11.7.05
MEMÓRIA INESQUECÍVEL DO ANO QUE PASSOU (2).
4.7.05
KITAMOTO BABY, KITAMOTO
De 27 de Julho a 3 de Agosto, eu, e mais o nosso ilustre doutor Nuno Serrano, estaremos presentes, assim corra tudo bem, no 30th Foreign Kendo Leaders’Summer Seminar 2005.
Oito dias de kendo kata, kendo keiko, kendo shiai, kendo shimpan, kendo, kendo e mais kendo e kendo e kendo.
A começar às 6 e meia da matina e a acabar todos os dias às 8 e meia da tarde.
Iiiaaah.
1.5.05
O FIM DE UM CICLO
29.4.05
OS ÚLTIMOS COMBATES DE S. TAKANO E T. NAÎTO
O site do sensei Kenji Tokitsu (http://www.tokitsu.com), que amavelmente me cedeu estes textos sem pedir nada em troca, dispõe de muitos mais, não só sobre kendo, mas também relacionados com outros assuntos do mundo do budo.
Se conseguir ganhar coragem talvez tente traduzir mais umas coisas interessantes.
Para já, vou parar um bocadinho.
Treinem mais, melhor e sobretudo, divirtam-se quando o fizerem.
Obrigado pela atenção.
Por altura do ano 1900, os dois adeptos Takano e Naîto estão entre os dez maiores mestres de kendo do Japão. Quando as suas reputações começam a ecoar no mundo do kendo japonês, uma questão surge naturalmente: “Se eles combaterem quem ganhará? No espírito dos dois praticantes o outro está sempre presente e essa consciência aguça-se junto das respectivas comitivas.
No mês de Maio de 1901, por ocasião do sexto torneio do Butoku-kaî, os dois rivais reencontram-se de novo. Eis aqui o relato do combate tal como está preservado no "Kendo-sangoku-shi":
“Têm ambos 40 anos e estão no pleno de força e de espírito. O encontro é digno de representar o mais alto nível do kendo japonês. O juíz principal é Kanichiro Mihashi. Takano usa um do (plastrão) vermelho e o de Naîto é negro, o contraste é marcante. Uma calma profunda enche o Butokuden. Takano assume a guarda em seigan (média) e Naîto em gedan (baixa).
"Eéé...!!", Takano lança um kiai enquanto que Naîto permanecendo mudo levanta, pouco a pouco, a ponta do shinai. Takano recua o seu pé esquerdo de um passo. Os espectadores retêm a respiração ao contemplar o combate.
O ki dos dois mestres choca-se no espaço em faíscas invisíveis. Cada um procura captar com o seu espírito, aquilo que oculta o do outro. Por instantes o shinai de Takano agita-se. "Eyaa !!", no instante que vai atacar o men (cabeça) do seu adversário, Naîto lança o seu shinai como um relâmpago para atingir o kote (pulso) de Takano e marca o primeiro “ippon” (um ponto).
No segundo combate Takano assume jodan (guarda alta), enquanto Naîto opta por seigan (guarda média). Durante um momento permanecem imóveis e a tensão prende os espectadores.
"Tôo !!", Naîto atira-se com um violento tsuki (ataque à garganta) mas Takano girando o seu corpo para a direita ataca diagonalmente o men (yoko-men) de Naîto. O juíz levanta a mão e anuncia o ippon de Takano...”
No decurso desse encontro, nem um nem outro ganha o terceiro combate e separam-se sem que haja vencedor ou vencido. Os dois rivais vão-se ainda encontrar várias vezes ao longo da vida, mas nem um nem outro conseguirá obter uma vitória definitiva. Ambos contribuiram de modo importante na constituição do kendo no Japão, mantendo-se sempre críticos para com a tendência do kendo para se afastar cada vez mais do espírito da espada dos samurais.
T. Naîto sobretudo, mesmo na sua vida privada, comportava-se tendo como referência o modelo do “bushi”. Por exemplo, proibia os seus alunos de despejar saké rodando a garrafa para o exterior (com a palma da mão para cima), pois essa maneira de despejar está reservada para molhar o sabre no momento de cortar a cabeça, quando se ajuda um samurai a fazer seppuku. Proibia todas as roupas que tivessem de se vestir por sobre a cabeça, pois quando cobrimos a cabeça, criamos um momento vulnerável. No Japão é normal que um discípulo ou um aluno carregue as bagagens do mestre, mas ele nunca permitiu que carregassem o seu shinai ou o kendogu, pois são assuntos pessoais de um bushi que nunca se deve separar da sua arma... vivendo assim como um samurai, a sua vida material era simples, pobre até. (…) Acabou a sua vida sem nunca ter possuído casa própria. O saké parece ter sido o seu melhor companheiro. Depois de cada treino de manhã, à tarde e à noite, bebia grandes quantidades de saké, o que deve ter contribuido para encurtar a sua vida.
Foi em 1928 que T. Naîto e S. Takano efectuaram o seu último combate, aquele que já analisámos em artigos precedentes. Em 1929, é decidida a organização de um torneio com a presença do Imperador. Naîto opõe-se até ao último momento, pois essa decisão surge como uma ordem vinda do próprio Imperador. Diante dos que lhe anunciam a ordem do soberano, Naîto inclina-se profundamente dizendo: “Não posso senão aceitar se essa decisão é ordem de Sua Magestade.”
Ao voltar a Quioto, porém, queixa-se: “É assim que o kendo do Japão vai morrer.” Ele desejava que o kendo permanecesse fora da alçada imperial, pois a presença do Imperador conferia uma consciência honorária irremediável que se arriscava a provocar vaidade no kendo. Ia-se tentar ganhar em vez de aprofundar a qualidade da prática. Para T. Naîto, um torneio não era senão uma ocasião para treinar, onde importava mais a qualidade da prática do que a vitória. A ironia do destino fez com que Naîto fosse nomeado presidente dos árbitros para esse torneio. Mas, na véspera do evento, acabou por escapar a esse papel que o contrariava. Uma morte súbita levou-o. Tinha 68 anos.
S. Takano viveria até 1950. A sua vida, longa de 89 anos foi consagrada à espada e deixou marcas incontornáveis no kendo japonês. Os seus últimos alunos têm hoje à volta de 70 anos e desempenham um papel decisivo no kendo actual. Takano continuou a ensinar na Escola Normal Superior mesmo depois dos 80 anos. Gostava de falar e falava bem. Escutemos um dos seus alunos: “Ele mostrou-nos as suas mãos que pareciam patas de urso. A pele das costas da mão era espessa e dura como a de um hipópotamo. Ele dizia: “Toque na palma da minha mão. Não é suave e macia como a pele de uma virgem? Se têm bolhas ou calos na palma da mão, isso deve-se a uma falta de precisão na maneira como seguram o shinai. É preciso segurar-lhe sem que a palma da mão endureça.” Esse era o seu ensinamento.”
28.4.05
BUDO SENMON GAKKÔ – A ESCOLA ESPECIAL DE BUDO
Obrigado http://www.tokitsu.com por tão gráfica elucidação.
Em 1902, em ligação com o Butoku-kaî, é formada o Instituto de Formação de Professor de Budo. A partir dessa experiência a “Escola Especial de Budo” é constituída em 1912. A duração do curso era, a princípio, de 3 anos, depois passou para 4. Aí, ensinava-se principalmente o kendo e o judo, de uma maneira particularmente dura. Eis o testemunho de H. Hiromitsu, estudante dessa época:
“Os ferimentos eram bastantes entre os estudantes. Muito renunciaram ao curso devido à sua dureza e alguns dos meus amigos morreram mesmo. Era frequente que os colegas vomitassem através da grade da máscara de protecção, próximo do poço. Como transpirávamos muito, urinávamos pouco, mas com sangue à mistura. Um dia, o meu tio foi assistir ao treino. Nunca esquecerei que me disse: “Volta comigo para casa. Não poderás sobreviver aqui, mesmo que tenhas várias vidas.” Então pedi-lhe que não dissesse nada, sobretudo à minha mãe que morria de inquetação por mim.”
O princípio dessa escola era aprender sem palavras, segundo a orientação que Naîto e os outros mestres tinham adoptado. Essa atitude de ensino contrasta com o de Takano, que dava vastas explicações no decurso dos seus treinos. E essa diferença reflectiu-se na prática das escolas de Este e Oeste.
J. Furusé testemunha: “Chegávamos a um limite onde não conseguíamos fazer nada. Mas nesse estado de “quase-morte” era nossa obrigação descobrir força através do kiai e apoiarmo-nos solidamente no chão para continuar a combater. Essa experiência de investir a própria vida no treino é inesquecível. Ela ajudou-me mais tarde em diferentes fases da minha vida. Devo agradecimentos por esse tipo de treino.”
Através dos testemunhos dos alunos podemos adivinhar a experiência que deve ter sido a juventude de Naîto. Ao rumo principal da Escola Especial de Budo decidido por T. Naîto, juntavam-se por vezes outras iniciativas do director da escola. Em 1918, H. Nishikubo torna-se director e tem por hábito assistir aos treinos dos alunos. É costume efectuar durante o período mais frio do ano uma série de treinos chamados "kan-géiko". No célebre frio de inverno de Kyoto todas as janelas do dojo são abertas de par em par. O primeiro treino começa às cinco da manhã.
Para esses treinos o director Nishikubo chega todos os dias com as suas “roupas especiais” de treino; especiais porque ele as mergulha na água e deixa-as na rua de um dia para o outro, o que faz que estejam duras e geladas. O seu corpo grande e redondo de lutador de sumô, vestido com as roupas geladas, cedo começa a soltar vapor de água durante o treino.
S. Takano também tinha feito esse tipo de treino na sua juventude. Ele dizia aos seus estudantes que tiritavam de frio durante os kan-géiko: “Quando eu era novo, nós faziamos treinos de inverno depois de ter mergulhado a roupa de treino na água e continuávamos a treinar até que ela secasse.”
Em todo o caso, a busca para ultrapassar as dificuldades era comum a todas as artes marciais japonesas, seja no Este ou no Oeste. Porque faziam eles isso? Era necessário? Acontece qualificarmos de masoquismo ou de sadismo a atitude ascética na prática do budo, quando os actos começam a separar-se do seu objectivo. É, sem dúvida, um problema sobre o qual é necessário reflectir quando praticamos artes marciais na nossa vida actual.
27.4.05
RIVAIS DE TODA UMA VIDA
Sazaburo Takano e Takaharu Naîto nasceram no mesmo ano, 1862, ambos filhos de bushi (samurai), as suas proezas desenrolam-se na vizinhança da prefeitura de polícia de Tóquio.
Na situação social que acabamos de descrever, em 1896, Takano volta para Tóquio e funda aí o dojo "Meishin-kan" onde se dedica à formação de jovens praticantes. Um pouco mais tarde, em 1899, Naîto instala-se em Quioto, onde se torna num dos principais mestres do Butoku-kaî.
Naîto tinha uma posição importante na prefeitura. O que o faz deixar Tóquio é, diz-se, um telegrama enviado por M. Kusunoki, um dos fundadores do Butokukai: “Venha pela (causa da) via.” Esta pequena frase toca o coração de Naîto que parte imediatamente para Quioto. Satisfaz assim o desejo de Kanichiro Mihashi, perito de renome na arte dos dois sabres, cognominado “Musashi contemporâneo” que, envelhecendo, desejava tê-lo como discípulo.
É assim que os dois rivais se instalam, um em Tóquio e outro em Quioto, dando forma às correntes de Este e Oeste que se irão defrontar durante os 30 anos que se seguiram. Em 1901, J. Kano, fundador do judo, que era também director da Escola Normal Superior de Tóquio, convida Takano a assumir o papel de mestre de kendo nessa escola. Relembremos que o termo “kendo” foi usado pela primeira vez num texto oficial, num decreto-lei de 1891, relativo à educação física escolar, quando o kendo foi integrado no curriculum liceal. Mas nessa época, eram ainda os termos kenjutsu e gekiken os mais utilizados pelos praticantes. Anteriormente, nos anos 1880, julga-se que Yamaoka Tesshu, já terá utilizado a palavra “kendo” ao fundar a sua escola “Muto-ryu”, sintetizada pela famosa frase: “a espada não existe fora do espírito” (shin-gai-mutô). A denominação kendo estabiliza-se por volta dos anos de 1910, definindo-se através da noção de via (do) em vez da de técnica (jutsu). A diferença não é apenas de palavras, mas na ideia directora da prática do kenjutsu e do kendo. Para ser um pouco mais rigoroso, é mais correcto não utilizar a palavra kendo para designar a prática da espada de antes do fim do século XIX. Em todo o caso, S. Takano torna-se mestre de “kendo” de uma Escola Superior, ao mesmo tempo que dirige o seu próprio dojo.
Enquanto a actividade de Takano ganha cada vez maior envergadura na zona de Tóquio, Naîto desenvolve a sua na área de Quioto. Paralelamente ás suas funções como mestre do Butoku-kaî, quando a “Escola Especial de Budo” (Budo senmon gakkô) é constituida na antiga capital, ele torna-se o seu mestre director.
26.4.05
DAI-NIPPON-BUTOKU-KAÎ: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO KENDO (II)
Para preparar a guerra contra a Rússia, o Japão envia oficiais para estudarem a cultura e a sociedade russas. Alguns estão encarregados de entrar em contacto com os elementos revolucionários que se dedicam a actividades clandestinas contra o poder do Czar e de lhes fornecer apoio financeiro. O Japão investiu um orçamento considerável na preparação e execução dessa guerra e, quando obtém a vitória em 1904, está à beira da bancarrota.
As artes marciais modernas são, por certo, pouco eficazes na guerra moderna, mas mostraram uma grande eficiência para forjar os homens que se envolvem nos diversos domínios da mesma, particularmente no exército. Não convém confundir a noção de do (a via) tal como a concebemos hoje com a que foi formulada nessa época. O Japão acabara de escapar à colonização a que tinham sido submetidos outros países asiáticos, mas a ameaça das forças ocidentais estava sempre presente. A prática do budo, nessas condições, servia para afirmar a identidade japonesa e reforçar a vontade pessoal dentro de uma acção nacional que se confundia com a vocação de cada um. A ética do budo dessa época comporta um investimento da própria vida no objectivo colectivo; é isso que indica Jigoro Kano quando diz: “transformem-se nos pilares do país”, nas aulas que dá aos seus primeiros alunos, aquando da fundação do judo. O dever pessoal e o interesse de estado confundiam-se completamente. É com este pano de fundo social que é elaborada a nova noção de artes marciais, que se apoia na noção de do. E ela começa a partir do judo.
O Butoku-kaî foi fundado nessa atmosfera para centralizar e dirigir a formação e o desenvolvimento do budo. O kenjutsu está no centro das suas actividades. A fundação do Butoku-kaî é uma reviravolta na situação das artes marciais que, apenas vinte anos antes, a sociedade inteira tendia a enterrar. A prática das artes marciais no começo do século XX tornava-se, de novo, num elemento motor da consciência japonesa que começava a estender-se, quebrando a casca do feudalismo.
22.4.05
DAI-NIPPON-BUTOKU-KAÎ: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO KENDO (I)
Em 1895 é constituido o "Dai-Nippon-Butoku-kaî" (Associação da Virtude das Artes Marciais do Japão Imperial), habitualmente chamado "Butoku-kaî".
Esse grupo tem por objectivo assegurar a continuidade das artes marciais tradicionais japonesas e desenvolvê-las .é preciso sublinhar que o Japão acabara de conseguir uma vitória decisiva contra a China, em 1894. o Butoku-kaî foi constituído num ambiente de ascenção nacional(ista) no qual os japoneses tomaram consciência da sua força militar. Um quarto de século antes tinham sido obrigados a põr em causa a estrutura do país perante a ameaça das forças militares dos Estados Unidos e das potências europeias. A consciência de uma crise e uma espécie de complexo de inferioridade face aos ocidentais serviram como pano de fundo das transformações sociais. Foi nessa situação de crise da tradição que a prática das artes marciais se viu menosprezada, e numa dada altura, quase que abandonada. Mas, nessa altura, os japoneses estudaram na Europa as técnicas militares e o seu exército obteve uma tal força que conseguiu vencer a grande China, a qual por seu lado, tinha alimentado culturalmente o Japão desde a antiguidade.
Dez anos depois, o Japão vai-se envolver numa guerra contra a Rússia, o que galvaniza a energia colectiva do povo de uma maneira surpreendente.
20.4.05
O SEGUNDO RECONTRO DOS RIVAIS
Durante um ano, T. Naîto encontra-se na mesma situação que S. Takano, na prefeitura de polícia de Tóquio. Mas não é fácil aos dois rivais encontrarem-se no decurso dos treinos. Cada um dos combates entre os professores era concebido como um duelo, portanto eles não combatiam de um modo ligeiro entre eles, mesmo que, dentro de cada dojo, tivessem por hábito combater com as pessoas mais diversas.
Em Julho de 1888 Yamaoka Tesshu morre e, no mês de Agosto, Sazaburo Takano decide sair da polícia onde tinha entrado segundo recomendação do seu mestre Yamaoka. Regressa a Chichibu onde tinha deixado a sua mulher e o filho nascido um ano antes. No mês de Outubro entra na polícia departamental de Saitama como mestre de kenjutsu e, por essa altura, manda construir em Urawa um dojo e uma casa onde se instala com a sua família. Esse dojo, chamado " Urawa Meishin-kan", situa-se mesmo em frente da Escola Normal de Urawa, e por isso, um número considerável de estudantes tornam-se seus alunos.
Em 1889 um torneio é organizado pela prefeitura de polícia e S. Takano participa, representando o dojo da esquadra de Urawa. É nesse torneio que ele reencontra o seu rival T. Naîto. O combate entre os dois rivais suscita o interesse dos adeptos da polícia; eis aqui o relato segundo o "Kendo sengoku shi" (Proezas dos adeptos de kendo), de Kôji Hara, Tóquio 1977 :
“O grande dia chegou finalmente. Os dois peritos avançam calamamente para o centro do shiai-jo. O árbitro principal é Kanshiro. Os dois adversários assumem a guarda em seïgan. Takano avança lentamente sustendo um pouco a respiração. Dois anos se passaram desde que perdeu contra Naîto.
“Yaa!!” grita Naîto, enquanto que Takano avança sem soltar qualquer kiai... Naîto continua a rodopiar ligeiramente a ponta do seu shinai.
“Tôo!!” Takano ataca violentamente. Naîto apara o shinai adversário e fazendo-o girar com o seu, atinge o kote de Takano. O árbitro anuncia : “Insuficiente.”
De seguida, Naîto lança imediatamente um ataque á cabeça de Takano. É então que este, baixando ligeiramente o corpo, desfere um golpe violento no flanco direito de Naîto (do). Men nuki do.
“Sorémadé!!” (Parem o combate, pois o assunto é claro.), grita o árbitro.
Naîto retira-se saudando Takano, que murmura para si mesmo: “Ganhei.”
19.4.05
T. NAÎTO ENTRA PARA A POLÍCIA
“Mestre Ozawa treinou-me outrora, sinto uma certa simpatia por si, por ser seu aluno. Não quer aprofundar o seu kenjutsu na prefeitura de polícia?”
T. Naîto não estava pronto para dar uma resposta imediata a essa proposta. Pergunta-lhe apenas: “Gostaria de receber uma lição sua.”
“Muito bem, eu recebi lições do seu mestre na juventude. Dou-lhe uma lição de boa vontade, visto que você é aluno dele.”
Os dois adeptos da mesma escola colocam-se frente a frente.
Shimoé assume guarda em seigan, T. Naîto audaciosamente coloca-se em guarda hasso, o que surpreende todos os que assistem. Shimoé solta um kiai ameaçando um ataque tsuki, depois deixa aperceber um vazio (suki) no seu kote (pulso). Naîto avança com uma negligência aparente. S. Takano observa-os com o olhar petrificado. Nesse momento, Shimoé lança o seu katate-zuki à garganta de Naîto, enquanto que ele lhe atinge o seu flanco esquerdo (gyaku-do). Os dois ruídos ecoam simultaneamente no ar do dojo. Para os espectadores o combate parece um toque simultâneo (aîuchi), mas Y. Kajiwara anuncia em voz alta. “Sorémadé!” (parem o combate, pois o assunto é claro.)
Os espectadores perguntam-se: “Quem ganhou?”
Então Naîto retira a máscara de protecção e diz, baixando profundamente a cabeça: “Agradeço-lhe a sua lição.”
É assim que os outros compreendem que foi Shimoé quem ganhou. Este combate marcou fortemente S. Takano e a reputação de Naîto aumenta ainda mais dentro da prefeitura. Pouco depois, Takaharu Naîto entra para a polícia como mestre de kenjutsu, recomendado por Shutato Shimoé.
CAMPEONATO DA EUROPA DE 2007 VAI SER ONDE?
Segundo fontes geralmente bem informadas, próximas da Direcção da APK, os próximos campeonatos da Europa de kendo deverão ter lugar em 2007 em solo português.
"Apenas" em 2007 porque, sendo 2006 ano de campeonato do mundo, nesse ano o campeonato referente ao nosso continente não se realiza.
Pode ser giro, pode ser muito giro.
Uma grande responsabilidade é de certeza. De resto, pode ser giro.
COMO T. NAÎTO ENTRA NA PREFEITURA DE POLÍCIA
Depois da sua derrota contra Naîto, S. Takano aumentou a severidade do seu treino. Ao vê-lo treinar, S. Shimoé comentou: “Takano parece mudado nos últimos dias.” Shimoé, muito mais velho que Takano, era considerado como um dos mestres supremos da prefeitura de polícia. Depois do treino S. Takano diz-lhe:
“Perdi contra um adepto da escola Hokushin-Itto-ryu."
Os olhos de Shimoé brilham , pois ele também é adepto dessa escola.
“Como se chama ele?”
“Chama-se Takaharu Naîto, originário de Mito.”
”Se ele é da escola Hokushin-Itto-ryu, de Mito, trata-se certamente de um aluno do mestre Torakichi Ozawa. É estimulante para mim saber que semelhante pessoa provém dessa escola.”
A ESCOLA HOKUSHIN-ITTO-RYU DO MESTRE OZAWA
É assim que S. Shimoé se interessa por T. Naîto. Mas não foi apenas porque eram da mesma escola. Adolescente, quando era aluno do dojo principal da escola Hokushin-Itto-ryu em Edo, um adepto da mesma escola chegou vindo de Mito, treinou com ele e foi completamente derrotado. Esse adepto chamava-se Torakichi Ozawa. Shimoé pensou que um jovem praticante vindo de Mito deveria ser seu aluno. E não se enganou. Assim, ao ouvir falar das proezas desse jovem perito, originário da sua escola, sentiu imediatamente uma certa simpatia. E pensou que seria bom fazer entrar na prefeitura de polícia um outro perito, originário como ele da escola Hokushin-Itto-ryu.
Seguindo as informações relativas a esse jovem perito chamado Naîto, Shimoé pensou, ao refazer o seu itinerário que ele deveria ir proximamente ao dojo de Fakagawa. Na manhã seguinte deslocou-se até ao dojo da esquadra de Fukagawa. Depois de ter treinado com os polícias locais disse-lhes: “Se um adepto chamado Naîto, aparecer por aqui, previnam-me imediatamente. Se já for tarde, peçam-lhe gentilmente para me ir ver ao dojo central da prefeitura.”
Com efeito, pouco tempo depois Naîto passou pelo dojo de Fukagawa e bate Sakabé, o mestre principal da esquadra, com um tsuki espectacular. A mensagem de Shimoé é transmitida a Naîto antes que lele saia do dojo.
Naîto tinha ouvido falar de Shimoé pelo seu mestre T. Ozawa e pensa: “Trata-se de um mestre de alto nível. Que pode ele querer de mim? Em todo o caso o encontro não pode ser senão interessante.”
18.4.05
UM PERITO EXCEPCIONAL, SHUTARO SHIMOÉ
Afinal, quem era Shutaro Shimoé, o perito que recomendou Takaharu Naîto para a polícia de Tóquio? Basta ler. Aqui, ou em http://www.tokitsu.com.
Shutaro Shimoé nasce em 1848, numa família de mestres da espada. Aos 11 anos entra no dojo de Eîjiro Chiba e, aos 19, torna-se chefe dos discípulos (juku tô) do dojo Genbukan, o dojo central da escola Hokushin-itto-ryu. Tornar-se chefe dos discípulos do Gembukan com a idade de 19 anos é prova de um talento excepcional. S. Shimoé foi um dos grandes peritos da época Meiji. Mas ele considerava a sua arte da espada como uma coisa pessoal e treinava, no dojo, mas para si mesmo, sem se preocupar em formar alunos. As suas capacidades eram reconhecidas e respeitadas por todos os mestres da polícia. Entrar na prefeitura de polícia com uma recomendação de Shimoé equivalia a ter a melhor menção possível no diploma.
A propósito de S. Shimoé, escutemos Shigéyoshi Takano (1876-1956), filho adoptivo de Sazaburo Takano: “Nessa época o mestre Shimoé já tinha mais de 60 anos... na manhã da minha chegada ao seu dojo, recebi a primeira lição. O mestre era grande e media perto de um metro e oitenta. Num canto do dojo estava colocado um tapete molhado. O mestre humedeu os pés ligeiramente antes de começar o treino.
Diz com uma voz baixa: “Vou-lhe acertar um pequeno tsuki, está bem?” e acerta-me um tsuki dizendo “atingido com um pequeno tsuki.”
Mas não foi nenhum “pequeno tsuki”. Esse “pequeno” era tão terrível que quando se recebia um desses “pequenos tsuki” não se conseguir nem engolir saliva durante dois ou três dias. O tsuki só com uma mão (katate-zuki), sobretudo, era a grande especialidade do mestre e ele não amortecia a técnica de forma nenhuma. Depois de me ter dado a sua especialidade, foi de novo humedecer os pés no tapete, ao canto do dojo e voltou para mais uma lição.
E previne-me: ”Desta vez vou atacá-lo a partir da guarda jodan da escola Yagyu-ryu." Trata-se de um ataque ao kote (pulso) a partir da guarda alta. O ataque é muito lento e consigo vê-lo bem. Mas recebo na mesma um golpe fulgurante. Era como se o seu shinai se viesse colar ao meu kote como um vampiro. Sinto uma dor percutante e o mestre então diz: “Acabou de perder o pulso.” Depois, foi de novo molhar os pés. Quando lanço o meu ataque à cabeça (men) na esperança de acertar ao menos uma vez, ele ataca o meu do (flanco) em “nukidô” dizendo: “Eu fico em vantagem, assim.” Então sinto, por debaixo da armadura, feita de bambú e de couro, uma dor que me atravessa o flanco como uma lâmina. As suas mãos eram de tal forma hábeis e precisas (té no uchi) que um golpe aparentemente negligente ganhava uma eficácia terrível.
Depois vai, mais uma vez, molhar os pés. Eu não consigo fazer nada. O meu shinai não toca o seu corpo uma única vez... o mestre Kadona, perito de grande reputação em Quioto, dizia também ele: Nunca consegui tocar o corpo do mestre Shimoé com o meu shinai...”
Mestre Shimoé entendia que a sua arte era apenas para si e nunca tentou formar alunos. Mas as suas capacidades eram únicas...”
17.4.05
AS PROEZAS DE T. NAÎTO
Depois vá até http://www.tokitsu.com. Lá também encontrará coisas boas para ler.
O combatente seguinte, J. Hiyama perde também contra Naîto. S. Kakimoto não combate, T. Kikuchi é o último. Ele é 3º kyu, o graduado mais alto entre os peritos ainda em actividade, pois aqueles que recebem a graduação de 2º kyu, são, normalmente, relativamente mais velhos. A reputação de Kikuchi já está bem estabelecida no mundo do kenjutsu. Ninguém pensa que ele pode perder contra aquele jovem adepto. Mas o destino do combate é definido num instante. Kikuchi recebe um terrível tsuki (ataque com a ponta do shinai à garganta) e é atirado ao chão. Depois de se levantar, saúda dizendo: “Maîtta!!!”
Depois saúda S. Kakimoto.
Perante isto, Takaharu Naîto baixa o seu shinai e saúda sem dizer uma palavra. Recua até à parte inferior do dojo e retira a máscara de protecção. Lança um olhar directo aos seus adversários, pousa as duas mãos no chão e baixando profundamente a cabeça diz: “Agradeço-vos.”
S. Kakimoto diz-lhe: “O seu nível é magnífico. Penso que é o resultado da sua perseverança na via.”
“Agradeço-lhe.”
Mas Kakimoto continua: “Aqueles que combateram hoje aqui contra si, estão entre os melhores de uma prefeitura de polícia que contém um grande número de peritos importantes. Você conseguiu fazer uns excelentes combates contra eles...”
“Foi um bom keiko.” diz Kikuchi.
Habitualmente traduz-se “keiko” como treino, mas o sentido do termo é mais amplo em japonês. Trata-se aqui do combate que teve lugar mas também da maneira como se desenrolou e do nível que os peritos deram provas. Para indicar que se aprecia o nível de alguém, segundo a sua maneira de agir no dojo, diz-se que o keiko foi bom. Eis porque não é suficiente traduzir a palavra como treino. Etimologicamente, a palavra keiko significa: aprender o essencial a partir da obra dos antecessores. Assim, o mesmo é dizer que o treino não é apenas um confronto com um adversário presente, mas é também um confronto com o nível atingido pelos antecessores. Dizer que o keiko foi bom, quer dizer que o treino foi denso e a experiência enriquecedora, independentemente da vitória ou da derrota.
Alguns dias mais tarde, S. Takano recebe o telegrama habitual ordenando que se deslocasse de urgência ao dojo central da prefeitura de polícia, assim que terminasse o treino em Motomachi.
Enquanto está a vestir as protecções (já na prefeitura), chega Zenjiro Kagawa da esquadra de Shimoya. Diz-lhe: “Recebi um adepto em “musha-shugyo” esta manhã. Pensava que o ia pôr a andar e agi descuidadamente. Pois bem, fui eu que fui parar ao meio do chão.”
Z. Kagawa continua alegre apesar de ter sido vencido (consta que era uma característica sua). E continua a falar: “Há pessoas espantosas neste mundo!”
“E o mestre Eda, então?” pergunta Takano.
“Derrotado.”
“E mestre Nakamura?”
“Derrotado.”
“Mestre Kaîho, então?”
“Foi o único que acabou sem receber qualquer golpe, sempre em guarda jodan, mas também não marcou nenhum. Acho que esse homem irá brevemente ao seu dojo.”
“Chama-se de Takaharu Naîto e já lá foi. Toda a gente foi derrotada.”
“Essa agora, não é possível!” diz Z. Kagawa rebentando a rir, enquanto que S. Takano está longe de ter vontade para tal.
Cada vez que vai treinar ao dojo central da polícia, ouve falar das proezas de T. Naîto que combateu neste e naquele dojo da polícia. No início de Novembro, ouve dizer que Naîto se vai entrar para a polícia.
“Dizem que foi o mestre Shimoé que o propõs.”
Uma recomendação de Shutaro Shimoé tem um grande valor.
T. NAÎTO’S FEATS
So Naîto won against Takano, what about the other masters who were in the dojo with him, that day? What happened? Check it out.
Check out http://www.tokitsu.com too. It’s worth it.
In the next fight J. Hiyama also looses to Naîto. S. Kakimoto doesn’t fight, and T. Kikuchi goes last. He holds a 3rd kyu rank, he is the highest among the experts still actives, because those who receive the 2nd kyu rank are generally relatively older. Kikuchi’s reputation is already well established in the kenjutsu world. Nobody thinks he can loose against that young fencer. But the destiny of the combat is defined in an instant. Kikuchi receives a terrible tsuki (attack with the tip of the shinai to the throat) and is thrown to the ground. After standing up he salutes and says: “Maîtta!!!”
After, he salutes S. Kakimoto.
Takaharu Naîto lowers his shinai and salutes without a word. He goes back to the lower section of the dojo and takes his protective mask off. He looks directly to his adversaries, puts both hands on the floor and bows respectably saying: “I’m really thankful.”
Then Kakimoto says: “your level is magnificent. I think it’s the result of you persevering in the way.”
“I thank you.”
But Kakimoto continues: “Those who fougth her against you are among the best in police headquarters that holds a great number of important experts. You did excelent against them…”
“It was good keiko.” Kikuchi says.
Usually one translates “keiko” as training, but the meaning of the word in japanese goes beyond that. Here, it’s about the fight that took place, but also the way it took place and the level shown by the experts envolved. In order to show one’s appreciation towards someone’s level, and the way he acts in the dojo, you’ll say keiko was good. That’s why translating keiko as training is not enough. Etymologically, the word keiko means: to learn the essentials from the work of the predecessors. So, the same thing is to say, training is not just a confrontation with an actual adversary, but also with the level reached by the predecessors. Saying keiko was good, means the practice was dense and the experience enriching, apart from of winning or loosing.
A few days later, S. Takano receives the usual telegram ordering him to proceed to the police headquarters dojo, as soon as he finished the practice in Motomachi.
Once there, while putting the protective gear on, Zenjiro Kagawa arrives from Shimoya police station. He says: “I had the visit of an expert in “musha-shugyo” this morning. I thought he’d be easy to handle and I acted carelessly. Well, I ended with my back on the floor.”
Altough he’s been beated, Z. Kagawa stays happy (it is said it was one of his personal characteristics). And he keeps on talking: “There are some amazing persons in this world!”
“What about Eda sensei?” Takano asks.
“Defeated.”
“Nakamura sensei?”
“Defeated.”
“Kaîho sensei, then?”
He was the only one that ended without receiving any blow, always in jodan stance, but he didn’t score either. I think that, soon, man will go to your dojo.”
“His name is Takaharu Naîto and he’s been there already. Evrybody was defeated.”
“How about that, that’s not possible.” Z. Kagawa says, bursting to laughs, while S. Takano is far from finding it amusing.
Each and everytime he goes to prectice in the police headquarters dojo, he listens about Naîto’s feats, who fought this one and defeated that other one. In the beginning of November, someone tells him Naîto is about to join the police force.
“People say it was master Shimoé that recommended him.”
A recommendation from Shutaro Shimoé is of great value.
16.4.05
TODAY IS APRIL THE 16TH
Well, as a matter of fact, I've one more post already translated; it's about Shimoé sensei... I think.
But after that one... it's hasta la vista, baby.
15.4.05
20 ºs CAMPEONATOS DA EUROPA DE KENDO
Para já, se for até www.kendo.ch garanto-lhe que nem o quadro com o sorteio das equipas, que deve ter sido feito há um mês atrás, está disponível. E nós é que somos terceiro-mundistas.
Cambada de palhaços.
THE END OF THE "BILINGUAL" PART OF THE BLOG.
It's the last day to receive messages from you people out there, saying if you want this blog to still have a bilingual half. So far I've received one message.
I guess the answer is clear. I'll finish posting the stuff I've already translated and start posting only in portuguese, from then on.
P.S.: To the one that wrote me: sorry... and thanks a lot.
13.4.05
O PRIMEIRO COMBATE DE S. TAKANO E T. NAÎTO
Leia aqui ou, em francês, em: http://www.tokitsu.com.
Os dois adversários, S. Takano e T. Naîto, separados por uma distância de nove passos, avançam para o centro do dojo e assumem a posição de sonkyo, segundo a regra de treino Kôbusho da era Bakumatsu.
A revista “Kendo-Nippon” nº 10 – ano de 1977, oferece a seguinte descrição do combate:
“Takano assume a guarda jodan (alta), pé esquerdo à frente, e Naîto a guarda chudan/seïgan (média). Takano provoca Naîto para que ele ataque, mas o outro pernanece sereno. Takano acaba por lançar um ataque ao men (cabeça) usando o seu shinai para executar o ataque de cima para baixo. É então que Naîto se desloca para a direita e atinge o do (flanco) de Takano que diz que o golpe foi ligeiro, reassumindo em seguida a sua guarda. Depois, a cena repete-se e Takano declara a sua derrota ao parar e saudar o adversário. Naîto saúda igualmente Takano.”
Este artigo não é, no entanto, muito credível, visto que não menciona a origem das informações. Tanto mais que quando T. Naîto de tornou professor no Butokukaî, era conhecido por não apreciar que se atacasse ao flanco e mostrava o seu descontentamento quando os seus alunos ganhavam em torneios atacando desse modo ou através de alguma “habilidade técnica”. Com efeito, ele criticava severamente as técnicas superficiais, e dizia: “Golpeiem o men, pois é o mais difícil. Se conseguirem golpear correctamente o men, conseguirão golpear em qualquer lado.” Ele fazia também uma distinção severa entre aprofundar as técnicas e utilizar “técnicas habilidosas”.
Mas o combate contra Takano teve lugar possivelmente 25 anos antes. É provável que a sua maneira de combater e as suas ideias sobre o combate tenham evoluído ao longo dos tempos. Em todo o caso Sazaburo Takano perdeu e Takaharu Naîto ganhou.
Takano recua até à parede e tira a protecção da cabeça. Limpa o suor abundante que disfarça as suas lágrimas. Aquando do torneio desse mesmo ano no qual participaram os maiores peritos da polícia, Takano tinha perdido contra Seîsaku Umézawa, 3º kyu, uma graduação logo acima da sua. A derrota contra Naîto inflinge-lhe uma ferida incomparavelmente mais profunda. Não consegue deixar de pensar que se atrasou na via do espada. Foi muito difícil reconhecer a força do ki que não parou de o empurrar durante o combate. Está convencido que é uma força que Naîto obteve durante a sua musha-shugyo, enquanto vivia em condições adversas, dormindo na natureza e comendo o mínimo.
THE FIRST COMBAT BETWEEN S. TAKANO AND T. NAÎTO
It’s done. Two atacks and it’s over. And who won the first figth?
Read it her or, in french, here: http://www.tokitsu.com.
The two opponents, S. Takano and T. Naîto, separated by a nine steps distance, walk towards the middle of the dojo and assume the sonkyo position, according to the Kôbusho training rule from Bakumatsu period.
The 10th issue from “Kendo-Nippon” magazine – 1977 – offers the following escription of the fight:
“Takano takes jodan stance (high), his left foot forward, and Naîto takes chudan/seïgan stance (middle). Takano provoques naîto hopeing for an attack, but the other man remains serene. Takano finally launches an attack to the adversary’s men (head) using his shinai in a downwards movement. That’s when Naîto moves his body to the right and hits Takano’s do (flank), who claims it’s was light strike and reassumes his jodan stance. After that the scene repeats itself and Takano declares his defeat by stopping and bowing to his adversary. Naîto does the same.”
This article, however, is not very credible, since it does not mentions the source of the informations. Furthermore, when T. Naîto became a Butokukaî teacher, he was known for not appreciating do attacks and for showing his unhappiness when his students won tournaments that way or through any “technical hability”. As a matter of fact, he used to severely criticize superficial techniques, and said: “Hit the men, because it’s the most difficult. Once you can correctly hit the men, you will be capable to hit anywhere.” He also used to make harsh comments between deepining the techniques and doing “technical habilities”.
But the fight against Takano took place some 25 years earlier. It’s probable that his was of fighting and also his ideas about combat evolved as times went by. Anyway, Sazaburo Takano lost and Takaharu Naîto won.
Takano moved back to the wall and took his protective mask off. He cleaned the sweat that concealed his tears. During the year’s tournamnet, attended by all the greatest police experts, Takano had lost against Seîsaku Umézawa, 3rd kyu, just a rank above him. The defeat against Naîto opens an incomparably deep wound. He can’t stop thinking he felt behind the way of the sword. It was very hard for him to recognize the ki stenght that didn’t stop pushing him backwards during the fight. He’s convinced Naîto obtained it during his musha-shugyo, while living in difficult conditions, sleeping in nature and eating a minimum.
