31.3.05

O TREINO NA PREFEITURA DE POLÍCIA

No próximo artigo Takaharu Naîto, o rival de Sazaburo Takano estará, finalmente, de volta. Até lá, só em http://www.tokitsu.com.

O treino no dojo da prefeitura de polícia era célebre pela sua dureza e era dirigido por grandes mestres como Yoshimasa Kajikawa, Umanosuké Uéda e Sosuké Henmi. Esses mestres, ao longo das agitações sociais do fim da era Edo, tinham tido experiência de combates com espadas verdadeiras.
S. Takano conta as suas recordações dessa época:
“Quando era mais novo, fizemos um treino de doze horas. Foi uma prova destinada a seleccionar alguns adeptos que fariam uma viagem pelo Japão. No começo éramos 10, entre os quais se encontravam Z. Kawasaki et K. Takahashi. Tratava-se de combater a partir das 18 horas até às 6 da manhã sem interrupções. Para esse tipo de provas os mestres de kenjutsu de cada comissariado de Tóquio vinham sempre com vontade de esmagar os adversários. Pela meia-noite, devido à fadiga e ao sono, os nervos começavam a relaxar e os que se encontravam no meio do dojo eram imediatamente projectados para o chão. Para triunfar no teste tinha de se conseguir ir até ao fim. Por volta das duas da manhã, senti vontade de desistir, tal era dureza. E quando eu só me conseguia aguentar em pé encostado contra a parede apontando o meu shinai ao adversário, vinham buscar-me e colocavam-me no centro do dojo para me golpearem e fazerem tsuki. Enquanto me defendia foi envolvido pelo sono que me fez baixar as pálpebras. Éramos como pequenos peixes enfrentando enormes ondas. Mas o espírito do ser humano é surpreendente. Ao escutar o canto primeiro galo, do lado de fora, descobri uma nova força com a luz esbranquiçada da aurora, a minha consciência iluminou-se. E fomos nós que levámos então, para o centro do dojo os que, algumas horas antes, nos tinham torturado, era a nossa vingança. Em todo o caso só nós três (S. Takano, Z. Kawasaki e K. Takahashi) entre os dez conseguimos concluir a prova, o que nos trouxe uma grande popularidade. Durante todo esse tempo, fui três vezes à casa-de-banho e bebi uma sopa de arroz outras três. Depois dessa prova urina-se sangue e precisa de uma semana para recuperar da fatiga. Durante o período de recuperação quando se dorme ressona-se fortemente, mas o espírito não consegue descansar, pois continuamos a sonhar que estamos a combater de shinai na mão.
Era nessa época que o treino era o mais duro.”
No decurso desse treino, chamado "tachigiri", quando a consciência estava enfraquecida pela dureza dos combates, a imagem do jovem perito chamado Takaharu Naîto voltou ao espírito de S. Takano.
“Ele fez face, durante sete horas, a todos os alunos do dojo Henmi, que o atacavam para o esmagar, para defender a honra do dojo. No entanto, não carregou o dojo às costas uma única vez.” (“Carregar o dojo às costas” era uma expressão corrente e que significava ser atirado ao chão. Nessa época, o kenjutsu incorporava bastantes projecções.)
S. Takano nunca tinha visto T. Naîto, para ele, a sua imagem não tinha uma cara, mas o seu nome estava gravado na sua memória. Quando se tornou instrutor da polícia, procurou pelo nome, pensando que talvez ele se encontrasse entre os professores. Não estava. “Ainda deve andar a viajar com a armadura às costas, a caminho de um qualquer dojo.”

PRACTICE IN THE POLICE HEADQUARTERS
In the next article Takaharu Naîto, Sazaburo Takano’s rival will be, finally, back. Until then, he’s here:
http://www.tokitsu.com.

Practice in the police headquarters dojo was famous for being severe and was run by great masters like Yoshimasa Kajikawa, Umanosuké Uéda and Sosuké Henmi. Those masters, during the social turmoil of the end of the Edo period, had gone through experiences in combats with true swords.
S. Takano recalls his memories from those days:
“When I was younger, we made a twelve hours training session. It was a test to select a few experts, who would go on a trip across Japan. In beginning we were 10, including Z. Kawasaki et K. Takahashi. The idea was to fight from 6 P.M. until 6 A.M. without stops. In those events, the kenjutsu masters from each Tokyo police station, were always present and ready to smash his opponents. Around midnight, due to tireness and lack of sleep, nerves started to relax and those who were in the center of the dojo were imediately thrown to the ground. In order to be successful, you had to go all the way to the end of the training session. About 2 A.M., I felt the need to give up, because it was too difficult to handle. And, while I only could stand up if I had my back against the dojo wall, they’d pick me up, put me in the center of the dojo and they’d stroke me and did tsuki. When I was there defending myself I almost felt assleep and my eyes even closed. We were like little fish facing huge waves. But the human spirit is amazing. When I listened to the first morning rooster, outside, I found a new strength with the pale light of dawn, my conscience became clear. And then, we took them to the center of the dojo, the same ones that a few hours earlier had tortured us; it was our revenge. Anyway, from the 10 that started, only the 3 of us (S. Takano, Z. Kawasaki e K. Takahashi) made it to the end, and that brought us great popularity. During the all time of the training I went three times to the toilet and had rice soup another three. After the session you piss blood and you need a whole week to recover from the fatigue. During the recovering period you snore heavily while you sleep, but your spirit does not rest, as you keep dreaming that you are still fighting with a shinai in your hand.
That was the time when training was harder.”
During the course of the training, called "tachigiri", when conscience was weaker due to the hardness of the fights, the image of the young expert called Takaharu Naîto appeared in S. Takano spirit.
“He faced, for seven hours, all the students of the Henmi dojo who wanted to smash him, in order to defend the honor of the dojo. However he never carried the dojo on his back, one single time.” (“To carry the dojo on his back” was an current expression in those days and meant to be thrown to the ground. Back then, kenjutsu included a lot of throwing techniques.)
S. Takano had never seen T. Naîto, so his image didn’t had a face, but his name was carved in his memory. When he became a police instructor he search for the name, thinking he might find him among the teachers. He wasn’t there. “He must still be travelling, the carrying his gear, and walking to another dojo.”

1 comentário:

Erik Mann disse...

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