2.12.07

TAÇA DE PORTUGAL 2007

Decorreu hoje a edição de 2007 da Taça de Portugal de Kendo.

Os quatro semi-finalistas, na minha modesta opinião, não podiam ser mais representativos do kendo português da actualidade. Então tivemos:

Joni Duarte - Qualquer pessoa que tenha passado pelo dojo de Lisboa nos últimos meses terá reparado na boa forma em que o nosso japonês (falsificado, diz o meu irmão, japonês falsificado) se encontra nos últimos tempos. Mas o Joni não está sozinho. Ele representa, na verdade, toda uma nova fornada de "jovens feras". É, neste contexto, apenas o porta-estandarte de um punhado de "putos novos", espalhados pelas diferentes associações nacionais, que está a fazer tudo o que pode para mostrar aos velhadas (como diz El Presidente) que está mais que na hora de arrumarem os sonhos de competição séria e dedicarem-se ao pilates ou ao yoga e, ocasionalmente, a fazerem um ou outro kata para passar o tempo.

Alexandre Figueiredo (also known as El Chino) - O Alex é, neste grupo, o representante da geração cessante. O último espernear dos que não querem ser passados para trás por uma resma de chavalitos, cujo prazer em executar 100 choyaku-suburi, DEPOIS de cada treino, é quase tão grande como as embalagens que têm em casa para combater o acne juvenil que tanto os atormenta.

Nuno Ricardo - O mestre do norte. Palavras para quê? Esse representa a certeza, a força da regularidade. Agora parecia a Maya, a fazer as previsões astrológicas para os tempos que se avizinham. De qualquer maneira, o Nuno anda sempre por lá, encontra-se neste instante numa fase de lua nova. Quer dizer, está lá e toda a gente sabe quanto a sua presença se faz sentir, só que anda um bocado discreto.

Chie Ando - A japonesa (autenticada, digo eu) do norte. Ora aqui está o que na linguagem dos grandes prémios de motociclismo se chama um wild-card. Confesso que não estava à espera de a ver chegar aos 4 finalistas. Eh pá, desculpem lá, não estava. Mas a Chie, por seu lado, representa isso mesmo. Ela representou hoje aquele lado imprevisto, e lá estou a fazer de Maya outra vez... imprevisto, dizia, do kendo.
A grande surpresa. Pois é, uma menina a intrometer-se entre os rapagões. Sintoma do que está para vir? Só o futuro o sabe. Não renegue à partida uma ciência que desconhece, dirão.

No fim, resultados ficaram ordenados da seguinte forma:

1º - Alex (El Chino) Figueiredo

2º - Joni Duarte

3º - Nuno Ricardo
3º - Chie Ando

Amanhã, se ainda me lembrar de alguma coisa do que aconteceu, farei um pequeno relato dos que considero os highlights desta taça e revelarei os Usagi San Awards referentes a este torneio.

Sayonara, people.

29.11.07

LINKS DE DEZEMBRO

Como o tempo passa.
Mais um mês e mais dois novos links mensais a caminho.
Em Dezembro, no "Budo link" mensal, vamos parar a um dos sites mais completos e interessantes sobre artes marciais e desportos de combate da net, na minha modesta opinião. Trata-se do Electronic Journals of Martial Arts and Sciences (EJMAS para os amigos).
O referido EJMAS está dividido numa boa quantidade de (excelentes) capítulos, sendo que o escolhido foi o que apresenta a (tanto quanto possível) Cronologia Histórica das Artes Marciais e Desportos de Combate desde o princípio dos tempos até aos nossos dias.
Uma fonte de informação inesgotável e inestimável.

O "Kendo link" escolhido para Dezembro é o recém-criado Cyber Dojo, dirigido por Hiro Imafuji sensei. Muita coisa interessante, muitos goodies, videos, explicações básicas, médias e avançadas.
É fixe, a sério.

Até Dezembro então.

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 89

Quarta-feira, 28 de Novembro 2007

Hoje foi um bom dia.
Nos tempos que correm qualquer dia em que não chegue ao fim do treino estoirado ou que o meu tornozelo se aguente a aula toda, esse é um bom dia. E até que (eventualmente) retome a minha boa forma de há um ano e meio atrás, vou continuar assim, contentando-me com pequenas vitórias diárias, uma de cada vez.
Pequenas vitórias como chegar ao fim inteiro, não levar grandes "tareias", marcar um ippon (muito) de vez em quando ao sensei Osaka... como hoje, por acaso, acho que foi o caso.

Creio que fui bem sucedido numa tentativa de men-suriage-men. Sem querer, talvez, saí da linha central durante o breve momento em que ele executou o seu men, executei um suriage leve (não teve de ser muito "forte" porque, como disse, já estava fora da linha de ataque) e desferi um men, um pouco sayu, mas que foi o que... saiu. E quando digo "sem querer", volto a pensar nisso e deve mesmo ter sido por instinto, uma vez que o suriage que executei foi ura. Ou seja, "por fora"; do lado direito do kamae dele. Eu nunca, no meu perfeito juizo, tentaria parar um ataque men do sensei Osaka com suriage-URA. Eu? Tenho vergonha na cara.

Todo o resto do combate foi uma desgraça. Se o kendo deixasse marcas como o paintball, no fim do ji-geiko, acho que pareceria um Picasso... da fase abstracta.

O treino foi muito energético, muito graças ao "sensei" Luis que tomou conta dos principiantes durante toda a aula. Muito kirikaeshi, sempre, muito men a passar (e o meu tornozelo a aguentar), kote-men a passar, renzoku-waza [men+(kote-men)+(men-tai-atari-do)+men] sempre com motodachi(s) "em regime de rotatividade" e... faltou um bocadinho de kakarigeiko... e depois ji-geiko, claro.

No final, o sensei chamou-nos a atenção para a falta de postura que alguns de nós (eu, por exemplo) apresentam por vezes durante ji-geiko. Ele é "desvios de cabeça" para um lado e para outro, corpo todo torto... enfim.
Segundo o que ele nos disse, desde o momento em que se começa o ji-geiko, melhor... desde antes de se começar, desde o momento em que se caminha para o adversário para executar sonkyo, a linha do tronco, perpendicular ao chão, não se deve alterar mais.
Quando se bloqueia não se foge com o corpo para os lados ou para trás (também para quê, não é verdade que se está a bloquear?). E quando se ataca não se vai de mergulho...

Kendo "torto" é coisa de liceal... e japonês... e imaturo... isto, digo eu, né?

Okiniiiiiiii.

27.11.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 88

Segunda-feira, 26 de Novembro 2007

Os treinos dos últimos dias têm sido bons, para não variar.

A estrutura tem-se mantido quase sempre igual. Aliás, já é hábito: muito kirikaeshi para começar, depois os men e kote-men do costume... enfim, por aí fora, em mawari geiko ou com um número limitado de motodachi, até culminar com o incontornável ji-geiko na parte final do keiko.

E o senhor Osaka, por seu lado, não tem falado muito no fim de cada treino, daí também a falta de posts nesta secção ultimamente. Mas se não tem falado muito, tem malhado bastante na malta.
Hoje não sei, não fiz ji-geiko com ele, mas na sexta-feira... o homem estava imparável. Era um seme impressionante!... Só visto.
Já o disse aqui várias vezes que raramente lhe consigo fazer uma técnica da qual me orgulhe, mas por vezes ainda o consigo iludir, na parte de fintar, na parte em que começo os ataques, mesmo que a maior parte das vezes, como digo, a finalização deixe muito a desejar... mas na sexta, pôrra, estava intocável.

Sem espinhas. Cada vez que me tentava aproximar, bang; cada vez que esperava para tentar contra-atacar, re-bang, cada vez que imaginava ashi-sabaki com suri-age ou hiki-waza ou qualquer coisa, re-bang-bang-bang.

Assim não dá!!! Kendo de sétimo dan, meus meninos, é fogo.

Para quem está sempre a dizer que está velho... velho estou eu. Ele está aí pr'as curvas.

Hoje, no final do treino, apenas fez uma pequena referência acerca da tendência que alguns têm de inclinar o corpo para a frente quando executam as técnicas.
Men ou kote-men (ou que quer que seja) "a cair para a frente" não se qualificam muito bem no ranking do que é bom kendo para o senhor Osaka.

E puft... acabou-se.

25.11.07

A "TIRANIA" DA IMPRENSA LOCAL 2

Uma alma caridosa, o Sérgio, enviou-me o resto da matéria da Gazeta do Interior sobre as aulas de kendo em Castelo Branco. Possivelmente espantado com a minha falta de capacidade de resolução de problemas internéticos, arranjou maneira, não sei como, lá está, de ter acesso ao resto do referido artigo.

E é precisamente a isso que me refiro quando, no fim do post anterior, falo de falta de visão.

A internet, pela sua própria natureza, deve ser, e esta era uma expressão que se usava bastante na Wunderman Portugal, quando acontecia ter de conceber sites para empresas comerciais, deve ser, diziamos, "à prova de burrice". Deve ser à prova de burrice, à prova de preguiça, à prova de tudo o que me afaste da vontade de clicar e "comprar", salvo seja, o que o site vende... nem que seja uma ideia ou um conceito apenas.
E isso significa que um site deve ser o mais friendly user que se possa imaginar.
Complicou? Marchou. Há ziliões de sites mais para ir ver, ler, comprar, vender.
Enfim, depois deste meu atestado de incompetência aqui fica o artigo completo tal como estava (diz o Sérgio?) no site:

NOVA SECÇÃO EM FUNCIONAMENTO NA ACADEMIA DE JUDO
Kendo: A herança dos samurais
A Academia de Judo de Castelo Branco tem, desde sábado, uma nova secção em funcionamento. Trata-se de uma arte marcial, a esgrima tradicional japonesa, denominada de kendo, que está repleta de situações diferentes do habitual, desde logo pelo visual dos praticantes, passando pela forma de estar dos mesmos.

Segundo Jorge Fernandes, director técnico da Academia, "esta modalidade surge como uma forma de diversificar as artes marciais, bem como para ser um complemento, em termos de visual e de filosofia. Passa a ser mais uma opção, que tanto as crianças, como os adultos, passam a ter em termos de prática des-portiva", sem esquecer que "também temos o objectivo de marcar de novo a diferença e sermos pioneiros nesta modalidade no Interior", explica.
Até ao momento, o kendo restringia-se "a Lisboa, Porto e Coimbra", o que equivale a dizer que Castelo Branco será a quarta cidade do País a acolher a modalidade, que a nível nacional está sob a égide da Associação Portuguesa de Kendo.


Jorge Fernandes acredita que "exista procura", até porque, "neste momento, já contamos com 10 praticantes adultos", muito embora "o nosso grande objectivo passe por termos crianças, porque estas são o garante do funcionamento e desenvolvimento da modalidade".
Ainda segundo o director técnico, a modalidade "não é perigosa para as crianças, porque há uma progressão técnica, como em qualquer modalidade desportiva. Eles começam por praticar com um kimono quase normal e, há medida que o tempo vai passando é que lhes é atribuída a parte das calças, depois a protecção da barriga, seguindo-se a máscara", ou seja, "há toda uma progressão que é feita normalmente e sem perigo".


Para leccionar esta prática, que será aberta aos interessados com mais de oito anos, inclusive, virão a Castelo Branco, todos os sábados, entre as 11 e as 13 horas, os mestres da modalidade, no caso concreto da Associação Portuguesa de Kendo, como aliás sucedeu sábado, onde estiveram cinco elementos daquela entidade.

Kendo é a esgrima tradicional japonesa.

Nuno Serrano, médico de profissão e presidente da estrutura que tutela a modalidade no País, começou por explicar que "o kendo, em ter-mos muito simplistas, para os europeus, é a esgrima tradicional japonesa. Mas, em termos comparativos, a única coisa que tem de semelhante é o uso de uma espada, que é a herança dos samurais".

Destacando "as amizades que se fazem na modalidade" e a possibilidade de "viajar muito" a praticá-la, Nuno Ser-rano desvaloriza o facto de "parecer altamente violento", pois chega-se ao final "sem nenhuma mossa", até porque "se utilizam espadas de bambu adaptadas a esta prática, desenhadas para terem uma segurança extrema. Apesar de todo o aparato é, talvez, das práticas desportivas/artes marciais mais seguras que conheço, porque é virtualmente impossível haver uma lesão. Sou médico e já pes-quisei sobre lesões a nível mundial. Estão descritas 13 ou 14 lesões. Não conheço mais nenhuma arte marcial onde isso aconteça", refere.

Para desenvolver esta técnica "que os samurais tentam preservar quando há a proibição do uso de espada no Japão, no final do século XIX" e que "é uma actividade muito exigente do ponto de vista físico e psicológico", existem em Portugal "três centros de prática, no Porto, Lisboa e Coimbra", num total de "280 sócios".

Castelo Branco será, desta forma, mais um passo para a divulgação e dinamização do kendo, sendo que, nesse sentido, no ano transacto, realizou-se em Portugal o Campeonato da Europa, que acolheu "450 atletas, de 29 países".

No fim de contas, o artigo nem era nada de especial... porque raio... ah, já me lembro, tudo o que eu queria era ver se tinha fotos... eh... esquece.

21.11.07

A "TIRANIA" DA IMPRENSA LOCAL


Queria fazer um post sobre a aula de sábado passado em Castelo Branco e lembrei-me que tinham estado dois jornalistas durante a mesma, só que não sabia o nome do periódico que tinha feito a cobertura do "evento".
Procurei jornais da zona na net e encontrei edições online de dois jornais: a Gazeta do Interior e o jornal Reconquista. Esperei uns dias pelas actualizações de ambos e encontrei isto na Gazeta:


NOVA SECÇÃO EM FUNCIONAMENTO NA ACADEMIA DE JUDO
Kendo: A herança dos samurais

A Academia de Judo de Castelo Branco tem, desde sábado, uma nova secção em funcionamento. Trata-se de uma arte marcial, a esgrima tradicional japonesa, denominada de kendo, que está repleta de situações diferentes do habitual, desde logo pelo visual dos praticantes, passando pela forma de estar dos mesmos. 21-11-2007

Assim reza a edição online da Gazeta do Interior de Castelo Branco. Ainda tentei clicar na continuação para ler o artigo, e ver se havia alguma foto, mas saiu-me uma página de assinatura (da edição em papel) e não consegui ler o resto da notícia.

Paciência. Mas fica a(s) pergunta(s) à direcção da Gazeta:

Para que serve ter uma edição online de um jornal, se apenas se pode ler o destaque da notícia e não se tem acesso ao resto?
Mais vale despedir toda a gente que faz a edição online e colocar apenas uma página para angariar assinaturas. Pois se nem há a possibilidade de fazer uma assinatura da edição online do jornal. QUE ESTÁ ALI, À NOSSA FRENTE, NO MONITOR DO COMPUTADOR.
Ou seja, só tenho acesso à edição online se assinar a edição em papel.
Mas, que raio... se assinar a edição em papel para que diabo necessito de ir à net?

Alguém me explica??? Intitulei este post de "A tirania da imprensa local", mas acho que devia ter intitulado "A falta de visão da imprensa local"...

Bela merda. Fiquei sem vontade de falar sobre o treino.

Enfim, espero que as aulas corram melhor do que a divulgação das mesmas.

19.11.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 87

Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Hoje combati em jodan... contra o sensei Osaka.
Como é o dia do aniversário dele, foi o "presente" que lhe dei. Correu mais ou menos... hum... menos... para mim, claro.
Levei um arraial de kote(s) que foi uma festa... e um GYAKU-DO. (Acho que) lá pelo meio da confusão consegui marcar um men (acho).

O treino foi bastante acelerado, com kirikaeshi (menos do que o costume) a abrir as hostilidades, passando rapidamente por men-uchi, renzoku-waza (kote-men, kote-do, tai-atari variados) e depois a piéce de resistence, ji-geiko, claro.

No final, recebemos uma ideia muito interessante de oferta.
Dizia o senhor Osaka que quando (em ji-geiko ou shiai) atacamos men, é preferível que a nossa linha de deslocação seja na direcção do lado direito do adversário.
Ou seja, devemos prosseguir para a nossa esquerda. Um pouco como acontece com a execução correcta de kote. O nosso pé direito deve seguir uma trajectória diagonal na direcção do pé direito do opositor. Todos temos a tendência, talvez resultado de inúmeros men "a passar", de seguir em direcção, ou do centro do adversário, ou, na maior parte das vezes, da esquerda do mesmo.

As vantagens de atacar para a direita são claras. "ocupamos mais" o centro do combate e contra-atacar, por exemplo, quer com nuki-do ou kaeshi-do é bastante mais difícil de realizar pelo adversário. Mais ainda, se o atacarmos pela direita do seu shinai, uma das poucas coisas que lhe restam fazer será talvez men-suriage(ura)-men, ou coisa parecida e complicada; ora para fazer men-suriage(ura)-men com sucesso durante um combate é preciso ser muuuuuito bom nesta coisa do kendo.

Já está, quarta-feira talvez haja mais.... ou se calhar, antes disso, conto-vos como foi a minha ida à primeira aula de kendo, de sempre, em Castelo Branco.

14.11.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 85 E 86

Quarta-feira, 14 de Novembro 2007
e
Sexta-feira, 16 de Novembro 2007

Que lhes posso eu dizer acerca destes treinos?
Foram excelentes treinos. Aliás, nos últimos dias, as coisas voltaram a aquecer bastante ali pr'ós lados do Alto do Varejão. Algum kakarigeiko, muito mawari-geiko, que é como quem diz, muito kirikaeshi, muito renzoku-waza, e claro, muito jigeiko. Bué de jigeiko.

No final das aulas, na quarta, o sensei disse ao pessoal mais novo para tomar cuidado e não levantar mito o pé direiro antes das deslocações: por exemplo, antes de fazer men a passar. Dar impulso e avançar com o pé rente ao chão e, no fim, levantá-lo apenas o suficiente para fazer fumikomi-ashi. E nunca deixar que se lhe veja a sola do pé.

Hoje, o senhor Osaka recomendou menos força na mão direita e mais força na outra, a esquerda, exactamente. E sendo assim... não tenho grande coisa mais para dizer.

Até 2ª e bom fim-de-semana.

13.11.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 84

Segunda-feira, 12 de Novembro 2007

A mandrice e a indolência alojaram-se durante todo o domingo, qual canga sobre o cachaço de um bovídeo.
Hoje, todas as minhas junções naturais dos meus ínferos membros acusavam o esforço extra do tirocínio de sábado e, semianquilosadas, colocavam-me assim numa posição assaz comprometedora.


Num momento de tresvario, ignorei as maleitas e decidi sair de qualquer forma. E lá fui tirocinar uma vez mais. Que labéu me poderia adver de tal, pensei?
Claro está que os achaques não se fizeram rogados e acompanharam-me, arrojando-se como um vero séquito, durante quase todo o keiko.


Levar a bom porto a prática hebdomadária das segundas-feiras, tornou-se assim numa empresa de dimensões dantescas, apenas comparável uma qualquer heróica e intrépida pugna, digna, sem escrúpulo, de ser contada, e cantada, em decassílabos camonianos ou através de uma peça Shura Noh (Usagi Monogatari?) às gerações vindouras.

Tanto denodo pessoal colheu, no entanto, como aliás sempre colhe, o ditoso fruto da árvore da aventurança.

No epílogo do keiko, o sensei dissertou brevemente acerca do tema :”A necessidade de executar hiki-waza com mais convicção”.

E deu por rematada a sessão.

10.11.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 83

(Edição Especial)
Sábado, 10 de Novembro 2007

Consegui. Cheguei (mais ou menos) inteiro ao fim.
Não que o treino em si fosse muito violento, longe disso, estava era com medo que o meu pé não se aguentasse à bronca. Mas correu tudo bem. Coxeei um bocadinho durante os men e kote-men "a passar", mas isso já começa a ser recorrente (a parte do "passar", estoira-me sempre o tornozelo) mas depois recompus-me e acabei o treino na boa. No fim, nem estava tão cansado como inicialmente supunha que iria ficar.

No fim deste belo treino de quase 3 horas (não começou mesmo às duas e acabou um bocadinho antes do que era suposto) em que nos envolvemos no treino de coisas tão diversas como Bokuto ni yoru kendo kihon waza keiko ho, renzoku-waza, uchikomi-geiko, kirikaeshi, oji-waza, hiki-waza, ji-geiko e não me lembro agora de mais, no fim, dizia eu, o senhor Osaka centrou as suas palavras sobre 3 temas:

1 - Variar o ângulo de ataque quando se executa hiki-waza, nomeadamente hiki-men.
Que é que isto quer dizer? Alternar o ataque "clássico" de hiki-(sho)men e fazer também hiki-(sayu)men, atacando de ambos os lados, esquerdo e direito.

2 - Executar (em shiai, por exemplo) kaeshi-do em detrimento de nuki-do. Em última análise (suponho eu), porque kaeshi-do é mais seguro que nuki-do.
E, para o fazer bem, o kaeshi, convém atrair o adversário primeiro, forçando-o a fazer men. Como? Pressionando. Pressionar, pressionar, pressionar até ele ceder à tentação. Numa palavra, criar suki.
Back to basics, sempre.

3 - O terceiro ponto tinha a ver com alternativas de ataque e contra-ataque contra hidari-jodan-kamae, mas por incrível que possa parecer, vejam lá... não me lembro de absolutamente nada do que ele disse a esse respeito...

Até segunda e bom resto de fim-de-semana.

9.11.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 82

Sexta-feira, 9 de Novembro 2007

Isto hoje começou mal para mim.
Tive um mau feeling durante a tarde e cheguei a pensar em não treinar. Se calhar, devia ter ficado em casa, mesmo, pois ainda nem tinha colocado o bogu e já estava à rasca do meu malfadado tornozelo.
Choyaku-suburi? Claro! Quantos, vinte? Nem consegui fazer dez.
Estava mesmo a ver que tinha de sair a meio do treino. Aí, coloquei a meia-elástica, fizemos sonkyo, men-tsuke e, só à experiência, fui tentar fazer uns kirikaeshi... só para ver.
Fiz alguns men-kirikaeshi, primeiro, depois alguns do-kirikaeshi... bem, aguentou-se menos mal; sem nada a perder, segui a tentar a sorte. Séries de 5 shomen, depois de 5 kote-men, depois de 5 kote-do... por esta altura já estava convencido que conseguia chegar ao fim inteiro. Kakarigeiko foi o teste final... e o pé lá se aguentou. Dois kirikaeshi mais para acabar em beleza e estou safo. Fixe.

Ainda bem que não saí a meio.

No final, o sensei apenas nos disse para fazermos os 3 shomen de cada kirikaeshi como se fosse men-ikkyodo, ou seja, num gesto. Não "partir" o movimento em partes.
Não é: sobe-pára-desce.
É um gesto só: Sobe e desce e bate de um gesto.

E em seguida, também de um gesto, saudámo-lo e retirámo-nos.

Amanhã há treino especial durante a tarde. Das 2 às 6. Pode ser que ele diga alguma coisa no fim...

8.11.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 81

Quarta-feira , 7 de Novembro 2007

Mais um dia calmo. Pouca gente, mas gente dedicada. E teve mesmo de ser, porque menos pessoas e o mesmo tempo de mawari-geiko, dá origem a que se faça cada exercício mais vezes.

O treino consistiu basicamente, passada a "fase kirikaeshi" inicial, em waza variado, mais exactamente: men, kote-men, men-taiatari-men, men-taiatari-do, men-taiatari-kote... e por aí.

Entrámos depois na "fase kirikaeshi" final: men-kirikaeshi de uma ponta à outra do dojo, seguido de do-kirikaeshi, kote-kirikaeshi e finalmente men-kirikaeshi simples (só uma ida e volta) e "de um fôlego", também de uma ponta à outra do dojo.

No final, as recomendações habituais centraram-se na posição do tronco durante a execução das técnicas: corpo direito, força "no umbigo". Nada de inclinações para a frente ou para trás... kendo bonito, lá está.

Em resumo, keiko muito tranquilo, mas muito energético.

Para sábado, já fomos avisados que devemos levar bokuto para o treino especial da tarde.
A pergunta é: Nihon Kendo Kata ou Bokuto ni yoru Kendo kihon waza keiko ho?
Ou ambos?

6.11.07

O TERRAMOTO DE TOKYO

Te(r)ramoto Shoji


Teramoto Shoji, com epicentro em Osaka, foi um dos acontecimentos mais destrutivos do orgulho do kendo de Tokyo dos últimos anos. Alguns dos edificios mais prometedores da capital e dos seus arredores, como o Uchimura Tower e o Takanabe Building em Kanagawa, foram totalmente desmantelados pela fúria do abalo e pelas duas réplicas que se seguiram, Sato e Kiwada.


Imagem da derrocada final do Takanabe Building

O filme dos acontecimentos finais pode ser descarregado clicando aqui: http://www.kendo-fik.org/english-page/phot-jif/55th-AJKC2007-2_0001.wmv

5.11.07

NITO-RYU

Yamana, o único nitoka no 55º All Japan. Notem o excelente kote no pulso ESQUERDO do adversário à medida que ele assume kasumi-no-kamae. Grande timing. Muita categoria.

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 80

Segunda-feira, 5 de Novembro 2007

Estou todo partido.
Não treinei na 6ª e é tal como o outro diz: "Basta um dia sem treinar e o teu corpo sente..." e o meu sentiu hoje.
E hoje fizemos uma coisa que (penso que) nunca tinhamos feito antes. Kote-kirikaeshi. Exacto... kote em "formato" kirikaeshi.
Tal qual como men-kirikaeshi, ou do-kirikaeshi, só que kote.
Shomen-uchi para começar e depois hidari-kote, migi-kote... tudo igual a um kirikaeshi normal. O motodachi esse, coloca os braços lado a lado, mais ou menos à altura do plexus solar, segurando naturalmente o shinai (alinhado a meio do corpo e) colado ao men.

Simples e muito interessante.

No fim do treino o senhor Osaka pediu-nos mais zanshin depois de cada ataque feito durante a execução de kakarigeiko. Não "abandonar" o movimento cedo de mais (nunca?). Manter a atenção depois de cada viragem e não se desconcentrar até ao fim do exercício.

Foi só. Vou-me sentar no sofá, a babar-me durante umas horas a olhar pr'a TV... estou feito em papa.

Sayonara.

4.11.07

55TH AJKC - FINAL (ENCHO)

Katsugi-men de Teramoto sobre Takanabe. Clean.

第55回全日本剣道選手権大会


Shoudai vs Uchimura.

3.11.07

55ºS ALL JAPAN KENDO CHAMPIONSHIPS




Esta foi a 6ª participação de Teramoto Shoji, (32, 6º dan, Polícia de Osaka) nos nacionais de kendo do Japão, sendo que nunca antes tinha conseguido chegar ao pódio.
O seu curriculum inclui, no entanto, entre outras coisas:
All Japan Police Championships (equipas), 1º lugar - 4 vezes.

All Japan Police Championships (individual), - um 2º e um 3º lugares.
Membro da equipa japonesa no 14th WKC.

A grande novidade sobre os campeonatos deste ano é que o tempo regulamentar dos combates das meias-finais, bem como o do combate final, passou de cinco para dez minutos (!!!).
Ou seja, só há lugar a encho, se o empate subsistir depois desse tempo todo.


Que foi precisamente o que aconteceu este ano. O outro finalista, Takanabe (da polícia de Kanagawa), marcou primeiro ippon (men) aos dois minutos; aos oito, Teramoto respondeu na mesma moeda (men).
Aos 4 minutos e meio de encho, Teramoto marcou o ippon vitorioso também através de men.

Uma nota de pé de página destes 55ºs campeonatos foi a presença de um combatente utilizando nito (Yamana, um polícia de Tokushima)
coisa que já não acontecia há cerca de 44 anos.

O departamento de polícia de Osaka tem muito que festejar como se pode ver pelos resultados finais, o que faz com que hoje seja um bom dia para se ser bandido em Osaka, pois não deve haver um único polícia sóbrio na cidade.


1º Teramoto Shoji (Osaka)
2º Takanabe (Kanagawa)
3º Sato.H (Osaka)
3º Kiwada (Osaka)

Kampai.

1.11.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 79

Quarta-feira, 31 de Outubro 2007

Mais um dia de treino. Bom, velho e honesto treino. Centrado sobretudo em nidan-waza; muito kote-men, muito kote-do... pelo caminho, um ou outro kirikaeshi... só para não esquecer.

Sem grandes precalços.

No fim, o sensei referiu que, para se executar kote-do rapidamente, o pé esquerdo deve reagir exactamente como se de kote-men se tratasse. ou seja, precipitar-se para a frente o mais velozmente possível. Muitos de nós, segundo ele disse (enquanto olhava para mim?), ainda demoram muito a puxar o pé para a frente antes de executar o do... e é verdade que kote-do sempre foi um daqueles encadeamentos que nunca me foi particularmente feliz. E também é verdade que ele foi meu motodachi quando eu fiz uma das séries... eh lá, seria por isso que... ?

Até segunda, pois sexta não treino... ah, mas se alguém quiser mandar o "relatório" da aula...

EFEMÉRIDE

Faz hoje precisamente 4 anos.

No dia 1 de Novembro de 2003 foi oficialmente "inaugurada" uma classe regular de kendo na cidade do Porto.

Presentes para o primeiro "treino a sério" esteve o (então) 6º dan sensei Osaka Masakiyo, acompanhado de alguns dos alunos mais antigos da classe de Lisboa.

É com grande prazer que envio a todos os kendokas do norte votos de feliz aniversário para a actual Associação de Kendo do Porto.

Omédetou!
(que é, tal como o Joni me disse, a maneira de se dizer "Parabéns" em japonês.)

31.10.07

OS LINKS DE NOVEMBRO

Os mais atentos já terão reparado com certeza na existência, desde o mês de Outubro, de duas novas secções neste blog: os "links do mês" de Kendo e o de Budo.
Este mês no link de kendo a conexão leva-nos até uma página pertença do Mushinkan Kendo & Iaido Dojo em Colorado Springs, no estado do Colorado, USA.
Lá dentro, no endereço: http://www.mushinkankendo.com/kendo_kihon_waza.html encontra-se uma explicação dos princípios teóricos, bem como uma excelente descrição prática, de Bokuto ni yoru Kendo kihon-waza keiko-ho, que é como quem diz, das Aplicações técnicas do bokuto como prática fundamental do Kendo.
No link do mês de Budo:
http://www.nanzan-u.ac.jp/SHUBUNKEN/publications/jjrs/pdf/586.pdf está o "famigerado" texto da autoria de Yamada Shoji, desmontando (quase) frase a frase o livro da autoria de Eugen Herrigel, Zen in der Kunst des Bogenschiessens, traduzido para português no Brasil e editado entre nós com o colorido título A arte cavalheiresca do arqueiro zen.
O documento em causa, The myth of zen in the art of archery, é um texto obrigatório para todos os budokas sérios e adverte-se que a sua leitura pode causar sérios danos a inúmeros preconceitos acumulados durante anos e anos de más leituras e/ou documentários foleiros do Discovery Channel sobre artes marciais japonesas.

29.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 78

Segunda-feira, 29 de Outubro 2007

Pois hoje quem deu a aula fui eu.
Não se preocupem, não vou fazer uma avaliação e/ou dar aconselhamentos finais como o nosso (verdadeiro) instrutor faz. Não tenho arcaboiço para tal.
Até porque quando sou obrigado, pela força das circunstãncias, a dar uma aula (como hoje em que o sensei se atrasou e chegou bastante tarde) limito-me a imitar a estrutura das aulas dele. E é caso para dizer que isso é tudo o que eu imito.

No entanto, apesar de não dar a aula, no fim da mesma, o senhor Osaka fez um comentário que me parece bastante interessante, enquanto corrigia os kirikaeshis executados por dois colegas nossos que lhe pediram conselho.
Dizia ele que um dos executantes, avançava demasiado durante a primeira série de ataques e não recuava suficiente na segunda. Resultado? Nada do outro mundo, mas acabava muito à frente do lugar onde tinha começado.

Os antecedentes marciais, chamemos-lhe assim, às vezes são uma coisa muito útil. Desde que comecei a treinar kendo que, fruto do meus tempos de karateka, me habituei à ideia que (tal como no karate) kata, kihon, bokuto waza, uchi-komi, ou o que quiserem, se são concebidos em número par, se são repetíveis e se são executados consecutivamente por motodachi e kakarité devem acabar no lugar onde começaram. Desta vez deram-me razão.
E porquê? Porque é que se faz semelhante coisa? Porque é assim que deve ser feito.
Eheheh. Algum problema nisso?

Porque sim.

OLHA A DISTÂNCIA PÁ... (2)

Outro exemplo de como "aquela coisa" do nito pode ser muito enganadora.
Nos momentos que se seguem a situações de deslocação, e em que é necessário refazer a distância, é preciso sempre ter em conta que o shinai da frente do adversário (o shoto) é mais pequeno que o nosso. "Medir" issoku-itto-no ma em função do dito, coloca-nos inevitavelmente em chikama, numa situação de desvantagem.
Mas nós também estamos mais próximos - poderá dizer o leitor mais atento - também podemos ser nós a aproveitar. Chikama também é perigoso para ele, verdade?
Verdade, mas o problema é que ele já tem o shinai longo levantado.

Estas imagens, e muitas outras mais, podem ser encontradas em http://musashikai.jp/pc

28.10.07

OLHA A DISTÂNCIA PÁ...

Vejam como o rapazinho da esquerda comete o erro mais comum de quem combate contra nito. Ele avalia issoku-itto-no ma em relação ao shoto do adversário, o que é, claramente, uma grande asneira.
O espertalhão do nito, crédito lhe seja dado, nem pensa duas vezes. Bang.

Estas imagens, e muitas outras mais, podem ser encontradas em http://musashikai.jp/pc

27.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 77

Sexta-feira, 26 de Outubro 2007

Apenas praticantes com bogu na sala.
Há... meses (?) que não fazia uma aula sem principiantes. Foi um retorno a outros tempos.
E foi super-divertido. Ontem sim, o treino foi espectacular. "Despachámos" os preliminares, kirikaeshis e kakarigeikos e quejandos, e passámos à acção.
Meia-hora de ji-geiko. Bom velho ji-geiko. Todos os presentes combateram com todos os presentes, seguindo o tradicional sistema de rotação, mawari-geiko.
Combati contra o senhor Osaka mas mesmo hoje, quase 24 horas depois e no momento em que escrevo estas palavras, ainda não percebi se fiz bom ou mau ji-geiko.
Por outro lado, não deve ter sido bom, senão não estava aqui a matutar nisso...

Não me está a sair bem o hiki-waza...

No fim, o sensei "queixou-se" que não estamos a atacar com o corpo direito.
Pela parte que me toca, creio que se trata de estar demasiado "preocupado" em chegar rapidamente ao ponto de impacto e por isso talvez tenha alguma tendência para inclinar o corpo para a frente, fazendo assim um ji-geiko mais feio.
Pensar nisso.

Bom fim-de-semana.

25.10.07

DELÍCIA



Os últimos 30 ou 40 segundos são uma verdadeira delícia. Onde ele vai apanhar aquele kote... senhores. Deus no céu e Miyazaki no shiaijo.

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 76

Quarta-feira, 24 de Outubro 2007

Sayu-migi-men.
Como diria um kendoka que conheci em tempos: "Sayu-migi-men it's a bitch."

É rara a pessoa que começa a fazer kendo e que faz sayu-migi-men como deve ser. Hidari tudo bem. É mais natural e não há necessidade de torcer os braços, mas quando se trata de cortar do lado direito da cabeça do motodachi durante o kirikaeshi, 85% (pelo menos) dos praticantes mais recentes executa um ângulo de corte mais fechado e muitas vezes (quase sempre) sem a torção do pulso direito, a que permitiria à eventual lâmina do tachi exercer a função natural para a qual foi concebida: cortar.

Os motivos para tal são os mais variados e vão desde a simples preguiça, passando pelo (mau) hábito, até ao cansaço. É que dá trabalho, torcer o pulso direito de cada vez que se executa sayu-migi-men. É anti-natural. É preciso pensar. Estar atento ao que se faz e como se faz... lá está, dá trabalho.

Na verdade, é uma das minhas grandes preocupações durante a prática do kirikaeshi. Ter a certeza que o ângulo de ataque (+ ou - 45º) é igual nos dois casos, migi-men e hidari-men. Eis o que ocupa a minha mente a cada kirikaeshi.
E, no entanto, ontem ocorreu-me, fruto de um incidente de percurso, uma ideia "peregrina", um pensamento que me ajudou a tirar algumas conclusões muito simples:

O shinai.

Se calhar tem a ver com o shinai. É que ontem, depois de um mês sem o utilizar, voltei a "afinar" o meu shinai habitual e a diferença de sensações não poderia ter sido maior.
A tsuka é mais fina do que a do shinai que tinha estado a utilizar durante o último mês, logo o te-no-uchi (o sentimento de pegar) é outro, o peso, e a distribuição do mesmo, é diferente... enfim, tudo era diferente.
E se nos últimos dias me tinha sentido bem a fazer kirikaeshi com um shinai velho, ontem, foi uma alegria. O meu corpo "reconheceu" o Hasegawa e a resposta não se fez esperar. Finalmente, seis meses passados desde a minha ida para África, oh felicidade suprema, aleluia e glória a Deus nas alturas, o meu kirikaeshi está de volta.

Se calhar, o pessoal devia preocupar-se em encontrar um shinai que lhes facilite o te-no-uchi.
Porque, como dizia o sensei Osaka no fim do treino, quando se faz kirikaeshi deve-se executar os sayu-men como se se quisesse desenhar um Xis na testa do adversário/motodachi; e para isso, deve-se fazer sempre um ângulo igual de cada lado (direito e esquerdo) da cabeça... um ângulo de 45º... mais ou menos.

Abayo.

Nota: mais uma vez recomendo vivamente a consulta do link:
http://www.youtube.com/watch?v=6QDLIYq200c onde poderão assisitir a um kirikaeshi bem feito. Há muitos outros links na mesma página para filmes com gente a fazer kirikaeshi. Muitos deles, no entanto, são uma bela merda. Para verem um kirikaeshi feito nas calmas, bem definido, grande... comme il faut, vejam o link acima.

23.10.07

FESTA É FESTA

Mais um "divertissement" em formato escolar.

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 75

Segunda-feira, 22 de Outubro 2007

Belo treino. Assim é outra coisa.
Uma data de gente, tudo à shinaizada, muita gritaria, apenas brevemente interrompida pelo suave som do bambú a estalar contra a fibra dos Do... aaaaah, sinto-me tão bem.

Por falar em gritaria, uma vez por outra vêm-me à cabeça uma coisa sempre achei curiosa, que é o facto de o kendo ser, de todas artes marciais que conheço/pratiquei a única que usa o kakegoe, ou kiai, se lhe quiserem chamar assim, para nomear os alvos (e consequentemente as técnicas) que vão ser atingidas ou pelo menos visadas.

Claro que, em termos práticos (a) ninguém é obrigado a gritar "men" ou "kote" ou o que seja num combate ou num campeonato, basta-lhe berrar, sabemos disso e (b) mesmo que grite "men" ou "kote" ou "do", isso não interfere minimamente no combate visto que o kiai (apenas) acompanha o gesto, ou seja, não o antecede de modo a poder alertar o adversário, ... mas EM SITUAÇÃO DE TREINO todos os senseis com quem treinei enfatizavam que se deveria... lá está, berrar o nome do datotsu-bui.

Não deixaria de ser engraçado se a "moda" pegasse nas outras artes marciais.
Já estou a ver um par de judokas a lutar no chão e um deles a tentar uma imobilização e a gritar: kuzure-tate-shio-gataaaaame; ou dois lutando em pé e um deles aplicar e gritar: sasae-tsuri-komi-aaaaashi.

Hum... se calhar estou um pouco cansado... vamos lá acabar isto.

Foi mesmo um belo keiko.
Muita técnica básica: ashi-sabaki, men sankyodo, men ikkyodo (shomen e sayumen), shomen suburi, sayumen suburi, kirikaeshi e ainda tempo para dar "umas voltinhas" de ji-geiko.
Tal como na sexta-feira só faltou kakari-geiko.

No fim, o sensei voltou a lembrar que se deve fazer kiri-kaeshi com mais determinação e sobretudo com mais... pois é, isso mesmo, kiai. Mais kiai.

Abayo.

21.10.07

NUKI DO (HIGHSCHOOL STYLE)

Não é muito bonito, concordo. Mas é um belo mergulho.

20.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 74

Sexta-feira, 19 de Outubro 2007

Mais um dia com pouca gente. Um ou dois a mais que quarta-feira, mas ainda poucos. É estranha esta “ondulação” na frequência dos praticantes. Mas enfim, vendo bem, acho que sempre foi assim desde que lembro.
Há épocas em que há tanta gente que quase não se pode fazer ji-geiko sem atropelar os colegas do lado e outras em que quase dá para escolher qual a metade do dojo onde se deseja treinar.

O keiko, esse, nem por isso mudou muito no treino de ontem, ao contrário de quarta-feira em que, tal como já aqui escrevi, apenas servi de motodachi para os mais novos.
Ontem foi mais um dia daqueles, normal. Só não houve kakari-geiko. De resto, kirikaeshi q.b. (como sempre, alguns no princípio e um no fim da aula), shomen-uchi, renzoku-waza, uchi-komi geiko e, por fim, ji-geiko para acabar em beleza.

Ando muito satisfeito com o meu kirikaeshi ultimamente.
Parece finalmente estar no bom caminho.
Não me tenho tido de preocupar com a extensão dos braços, parece que está já automatizada, os cortes e o ângulo de sayu-migi-men estão com o hasuji correcto, estou descontraído, kime, sae... como disse, estou satisfeito.. já não cruzo os braços como ocasionalmente ainda acontecia...

No fim, o sensei Osaka, mais uma vez, insistiu para que os nossos men no fim de cada kirikaeshi sejam mais fortes e com uma passagem/movimentação mais rápida... o que, de certa maneira, parece um contra-senso. Pois se ele repete inúmeras vezes que é mais importante fazer bem do que fazer rápido... mas creio não é por aí.
O que eu (julgo) que ele está a querer dizer é que o último men de cada kirikaeshi deve ser feito mais rapidamente, mas relativamente à velocidade a que o kirikaeshi (inteiro) foi executado.
Assim, quem faz kirikaeshi “a mil” deve fazer o último men “a mil e dois”; já se se fez o kirikaeshi “a dez”, pois deve-se fazer o último men “a onze (ou doze, vá lá)”.

Fim.

18.10.07

POT-POURRI (VULGO: PAULADA-DE-CRIAR-BICHO)

É fartar vilanagem.

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 73

Quarta-feira, 17 de Outubro 2007

Poucos mas bons.
Bons principiantes, diga-se, daqueles que ganharam o bogu há pouco tempo e estão cheios de energia. Passámos o treino, eu, o Joni e o sensei Osaka a fazer de motodachi para eles. Foi um keiko muito calmo.

No final, o senhor Osaka, falando especialmente para esses principiantes, apenas destacou a necessidade de fazerem kiri-kaeshi mais amplo, mesmo que feito mais devagar. Com o tempo poderão começar a fazer mais depressa, mas para já, enquanto se ambientam ao kendo-gu, convém fazer bem em vez de fazer depressa.

Pelo caminho, não pude deixar de pensar como as expectativas (e as nossa próprias exigências) mudam à medida que se torna mais frequente o contacto com as técnicas. O que quero dizer é que as técnicas são sempre as mesmas, sempre iguais, mas a maneira como nós as encaramos, essa é que vai mudando à medida que avançamos no caminho.
O que eu concebo como um men bem executado, hoje, não tem nada a ver com o que considerava um men bem executado há uns dois ou três anos atrás. E no entanto, não aprendi, nesse meio-tempo, nenhum "segredo" ou particularidade especial acerca de men... o conceito de men não mudou em nada, relativamente ao dia em que eu, pela primeira vez, tive contacto com ele, já eu...

13.10.07

HIKI-MEN "BY THE BOOK"

É por estas (e por outras) que eu adoro hiki-waza. Muito limpo, muito simples, muito bom.

11.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 72

Quarta-feira, 10 de Outubro 2007

Mais um dia de treino.
Mais kiri-kaeshi, mais kakari-geiko, mais ji-geiko.
Mais coisas boas e mais coisas más.
Mais tentivas e mais erros.
Mais paciência e mais perseverança.
Mais vontade de melhorar hoje para fazer mais e melhor no próximo treino.
Mais keiko... só isso... mais nada.





Assim não. Tá tudo mal... tudo.



No final do treino o sensei apenas referiu muito brevemente que alguns dos mais novos ainda não acertam com a posição correcta dos pés, quando em chudan-kamae. Nomeadamente no que à distância entre os ditos diz respeito. Muito juntos, muito afastados, em linha... para acabar de vez com a questão ficou registado que a distância é aproximadamente a mesma que em shizentai (posição natural com os pés lado-a-lado). Assim:

Assim, sim... tudo bem.

E pronto, lá fomos à vida. Pr'a próxima há mais.

10.10.07

O ANO PASSADO FOI ASSIM:

54os Campeonatos Nacionais Absolutos de Kendo do Japão.

Uchimura ganha face a Furusawa. Foi assim no ano passado. Este ano, no dia 3 de Novembro, há mais.

9.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 71

Segunda–feira, 8 de Outubro 2007

Ashi-sabaki. Okuri-ashi, ayumi-ashi, etc, etc.
As nossas aulas (em Lisboa, pelo menos) comportam, normalmente, nalguma fase do keiko, um pouco de ashi-sabaki.
E foi precisamente sobre ashi-sabaki que o sensei debruçou a sua atenção no dia de hoje.
Mais exactamente sobre a utilização de okuri-ashi durante ji-geiko (ou shiai) o que, para quem pensava que os deslocamentos todos que existem no kendo são só para aquecer, pode ter sido uma grande surpresa.
Mas não. Aquela maneira “manhosa” de se deslocar... SURPRESA... tem aplicações práticas. Pois é.
Então vamos lá ver se consigo repetir como deve ser o que ele nos explicou.

No começo do combate os shinais encontram-se a uma distância maior que issoku-itto-no-ma, ou seja, a uma distância maior que um passo. Para poder desferir yuko-datotsu, é necessário, portanto, encurtar a distância.

O que o sensei nos dizia era que, depois de a primeira deslocação para entrar na distância ter sido feita, o pé de trás deve ser colocado (oculto pelo hakama) mais próximo do pé da frente do que o habitual.

Por outras palavras, aquilo que aos olhos do adversário parece ser uma situação de, lá está, issoku-itto-no-ma é, na verdade, uma posição vantajosa para nós.
Porquê? Porque o pé esquerdo, o pé de impulso, se encontra mais avançado, permitindo assim ganhar uns centímetros mais que podem ser vitais.
Se bem executado, este pequeno estratagema pode ser encarado como uma vantagem real.
Quer dizer, apesar de os shinais se encontrarem em issoku-itto-no-ma, o kendoka que se desloca encontra-se, na realidade, já muito próximo de SHIKA-MA.
E estar em shika-ma, como a gente sabe, é muito perigoso. Basta já ter combatido contra o senhor Osaka uma vez para perceber isso.

El Presidente, esse é que rejubilava de alegria. Finalmente, agora é que vai ganhar todos os combates contra o sensei.

- Era só o que faltava saber! Era aquilo do outro dia e mais isto hoje. - confessou emocionado e continuou – Agora sim, está mesmo, mesmo, mesmo, tramado comigo.

Suspiro.

3.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 70


Quarta-feira, 3 de Outubro, 2007

Foi mais um dia de treino, normal, sem grandes sobressaltos.

Um daqueles dias em que nada de especial acontece. Apenas um que se cumpre o desejo de treinar apenas pelo prazer de treinar. Em que se trabalha, se melhora, em que se descobre, quando se pensa nisso depois, que é destes treinos que a nossa evolução como kendokas e como pessoas é feita: ao depararmo-nos com os nossos erros, mas também com alguns progressos... dia após dia após dia após dia após dia....

Qualquer hachidan vos dirá que um estágio com um personagem XPTO qualquer é muito interessante, que a participação em shiai é fundamental, etc, etc, mas de certeza que também vos dirá que, sem sombra de dúvida, o mais importante (mesmo) do kendo é o keiko de todos os dias.

O keiko de hoje foi um bocadinho mais de isso mesmo, mais um bocadinho do todo.

Senti-me muito bem a fazer kirikaeshi, hoje. Estava fluido, rápido mas sem ser "a abrir", com kime no fim dos cortes, mas sem estar excessivamente contraído... foi fixe. Fiz bom ji-geiko, honesto... nada de espanpanante (isso já lá vai) mas eficaz, relaxado... senti-me bem.

No fim, o sensei referiu que, ao executar men, certas pessoas "cortam muito curto".

Quer isso dizer apontam muito para a zona da testa e acertam no men praticamente só com o sakigawa do shinai, e, segundo ele, isso pode ser bastante ineficaz. Basta que o adversário recue a cabeça um nadinha e o shinai só acertará no ar. Conselho do senhor Osaka? Usar todo o datotsubu do shinai (a "parte boa da lâmina") e não apenas a ponta do mesmo. Cortar mais fundo, disse ele.

E mais não disse.

Até.

2.10.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 69

Segunda-feira, 1 de Outubro 2007

Chushin sen, a linha central, também conhecida como seimei sen ou linha vital.

É impressionante como, com o passar do tempo, nos esquecemos das coisas mais importantes. Quando as incorporamos e elas passam a fazer parte de nós... pois, muito bem.
O problema é que muitas vezes nos esquecemos pura e simplesmente delas.
Como é o caso de chushin sen.

Até um dia, hoje por exemplo, em que o senhor Osaka nos volta a chamar a atenção para o facto de "ocupar" a linha central de um combate ser essencial para o sucesso no mesmo.

É que não há espaço nessa linha para dois shinais. Chushin sen é muito estreita, muito fina. Tão fina que só existe espaço nela para uma lãmina vitoriosa. E é preciso que o nosso shinai seja essa lâmina. Uma lâmina viva, por oposição à do adversário, que se deseja morta.

Por isso, dizia o sensei Osaka, quando se executa uma técnica, men por exemplo, é preciso que sejamos sempre nós o ocupante do espaço de chushin sen. Mesmo (e sobretudo?) durante o percurso do shinai até chegar ao datotsubui escolhido.
É que, se não formos nós, foi o adversário; e nesse caso, já estamos "mortos".

E dizia-me El Presidente depois das palavras do sensei:

- Ah, então é por isso que ele nos vence sempre. Agora já sabemos o segredo dele... está tramado.

Continua a sonhar, Nuno.

Abayo.

1.10.07

EU E O TORNEIO LX 2007

ou

Relato das desventuras em busca de um jodan-kamae mais eficaz.

Tame, tame – dizia-me o senhor Osaka – falta tame*.
Tudo o que pude responder-lhe foi acenar a cabeça num reconhecido desespero de causa. Eu sabia que ele tinha razão, só não percebia porquê.

É claro que por essa altura, no fim das pools e depois de ter sido “apurado” sem ter sequer marcado um único ponto, já me tinha apercebido, pelo menos, que algo não estava a funcionar. Mas o quê? O que é que não estava a funcionar?
Maai. A distância. Durante toda a minha participação neste torneio, falhei constantemente no meu obectivo de encontrar a distância ideal para combater.

E claro que se maai não está a funcionar, seme também não funciona e é muito pouco provável (impossível!) que tame exista sequer, quanto mais que funcione.

O mais frustrante é que tudo o que me aconteceu no Torneio de Lisboa 2007, aconteceu resultado, como sempre, das melhores intenções. Durante o Verão, fruto de algumas leituras e de alguns videos “peregrinos” tive uma epifânia. E partilhei-a com o sensei em busca de aprovação. E devo dizer que ele não colocou quaisquer reservas às minhas observações.

Então, a coisa é (deveria ser) mais ou menos assim: a posição clássica** de jodan-kamae diz-nos que a mão esquerda deve estar colocada a “um punho de distância” da testa.
Ora, certo sensei japonês, muito conhecido por utilizar frequentemente jodan-kamae e que ganhou três campeonatos do Japão combatendo dessa maneira, entre outras coisas, afirma que, em shiai, deve-se colocar a mão esquerda, não a um punho de distância, mas sim a dois punhos de distância da testa.

Objectivos práticos? A mão esquerda está mais próxima do adversário, logo tem de percorrer menos espaço para o atingir mas, ao mesmo tempo, apesar de estar mais próxima, tem “um punho a mais de distãncia para recolher” face a um eventual, e sempre esperado, ataque em age-gote por parte do oponente.
Digam lá, isto é o melhor de dois mundos ou isto é mesmo o melhor de dois mundos? Pois digo-vos eu, para quem combate em jodan É O MELHOR DE DOIS MUNDOS.

Agora, se tudo isso é realmente fácil de dizer, é mais fácil de dizer do que de fazer.

E maai? Em que é que ficamos quanto à distãncia do corpo? O novo posicionamento do meu braço esquerdo (muito mais “atrevido”) colocou-me imensos problemas em relação ao lugar que o tronco deve ocupar nesta nova equação.

Numa certa altura, um dos sempai dizia-me que eu estava, e passo a citar, “inclinado para a frente”. Ora quando se está, e só tenho de acreditar nas palavras dele, inclinado para a frente é muito difícil que a parte inferior do corpo, necessária para uma boa execução de qualquer katate-waza, tenha a mesma velocidade, a mesma capacidade arranque, que é como quem diz, a mesma eficácia.

Por outro lado, uma das coisas que o sensei Osaka me tinha dito, há uma data de tempo atrás, da última vez que me tinha visto combater em jodan-kamae, é que eu preciso de ter o shinai mais visível. Não tão para trás. Quanto mais presente estiver o shinai, no campo de visão do adversário, mais ameaçadora se torna a kamae e mais forte é o seme da mesma. Outra preocupação.

Em resumo, chegar aos quartos-de-final depois de um ano sem fazer shiai, diria, numa primeira análise, que não foi mau. Agora, chegar aos quartos-de-final sem marcar qualquer ippon, à custa de hansoku, foi mesmo fantástico...

Foi fantasticamente mau.

*ver post Maai, Hyoshi e Yomi 3 (Dezembro 2006);

**tal como se aprende em Nihon Kendo Kata Ipponme;

30.9.07

E OS VENCEDORES SÃO:

Os felizes vencedores na tradicional foto com os seus prémios.


O representante da e-bogu, Dr. Sérgio Andrade,
com o Kendoka Revelação 2007.

Pedro Marques e Joni Duarte.
Respectivamente “Kendoka Revelação” e “Kendoka do Ano” 2007.

Eleitos apenas pelos seus pares, como convém.

Muitos parabéns a ambos.

Agradecimentos especiais à e-bogu, pelo patrocínio e apoio, e a todos os que votaram, pela sua participação nesta, obrigatoriamente modesta, acção promocional do kendo e dos kendokas protugueses.

29.9.07

USAGI AWARDS 1ºS RESULTADOS

Estão eleitos os dois vencedores do ano.

Por agora, o que posso revelar é que um é de Lisboa e outro não.

Pronto. Pró ano talvez haja mais. Veremos.

28.9.07

FIM DE PRAZO: 22 HORAS


Faltam horas apenas para se saber quem serão os "Kendoka do Ano" e "Kendoka Revelação" do ano de 2007.

Os Usagi San Awards 2007, nunca é demais salientar, contam este ano com o gentil e exclusivo patrocínio da E-Bogu Portugal.

As "urnas" encerram hoje às 22 horas TMG e as "estatuetas" estão prontas, faltando apenas preencher o espaço onde brilharão os nomes dos eleitos.

Os prémios serão entregues amanhã, 29 de Setembro, durante o Torneio de Lisboa.

Se ainda não votou, já sabe pode fazê-lo até às 22 horas de hoje para o email:

Até amanhã.

26.9.07

USAGI SAN AWARDS EM 2008?

Faltam aproximadamente 48 horas para o final da votação nos Usagi San Awards 2007.

O ano passado, por esta altura, o vencedor estava quase definido e a votação tinha já sido muito superior à deste ano.

O que põe em questão uma data de coisas. A começar pela continuação ou não da existência deste blog.

É que, se por um lado, os números de visitantes nunca foi tão alto, por outro, nunca a interacção entre os visitantes e o "corpo editorial" do mesmo foi tão baixa.

Eu não me vou queixar que esta coisa de blogar dá muito trabalho, não dá. Pelo menos a mim, não me dá. Sempre fiz questão de ter este blog a funcionar por uma questão de prazer.

Nunca tive um milímetro de espaço ocupado com anúncios.

Para poder ter a lata de pedir coisas a outras pessoas, nomeadamente textos para traduzir ao Sensei Tokitsu, ao Sensei Honda ou ao Dr Alex Bennett, só para citar alguns daqueles que andei a melgar ao longo destes anos, sempre achei vital que ninguém pudesse, de maneira nenhuma, encontrar nestas páginas algo que fosse visto como tendo sido criado com espírito comercial ou com objectivo de lucro.

Quando eu era miúdo, e praticava karate, nos longínquos anos do milénio passado, lembro-me bem da seca que era ter de esperar um mês (às vezes vários, porque a distribuidora portuguesa fazia gato-sapato dos leitores) pela edição de uma revista francesa chamada "karate". Aquelas dezenas de páginas (em princípio) mensais eram um oásis de informação para o praticante faminto de notícias.

Hoje, para a maior parte dos praticantes de budo nacionais, essa é uma realidade completamente desconhecida, e apesar de não haver muita coisa sobre kendo e em português na net, sei que posso acabar com este blog a qualquer momento e ficar com a minha consciência tranquila.

A quantidade de informação acumulada ao longo destes poucos anos já me deixaria, se fosse outra vez um puto de 13/14 anos faminto de informação, totalmente saciado... bom, pelo menos por uns tempos.

Tudo isto para chegar ao ponto crucial deste desabafo, meus caros poucos e fiéis (e egoístas) leitores, e que é o seguinte:

Se esta votação tiver menos votantes que a do ano passado é um sinal claro, para mim pelo menos, que não ando aqui a fazer nada.
É sinal que as pessoas se fartaram, que este blog deixou de fazer qualquer sentido e que, naturalmente e sem quaisquer ressentimentos, está na altura de partir para outra.

Agora é convosco.

25.9.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 68

Segunda-feira, 24 de Setembro 2007

Hoje não me apetecia nada ir treinar. MESMO NADA. Talvez por isso, o treino não me soube bem. Não soube.
Arrastei-me até à escola secundária Patrício Prazeres em busca da motivação, mas a coisa não estava mesmo a funcionar. Para agravar as coisas o sensei atrasou-se e tive de orientar o começo do treino anterior ao aquecimento; depois, dei o aquecimento e ainda o tai-so mal tinha começado e já eu suava que nem um animalzinho.
Depois o senhor Osaka chegou, mas o meu pé, em contra-partida, deixou de funcionar, depois as minhas costas começaram a ficar doridas... enfim, p'ra esquecer. Fiz uns kirikaeshi sofríveis, uns kakari-geiko medrosos (não é merdosos, não chegou a tanto) e uns ji-geiko a todos os níveis miseráveis...

Por fim, a aula lá terminou. E o sensei realçou, nas suas palavras finais, que quando fazemos kakari-geiko o melhor é fazer sempre as técnicas o mais directas possível, sem grandes floreados. Virar rápido, bater rápido, passar rápido; virar rápido, bater ráp... hum... perceberam a ideia, certo?
E pronto, aí acabou a parte da aula.

DEPOIS, depois veio a parte engraçada. Dei boleia ao sensei e ao Joni de volta para casa.
E eles lá iam alegremente a tagarelar naquela língua desgraçada que ambos falam quando, às tantas, o senhor Osaka se vira e me diz que o Joni queria saber como é que fazia (bem) uma técnica qualquer (eles falavam de kaeshi-do, creio eu). Qual era o "segredo", salvo seja.

A resposta não podia ser mais simples, e mais japonesa. Não tem a ver com a maneira como se coloca o shinai durante o kaeshi, não tem a ver com timing, não tem a ver com nada disso... mas tem a ver com isso TUDO.
Em resumo, só se consegue fazer um bom kaeshi-do, ou outra coisa qualquer, treinando muito. O senhor de La Palice deve ter dado piruetas de alegria no seu caixão.

Treino. Mais nada.

23.9.07

FAVORITOS 3


E segue a apresentação de alguns dos meus momentos favoritos, retirados da net; neste caso hiki-men.

22.9.07

PERO QUE LAS AY LAS AY

Como rentabilizar, ou pelo menos, amortizar as despesas de deslocação de uma equipa nacional a campeonatos internacionais? Como fazer para que "aquele kendoka" que até devia estar presente, porque faz falta à equipa, possa viajar com o resto da comitiva, apesar de não ter dinheiro para pagar as suas viagens?
A resposta inevitavelmente passa sempre pelo mesmo: patrocínios.
Mas só quem já alguma vez passou pelo processo sabe como é estranho o mundo dos patrocínios no kendo desportivo.
Ao contrário dos praticantes de certas modalidades marciais, cujo keiko-gi parece um filho ilegítimo, gerado durante um bacanal entre praticantes e anunciantes, os anúncios de patrocinadores no keiko-gi e no kendo-gu dos kendokas é ainda bastante raro.
Mas já existe.

E já não é só nos tenogi's ou nos fatos de treino das selecções... ou ainda aquele discreto quadradinho nos hakamas da e-bogu.

Mais fotos do campeonato do mundo de Taiwan em:
http://www.simulacre.org/wordpress/photos/album/72157594416796101/

Como se pode ver nesta foto da selecção coreana presente nos 13ºs Campeonatos do Mundo, a publicidade nos equipamentos de kendo está a chegar. Devagarinho, discretamente, mas está MESMO a chegar.

Só falta perguntar: então e a Nokia em Portugal? Vai um patrociniozinho, hein?

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 67

Sexta-feira, 21 de Setembro 2007

Dia calmo, treino tranquilo. Tudo como quarta-feira, apenas com mais ji-geiko.
Vê-se que o Torneio de Lisboa está à porta, sente-se no ar a vontade de combater, o desejo de esmagar os adversá... ups... bom, quero dizer, o pessoal está realmente contente por se voltar a sentir bem outra vez.
Os ataques já fluem de outra maneira, os reflexos estão mais vivos, os encadeamentos sucedem-se... enfim, está-se calma mas resolutamente a voltar à boa-forma anterior às férias.
Fiz um bom ji-geiko contra o senhor Osaka. Levei menos pazada que o habitual. Fiquei muito contente com isso.

No fim, o sensei dedicou poucas palavras a este treino dizendo apenas que o nosso kiri-kaeshi (para não variar) precisa de mais vigor.

Foi mais uma semana de treinos que assim acabou e esta já ninguém ma tira.

Até 2ª.

19.9.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 66

Quarta-feira, 19 de Setembro 2007

O dia hoje foi complicado para mim.
O meu tornozelo esquerdo não anda bom e passo metade do tempo a "defender-me" de o utilizar; moral da história: o tornozelo direito, sobrecarregado, começa (também) a incomodar-me. Isto a partir de uma certa idade...

Enfim, mais um dia de mawari-geiko, com bokuto (ni yoru kendo kihon) waza (keiko ho), kiri-kaeshi, sho-men-uchi e, por fim, um bom bocado de ji-geiko. Para o fim do ji-geiko treinei um pouco em hidari-jodan-kamae contra o meu irmão.
Ainda não os consigo acertar todos, mas os ataques katate-kote começam a sair melhor. Ao menos já sinto o corte. É assim uma coisa tipo... ki.... ken-tai, ou às vezes, ki-tai sem ken, ou ki-ken mas o corpo chega atrasado... ou não chega nunca :-D.
Mas isso não me preocupa muito. Quando comecei a fazer jodan tinha precisamente o mesmo problema com men mas, no entanto, agora já sei com antecedência se o katate-men vai ser bom ou não.

Toda esta conversa acerca de jodan porquê? Pois... o problema foi que as palavras finais do sensei Osaka se centraram sobre a tendência que muitos têm de, durante o ji-geiko, afastarem demasiado os pés um do outro, perdendo assim alguma capacidade de impulso que pode ser crucial.

E eu faço isso. Sobretudo quando combato em jodan. Raios, será por isso?

18.9.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 64 E 65

Sexta-feira, 14 e segunda-feira, 17 de Setembro 2007

Eu sei, eu sei, outra vez dois de uma vez, mas o que querem? Ele fala pouco ultimamente.

Então na sexta, apesar de poucas, as palavras do senhor Osaka remeteram para um assunto bastante importante: fumikomi-ashi. De facto, não me lembro agora (e não me apetece ir ler os post's anteriores todos), mas creio que poucas vezes o ouvi, pelo menos no fim das aulas, mencionar fumikomi-ashi. O gesto de "pisar" com força com o pé direito quando se executa um (qualquer que seja) ataque.

Mais fumikomi, o pé ao mesmo tempo do shinai, forte, disse.

E a verdade é que fumikomi-ashi está profundamente relacionado com ki-ken-tai no ichi e portanto, com a essência do kendo moderno.
Para lá do facto, óbvio, de uma boa "patada" fornecer um apoio maior no instante em que o corpo (que se desloca) mais precisa dele, outros valores mais altos se levantam.
Por exemplo, uma vez que o pé deve atingir o solo no mesmo momento em que o shinai atinge um dos datotsu-bui do adversário, quase que pode dizer-se que um bom fumikomi-ashi é já dois terços de um ippon.
Se tudo correr como deve ser, no instante de fumikomi-ashi, o pé já "levou consigo" o ken (espada) e o tai (corpo).

Outra coisa que ele mencionou, já não para o grupo mas em resposta a uma pergunta do meu irmão, relaciona-se com kiri-kaeshi e com o "eterno problema de chocar ou não chocar", ou seja, depois de sho-men, e antes de se iniciar cada uma das séries de 9 sayu-men, deve-se fazer ou não fazer tai-atari? Segundo este 7º dan, sim. E não.
Sim, quando se é um praticante já com algum tempo de keiko (não sendo, no entanto, o gesto obrigatório), e definitivamente não, se se é um principiante.

Ontem, segunda-feira, o sensei disse-nos apenas que, quando se faz kakari-geiko, que aliás temos feito em fartura, não se deve executar movimentos circulares com o shinai, mas sim ser o mais directo possível nas trajectórias. Toda a gente disse "hai", alto e bom som, e em seguida toda a gente olhou para o Sousa... até o Sousa ;-).

Até quarta e bom keiko.

E não se esqueçam de votar nos Usagi San Awards.

17.9.07

FAVORITOS 2

Mais um dos meus videos favoritos de sempre na net. Desta vez um fantástico tsuki executado por uma aluna de um liceu de Kyoto.

Eis o significado da expressão: "right to the point".

12.9.07

A PALAVRA DO SENHOR (OSAKA) 62 E 63

Segunda-feira 10 e quarta-feira 12 de Setembro 2007.

Tanto na segunda-feira como hoje os treinos foram bastantes calmos.
De facto, creio que estamos todos ainda um pouco em recuperação.
Até o senhor Osaka foi bastante parco nas palavras, tanto no último treino como hoje.

Na segunda-feira relembrou (isto do Verão apaga muitas memórias) apenas que o último men de cada kiri-kaeshi deve ser feito com determinação, determinação própria de ippon.

Hoje a sua mensagem virou-se para a mão esquerda (há já algum tempo que ele não nos lembrava da importância da mão esquerda no kendo) e para maneira como se deve agarrar a extremidade do shinai: fazendo força apenas com os três dedos "finais" da mão... mínimo, anelar e médio.

Foi isto... 6ª há mais.