de Outubro 2007

Apenas praticantes com bogu na sala.
Há... meses (?) que não fazia uma aula sem principiantes. Foi um retorno a outros tempos.
E foi super-divertido. Ontem sim, o treino foi espectacular. "Despachámos" os preliminares, kirikaeshis e kakarigeikos e quejandos, e passámos à acção.
Meia-hora de ji-geiko. Bom velho ji-geiko. Todos os presentes combateram com todos os presentes, seguindo o tradicional sistema de rotação, mawari-geiko.
Combati contra o senhor Osaka mas mesmo hoje, quase 24 horas depois e no momento em que escrevo estas palavras, ainda não percebi se fiz bom ou mau ji-geiko.
Por outro lado, não deve ter sido bom, senão não estava aqui a matutar nisso...

Não me está a sair bem o hiki-waza...

No fim, o sensei "queixou-se" que não estamos a atacar com o corpo direito.
Pela parte que me toca, creio que se trata de estar demasiado "preocupado" em chegar rapidamente ao ponto de impacto e por isso talvez tenha alguma tendência para inclinar o corpo para a frente, fazendo assim um ji-geiko mais feio.
Pensar nisso.

Bom fim-de-semana.

25.10.07

DELÍCIA



Os últimos 30 ou 40 segundos são uma verdadeira delícia. Onde ele vai apanhar aquele kote... senhores. Deus no céu e Miyazaki no shiaijo.

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 76

Quarta-feira, 24 de Outubro 2007

Sayu-migi-men.
Como diria um kendoka que conheci em tempos: "Sayu-migi-men it's a bitch."

É rara a pessoa que começa a fazer kendo e que faz sayu-migi-men como deve ser. Hidari tudo bem. É mais natural e não há necessidade de torcer os braços, mas quando se trata de cortar do lado direito da cabeça do motodachi durante o kirikaeshi, 85% (pelo menos) dos praticantes mais recentes executa um ângulo de corte mais fechado e muitas vezes (quase sempre) sem a torção do pulso direito, a que permitiria à eventual lâmina do tachi exercer a função natural para a qual foi concebida: cortar.

Os motivos para tal são os mais variados e vão desde a simples preguiça, passando pelo (mau) hábito, até ao cansaço. É que dá trabalho, torcer o pulso direito de cada vez que se executa sayu-migi-men. É anti-natural. É preciso pensar. Estar atento ao que se faz e como se faz... lá está, dá trabalho.

Na verdade, é uma das minhas grandes preocupações durante a prática do kirikaeshi. Ter a certeza que o ângulo de ataque (+ ou - 45º) é igual nos dois casos, migi-men e hidari-men. Eis o que ocupa a minha mente a cada kirikaeshi.
E, no entanto, ontem ocorreu-me, fruto de um incidente de percurso, uma ideia "peregrina", um pensamento que me ajudou a tirar algumas conclusões muito simples:

O shinai.

Se calhar tem a ver com o shinai. É que ontem, depois de um mês sem o utilizar, voltei a "afinar" o meu shinai habitual e a diferença de sensações não poderia ter sido maior.
A tsuka é mais fina do que a do shinai que tinha estado a utilizar durante o último mês, logo o te-no-uchi (o sentimento de pegar) é outro, o peso, e a distribuição do mesmo, é diferente... enfim, tudo era diferente.
E se nos últimos dias me tinha sentido bem a fazer kirikaeshi com um shinai velho, ontem, foi uma alegria. O meu corpo "reconheceu" o Hasegawa e a resposta não se fez esperar. Finalmente, seis meses passados desde a minha ida para África, oh felicidade suprema, aleluia e glória a Deus nas alturas, o meu kirikaeshi está de volta.

Se calhar, o pessoal devia preocupar-se em encontrar um shinai que lhes facilite o te-no-uchi.
Porque, como dizia o sensei Osaka no fim do treino, quando se faz kirikaeshi deve-se executar os sayu-men como se se quisesse desenhar um Xis na testa do adversário/motodachi; e para isso, deve-se fazer sempre um ângulo igual de cada lado (direito e esquerdo) da cabeça... um ângulo de 45º... mais ou menos.

Abayo.

Nota: mais uma vez recomendo vivamente a consulta do link:
http://www.youtube.com/watch?v=6QDLIYq200c onde poderão assisitir a um kirikaeshi bem feito. Há muitos outros links na mesma página para filmes com gente a fazer kirikaeshi. Muitos deles, no entanto, são uma bela merda. Para verem um kirikaeshi feito nas calmas, bem definido, grande... comme il faut, vejam o link acima.

23.10.07

FESTA É FESTA

Mais um "divertissement" em formato escolar.

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 75

Segunda-feira, 22 de Outubro 2007

Belo treino. Assim é outra coisa.
Uma data de gente, tudo à shinaizada, muita gritaria, apenas brevemente interrompida pelo suave som do bambú a estalar contra a fibra dos Do... aaaaah, sinto-me tão bem.

Por falar em gritaria, uma vez por outra vêm-me à cabeça uma coisa sempre achei curiosa, que é o facto de o kendo ser, de todas artes marciais que conheço/pratiquei a única que usa o kakegoe, ou kiai, se lhe quiserem chamar assim, para nomear os alvos (e consequentemente as técnicas) que vão ser atingidas ou pelo menos visadas.

Claro que, em termos práticos (a) ninguém é obrigado a gritar "men" ou "kote" ou o que seja num combate ou num campeonato, basta-lhe berrar, sabemos disso e (b) mesmo que grite "men" ou "kote" ou "do", isso não interfere minimamente no combate visto que o kiai (apenas) acompanha o gesto, ou seja, não o antecede de modo a poder alertar o adversário, ... mas EM SITUAÇÃO DE TREINO todos os senseis com quem treinei enfatizavam que se deveria... lá está, berrar o nome do datotsu-bui.

Não deixaria de ser engraçado se a "moda" pegasse nas outras artes marciais.
Já estou a ver um par de judokas a lutar no chão e um deles a tentar uma imobilização e a gritar: kuzure-tate-shio-gataaaaame; ou dois lutando em pé e um deles aplicar e gritar: sasae-tsuri-komi-aaaaashi.

Hum... se calhar estou um pouco cansado... vamos lá acabar isto.

Foi mesmo um belo keiko.
Muita técnica básica: ashi-sabaki, men sankyodo, men ikkyodo (shomen e sayumen), shomen suburi, sayumen suburi, kirikaeshi e ainda tempo para dar "umas voltinhas" de ji-geiko.
Tal como na sexta-feira só faltou kakari-geiko.

No fim, o sensei voltou a lembrar que se deve fazer kiri-kaeshi com mais determinação e sobretudo com mais... pois é, isso mesmo, kiai. Mais kiai.

Abayo.

21.10.07

NUKI DO (HIGHSCHOOL STYLE)

Não é muito bonito, concordo. Mas é um belo mergulho.

20.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 74

Sexta-feira, 19 de Outubro 2007

Mais um dia com pouca gente. Um ou dois a mais que quarta-feira, mas ainda poucos. É estranha esta “ondulação” na frequência dos praticantes. Mas enfim, vendo bem, acho que sempre foi assim desde que lembro.
Há épocas em que há tanta gente que quase não se pode fazer ji-geiko sem atropelar os colegas do lado e outras em que quase dá para escolher qual a metade do dojo onde se deseja treinar.

O keiko, esse, nem por isso mudou muito no treino de ontem, ao contrário de quarta-feira em que, tal como já aqui escrevi, apenas servi de motodachi para os mais novos.
Ontem foi mais um dia daqueles, normal. Só não houve kakari-geiko. De resto, kirikaeshi q.b. (como sempre, alguns no princípio e um no fim da aula), shomen-uchi, renzoku-waza, uchi-komi geiko e, por fim, ji-geiko para acabar em beleza.

Ando muito satisfeito com o meu kirikaeshi ultimamente.
Parece finalmente estar no bom caminho.
Não me tenho tido de preocupar com a extensão dos braços, parece que está já automatizada, os cortes e o ângulo de sayu-migi-men estão com o hasuji correcto, estou descontraído, kime, sae... como disse, estou satisfeito.. já não cruzo os braços como ocasionalmente ainda acontecia...

No fim, o sensei Osaka, mais uma vez, insistiu para que os nossos men no fim de cada kirikaeshi sejam mais fortes e com uma passagem/movimentação mais rápida... o que, de certa maneira, parece um contra-senso. Pois se ele repete inúmeras vezes que é mais importante fazer bem do que fazer rápido... mas creio não é por aí.
O que eu (julgo) que ele está a querer dizer é que o último men de cada kirikaeshi deve ser feito mais rapidamente, mas relativamente à velocidade a que o kirikaeshi (inteiro) foi executado.
Assim, quem faz kirikaeshi “a mil” deve fazer o último men “a mil e dois”; já se se fez o kirikaeshi “a dez”, pois deve-se fazer o último men “a onze (ou doze, vá lá)”.

Fim.

18.10.07

POT-POURRI (VULGO: PAULADA-DE-CRIAR-BICHO)

É fartar vilanagem.

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 73

Quarta-feira, 17 de Outubro 2007

Poucos mas bons.
Bons principiantes, diga-se, daqueles que ganharam o bogu há pouco tempo e estão cheios de energia. Passámos o treino, eu, o Joni e o sensei Osaka a fazer de motodachi para eles. Foi um keiko muito calmo.

No final, o senhor Osaka, falando especialmente para esses principiantes, apenas destacou a necessidade de fazerem kiri-kaeshi mais amplo, mesmo que feito mais devagar. Com o tempo poderão começar a fazer mais depressa, mas para já, enquanto se ambientam ao kendo-gu, convém fazer bem em vez de fazer depressa.

Pelo caminho, não pude deixar de pensar como as expectativas (e as nossa próprias exigências) mudam à medida que se torna mais frequente o contacto com as técnicas. O que quero dizer é que as técnicas são sempre as mesmas, sempre iguais, mas a maneira como nós as encaramos, essa é que vai mudando à medida que avançamos no caminho.
O que eu concebo como um men bem executado, hoje, não tem nada a ver com o que considerava um men bem executado há uns dois ou três anos atrás. E no entanto, não aprendi, nesse meio-tempo, nenhum "segredo" ou particularidade especial acerca de men... o conceito de men não mudou em nada, relativamente ao dia em que eu, pela primeira vez, tive contacto com ele, já eu...

13.10.07

HIKI-MEN "BY THE BOOK"

É por estas (e por outras) que eu adoro hiki-waza. Muito limpo, muito simples, muito bom.

11.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 72

Quarta-feira, 10 de Outubro 2007

Mais um dia de treino.
Mais kiri-kaeshi, mais kakari-geiko, mais ji-geiko.
Mais coisas boas e mais coisas más.
Mais tentivas e mais erros.
Mais paciência e mais perseverança.
Mais vontade de melhorar hoje para fazer mais e melhor no próximo treino.
Mais keiko... só isso... mais nada.





Assim não. Tá tudo mal... tudo.



No final do treino o sensei apenas referiu muito brevemente que alguns dos mais novos ainda não acertam com a posição correcta dos pés, quando em chudan-kamae. Nomeadamente no que à distância entre os ditos diz respeito. Muito juntos, muito afastados, em linha... para acabar de vez com a questão ficou registado que a distância é aproximadamente a mesma que em shizentai (posição natural com os pés lado-a-lado). Assim:

Assim, sim... tudo bem.

E pronto, lá fomos à vida. Pr'a próxima há mais.

10.10.07

O ANO PASSADO FOI ASSIM:

54os Campeonatos Nacionais Absolutos de Kendo do Japão.

Uchimura ganha face a Furusawa. Foi assim no ano passado. Este ano, no dia 3 de Novembro, há mais.

9.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 71

Segunda–feira, 8 de Outubro 2007

Ashi-sabaki. Okuri-ashi, ayumi-ashi, etc, etc.
As nossas aulas (em Lisboa, pelo menos) comportam, normalmente, nalguma fase do keiko, um pouco de ashi-sabaki.
E foi precisamente sobre ashi-sabaki que o sensei debruçou a sua atenção no dia de hoje.
Mais exactamente sobre a utilização de okuri-ashi durante ji-geiko (ou shiai) o que, para quem pensava que os deslocamentos todos que existem no kendo são só para aquecer, pode ter sido uma grande surpresa.
Mas não. Aquela maneira “manhosa” de se deslocar... SURPRESA... tem aplicações práticas. Pois é.
Então vamos lá ver se consigo repetir como deve ser o que ele nos explicou.

No começo do combate os shinais encontram-se a uma distância maior que issoku-itto-no-ma, ou seja, a uma distância maior que um passo. Para poder desferir yuko-datotsu, é necessário, portanto, encurtar a distância.

O que o sensei nos dizia era que, depois de a primeira deslocação para entrar na distância ter sido feita, o pé de trás deve ser colocado (oculto pelo hakama) mais próximo do pé da frente do que o habitual.

Por outras palavras, aquilo que aos olhos do adversário parece ser uma situação de, lá está, issoku-itto-no-ma é, na verdade, uma posição vantajosa para nós.
Porquê? Porque o pé esquerdo, o pé de impulso, se encontra mais avançado, permitindo assim ganhar uns centímetros mais que podem ser vitais.
Se bem executado, este pequeno estratagema pode ser encarado como uma vantagem real.
Quer dizer, apesar de os shinais se encontrarem em issoku-itto-no-ma, o kendoka que se desloca encontra-se, na realidade, já muito próximo de SHIKA-MA.
E estar em shika-ma, como a gente sabe, é muito perigoso. Basta já ter combatido contra o senhor Osaka uma vez para perceber isso.

El Presidente, esse é que rejubilava de alegria. Finalmente, agora é que vai ganhar todos os combates contra o sensei.

- Era só o que faltava saber! Era aquilo do outro dia e mais isto hoje. - confessou emocionado e continuou – Agora sim, está mesmo, mesmo, mesmo, tramado comigo.

Suspiro.

3.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 70


Quarta-feira, 3 de Outubro, 2007

Foi mais um dia de treino, normal, sem grandes sobressaltos.

Um daqueles dias em que nada de especial acontece. Apenas um que se cumpre o desejo de treinar apenas pelo prazer de treinar. Em que se trabalha, se melhora, em que se descobre, quando se pensa nisso depois, que é destes treinos que a nossa evolução como kendokas e como pessoas é feita: ao depararmo-nos com os nossos erros, mas também com alguns progressos... dia após dia após dia após dia após dia....

Qualquer hachidan vos dirá que um estágio com um personagem XPTO qualquer é muito interessante, que a participação em shiai é fundamental, etc, etc, mas de certeza que também vos dirá que, sem sombra de dúvida, o mais importante (mesmo) do kendo é o keiko de todos os dias.

O keiko de hoje foi um bocadinho mais de isso mesmo, mais um bocadinho do todo.

Senti-me muito bem a fazer kirikaeshi, hoje. Estava fluido, rápido mas sem ser "a abrir", com kime no fim dos cortes, mas sem estar excessivamente contraído... foi fixe. Fiz bom ji-geiko, honesto... nada de espanpanante (isso já lá vai) mas eficaz, relaxado... senti-me bem.

No fim, o sensei referiu que, ao executar men, certas pessoas "cortam muito curto".

Quer isso dizer apontam muito para a zona da testa e acertam no men praticamente só com o sakigawa do shinai, e, segundo ele, isso pode ser bastante ineficaz. Basta que o adversário recue a cabeça um nadinha e o shinai só acertará no ar. Conselho do senhor Osaka? Usar todo o datotsubu do shinai (a "parte boa da lâmina") e não apenas a ponta do mesmo. Cortar mais fundo, disse ele.

E mais não disse.

Até.