26.4.06

ROENTGENS

É preciso que saibamos umas coisas sobre radiação. E tudo o que há para saber, neste caso, é muito simples. O dispositivo usado para medir os níveis de radiação chama-se contador Geiger. Se o ligarmos em Lisboa, ou no meio de outra cidade da Europa, deverá marcar cerca de 10 a12 microroentgen por hora.
Ora bem, 1.000 microroentgens são 1 milliroentgen e 1.000 milliroentgens são 1 roentgen.
Sendo assim, 1 roentgen vale (+ ou -) 100.000 vezes a radiação média de uma cidade europeia.

Uma dose de 500 roentgens em 5 horas é fatal para os seres humanos.
Nos primeiros dias a seguir à explosão do reactor de Chernobyl, nalguns locais próximos da central, os contadores marcavam entre 3.000 e 30.000 roentgens por hora.



"Liquidadores" a caminho da central nuclear.
A maior parte das pessoas nesta fotografia estão mortas.
(Foto de Lu Taskey, Abril de 1986)

Os bombeiros que foram mandados para apagar o incêndio no reactor foram queimados vivos no próprio local pelos raios gama.

A região de Chernobyl permanecerá radioactiva durante os próximos 48.000 anos. No entanto, a área poderá começar a ser repopulada, em princípio, dentro de 600 anos, com uma margem de 300 anos de erro, mais século menos século.


O mais irónico é que acabo de ver o actual ministro da energia ucraniano, na EuroNews, a defender a construção de mais centrais nucleares no seu país.
Ele há gente que não aprende mesmo. Enfim, amanhã voltamos ao kendo.

23.4.06

ALGUMA VEZ TERIA DE SER

Este é, que me lembre, o primeiríssimo post que vou escrever neste blog que NÃO TEM NADA A VER com kendo, budo, Japão ou o que quer que seja que foi escrito neste blog. E o motivo é, salvo seja, muito simples.

Dia 26 de Abril, quarta-feira passam vinte anos (já) sobre o acidente nuclear de Chernobyl.

Elena Filatova é o nome.
http://www.kiddofspeed.com/ é o site.
Elena revisits Chernobyl é o link a não perder.

Aviso à navegação: é duro.

Portanto, da próxima vez que virem um certo industrial chico-esperto a defender na TV que o nuclear é a alternativa certa (e mais segura!!!) para os problemas energéticos de Portugal lembrem-se:
a) eles pensavam precisamente o mesmo há vinte anos atrás em Chernobyl;
b) de tal maneira pensavam que era seguro que, na noite do acidente, as pessoas da cidade subiam aos pontos mais altos para "apreciar" a luminosidade cor-de-laranja que iluminava os céus do lado da central nuclear;
c) por mais seguro que seja, nada garante que um Akimov português (um Silva) não carregue no botão errado no momento errado;

Nuclear? Não obrigado.

19.4.06

UM ESTÁGIO DE KENDO "COMO DEVE SER"

Foto Sandrine Pivert
Ora cá está um estágio pelo qual vou fazer tudo para estar presente. Nuestros hermanos é que "sabem-la toda".
Entre 24 e 30 de Julho decorre, em Valência, o (1º?) Kendo Campus, como eles lhe chamam.
Estarão presentes os seguintes mestres:

Akira MIYAZAKI - 8ºdan Hanshi
Naoshi ABE - 8ºdan Kyoshi
Satoshi MARUYAMA - 8ºdan Kyoshi
Tadao KURODA - 7ºdan Kyoshi

O keiko terá lugar entre as 9 da manhã e as 12 e 30.
Tarde livre.
E depois ji-geiko das 19 e 30 às 20 e 45.

Dia 29 da parte da manhã há campeonato e da parte da tarde ji-geiko e exames.

O preço (das aulas) para os 7 dias é de 120 euros.

Mais informações é só escrever para kendocampus@hotmail.com.

Bute lá???

17.4.06

KENDO E JOGOS OLÍMPICOS III

E de repente, boas notícias.
Na passada sexta-feira, 7 de Abril 2006, em Seoul, a IKF (International Kendo Federation) apresentou perante a assembleia geral da Associação Geral Internacional de Federações Desportivas (GAISF), o seu pedido de adesão, o qual foi aceite. E em boa hora, diga-se.

E o que é que os Jogos Olímpicos têm a ver com isto, perguntarão?
Então, é muito simples. Um dos requisitos indispensáveis para uma disciplina ser aceite no COI (Comité Olímpico Internacional) é ter uma federação internacional (e só uma) que tenha sido reconhecida pela GAISF como único representante mundial da actividade/desporto que promove, no caso da IKF, o kendo.

Por outras palavras, se a IKF foi aceite na GAISF como sendo o legítimo (e único, repito) representante mundial do kendo, isso quer dizer que a WKA, apesar do seu lobby, não foi. O que quer dizer que, sem a WKA na GAISF, não há “kendo olímpico” para ninguém.

Se já sonhavam com medalhas podem tirar o cavalinho da chuva.

10.4.06

KENDO E JOGOS OLÍMPICOS II

Agora a sério.

O problema do kendo.

Imaginemos que, com bastante tempo e paciência, até se conseguia que TODA A GENTE, NO MUNDO, aprendesse as regras e percebesse a competição de kendo tal como ela é.
Vamos ser optimistas. Quanto tempo tolerariam as grandes redes de televisão mundiais (não esquecer que os jogos são sobretudo um evento televisivo à escala planetária que vive de patrocínios comerciais) um desporto sem duração pré-determinada?

Sabemos muito bem que uma final de um campeonato pode acabar em segundos, mas também (por exemplo, a final por equipas masculinas do mundial de Glasgow) sabemos que pode estender-se por 15 ou 20 minutos de anti-shiai sem que nada de interessante (pelo menos, para um tele-espectador vulgar) se passe.

O que é um facto é que, tal como é entendido e praticado hoje, o shiai de kendo é impensável nuns Jogos Olímpicos. Já nem vou falar da fome das medalhas e de tudo o que os atletas são capazes de fazer para as obter. Afinal, o mais importante no kendo nem é vencer.

Porque é que o judo criou os "famosos" koka e yuko? Para abreviar os combates? Não tenho a mais pequena dúvida. Porque é que o taekwondo olímpico tem vitórias por acumulação de pontos, tal qual como, por exemplo, o boxe? É tudo uma questão de tempo, do seu controle e do dinheiro que esse "tempo televisivo olímpico" vale em compromissos comerciais.

Qual a solução?

A solução proposta pela World Kumdo Association, desvirtua completamente aquilo a que chamamos kendo actualmente: marcação electrónica, acumulação de pontos, pontapés (sim, sim), etc. O exemplo do judo também não é o melhor. Criar fracções de ippon numa arte marcial que tem como um dos seus fundamentos o conceito de "um golpe, uma morte", parece-me, no mínimo, ridículo. E assim, de repente, não estou a ver mais nada.

Então, repito: Qual a solução? Não há solução e não me parece que haja vergonha nenhuma nisso. Porque é que o kendo deveria ser desporto olímpico? Seria mais importante por isso? Será menos desporto assim?
Pelo contrário, a verdade é que tudo indica que, tal como se desconfiava, o kendo é muito mais do que um simples desporto.

KENDO E JOGOS OLÍMPICOS

Outro dia estava a falar com o Jorge acerca de kendo e Jogos Olímpicos e a meio da conversa lembrei-me de tudo (?) o que é, ou deve ser, necessário para que um ataque seja bem sucedido e, portanto, marcado um ponto ao kendoka.
Pensei: “Não queria ser o locutor de serviço de um canal de televisão nesse dia”. Acham que exagero? Então vamos lá, isto é só que me lembrei agora.
Para um ponto ser marcado num combate de kendo ele deve ser mais ou menos assim:

Deve-se atingir um dos yuko-datotsu demonstando ki-ken-tai no itchi, a partir do ma-ai apropriado, executando ha-suji correctamente e batendo com a parte correcta do shinai (o datotsu), o impacto, esse, deve ter sae e o praticante deve manter zanshin mesmo depois do golpe.

Simples, não é? OK, é um bocadinho subjectivo...
Façam a experiência: tentem explicar (só) ki-ken-tai no itchi a alguém que nunca viu kendo na vida e digam-lhe que é um dos factores que determina se um ponto é atribuido ou não, e porquê.

Bom, podia-se sempre fazer como no judo. Criavam-se waza-ari(s), meios-pontos, koka(s) e yuko(s) quartos e oitavos de ponto. (Nota: pode ser ao contrário não sei; yuko é um quarto e koka um oitavo de ponto... sei lá.) Olha, teve ki-ken mas não teve tai, vale um koka. Bateu só de raspão? Não há problema: um yuko resolve isso já. Acertou no Do mas não demonstrou zanshin? Eh, até fez barulho, toma lá um waza-ari, prontes.

Ou, mais simplesmente ainda, fazia-se como os coreanos da World Kumdo Association querem fazer: “tipo” esgrima olímpica. Assim, uma espécie de sport chambara com marcadores electrónicos:
- Tocou?
- Acho que sim... pelo menos a luz acendeu...
- Então marcou.
- Ah... mas não teve ki-ken-tai no...
- Não teve o quê? Não me venha cá com essas paneleirices japonesas, amigo... bateu, bateu. Ah, campeão. Mais uma medalha, carago.

9.4.06

SAITO SENSEI EM MADRID

Foto gentilmente roubada em: www.kenwakai.org

Da direcção do Kenwakai de Madrid recebi uma comunicação dando a conhecer o retorno de Akitsuna Saito sensei, 7º dan kyoshi, a Madrid para mais num mini-estágio de 2 dias. O referido terá lugar nos dias 29 e 30 de Abril, sábado e domingo, no dojo do clube; segunda-feira, dia 1 de Maio (feriado) o sensei desloca-se até Zaragoza para mais um dia de treinos.
Este ano, uma das novidades é que A. Saito se fará acompanhar por um outro sensei japonês 6º dan.
O estágio é completamente grátis.
Mais informações, suponho que em breve no site do Kenwakai (www.kenwakai.org). Para já não vi nada.

8.4.06

E NO QUE A JI-GEIKO DIZ RESPEITO...

... para já, estamos conversados. O resto da comunicação de Sotaru Honda, debruça-se, a partir de agora, sobre como fazer Ji-geiko de 4º dan para diante e coisas semelhantes: como fazer ji-geiko com idoso, mulheres e crianças e tudo mais. Não sendo assuntos que me parecem particularmente relevantes nesta altura, vou dedicar o meu próximo trabalho de tradução a outra comunicação do autor, desta feita, dedicada ao Shiai.

Ah, a propósito de Ji-geiko, que belo Ji-geiko que fiz ontem com Osaka sensei. Fiquei muito contente.
Saudámo-nos. Em seguida, eu, respeitosamente, proferi a frase: Shitsurei-shimassu.?. algures entre uma pergunta e um pedido de desculpas. Ele assentou com gesto e pude assim assumir Jodan-kamae. Quando se faz Jodan-kamae com alguém mais graduado (godan para cima) é de bom tom dizer sempre shitsurei-shimassu. Sim, podia ter dito "goburei-shimassu", mas shitsurei-shimassu, pelo que Osaka san me disse uma vez, é mais bem educado. É uma espécie de desculpa. Significa mais ou menos, desculpe-me pela minha ousadia em assumir uma guarda tão agressiva (eu, um reles verme, um invertebrado que deveria passar o resto da minha vida era em gedan, que é o que mais se aproxima da minha condição de ser rastejante). Voltando ao Ji-geiko, é claro que a seguir levei uma carga de porrada enorme, mas foi uma carga de porrada enorme extremamente educativa.

Abayo.

6.4.06

3. COMO ENCARAR O JI-GEIKO EM CADA FASE DE DESENVOLVIMENTO II.

3-2. Entre 1º e 3º dan.
Do Kendoka destes níveis deseja-se que seja capaz de aprimorar Shikake-waza; é também importante que tente utilizar uma grande variedade de tércnicas, por sua própria iniciativa. Por outro lado, deve atacar não só avançando, mas também usar activamente Hiki-waza (recuando) e deve sempre lembrar-se que deve completar o seu ataque. Tal como mencionado anteriormente, ganhar ou perder não constitui uma prioridade no Ji-geiko. Não se deve preocupar apenas com as vezes que atingiu ou que foi atingido pelo seu adversário, mas reflectir no processo de “como e porquê” atingiu e/ou foi atingido.

“Utte-hansei, utarete-kansya”, ou seja, pensar no nosso ataque depois de ter atingido o adversário com sucesso e agradecer-lhe quando ele nos atinge, é uma atitude esperada nos Kendokas deste nível.
Os praticantes nesta fase devem, além disso, começar a reflectir nas três maneiras de se impôr a um adversário (San-sappo) em Ji-geiko. Uma é matar o Ki (espírito) do adversário. Trata-se de abater o Ki do oponente demonstrando o poder total do nosso. Outra é matar o Ken (espada) do opositor. Isso significa controlar a ponta da espada contrária restringindo os seus movimentos ou anulando-os. A terceira, e última maneira, é matar a Waza (técnica) do adversário. Por outras palavras, antecipar o seu ataque, não lhe dando qualquer oportunidade de o executar (All Japan Kendo Federation, 2000, pp. 79-80).
Nesta fase, ainda é certa uma maior utilização de Ken e Waza do que de Ki para se sobrepôr ao adversário e antecipar o seu ataque. Kendokas neste nível tem ainda Waza(s) para aperfeiçoar (nesta altura é ainda demasiado cedo para começar a fazer Kendo que ponha um maior enfâse em derrotar o adversário através da força da personalidade ou presença (Ki), tal como os kendokas de nível 6º ou 7º dan conseguem fazer.). Encoraja-se o uso de uma maior variedade de Waza em Ji-geiko, através de um uso mais activo do shinai, de deslocações e de esquivas mas também são encorajados para usar Oji-waza (bloqueios) numa proporção de 2 para 8 em relação a Shikake-waza (técnicas de ataque simples). O importante aqui é compreender o conceito fundamental de Oji-waza. Não se deve esperar que o opositor ataque e responder ao seu ataque. Deve-se atraí-lo para uma situação que nos seja vantajosa assim que ele executa o seu ataque. Nunca seremos capazes de executar Oji-waza com sucesso se apenas ficarmos à espera que o adversário tome a iniciativa. Deve-se tentar mostrar espírito atacante sem bater com os pés no chão ou fazer movimentos com o shinai e colocá-lo numa posição em que o seu ataque até é benvindo (Nota Trad.: Porque já o esperamos e podemos assim controlá-lo).
Há certas pessoas que pensam que a razão pela qual não conseguem fazer Oji-waza se deve à sua (falta de) habilidade técnica, aos seus movimentos e à forma como os executam. O que devem pensar, em vez disso, é se estão ou não a tentar atrair o adversário para que ele inicie o ataque.
Neste nível, não é pedido que se seja capaz de executar Oji-waza sem pensar, mas apenas se encoraja o seu uso no Ji-geiko, desde que mantendo sempre em mente o conceito fundamental atrás referido.

Este texto é parte de “Atitudes para com o Ji-geiko”. Um artigo da autoria de Sotaro Honda, 6º dan Renshi e Treinador da Equipa Britãnica, gentilmente cedido pela BKA - British Kendo Association.

4.4.06

OLD KENDO

Só visto. E VALE A PENA VER. Kendo dos anos 50, quando ainda valia fazer rasteiras e projecções. Um espectáculo.
http://www.youtube.com/watch?v=VsX1A2EIndY&search=kendo

ACERCA DO PRÓXIMO TORNEIO: ISTO É SÓ UM AVISO.


Belíssima foto de Toda Sensei encontrada em http://www.jexmatex.net/taikai2005/index.html.

3.4.06

3. COMO ENCARAR O JI-GEIKO EM CADA FASE DE DESENVOLVIMENTO.

3-1. Graduações Kyu
Em primeiro lugar, o ponto mais importante que o Kendoka deste nível deve ter em mente é de tentar de usar as técnicas (Shikake-waza) por sua própria iniciativa. Não se limitar a Men ou Kote, mas tentar usar TODAS as técnicas que aprendeu em Kihon-geiko e Kata-geiko. Não deve ter medo de falhar ou ser derrotado. É de esperar que o Kendoka se aperceba gradualmente do timing apropriado de cada uma das técnicas, à medida que as utiliza quando toma a iniciativa de atacar. Outro ponto importante é que não deve parar o seu movimento depois de atacar, mas sim tentar completar o ataque e rapidamente preparar-se para a próxima acção. É frequente no Ji-geiko que os principiantes percam a atenção (e a guarda) assim que concluem o primeiro ataque e enquanto voltam para onde estavam antes de o iniciarem. É fulcral manter a concentração, onde quer que se esteja, e preparar-se para a próxima acção assim que se conclui o primeiro ataque.


Em segundo lugar, é normal que a maioria dos principiantes não tenha ainda aprendido, nesta fase, como se defender. Dá-se também o caso de os principiantes não saberem exactamente o que fazer; permanecerem ausentes e estáticos sem tentar responder aos ataques, ou então fechar os olhos e contrair os ombros, por vezes recuando ou fugindo, sempre que o adversário toma a iniciativa de atacar primeiro. É também razoável assumir que podem até sentir medo perante o ataque do opositor.
O que é importante aqui é (ajudá-los a) compreender as noções de Ko-bo-ichi e Ken-tai-itchi (N.Tr.: Não confundir com Ki-ken-tai-no-itchi). Estas expressões ilustram a importância de estar sempre física e intelectualmente preparados para se defender de um eventual contra-ataque do adversário enquanto estamos a atacar, mas também preparados para contra-atacar enquanto defendemos (All Japan Kendo Federation, 2000, p. 47).


O acto de defesa não existe, por si só, no Kendo.

A defesa existe tendo como objectivo o ataque ou o contra-ataque.

Usar uma defesa adequada possibilita-nos atacar imediatamente a seguir, mas não se deve permanecer estático e simplesmente defender utilizando só o shinai. Deve-se manter os joelhos relaxados e defender usando o shinai e sabaki (esquivando).
À medida que se ganha experiência, adquire-se também uma gama maior de Waza e um melhor timing. Nesta fase, deve-se encorajar a utilização de técnicas com movimentos grandes, que envolvam todo o corpo, a não confiar em técnicas com movimentos pequenos e a não tentar apenas atingir o adversário mais vezes do que ele nos atinge a nós.
Se, nesta fase, se criam maus hábitos na maneira de atacar e defender , demorará muito tempo até que eles desapareçam. É importante reflectir sobre a maneira com que encaramos o Ji-geiko, ouvindo os conselhos dos Sempai e Sensei, mas também através de um auto-exame

Este texto é parte de “Atitudes para com o Ji-geiko”. Um artigo da autoria de Sotaro Honda, 6º dan Renshi e Treinador da Equipa Britãnica, gentilmente cedido pela BKA - British Kendo Association.

2.4.06

TORNEIO DO PORTO 2006 (INCLUI PRÉMIOS USAGI SAN)

Decorreu ontem no FCDEF (fuck a def?) o torneio do Porto de Kendo 2006.
Desta vez, e visto que fui árbitro (e como, aparentemente, não havia vencedor pré-determinado) tive de estar (mesmo mesmo) com muita atenção aos combates. Assim, gostaria de deixar aqui a minha impressão a propósito do assunto.
Primeiro a parte negativa: não houve. Ou se houve, não dei por ela. Foi tudo muito escorreito... beuh, que palavra.
Enfim, alguns participantes, mais por ignorãncia do que por desrespeito, ainda não conhecem bem as regras de competição. Precisam de aprender quais são as suas obrigações enquanto estão dentro do shiai-jo; mas enfim, nada de especial.
Ah, sim, uma coisa negativa: fiquei lixado por me terem dito que não havia goodwill-geiko no fim e depois haver goodwill-geiko no fim. Não levei o kendo-gu e depois fiquei a olhar para o boneco, enquanto toda a gente se divertia à grande e à paulada. Mas que se lixe, acho que até foi resultado de tudo ter corrido de maneira tão.... como dizê-lo... escorreita?
Os resultados toda a gente sabe quais foram, mas não custa nada “espetá-los” aqui nesta página. É aquela idéia... assim como a RTP ser serviço público, tão a ver?
OK, então:

1º Lugar - Sérgio Andrade (AKL);
2º Lugar - Henrique Martins (AKC);
3ºs Lugares - Luis Sousa (AKL) e Paulo Martins (AKL);

Fighting Spirit
Helder Sacramento (AKP) e Rui não me lembro do último nome mas sei muito bem quem és, (AKL);

PRÉMIOS USAGI SAN

Uma mão cheia deles. Primeiro os sérios:
Prémio Fighting Spirit: Luis Sousa (AKL);

Prémio de Desempenho Extraordinário: Rui, o tal que não sei o último nome;
Prémio de Desempenho Extraordinário: Vai para um "chavalo", assim grandão, de Coimbra cujo nome ignoro mas que me surpreendeu BUÉ;
Prémio Técnico: Mário Lehmann (AKP);

E agora os prémios especiais do júri:
Começo por um prémio que tem um significado muito especial para mim que é o
Prémio Otário Não Te Queixes Quem Te Mandou Tentar Fazer Por Duas Vezes Kote Ao Paulinho Sabendo Tu Que Ele Faz Sempre Kote-Nuki-Men Nessas Ocasiões? - E que vai, com muito carinho, para o meu irmão (ver rodapé do post);

Uma excelente série de ippons usando Men está na origem do prémio seguinte, o
Prémio Quem Me Dera Ter Menos Vinte Anos Para Poder Ser Assim Tão Rápido
também conhecido como
Prémio “Dor De Corno” Do Autor Deste Texto - Este vai para o “puto” Joni;

Seguimos para o
Prémio Tanto Trabalho Para Empatar A Meia-Final E A Seguir És Comido Como Um Patinho (Hehehe) - Luis Sousa;

E para acabar em beleza o prémio para o melhor ippon do campeonato:
Prémio Porra Até Que Enfim Alguém Vai Atrás Do Adversário E Lhe Espeta Um Grande Men No Toutiço Quando Ele Se Vira, Em Vez De Ficar De Braços Cruzados À Espera Que Ele Volte Para O Meio Do Shiai-jo - Nem preciso de dizer o nome do contemplado, não é verdade?

(Nota: não, querida, não arbitrei NENHUM dos combates dele, não te canses, sequer a investigar. Oh! Terá sido por isso que ele não ganhou???)

24.3.06

2 - O QUE JIGEIKO DEVE SER

Não deve haver uma oscilação de preferências entre Kihon-geiko, Kata-geiko e Ji-geiko.
É importante encarar Ji-geiko como um meio de utilizar as diferentes Waza (técnicas) adquiridas durante Kihon-geiko e Kata-geiko. Ao fazê-lo temos a oportunidade de melhor compreender o significado e o propósito de cada um desses Keiko e aumentar o nosso interesse por cada um deles de cada vez que os praticamos. Como foi atrás mencionado, Ji-geiko destina-se a dar a oportunidade de testar a nossa habilidade em condições de combate livre, rão-restrito. A juntar a isso, Tomiki (1991) faz notar que o propósito de Ji-geiko no Kendo moderno é o de nos permitir compreender os aspectos estritamente espirituais do Kendo enquanto Budo. No passado, os Bujutsu-ka (praticantes de Bujutsu) apenas podiam apreender a sua habilidade ao derrotar adversários e ao sobreviver a, literalmente, situações de vida ou de morte. Esse lugar de batalha pela própria vida do passado, foi convertido numa área de competição onde todos usam Kendogu e onde se pode atacar e defender em segurança. No Kendo moderno, espera-se do Kendoka o controle sobre o conflito emocional das situações competitivas. Por isso, para desenvolver a habilidade e o espírito enquanto Kendokas completos, é essencial compreender como Ji-geiko deve ser encarado e praticá-lo correctamente. E a maneira de praticar Ji-geiko não é a mesma para toda a gente. Com os principiantes há uma maneira certa que os mais avançados devem utilizar para praticar Ji-geiko, consoante o nível desses mesmos iniciados. A aplicação de Ji-geiko, muda mais ou menos consoante os conhecimentos que a pessoa tenta adquirir ou melhorar através do Ji-geiko e também com quem estamos a praticar (p.e. com Kohai, Sempai, alguém mais idoso, do sexo oposto, etc.).
O restante deste artigo explica como encarar o Ji-geiko, de acordo com as diferentes fases de desenvolvimento de cada um.

Este texto é parte de “Atitudes para com o Ji-geiko”. Um artigo da autoria de Sotaro Honda, 6º dan Renshi e Treinador da Equipa Britãnica, gentilmente cedido pela BKA - British Kendo Association.

23.3.06

1 - A RELAÇÃO ENTRE KIHON-GEIKO, KATA-GEIKO E JI-GEIKO

Tal como Ji-geiko, também Kihon-geiko e Kata-geiko são elementos indispensáveis do treino de kendo.
No Kihon-geiko, as técnicas são repetidas uma vez e outra e outra, numa situação pré-determinada, de modo a que o praticante se torne capaz de as executar correctamente, com um bom Ki-ai e uma boa postura final, demonstrando Ki-Ken-Tai no Itchi.
Kata-geiko coloca maior enfâse na utilização da espada do que Kihon-geiko (uma vez que os kata são normalmente executados com um bokuto). Kata-geiko é também onde aprendemos a respirar como deve ser, utilizando o abdomén.
Kihon-geiko, Kata-geiko e Ji-geiko não existem separadamente. É suposto estarem ligados nas suas fundações. Há algumas pessoas que desempenham maravilhosamente em Kihon-geiko e Kata-geiko, mas que perdem a postura e a coordenação entre braços e pernas durante o Ji-geiko. Isso não será um problema se essas pessoas estiverem a desenvolver um trabalho que visa ultrapassar as suas inabilidades no Ji-geiko.
No entanto, há outras pessoas que centram a sua atenção apenas em derrotar os seus adversários e em desferir mais golpes do que o oponente. Este tipo de atitude no Ji-geiko reflecte uma preocupação exclusiva em ganhar apenas nesse preciso momento. Em contraste, há outros que preocupam apenas com a sua postura e aspecto formal e dão menos atenção ao Chu-shin (controle do centro) e Seme-ai. Tudo isto não é relevante se as pessoas que o fazem, o fizerem intencionalmente, com o objectivo de ultrapassar os seus mais variados problemas (p.e. tentar manter as costas direitas quando atacam).
Se não estão a tentar resolver quaisquer problemas, então tais abordagens apenas servem para degradar o Ji-geiko, tornando-o numa mera performance e, assim, impedindo-nos com a sua atitude errada de experimentar o real prazer da prática de Ji-geiko.

Este texto é parte de “Atitudes para com o Ji-geiko”. Um artigo da autoria de Sotaro Honda, 6º dan Renshi e Treinador da Equipa Britãnica, gentilmente cedido pela BKA - British Kendo Association.

NOVO MATERIAL

Diz o povo que "quem não tem vergonha todo o mundo é seu".
Eu mandei a vergonha às urtigas e enviei um mail para o webmaster da BKA British Kendo Association, pedindo autorização para traduzir uns artigos da autoria do treinador da equipe inglesa, o sensei Sotaro Honda.
E não é que povo tinha razão? Nem cinco minutos se tinham passado quando recebi a dita autorização.
Assim, nos próximos tempos vou dedicar algum do meu tempo livre a traduzir para vós, caros camaradas kendokas portugueses, três (extensos) artigos dedicados ao nosso "favorite pastime".
O primeiro chama-se "Atitudes para com o Ji-geiko" e já comecei a respectiva tradução; o segundo chama-se “Atitudes para com o Shiai” e o terceiro "Tácticas em Kendo".
Espero que gostem... se não gostarem... pois... paciência. Quero lá saber.

ATITUDES PARA COM O JI-GEIKO

“Atitudes para com o Ji-geiko” é um artigo da autoria de Sotaro Honda, 6º dan Renshi e Treinador da Equipa Britãnica, gentilmente cedido pela BKA - British Kendo Association.

Introdução
Ji-geiko é a essência do treino de kendo. Durante o Ji-geiko, nós, kendokas, podemos tentar utilizar as técnicas em situações não-restritas. Podemos também aprender e adquirir conhecimentos sobre o que fazer antes de atacar (Seme) ou acerca de como reagir ao Seme de um oponente (suas intenções e ataque). Graças ao Ji-geiko, podemos reconhecer com que técnicas somos, ou não, eficazes e o Ji-geiko pode guiar-nos nos próximos Kihon-geiko e Ji-geiko de forma a melhorarmos a nossa progressão técnica. Mas, além disso, também proporciona maneiras de desenvolver a nossa habilidade e o espírito de verdadeiros kendokas.
Se abordarmos o Ji-geiko da maneira errada, focando-nos apenas o objectivo de bater o adversário, não devemos esperar no futuro um desenvolvimento real enquanto kendokas. É por isso importante, antes de mais, envolvermo-nos no Ji-geiko com a compreenção correcta do mesmo.
Assim o propósito deste artigo (parte 1) é reexaminar a relação entre Kihon-geiko, Kata-geiko and Ji-geiko, seguido de uma reflexão de como esse último deve ser praticado.


17.3.06

MENOS UM 8º DAN KYOSHI NO MUNDO.



Foi com muito prazer que descobri outro dia, no site da ZNKR, que o sensei Kazuyoshi Okada, que nos visitou há uns tempos atrás, já é Hachidan HANSHI.
Muitos parabéns, Okada sensei.

10.3.06

KENDO NÃO É FUTEBOL 2

"Ou seja mais uma vez as raparigas ficam de fora??? Alguma razão válida... ou o "Sr" Nuno Serrano e o "Sr" Luis não estão para apanhar "secas" na arbitragem?... ou talvez a Namorada do "Sr" Luis não possa participar e logo não valerá a pena organizar um torneio feminino...afinal de contas teriam [MM (mesmo mesmo??)] de estar com atenção aos combates visto não haver desde o iníco uma vencedora planeada."
Post encontrado no forum da Associação de Kendo do Porto.

É muito triste.

1.3.06

ARIGA SENSEI



E, no fim de contas, não foi assiiiim tão duro como isso. Confesso que estava à espera de uma coisa muito mais "agreste". Nem houve kakari-geiko...
Enfim, mesmo com o pé esquerdo e o ombro direito a funcionarem a 50% consegui fazer o estágio... hum... numa boa, diria.
Importante importante, para mim, foram aquela meia-dúzia de minutos em que tive ocasião de fazer gi-geiko com alguém que já ganhou 4 medalhas de bronze em campeonatos do mundo. Apesar de ser um tipo de kendo ("de polícia") cujo visual não aprecio particularmente, tenho de me render à evidência quanto à sua, óbvia, eficácia.
Mas também daqui a dez ou vinte anos possivelmente ninguém se vai lembrar que existiu kendo "de universidade". Não sei os números certos mas, se calhar, hoje em dia uns 80% (ou mais) dos 8º dan devem ser polícias.
NOTA FINAL: Agora, muito muito muito educativo foi o gi-geiko de ontem na Patrício Prazeres entre os senseis Osaka e Ariga.